sábado, 25 de abril de 2009

Sinal de vida muito além das pedras tumulares




A maioria das pessoas pensa que deixar o mundo material é integrar-se (ou desintegrar-se) no nada. Povoa ainda na cabeça de muitos, a idéia de que morrer significa largar tudo e se perder até da memória dos mais queridos.

Esta noite, sonhei que estava cumprindo mais um exame. Era sonho ou desprendimento. Eu ainda não sei atinar bem quando é uma ou outra coisa. Sei que estava fazendo uma prova.

É incrível como a cada fim de mes, eu adentro salas de aula; convivo com turmas que desconheço, mas que são íntimas enquanto sonho e, como me preocupo a cada final, em dar uma (ou mais) resposta nas provas.

Eu sei que neste sábado eu ouvia (não via) alguém alguém fazendo uma pergunta e pedia que eu a transmitisse a uma pessoa que eu conheço. Eu não sei se vou ter coragem de chegar e dizer que nas nuvens, onde tenho um bangalô, alguém manda notícias.

Se ela me perguntar quais, eu nem saberia dizer. Sei que pedia para dizer, como se fosse esse o sinal de continuidade. O sinal de vida.

Interessante, nesses sonhos e desprendimentos, provo a mim mesmo que o mundo é muito mais do que veem os meus olhos. É muito mais além do que ouvem meus ouvidos. É muito mais infinito, do que penso - e, jamais, aquela estória de que ao morrer, terminamos. E sobramos na paisagem, via pedra sepulcral, por onde voam andorinhas ao final de cada dia...

sábado, 11 de abril de 2009

Pedido de quem está do outro lado, mas permanece aqui


As ruas da outra dimensão são constituídas de uma essência tão etérea que a visão humana não consegue alcançar a não ser quando dispensamos a vigília e caímos no sono que nos promove desassociarmos do corpo.

São nessas ocasiões em que desprendidos, atingimos a vibração necessária para adentrar no que se configura como o mundo dos espíritos e então convivemos com a realidade que ali se estabelece.

Hoje foi o dia em que encontramos uma antiga interna da Colônia de Hansenianos de Maracanaú. Guilhermina é o nome dela. Desencarnou no ano passado. Sempre que visitamos o hospital íamos conversar na residência dela e, no seu jeito curioso de tratar todo mundo, ela fazia que brigava comigo por ter me ausentado da última visita.

Pois hoje a encontrei num carro. Dirigindo. E aí é que vem a explicação da mensagem que o espírito fala e o cérebro guarda a imagem para conseguir traduzi-la quando desperto.

Eu me surpreendi com ela dirigindo um táxi e ela me mostra os pés sãos, reconstituídos - em vida na matéria, ela demonstrava não gostar de mostrar os seus pés deformados pela doença - como a dizer que já estava 'dirigindo os seus passos", "conduzindo-se por ela mesma".

Mas o que mais me tocou nessa efusão de amizade e gratidão foi o recado que ela me pediu para retransmitir ao Cantal (Wilson Cantal é o coordenador do Grupo Espírita Bemvindo à Caridade).

"Avise a ele que meus filhos estão metidos com drogas..." terminava com um quase apelo em favor da vigilância sobre eles. Desperto, telefonei ao Cantal e ele me confirmou que uma filha dela anda com problemas. Vamos tentar tudo para atender a um pedido de quem está do outro lado, mas permanece aqui, ligada pelos fios do coração.