sábado, 11 de abril de 2009

Pedido de quem está do outro lado, mas permanece aqui


As ruas da outra dimensão são constituídas de uma essência tão etérea que a visão humana não consegue alcançar a não ser quando dispensamos a vigília e caímos no sono que nos promove desassociarmos do corpo.

São nessas ocasiões em que desprendidos, atingimos a vibração necessária para adentrar no que se configura como o mundo dos espíritos e então convivemos com a realidade que ali se estabelece.

Hoje foi o dia em que encontramos uma antiga interna da Colônia de Hansenianos de Maracanaú. Guilhermina é o nome dela. Desencarnou no ano passado. Sempre que visitamos o hospital íamos conversar na residência dela e, no seu jeito curioso de tratar todo mundo, ela fazia que brigava comigo por ter me ausentado da última visita.

Pois hoje a encontrei num carro. Dirigindo. E aí é que vem a explicação da mensagem que o espírito fala e o cérebro guarda a imagem para conseguir traduzi-la quando desperto.

Eu me surpreendi com ela dirigindo um táxi e ela me mostra os pés sãos, reconstituídos - em vida na matéria, ela demonstrava não gostar de mostrar os seus pés deformados pela doença - como a dizer que já estava 'dirigindo os seus passos", "conduzindo-se por ela mesma".

Mas o que mais me tocou nessa efusão de amizade e gratidão foi o recado que ela me pediu para retransmitir ao Cantal (Wilson Cantal é o coordenador do Grupo Espírita Bemvindo à Caridade).

"Avise a ele que meus filhos estão metidos com drogas..." terminava com um quase apelo em favor da vigilância sobre eles. Desperto, telefonei ao Cantal e ele me confirmou que uma filha dela anda com problemas. Vamos tentar tudo para atender a um pedido de quem está do outro lado, mas permanece aqui, ligada pelos fios do coração.