sábado, 20 de fevereiro de 2010

Velhas cartas... O passado, passou...


Estimada M,

Abraço-te repleto de saudades. E se volto ao teu convívio, nada mais há que possa de novo alterar-te o que já escrevera antes.

Saiba tu, que estou como devo estar. E deveriam, todas as criaturas. Marcado de paixão; algemado à saudade tua. Mas nem por isso, devo arrastar-te outra vez até a árvore onde deitamos nossos corações por entre a flecha;

tampouco gostaria de te convidar a devolver as rosas que roubei de um jardim. Elas tuas são... Não podemos mudar a face do mundo.

Somos o que somos. Nossos pensamentos, ninguém há de alterá-los. A roda dos séculos envidará esforços e nutrirá de sede e fome nossos desejos. Mas devemos permanecer, como somos. Nós mesmos...

... os felicitadores de nossa felicidade;
... os juízes de nossos julgamentos;
... os atores de nossos dramas e comédias.

Em verdade, em verdade, ninguém ousará pisar os canteiros do tempo para tentar remendar as partes do jarro. Ele se quebrou. Com isso, ansiamos por novas vestes;

clamamos por outras vozes;

mas sem que nunca, em momento nenhum, necessitemos de alterar o nosso eu... aquele mais íntimo chamado anima, que comanda a usina de nossos corações e mentes,

e onde gravadas estão as promessas nossas de eterno amor...

Se não for nesta, quem sabe... na próxima aventura chamada Vida.

seu estimado, Eu


Página encontrada no lixo da casa
do que já foi e que continua sendo