terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

É ter na mente


Não espere da vida somente a claridade da luz, porque sem as trevas seria impossível significá-la; nem tente conviver apenas com quem é certo, pois há muito o que aprender com aqueles que vivem o lado errado das coisas.

Não é feliz aquele que ignora a infelicidade dos outros, pois para se conhecer a alegria temos que, necessariamente, apreciar o valor da tristeza.

O mundo não é feito somente de abelhas, que produzem a suavidade e a docura do mel. As moscas existem e têm lá sua contribuição importante na higiênica forma de serem atraídas pelo que não é puro.

Não tente imaginar o dia sem a presença da noite que o divide e que, de forma mágica, consegue dimensionar a esperança do amanhã.

Nenhum conceito de bom é exatamente correto, pois que nada é perfeito no reino das coisas materiais. Tudo ainda está por se definir. Não creia na perenidade do mal sobre o bem, pois que ele é apenas a ausência dessa virtude.

O mundo não é feito somente de andorinhas que, juntas, conseguem atrair a temporalidade dos verões; os corvos e as gralhas que nele habitam, têm o seu significado e só os que já se alfabetizaram no amor, conseguem decifrar sua hermética mensagem.

Não se impressione com o fim vida das coisas e das pessoas; não acredite nos que dizem que tudo acaba, que tudo é finito.

A verdade sábia das coisas tem lições significativas quando nos propõe que tudo o que ´aparenta´, não revela o seu eu verdadeiro, nem tudo o que se transforma significa que deixou de existir.

Não creia nos que não creem na vida eterna, pois esses são eternos endividados da vida e buscam sempre uma oportuna chance para provarem a si o que realmente existe.

As pombas têm seu espaço na tradição mensageira da paz; mas nem por isso deixemos de reconhecer o valor das águias e dos falcões. Se eles ainda transitam nas salas-de-aula do instinto, é para que avaliemos a maturidade dos que já atingiram o curso superior dos domínios do coração.

Não se impressione com os carvalhos que dobram os séculos diante da fragilidade da relva profanada pelos pés; tanto há beleza nos sagrados mistérios dos golfinhos e das baleias gigantes, quanto nos cardumes de pequenas sardinhas que alimentam bocas esfomeadas.

Há tempo de sonhar, como há tempo de viver apenas realidade dos sonhos. Importa saber SER, porque afinal TER é apenas conseqüência de quem buscou reunir patrimônio de uma vida, enquanto o arquivo do eu guarda reminiscências de vidas múltiplas, multiplicadas.

O que foi, é e será. O que é, deixará de ser; para se transmutar em saudade viva, mas o que vive no eterno, esse eternamente o é.


Nonato Albuquerque
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REENCARNAÇÃO. O conto da lâmpada queimada


No tempo em que os bichos e as coisas falavam, duas lâmpadas tiveram um choque de idéias. Uma dizia que uma outra lâmpada da sala havia sucumbido.

- Ela apagou-se! - dizia uma

- Não, ela parece apenas ter cochilado - dizia outra desconfiada.

- Pois eu acho que ela se queimou.

- Queimou nada, mor-reu!

- Pois sempre ouví dizer que toda luz que se apaga, um dia volta a acender de novo.

- Conversa besta, quem morre, nunca mais vive

Ficaram nessa discussão toda que entrou noite à dentro, até que um velho lampião de gás, desses antigos que guardam sabedoria e experiência, reivindicou a palavra e acendeu sua luz sobre o assunto.

- Calma, amigas. Nem tudo que reluz é ouro, já dizia o antigo ditado. Mas nem tudo que deixa de ser, quer dizer que acabou. A luz não morre. O corpo de vidro pode quebrar, acabar; mas a energia é contínua.

Dia virá, insistiu ele, que alguém com outra lâmpada a reinstalará no espaço vazio deixado pela lâmpada quebrada. E aí, uma vez seguinte, tudo voltará a se iluminar. É a lei da Vida. E ela é plena. Contínua. Sempre.

As duas lâmpadas piscaram agradecidas, no exato instante que uma mão acionou a tomada e as tirou de cena. O lampião baixou seu fogo e adormeceu tranquilo.