domingo, 1 de maio de 2011

Descrição de um desdobramento neste 1º de maio


Hoje foi só um encanto
enquanto
do corpo estive fora
embora
no sonho eu veja
sobeja,
inveja e destrato.

Estava em companhia
nesse dia
de Buarque
marque só, ele estava em ação
em gravação
num estúdio.

Lembro-me de passagem,
a imagem
de Nelson Augusto
justo
com outras pessoas
em boas
companhias.

Alguém pede a Chico -
e eu fico
surpreso, cara -
para
fazer fotografia
se podia,
ele autoriza.

No momnento em que o artista
avista
o microfone seu
meu
olhar vê luzes que se acendem
e se rendem
a ele todas.

Ele canta uma cantiga
antiga
de seu novo canto
enquanto
entram crianças
em danças
pelo ambiente.

Vou próximo ao Chico;
fico
ali perto, sem eira
nem beira
do cantante
no instante
em que eleva a voz.

Fico ali mudo, enlevado;
sagrado
momento aos fãs fiéis:
aos pés
do Chico, uma ovelha
se ajoelha,
cena incrível.

Ouço violinos soarem;
gritarem
vozes: 'silêncio
na sala'.
É que a criançada
levada
da breca, se agita.

Vou até o fim da sala
que exala
inefável brisa.
Divisa-se
uma luz derramada
do nada
em torno do artista.

Pego o celular, assim que a noto
uma foto
era só meu desejo.
Mas vejo
a produtora
que explora
a sala e a proíbe.

Resolvo sair dali, calado
marcado
pela maneira abrupta
a luta
deu em nada, contudo
tudo
havia sido autorizado.

Chico dera a autorização
não
a mim, mas a gente
presente,
em preto e branco
franco,
fossem as fotografias.

Saí entristecido e já na rua
nua
de gente, vozes murmurando,
narrando
de onde eu estive
e que vive
ainda o ar sagrado.

"Resta ao artista essa festa
nesta
cidade"... eu acordo
e mordo
a língua minha
com uma palavrinha
absurda.

'Puta' estive desdobrado
lado a lado
com meu artista
na lista
desse meu sonho
medonho
final, que barato.