domingo, 3 de julho de 2011

O SINAL. Alguém do lado de lá me diz coisas

Há coisas que, só vivendo, a gente acredita. Contadas por outro, duvidar-se-ia. É o caso que ocorreu na semana que passou comigo. Na terça feira, 28 de junho, eu ia de carro para o trabalho e pensei muito numa amiga que morreu há dois meses, a Lena Belotto. E por saber do conhecimento de espiritualidade que ela tinha - quase todos os dias conversavamos ao telefone sobre assuntos do plano astral -, surpreendia-me que ela ainda não houvesse aparecido em sonhos ou dado algum sinal de vida do outro lado.

Ao sair da televisão no começo da tarde, deparei-me com uma senhora humilde, de uns 50 e poucos anos, no portão que pediu dois minutinhos para uma conversa comigo. Parei para ouvi-la e ela, segurando minha mão, confessou-me estar ali a mando de uma pessoa amiga minha. Relutara muito em vir, pois não me conhecia, mas com o marido desempregado e dívidas a pagar, resolveu fazer-me um pedido. Pensei logo em mais uma pessoa querendo utilizar da tv para algum apelo beneficente. Mas estava enganado.

Antes de entrar em detalhes, ela parecia fazer questão de me preparar para o que iria contar. "O senhor me perdoe, mas quem me mandou aqui foi uma amiga sua, dona Lena..." Eu arrepiei. E antes que eu pudesse dizer que ela já tinha morrido, a senhora me disse: "eu sei que ela já morreu. Mas deixe eu contar para o senhor".

Ela passou a narrar que fora ajudada pela dona Lena em outras necessidades - a Lena integrava o grupo Emaús de auxílio às pessoas carentes - e, agora, necessitada, arranjara uns panos de cozinha para vender, a fim de ajuda na compra das coisas de casa. Mas não tinha a quem vender, não sabia a quem procurar. Pediu uma luz. E a noite sonhou com dona Lena dizendo "vá até o Nonato da tv que ele vai te comprar".

Sorri por dentro de satisfação, principalmente, quando a senhora acrescentou: "Ela me disse ser o sinal, que eu acho que seja para que eu pudesse vender ao senhor...". Sim, minha querida; era o 'seu' sinal, mas era o meu também. Eu que estava a reclamar de notícias de quem sempre falou do outro lado com tanta naturalidade e que, certamente, depois da mudança, não acharia dificuldades para me dar pelo menos uma resposta de a vida continua. Essa 'vendedora' era a porta-voz de Lena. E Lena, mais um vez, respondia, ajudando fraternalmente a quem precisava de sua ajuda.