domingo, 12 de agosto de 2012

para os que ficarem depois que eu já tiver ido 

O corpo que agora baixa à essa sepultura, 
Não sou eu - diria o morto se fosse ouvido. 
É apenas o invólucro temporário que a essa altura 
Estende-se ao chão, da vida agradecido. 

A alma que eu sou e mostra desenvoltura, 
Permanece de pé, com todo o seu sentido. 
Eu permaneço ativo, vivo essa aventura 
Que a vida me propôs e a tenho defendido. 

Ah! crença vã dos que pensam dessa maneira 
Que ao último suspiro, a vida entrega os pontos. 
Como gostaria eu de provar a todos quantos 

assim mourejam na Terra essa fé sem eira, 
Que somos eternos e ambientamos contos 
Que em outros planos se renovam em cantos.