sábado, 16 de fevereiro de 2013

OS DOIS CÃES QUE ALIMENTO

de Nonato Albuquerque.



Há um cão dentro em mim que ladra e morde

Toda vez que uma palavra insana o provoca.

Reage bruto e rude, desde que assim o acorde

E dê a ração da qual se alimenta em sua toca



Há, no entanto, um outro cão, sereno e calmo,

Que se faz prestativo e dócil, um cão presente.

Que me dá segurança e comigo, palmo a palmo,

Anda, assim eu o deseje, assim eu o alimente.



Vez em quando me flagro intempestivo e forte

A bramir raivoso o instinto que eu comporte;

É que dou talas para que o cão se mostre audaz.



Toda vez, porém, que todo gesto meu insista

Em ser calmo e dócil, o que eu exponho à vista

É o cão sereno em mim que vence o cão mordaz.