segunda-feira, 13 de maio de 2013

Saudades quintanas
De Nonato Albuquerque 

Na ruazinha onde eu existo agora,
Depois que me fiz passado
- embora eu seja presente! -

um menino tristonha saudades
Do menino que foi triste
Por não ser mais inocente...

Anjo decaído nesse chão novo,
O menino deixou seu porto
- alegre com a nova chegada ¿

E fez dos seus malabares
Versos que fez quando em vida
- uma canção alentada -

pra não se ver tão sozinho.
Alma de anjo, o menino
Se faz tão afortunada!

Sei que do outro lado do mundo,
Alguém irá ler o poeta
- mater matéria ausente! -

sem notar que a poesia ali em frente
É o corpo e o sangue
Do poeta, derramados.

De NONATO ALBUQUERQUE