domingo, 22 de dezembro de 2013

As fábricas da morte

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De Nonato Albuquerque



Eu trago em mim a dor de tanta gente
Deportada que foi em vagões para o Leste,
Fosse da França ocupada por nazistas,
Ou da Eslováquia pagando vil bagatela.

Eu trago o grito de dor dos meus amados
Subtraindo a vida em guetos e nos campos
Onde o zyklon B abafava todos os gemidos
nas fábricas da morte montadas na Polônia.

Eu trago a alma manchada de medo e ódio
Dos vermes  que roubaram nossas famílias
Para Treblinka, Auschwitz, Dachau e Sobibor.

Trago, porém, a coragem dos resistentes,
Cujos filhos e netos florescem em campos
Alimentando a Vida que eles nos negaram.