domingo, 29 de dezembro de 2013

PÁGINAS DE LONTANO - A DE NOS VER EM OUTROS SÍTIOS


E se as pessoas do mundo soubessem ser possível acreditar que a realeza dos sonhos é crível, certamente o âmago de toda questão que divide as opiniões se aclimataria ao senso do ideal.
Se deixássemos à margem as questiúnculas inúteis, que sobrepovoam as discussões do transcendente e aparentássemos um espírito de abertura ao novo, a sociedade dos homens, certamente, solidificar-se-ia na magnitude dos seus gestos.
Mas se somos imperdenidos a ter com os nossos oponentes, a franquia da concórdia, ressaltando apenas os nossos pontos de vista particulares, idiossincráticos, não poderemos aguardar a unidade que é a base de toda a vivência humana.
Claro que, aqui, estabelecida não está a tese de sermos todos objetos do mesmo pensar, termos a mesma concordância de opiniões – a democracia se estabelece na multi-facetária forma dos contrários. Mas é preciso abrir-se ao leque de probabilidades que a vida oferece.
Nas mudanças que contemplamos nesses sítios, divisamos ainda individualidades vocacionadas ao pensamento individualista – às vezes, tirânico -, sem projetar filigranas de opor-se a si próprias e deixar-se abrir às clareiras do novo.
Foi preciso antagonizar-me comigo mesmo e deixar que a mente absorvesse esses novos sentimentos da alma, por mais inquietações que eles possam nos envolver.
Passamos uma vida toda, reticentes à crença simples do aldeião acostumado apenas ao sermão do pároco, sem discutir um naco do que possa ou não ser possível.
Em meus sonhos terrenos, agigantaram-se em mim dúvidas e mistérios. Muitos me deixavam terrivelmente abalado, por não entender seus significados. Conversava muito com (.....) sobre o negativismo que eles me propiciavam. Ela me arguia dizendo ser apenas uma bruma que envolve a mente dos humanos, que tudo esmaecia ao clarão do despertar. E eu me deixava levar por isso.
Despertei do lado que não pensava ser, com aquela mesma claridade dos pesadelos que me dominavam as noites de inquietado sono. Neles, o pensamento dominava apenas a crença do sujeito que sou e não a certeza do que é.
Vezes muitas escrevi sobre o ‘pluf’ do sumir, do deixar de existir. Morrer, para mim, era apenas e tão somente o fim das vibrações físicas, O fim do existir. O sumir do caso do elefante. A balança do tempo, nessa dimensão tridimensional a que me lançaram, pesou essa minha (nossa) teimosia, reivindicando uma grama só de menos implicância com a razão. E não era da minha razão a competência do ser, mas da razão universal. Essa que deixa a alma feliz, sem arroubos de conhecimento; sem visão de domínio, expressando tão somente a pureza do viver.
Quem melhor do que o encontro com (.....) para significar o valor do existir?
Hoje, posso dizer de lontano: o elefante morre, mas o germe de sua essência fica. Em dimensão que mortal nenhum consegue observar.
Certa feita, ao lado dela eu signifiquei a importância da vida e da Terra, ao concluir uma cerimônia de lançamento e dizer: na próxima encarnação eu queria ser uma árvore. Para ficar eternamente na Terra.
Continuo a dizer que nada tenho a dizer sobre arrependimento. Cumpro apenas o meu destino de ser escritor. Mesmo distante, eu vivo.