domingo, 26 de outubro de 2014

POESIA. Trecho do poema 'Urânia' de autoria do sr de Porry


A alma, essa viva força que domina os sentidos,
Aos seus menores desejos súbito obediente, -
Que, como um fogo cativo num vaso de argila,
Consome em seus transportes sua veste frágil; -
A alma, que do passado guarda lembrança
E sabe ler por vezes no obscuro futuro,
Não tem do fogo vital a efêmera centelha
Tu mesmo tu o sentes, tua alma é imortal.
Nos campos do espaço e da eternidade,
Conservando sua permanência e sua identidade,

Não, a alma não morre, mas muda o seu domínio,
E de asilo em asilo sempre passeia Nossa alma,
se isolando do mundo exterior,
Por vezes pode conquistar um sentido superior;
E, no arrebatamento do sono magnético,
Se armar de um novo olho ou do dom profético:
Libertada um instante dos terrestres laços,
Sem obstáculo percorre os campos aéreos;
E, com um ágil pulo, no infinito lançada,
Vê através dos corpos e lê no pensamento.



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Votar é preciso



Quando foi que o País viveu tão intensamente uma campanha eleitoral como essa, onde o confronto entre os candidatos transferiu-se, via redes sociais, aos eleitores através de uma dilacerante carga de energia, manipulada tanto de um lado quanto do outro em disputa.

Os dois contendores, a todo custo, tentaram medir forças, não pelos caminhos compreensíveis do jogo democrático, mas utilizando as armas do denuncismo e dos ataques pessoais.

Esse mesmo sentimento perpassou aos seguidores de cada um, rivalizando-se com a mesma carga de ódio e de agressividade, a ponto de muitas amizades terem sido interrompidas pelo tom inconsequente da campanha.

Votar vai muito além desse embate intempestivo de quem se agarra a uma oportunidade, custe o que custar, haja o que houver. 

Desde que, na velha Grécia, implantaram-se as bases do sistema democrático, o ato de votar tem-se inserido entre os mais importantes exercícios de cidadania. Através dele é que se afirmam os desígnios de cada indivíduo, ao eleger aquele que há de lhe conferir os rumos de sua própria existência. E que não venham dizer que o voto seu não interfere no conjunto, pois isso é indiscutível.

Pelo voto, transferimos aos eleitos, o poder de criar novas leis. De modificar as que se acham em desacordo com a realidade. Com elas, poderemos nos vincular às etapas do progresso ou conduzirmo-nos ao estágio equivocado dos que se utilizam do ‘poder emanado do povo e para o povo’, para locupletar-se e aos seus asseclas.

A nossa Rachel de Queiroz, em crônica escrita lá pelos idos de 1947, na antiga revista O Cruzeiro, lembrava que “votar representa o ato de FAZER O GOVERNO”.

É o voto que permite eleger quem vai interferir na vida de todos. No nosso bolso, principalmente. Seja criando impostos ou subtraindo a já pesada carga tributária. Definindo os índices da inflação e até quanto o trabalhador assalariado vai ganhar a cada reajuste.


É o meu, o seu e o nosso voto, que conduzirão ao Poder os que detenham valores éticos e responsáveis, capazes de transformar a vida do País e de sua gente. E não somente a dos que enxergam o Poder, como instrumento de benefício pessoal e partidário.