sábado, 21 de março de 2015

Andorinhas do mar em folga na beira da praia



Um dia, numa praia deserta, descansava, quando uma nuvem compacta de aves materializou-se no lugar onde estava, proveniente do oceano para o continente. 
 Eram andorinhas do mar. Milhares delas. Como se todas aquelas aves tivessem resolvido voar até ali. 
 Muitas elegeram a areia. A maioria, porém, mergulhava nas águas intempestivamente, para em seguida virem pousar na orla, batendo as asas, como se tirassem delas um enorme peso. 
 A praia ficou pontilhada delas, como se uma manta escura cobrisse todo o chão em volta. 
 O barulho das ondas perdia para o piar das aves. 
 Fiquei inerte. Inebriado pela cena. Silenciosamente quieto. Admirando tudo aquilo.
 De onde teriam vindo essa multidão de pequenas e barulhentas andorinhas, indagava-me.
 Qual era o destino delas.
 Eu diria que elas vieram do nada. Como se uma fenda ou um portal tivesse sido aberto de outra dimensão e, elas, se materializassem de repente. Por uns poucos minutos, isso foi visível. 
 Em dado momento, o piar mais forte de algumas delas parecia despertar o bando, que levantou voo inesperadamente. Era como se os guias alertassem para o fim do descanso. E o retorno à viagem.  A multidão de andorinhas levantou voo. Procuraram se compactar. Sobrevoaram duas vezes, a minha cabeça, com pios estridentes, como para saudar-me e, então, foram sumindo aos poucos, oceano adentro. 
  Meus olhos comeram a paisagem esfomeadamente. E no horizonte, a nuvem negra delas se tornara compacta e desapareceria. 

 Um dia, numa praia qualquer, gostaria de ver isso repetido. O real que eu vivi e que para mim parecia sonho, por enquanto, continua um sonho...