sábado, 16 de maio de 2015

POETAR, ANTES QUE EU MORRA


Ouvi estórias de pescadores,
Cantei odes a poetas vivos,
Lutei contra heróis de DC comics,
E dancei feito besta fera
ao ouvir estrelas de Bilac.

Eu sou quem sou de fato,
Não tenho rima, nem métrica,
Minha veia é só poética
De onde não jorra mais sangue.

Ouvi cantares de mudos,
Fui guia de tantos cegos,
Que hoje todos apegos
Que eu tenho, desapego.

Andei po cantos, parado,
Viajei à Lua, lunático,
Fui hóspede de Chopin.
Quando George era sã.

Militei com Brancaleone,
Mas ele apagou meu nome.
Sou alvo, sou quem atira;
Sou tira, prisioneiro.

Do alto desse penhasco
Eu não avisto mais nada.
Por isso, vou dormir o sono
Dos anjos já esquecidos.