domingo, 26 de junho de 2016

Há quanto tempo eu não tenho um bom tempo

Há quanto tempo
não olho o céu para contar figuras que as nuvens desenham?
Não molho os pés nas poças dágua quando chove?
Não como frutas do pé, como fazia em criança?
Não invento cantigas sem pé, sem cabeça
Pelo único desejo de cantarolá-las?
Há quanto tempo não somo mais as placas dos automóveis
para que a prova dos nove aponte o número meu da sorte?
Faz um bom tempo!
Hoje, a pressa me impede de olhar as manhãs ensolaradas
E de me encantar com o salpicado céu de estrelas noturnas.
Dificilmente ando descalço em meus dias comuns.
Colho frutas nas gôndolas dos supermercados.
Solfejo as cantigas de outros, sem a inspirada magia.
E, mesmo dirigindo, as placas dos veículos já não me atraem
Pois acabei achando que isso de número de sorte
não funciona nesse mundo de ideias cartesianas.
...
Há quanto tempo

Que eu não tenho um bom tempo?...