domingo, 26 de março de 2017

A SOLIDÃO DOS ANOS

Eu tenho anjos que me visitam em agosto
Quando setembro me deixam os orixás
Como em abril os duendes me cortejam
Não sofro o adeus que o outro mês me traz

Um unicórnio cavalga comigo em maio
E verte do altiplano em julho a quintessência
Do aroma mais sutil de fadas madrinhas.
Em julho, gnomos me dão de si toda ciência

Em dias chuvosos como esse que atravesso
O espectro da vidência de meu chacra
Amplia-se e adentra o íntimo dos meses.

escrevo essas loucuras para curar o vazio
que a solidão dos anos tentam encharcar 
e que março me indispõe a esses reveses  

sábado, 25 de março de 2017

O verso que se fez música do meu ego

O verso que se fez música do meu ego, 
tangenciou-se a rumos mais sensíveis; 
bocas famintas do belo o trituraram 
até fazê-lo escorrer por entre as arcadas 

a música que se fez do verso meu, eco 
sonorizou ouvidos e realimentou bocas; 
foi vista circunavegando em pleno éter 
como se fruto fosse das hertzianas ondas. 

Que anjo bordou todas as cores do som 
e despejou seus raios luminosos
por entre sensíveis emoções à flor da pele? 

Eu só conheço de mim o verso que liberta 
a poesia do amanhã, para que uma vez mais 
o amanhã venha quebrar todo o silêncio. 

(Nonato Albuquerque)

quarta-feira, 15 de março de 2017

ESCRITOS MEUS

Escritos Meus
para os que ficam depois que eu tiver ido
de Nonato Albuquerque

O corpo que agora baixa à essa sepultura
Não sou eu - diria o morto se fosse ouvido.
É apenas o invólucro temporário que a essa altura
Estende-se ao chão e da vida é agradecido.

A alma que eu sou e mostra desenvoltura,
Permanece de pé, com todo seu sentido.
Eu permaneço ativo, vivo ainda a aventura
Que a vida me propôs e a tenho defendido.


Ah! crença vã dos que pensam dessa maneira
Que ao último suspiro, a vida entrega os pontos!
Como gostaria eu de provar a todos quantos



assim mourejam na Terra essa fé sem eira, 
Que somos eternos e ambientamos contos
Que em outros planos se renovam em cantos 

CAUSAS E EFEITOS

Nonato Albuquerque
(para Francisco Carvalho, in memorian)
O fogo que lambeu o corpo de Jeane D´Arc, 
foi o mesmo que anulou o ar de Iscariotes
O nó que apertou a garganta do inconfidente
ecoou tempos depois na traqueia de Tancredo.

O báratro atroz que incendiou Jan de Husine
iluminou Hipollyte Rivail a uma nova revelação.
E os tormentos da alma vividos por Aleijadinho
Foram peças no resgate do artista Michelangelo
A vida é una, mas as existências múltiplas
Nelas se entrechocam os efeitos e as causas
do nascer, morrer, renascer e progredir sempre
Se o mal reclama converter a paga em igual moeda
O bem, ainda mais; reconduz ao seio da felicidade
Os que amam a Deus e estendem o bem ao próximo.