quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A lição do Bem do mestre Jesus

pena de morte, gritam nas ruas as vozes,  
ante a avalanche da violência que salta
aos olhos de quem vive o estupor da malta
e se obriga a viver com a fúria dos algozes

por toda a parte, só lamentos atrozes
medo do crime que a todos sobressalta
já que o poder de vencê-lo parece em falta
diante das ações que imprimem os mais ferozes

no silêncio das igrejas, mães desfiam rosários
pelos filhos que as facções silenciaram
e que foram viver no lado oposto da luz

pena de vida a todos, advogam os emissários
do alto, que dos humanos nunca se separam
repetindo a lição do Bem do bom mestre Jesus

terça-feira, 30 de janeiro de 2018


Minha infância tinha mágicas 
 que eu guardava com afeição, 
 rios de pó, feixes de luz 
cavalos marinhos no sertão 

 eu tinha o meu unicórnio 
 arco-irizado de plantão 
 quando eu precisasse voar 
 nas esquinas da amplidão 

 hoje, essa tão pura magia 
 foi descartada de mim 
 nos anos de minha velhice 
 planejo magicaliza-las, sim

Saudade

dentro do mar tem um rio
que na correnteza corre  
a se alongar por um fio
fluido no chão que percorre

dentro de mim, desconfio
estão meus pais e me acorre
que seu amor foi pavio
que acendeu o que nunca morre.

se no todo eu tenho tudo
e em tudo assim me revelo
isso é sinal de igualdade

sendo rio, este contudo
se guarda de no mar sê-lo

ainda que seja saudade. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O peso de escravos negros

À maneira de apicultor que em meio à selvageria
das abelhas, recolhe o mel dos favos partilhados
sou quem, na vida nova , enfrento essa algaravia
de vozes que bradam meu nome por todos os lados.

o que desejam de mim, eu grito na teimosia
de saber que eles não são bem comportados
como os anjos de luz que vi alvorecer um dia
nas sombras desse mundo de vís condenados.

Saiam, deixem-me em paz comigo mesmo
eu sou esse desgraçado que sigo assim a esmo
querendo aportar com segurança em algum porto

vão acordar os vivos que se acham íntegros
pois eu que vivo o peso de escravos negros
não sou nem senhor de mim, já que me acho morto.

12.1.18


LAMPARINA APAGADA

Criador de cabras e bodes,
cruzei a porteira da vida
e me dei de cara com essa
nova realidade que hoje vivo.
Como morto, se vejo, ouço,
falo e respiro
a imensa alegria
de lembranças do que fui?
Sou eu ainda
com cheiro de terra molhada,
currais de gado, brejos e sítios,
onde mourejei anos de vivência.
Hoje sou saudade
nos quintais que deixei,
junto à família criada e exilada
do campo em vidas modernas.
Só um desejo tenho
nesse fim de mundo novo:
o de ser semente novamente,
para ser cultivada no chão de outro corpo
– mãe Terra, pai chão -
desse inesquecível Planeta.
Aos que ficaram, eu sigo
criador de cabras e ovelhas
nas pastagens das estrelas,

onde sou lamparina... apagada!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Soneto de Natal 2009

FELIZ NATAL 
Amigo Jesus, 

Em torno de tua festa, acercam-se pobres e ricos 
buscando o lenitivo de amor para cumprir a tarefa 
De excelsar com a amizade tua dadivosa presença,
E reunir em torno de teu nome as mais gratas amizades. 

É quando homens e crianças mais se confundem .
Enternecidos pelo encanto da noite silenciosa, 
De onde se ventralizou a verdadeira Luz do mundo 
E que a escola terrena acolheu o Amor em pessoa. 

Se hoje nos surpreende a ausência de teu nome 
Nos letreiros e fachadas das lojas em liquidação
É que a humildade em pessoa se permite até a isso; 

De se esconder atrás de outra figura, o santo menino 
Que veio do Pai para ser o modelo ansiado por Ele
A mudar a humana idade em um tempo ainda mais novo.

Texto escrito às 15h50min de 24 de dez de 2009

Artigo. Berceuse para o ano que vai nascer

Artigo. Berceuse para o ano que vai nascer


Mais um ano que se vai.
No novo que se manifesta, esperanças muitas se associam ao coro de promessas de todos por um tempo melhor.

Por esse tempo,
habituamo-nos a circular entre desejos e sonhos,
bastante possíveis de se concretizarem caso haja,
da parte de cada um,
a intenção de sua prática.

É que,
ignorantes ao conhecimento do nosso verdadeiro eu,
da potência de luz que somos e podemos exercer,
nos condicionamos a meras intenções do Ter,
sem nos obrigarmos ao verdadeiro sentido do Ser.

Há os que imaginam que o Novo Ano trará a paz,
a saúde, o bem estar, as amizades, o emprego,
o bom ganho e tudo aquilo que é primeiramente
semeado no terreno fértil do coração.

Esquecemos que não é a simples virada da folhinha do calendário,
que vai nos patrocinar a magia de toda essa mudança.
Ela começa em nós.
Ela está em nós.
Virtudes em estado latente,
prestes a serem colocadas na ação prática
de nossos sentidos.

O novo surge em sementes de luz
que devem ser germinadas
a partir do gesto obsequioso da palavra;
pela inspirada forma de se ater às regras do Bem e da Paz;
pela convivência harmoniosa entre os pares
e, principalmente,
pelo esforço meritório de aprimorar-se.
Nós somos o produto de nossas intenções,
construtores do nosso destino.

E nesse 2010 que chega,
preciso é dar espaço ao novo.
Ao novo que começa em nós.
Que já habita em nós.
As chaves para alcançá-lo estão guardadas no nosso eu,
no nosso consciente.
Na nossa certeza de que precisamos mudar a postura
e o modo insensível como vivemos,
reivindicando para esse novo tempo
a construção do estado de ética
e respeito que tanto ambicionamos.

Que seja um ano em que possamos respeitar
ainda mais o Planeta que nos acolhe;
as pessoas com as quais atravessamos essa romagem
e que, nela, haja o amor a Deus incondicional e ao próximo,
para que as virtudes celestiais
estabeleçam em nós o seu desiderato.

Feliz Ano Novo. Pra você. Em você.
Pra que o mundo melhore.
Porque é isso, o que todos nós queremos… 


Escrevi a pedido do Dilson Alexandre para o blog da Janga