sábado, 30 de junho de 2018

Poema com começo e meio


eu ainda faço versos – mas que coisa mais antiga!
diriam os que não sabem sequer o que é ser isso.
Num tempo onde palavras no internetês mais briga
e com a ‘flor do Lácio’ não tem mais compromisso

eu ainda canto em lendas e em versos a cantiga
que os pares desse tempo dizem não ter noção disso
é que eu sou de um tempo que o belo não mais se abriga
na pureza de palavras com beleza e todo o viço.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Um verso solto em busca de gratidão


Nas horas de desconforto e desabrigo,

a mão humilde que se estende, ajuda;
o olhar sereno que se apieda é amigo, 
e a voz do amor não se contenta muda.

P DE POESIA (22.06.2018) Alma pura de tantos poetas

Vive em mim a alma pura de tantos poetas
que não se cansam do verso, nem da rima
Passaram séculos, para baixo e para cima 
marcados como se fossem velhos profetas


Vive em mim o delírio de alguns exegetas
que beberam nas fontes e mudaram o clima;
amantes das dores que o mundo lastima
por desnudarem as ideias mais secretas.


Vive em mim isso tudo que chamo sagrado, 
por ser de outro plano que não se nivela 
ao esforço comum que se aplica na Terra.


Fazer verso do ontem, mas não antiquado,
até quando lhe inspire essa musa donzela
A cobrar vidas que essa outra vida encerra.

terça-feira, 12 de junho de 2018

NAMORADOS, dia 12 de junho 2018


Longe, bem longe de onde estou escrevo
em verso novo, meu mui antigo apelo
para lembrar o quanto ainda te devo
dos sonhos muitos, que só a ti revelo

volto com de ideias novas e até me atrevo
pedir tua licença, para com o maior zelo
lembrar de nossa fuga, quando em Sarajevo
a guerra pestilenta nos pôs em desmazelo.

sou ainda o poeta que aos olhos teus
meus tímidos versos sempre repercutem
como a querer refazer o que eu fui antes

morri de amores ao ouvir o teu adeus
e por mais que os dias do passado lutem
eu sobrevivo do mesmo dos amantes

domingo, 10 de junho de 2018

P DE POEMA - O Patrão e o Empregado

O patrão e o empregado
ilustração jorge arbach


Mão estendida para o contato, com o tato;
armada mão, conversação sem conversão
de um lado o labor que labuta por seu trato
do outro lado o lado poder do patrão


mão estendida de quem não vê desacato
no ato simples de quem faz negociação;
mas do outro lado sempre há um “staccatto”
que impede o lado bom de crescer com a nação


vejo isso no dia-a-dia dos nossos bancários
dos operários, dos humildes sem patrões
que lutam pela vida sua e a de familiares


pra melhorar se for possível seus salários
e acreditar que não haverá mais senões:
já que a mão do outro esconde outros ares….

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Versos imperfeitos



eu,
que já quis ser trapezista voador,
aviador,
e que, mesmo assim, acabei no ar,
tive outras ambições.
Como a de ser astronauta
e ir até o fim do infinito
pra dar um enorme grito
de que o universo é a minha cidade. 

eu,
que já quis ser de tudo isso, um pouco
desejei ser viajante dos sete mares
e cruzar a linha do horizonte
para encontrar numa máquina do tempo
os que se foram
os que ainda haverão de vir
e, principalmente,
minha penúltima identidade.

Eu,
que fui o que não sou,  
mesmo intentando ser, 
quis tanto saber
quem foram as companhias de ontem
que se esmaeceram na memória
e que a poeira do tempo
apagou seus rostos, seus nomes,
suas melhores ideias.

Eu,
que sou o que não fui, me vejo
nesses versos imperfeitos
com mais um desejo.
O de ser visto 
como o que não sou
pois a embalagem que me veste
não revela o que fui
em favor do que ainda sou.