domingo, 28 de outubro de 2018

A tal da morte


não são forças do mal, que de outra esfera
se agigantam em nosso mundo hodierno.
mas o veneno da violência do homem-fera
transformando a Terra em verdadeiro inferno.

quem se alimenta de ódio e acha moderno
refutar o evangelho do bem, porque “já era”,
não faz parte do humano ser,  fraterno,
que a Terra espera ser herdeiro em Nova Era

quem vive sem saber que nesse mundo
dependemos um do outro para ir em frente,
perde o rumo do céu, não futura o passaporte 

O tempo no Planeta é fugaz, num segundo
muda, já que ninguém fica pra semente
sobretudo quando lhe acerca a tal da morte. 

Essa cidade que me tinha


Tinha um nome, essa cidade
cidade que, então, me tinha
da fortal_felicidade
feliz cidade essa minha.

tinha o mar pra navegante
nenhum aqui por defeito
e quando fosse distante
levar saudades no peito

minha cidade, tão pura
que deixei quando parti
tem a saudosa doçura
da infância que aí vivi

por isso, quando escrevo
esse verso improvisado
a ela que tanto devo
deixo meu muito obrigado.

VIDAS EXEMPLARES


Nos arquivos da história
que o outro lado conserva
há memoráveis capítulos
que Ciência alguma imagina
como os registros de vidas
de seus heróis “et caterva”
sacrificados nas lides
que a encarnação lhes destina.

São almas de passado rude,
filhas da deusa Minerva,
que alimentadas de ódio
viveram o que a lei ensina:
quem com ferro fere, se fere
até que venha a serva
morte, reconstruindo-os todos
sob a inspiração divina.

depois que aprendem na carne
e o bem imprimem às suas vidas
ganham a misericórdia
de retornar uma vez mais
para que essa nova chance
seja de bênçãos e de luz

renascem heróis libertários,
de nações quase esquecidas
onde foram escravizados,
para no amor e na paz
serem exemplos marcantes
do evangelizador Jesus.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O OLHAR DE NOSSA MÃE

O olhar de nossa mãe parece vítreo.
Foge deste tempo, como quem busca o longínquo.
Atravessa paredes como se imaterial fosse.

O olhar de nossa mãe adormece segredos
cuja chave desses misterios só ela decifra.

O olhar de nossa mãe, confunde-se com a sua mente
Parece morar num tempo de estrelas.

Pois ele (o olhar) e ela
adormecem sonhos que não sei dizê-los.

O olhar de nossa mãe, parece despedir-se. 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Para amanhecer na luz de um novo abrigo


como demora amanhecer, dizia no leito de morte 
o paciente com o destino, que este lhe pregava. 
Estava nas últimas, sem chances de mais sorte
mas a esperança do eterno ainda lhe abrigava. 

por que demora tanto vir, esse passaporte 
com que devia atravessar o que já divisava: 
uma estrada diáfana, quando vem o tal corte 
do elo em que a matéria se lhe apegava.


De repente, adentra à enfermaria uma figura 
de branco, olhar tranquilo, sorriso largo 
a lhe estender os braços para um abraço amigo 

é o seu anjo de guarda, uma afável criatura 
que viera lhe buscar, findo esse tempo amargo 
para amanhecer na luz de um novo abrigo. 

Do que vivo e encanto

plantei sementes de luz 
em folhas de papel, 
letras marcavam o caminho 
por onde
por onde deitei palavras 
e, em cujas linhas, 
semeei encantos muitos. 

fui amante das letras 
como ninguém mais 
ousou sê-lo, ao tempo 
em que vivi as múltiplas 
faces do amor 
com que aprendi ser 

hoje eu milito aqui 
no lado onde dizem 
ter anjos e vidas muitas 
adormecem no silêncio 
Mas eu vivo, falo, 
ando e semeio sons. 

quando, um dia, de novo 
eu tiver a possibilidade 
de voltar aos campos 
plantarei palavras 
que serão colhidas 
por atenciosos ouvidos. 

E iluminarei os dias 
com a luz da minha fala
recolhendo do meu eu 
as fulgurantes marcas 
do que, nesse momento, 
eu vivo e encanto. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

P DE POESIA

Não fosse eu, quem eu sou
seria quem menos penso;
um estranho que se achou
na vida agitado e tenso.
não fosse a força do amor,
a quem tudo mais dispenso
não seria eu, esse ator
da vida de prazer imenso.
mas sou filho desse encanto
que busca achar nessa luta
o caminho correto da luz
se ainda andamos em pranto
é que a alma nossa reluta
em seguir o que diz Jesus.
nonato albuquerque
domingo, 22.10.17

domingo, 21 de outubro de 2018

Uma flor à beira do abismo



Sugestivas orientações

ESPIRITUALIDADE.
Sugestivas orientações
Nonato Albuquerque.
Se alegas inconvenientes, os desafios que te propiciam avançar no conhecimento do Eu, repara nas almas edificadas de bênçãos.

As que se disciplinam em paciência, ainda que envoltas em íntimas discussões; as que orientam os passos, ainda que lhes faltem a visão.

As que se destinam ao desapego, embora não amealhem um níquel de fortuna.

As que suscitam apaziguamento em meio às agruras da guerra pessoal.

Todas seguem as diretrizes edificantes da moral cristã, que associa o 'dar de graça, sem nada receber' a todos os benefícios celestes.

O dia que surge, o sol que rutila, a força e o trabalho, a comunhão das pessoas em amizade. Tudo é fruto de uma sementeira que a vida lhes proporciona.

Nem todos consideram-se nimbados da luz divina, nem se sagram aos altares, mas santificam suas ações na prática do bem. Trabalhando e servindo.

Ainda que reconheças difícil a caminhada, compraz-te ao primeiro passo que a chama da vida estimular-te-á a palmilhar a estrada em busca do bem comum.

Escrito na madrugada
de 14 de outubro 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2018

INTERROGA AÇÕES


que dia vai se erguer amanhã, 
quando essa noite deixar suas sombras 
escorrerem por entre os lençóis incômodos 
e levitar no ar como um balão de sonhos?

que manhã teremos depois, 
quando as amarras da dor se aquebrantarem
e a face cruenta de tormentos outros 
for despejada da mente de nossos velhos?

Preciso descansar essa inquietude
para, uma vez seguinte, povoar-me 
de ilusões fervilhantes e requentadas. 

Pois, afinal, somos parte uníssona
do que, no universo, verdadeiramente, 
é canção de paz e de esperança plena. 


HISTÓRIAS DO HOMEM BOM



ANJO DE CARNE
Um homem bom, 
que não era amigo do rei, mas de pessoas simples que nem ele, 
quando viajava de seu lugarejo até à cidade 
para compras de mantimentos do mês, 
costumava deixar à sombra de uma frondosa árvore, 
uma pequena porção de alimentos 
e uma galheta com água pura, para matar a fome e a sede 
de quem, porventura, viesse a cruzar aquele caminho. 
Esse missionário da Vida, samaritano do amor, 
praticava o crístico ensino 
enquanto a maioria de nós só o faz, muitas vezes, 
apenas da boca pra fora.
No dia que ele ascendeu aos céus
um espírito de luz preparou-lhe uma surpresa:
deixou-lhe na escada para o paraíso um par de asas
como paga pelos serviços que ele prestou
aos inúmeros desconhecidos, por ele auxiliados,
e que jamais se deram conta do anjo de carne
que, missionariamente, atravessava o vale da Vida.

O 'RUH' DOS VIAJANTES DO DESERTO

O 'RUH' DOS VIAJANTES DO DESERTO
Muita gente comentou o caso do homem bom que deixava alimento e água pelo caminho onde costumeiramente passava para servir de alimento aos viajantes. Pois bem, tem ainda uma outra história dele que é preciso ser contada para que saibamos como se operava a grande virtude desse ‘fellahin’.

Houve um dia que, ao passar por uma cidade, viu-se diante um mendigo que dormia ao relento, com o peito nu ao rigor dos ventos alísios. Pessoas que passavam pelo caminho, pareciam não sentir sua presença, pois que a indolência às necessidades do outro, costuma cegar os indivíduos. 

O homem bom tirou suas vestes de pele de camelo e as colocou calmamente ao lado do mendigo, retirando-se depois de forma silenciosa para não perturbar o seu sono. 

Ao chegar em casa sem as vestes, alguém lhe interpelou se havia sido arrestado por um algum nômade do deserto, ao que ele respondeu: “Não, o profeta deixou-me alguém necessitado em meu caminho e cumpri a ordenança de Alá, meu senhor e meu guia.

O tempo mudou as folhas das tamareiras; varreu a areia dos cumes do deserto e embranqueceu as têmporas do homem bom. Seus movimentos eram mais metódicos. Sua vista ganhara uma certa opacidade. Enxergava menos do que antes, mas o bastante para testemunhar naquela noite, o estranho que adentrou a sua tenda, vestindo uma túnica luminosamente bela.

“Quem adentra a minha tenda e com que razão me vem” indagou o homem bom. Ao que a voz respondeu: ‘Eu sou o mensageiro de Alá que me travesti de mendigo a fim de testar se a bondade ainda espaceia o coração dos homens. 

Durante muitos dias fiquei naquele local, vendo passar as caravanas do povo das tendas, sem que nenhum deles desse pela minha presença. E tu, grande alma, significaste com teu gesto, a salvação de muitas vidas que seriam varridas pelos ventos justiceiros de Alá. Maktub!

E convidou o homem bom a sair de sua tenda para adentrar, lá fora, nos campos luminosos do infinito. O homem bom se tornou um ‘ruh’, espírito que no deserto guia os caravaneiros que se perderam pelo caminho.

(Histórias do homem bom- Nonato Albuquerque)

domingo, 14 de outubro de 2018

CONTRA A HOSTILIDADE BRASILEIRA DE 2018

A campanha eleitoral do segundo turno de 2018, devido a polarização e ao discurso de ódio que as partes acabaram convertendo, levou-me a escrever textos curtos nas redes sociais (Facebook), alertando sobre os riscos de ingressarmos em um ambiente ainda mais hostil e indesejável. Aqui estão alguns deles. 

ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (1)

Quando católicos e evangélicos na velha Irlanda começaram aquele perrengue danado, por disputas de cunho religioso, algum deles de bom senso deve ter dito: isso não vai acabar bem. E foi o que aconteceu: o país se dividiu em Irlanda do Norte e Irlanda do Sul.
Quando judeus e palestinos começaram a trocar insultos e pedras de baladeiras, um goy qualquer deve ter profetizado: isso num vai terminar bem. E veio a guerra dos seis dias.
Quando anarquistas e comunistas se desentenderam com a ditadura franquista, partisans dos dois lados acreditaram que aquele regime não daria certo. E a guerra civil confirmou a previsão.
Quando os alemães do nazismo adentraram às casas de judeus e começaram a removê-los de suas estâncias, obrigando-os a viverem em guetos, num ‘shabat’ qualquer da história, algum rabino deve ter anunciado: isso vai acabar mal. E vieram os campos de concentração e a ideia de Heinrich Himmler implantando a chamada solução final.


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ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (2)

Quando na década de 70 do século XX, a família al-Assad começou um regime ditatorial na Síria - que persiste até hoje - e, do ponto de vista religioso, os xiitas impuseram uma carnificina contra curdos e cristãos, um membro da igreja Maronita alertou: Isso não vai acabar bem". E não acabou.
Hoje, a guerra na Síria já ultrapassou um total de 470 mil mortes segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos e obrigou mais de 11 milhões de pessoas a sair de suas casas, buscando como refugiados lugares no mundo.
Quando retornou dos EUA depois de governar a ilha de Cuba, Fulgêncio Batista não aceitou perder as eleições em 1950 e aplicou um golpe em 1952. O jornalista Jules Dubois teria comentado com amigos: isso não vai acabar bem. E redundou na derrubada de Batista e o surgimento da ditadura de Fidel Castro, cuja sombra ainda persiste até hoje.
Quando o jornalista Benito Mussolini cria o movimento político intitulado "fascismo", sem nenhum aparato teórico abrangente, impõe uma luta contra a democracia. Membros da oposição chegaram a alertar: isso não vai acabar bem. E o movimento revelou-se xenófobo, preconceituoso, além de operar com o conluio de grandes empresas, negando direitos e liberdades fundamentais para se torar o poder executivo absoluto.

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ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (3)

Quando Sansão confidenciou à Dalila onde residia a sua força e poder - referindo-se à mente e não aos cabelos como tradicionalmente se popularizou dizer -, a irmã dela comentou: "isso não vai acabar bem". Resultado: veio o poder, a tortura, a cegueira de Sansão e ele sucumbiu no templo e no tempo, com as forças do império do terror.

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ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (4)

Quando souberam da prisão do Cristo, após a celebração da páscoa com os apóstolos, Maria de Cuza e Maria de Magdala, acorreram às pressas ao palácio imperial na tentativa de saber o que estava acontecendo.
Na ocasião, Pilatos fazia um plebiscito, a fim de que o povo votasse em quem desejava eleger para liberdade: Barrabás, o furioso detento que elegera o ódio e a violência como meta de vida, ou a Jesus, o primoroso educador que aclarava mentes e corações com seus ensinos. Ao saber da escolha do povo pelo primeiro, Maria de Cuza sentenciou: “isso não vai acabar bem”. E foi o que deu.
Traído por 30 dinares, Jesus foi submetido a um regime de força dos que diziam agir em nome de Deus "acima de tudo", mas que operavam sob as ordens da opressora política romana.
Preso, torturado, escorraçado nas ruas, sob o flagelo da cruz imposta pela guarda pretoriana e sob os apupos da multidão ignara, o nazareno - que aos 13 anos deixara a cidade e família para se preparar para sua missão terrena -, viveu trágica paixão e morte, decretada pelo farisaísmo da época e pela escolha a partir da falta de senso de um povo.
2 mil anos depois, ninguém lembra de Barrabás. De Jesus, porém..


ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (5_


Quando Monteiro Lobato, por volta de 1926, escreveu nas páginas do A Manhã, artigo criticando a posição do Brasil em não deixar aportar no Rio um navio comercial russo, com receio de que a ideia nova do comunismo pudesse acabar infectando a população brasileira, o autor recebeu intimação para comparecer à delegacia e dar explicações sobre o seu posicionamento. A esposa Mariinha confessou-lhe: “isso não vai acabar bem”.

Lobato escreveria depois: “Fiz o testamento e fui. Dei com um moço fino, muito longe do truculento Javert que esperava encontrar no posto”. O delegado era fã de seus artigos e, confessa ao autor que recebera “ordens de cima” para apreender seus livros; mas não o faria. Os que mandavam as “ordens” receavam, como nos dias de hoje, o comunismo.

Dias depois, Monteiro Lobato voltaria ao caso do navio proibido de atracar nos portos brasileiros indo para a Argentina, escrevendo: “(a ideia comunista) não infeccionou coisa nenhuma. Só serviu para abrir o apetite àqueles povos e lhes inocular o desejo de ter a sua visão pessoal da difamada Rússia”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

P de poesia - para Raoni

os filhos, expressa u´a verdade,
são almas vindas do outrora
que retornam para que agora deem
à vida contínua idade.

trazem a paz que corrobora
aos pais essência, alteridade,
em tempos que uma metáfora  diz ser da alma nossa, metade.

quando pais nossos, convivem
conosco, e na invulgar meninice
protege-nos de quantos perigos.

depois que vão, ainda vivem
pra voltar com mais traquinice
 como filhos, de pais, bons amigos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Bônus


não te impressiones com a dor alheia
pois que a tua´inda não se fez chegada;
na ampulheta do tempo escoa a areia
em busca de reajustar a cota endividada.

quem vive uma paixão atormentada
recebe o fruto do qual sempre nomeia
se do mal, pela maldade será marcada
se do bem, o bem que o bem semeia. 

pois que aprendendo essas poucas regras
não venhas no futuro com algum reclame
chorar como outros, o leite derramado.

a vida é mar de provas e, nela, integras
função importante, por isso mesmo ame
para alcançar o céu, o que lhe é bonificado.