sábado, 24 de novembro de 2018

ESSA DOR CHAMADA SAUDADE

Tela de Rogério Souza


Uma pesada mão sustém a pena 
por onde se unem os dois estágios.
Nela as impressões mais vivas de minha alma 
são tecidas com encanto e cerimônia.
Sou dos ventos que não sopram,
Das enseadas desertas,
Dos círculos que as nuvens formam
nas estradas do infinito. 
Não tenho mais nada comigo, 
além de memórias ultrapassadas, 
Cachoeiras de desencantos.
Tudo movido à dança dessa escrita,
que a caneta executa para dizer 
aos senhores do recinto
que nada tenho de mim para ser dito
Por isso deixo escrito 
apenas essa dor chamada saudade.

23/11/2018 - 

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A volta da amiga X




a amiga, de quem 
tantas lembranças tenho,
sumiu do mapa, 
entrou num rabo de foguete.

Convidado pela família 
fui à missa do dia sete
e chorei as dores 
pelas quais me empenho

quatro anos depois, 
eis que me detenho
a ouvir de um desconhecido 
esse lembrete

“sua amiga X está aqui 
e voz em falsete
diz continuar igual 
ao seu velho desenho".

"É uma senhora assim, 
bonita e coisa e tal",
que nunca vira antes 
na vida coisa igual
e diz-me que ao vê-la 
sentiu enorme arrepio

Era ela sim, 
de volta à convivência
a provar para mim 
e não para a Ciência
que a morte não tem fim 
e nisso eu mais confio.  

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

terça-feira, 20 de novembro de 2018

domingo, 18 de novembro de 2018

A GRANDEZA DOS CONTRÁRIOS


No mundo, onde todos habitamos,
há dois tipos de pessoas diferentes.
Não falo só de homens e mulheres,
nem de ateus e dos que vivem crenças.

Nem dos tolos em meio a inteligentes,  
como vivem pobres entre afortunados.
Tampouco eu falo dos bons e dos maus
nem os de poder e dos que mandam nada. 

Se há fortes que se rivalizam aos fracos 
há também cativos e os libertários 
mas deles não conto, de um modo geral. 

falo dos mortos e dos vivos, que somos
a revelar a grandeza dos contrários 
como eu poeta e tu meu "ghost-writer".

domingo, 11 de novembro de 2018

QUANDO EU FOR GRANDE

Quando eu for grande, 
só quero me tornar pequeno 
entre os que almoçam orgulho 
e arrotam vantagens e prepotência. 
Quero ser livre para me prender 
unicamente aos encantos da Vida 
e me apegar, sobremaneiramente, 
à crença de todos os desapegos.
Quando eu for grande, quero ser rico 
de consciência para empobrecer em mim
todo o egoísmo aviltante de quem apregoa 
o "eu sou eu, depois de mim só meu retrato".
Quando eu for grande, que eu não perca de vista 
a criança que fui 
para não me tornar um adulto intolerante. 
E que eu possa dar ainda mais cor à estrada 
por onde seguirão meus passos.
Quando eu for grande, 
quero continuar do tamanho da minha alma. 
Enooooorme!

Às vezes, mil...


às vezes, eu sou triste
quando me olho no tempo
e vejo que os sonhos do passado
ficaram no passado.
Mas sou alegre muito,
quando recolho dos pesadelos
a lembrança de que eles
não me foram tantos.

às vezes, ando magoado
por quantos amigos eu fiz
e que poderia ter multiplicado
essa soma de amizade.
Mas quando me vejo
sincero aos que eu tenho
me reequilibro e confesso
como eu os estimo.

às vezes, eu choro sozinho
pelas maravilhas do mundo
quando alguém consegue
se mostrar feliz por tudo.
é que eu vivo a alegria
dos outros como se minha
fosse; choro felicidade
pelo que sou, mil vezes...

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O QUE SEREI EU AMANHÃ

Anos passarão
E o mundo nunca guardará 
A imagem de um Mozart envelhecido;
Ele nunca foi visto assim.
Poucos saberão
Do rosto verdadeiro do Cristo
Embora pintores tenham o retratado
E o dignificado em gravuras.
Quantas páginas
Beethoven rasgou para finalizar
A sua Quinta, já quase ensurdecido
E sem poder ouvi-la?
Nem as lágrimas
Das viúvas de Valentino lavarão
A saudade dele que ainda é enorme
E nunca acabará.
O mundo é imenso,
Mas o Tempo insiste em brincar
Sempre de esconde-esconde e ocultar
Personagens muitos.
Quem poderá dizer
Com certeza, o que serei eu amanhã
Se a visibilidade do que sou agora
Vier a esvanecer-se hoje?...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Do infinito somos


A cor do mundo: não tem a minha cor,
nem a tua cor.
De tudo o que somos, 
temos as cores de todos.

Besteira dividir pessoas pela raça ou credo.
Nem pelas ideias.
Ninguém é raiz
nesse planeta. De passagem.

Um dia, vamos pegar a reta de volta.
Para outra margem.
Somos das estrelas. 
Do infinito somos... 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

TOTON E EMENGARDA

Tão triste andou Emengarda
depois que 'Totom' se foi
que ela até hoje só guarda
saudades tantas que doi.

Ela, casada há milênios
com sua alma gentil
vem desde os velhos essênios
aportar aqui no Brasil

Mas de chorar suas dores
ela acabou se secando;
morreu, por morrer de amores
foi ter com ele, cismando.

Chegou no lado da Vida
em que há paz e muita luz
mas não se achou perdida
por crer no que diz Jesus

“Ainda que esteja morto
quem crê em mim, viverá”
“Mengarda” chegou ao porto
onde “Totom” foi morar. 

[21:43, 2/11/2018] NONATO ALBUQUERQUE
Versos inspirados em C.P.

PERDÃO PELA DÚVIDA DA ETERNA VIDA

O coração à ponto de saltar da boca 
angustiante emoção me assalta a mente.
Eis-me do lado de quem inda se ressente 
da dor da perda, que não foi tão pouca. 

O olhar etéreo somando-se ao espasmo 
que, de repente, tomou-me dessa vida
me faz lembrar o instante da partida 
em que senti todo esse marasmo. 

Eu que não fui, nem sou de nomes tantos, 
para saudade deixar entre os amigos 
ressentido, aos que devo, hoje confesso 

o outro lado a que cheguei com espantos
me deu afetos, como me deu abrigos 
que eu pus em dúvida, perdão por isso eu peço.

NOTA: versos da Quinta Mediúnica (3.11.2018) depois de lembrar da ausência de um amigo Vander Sílvio, desencarnado.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O ZOO CELESTE

nonato albuquerque
Eu vi uma baleia no céu
como se de algodão doce.
menino, eu ficava tão réu
do vento bom que a trouxe
Pra mim, era como um troféu
ter desses bichos sua posse
se as nuvens que passavam ao léu
tomassem a forma que fosse
nos dias de meninice
eu tinha era um zoo - é sério!
de nuvens todo bordado
quem, por acaso, me visse
não acharia um mistério
por eu sonhar acordado.