domingo, 24 de fevereiro de 2019

A IRMANDADE ANIMAL


As semelhanças na vida
têm nos ligado aos bichos
do berço - com a mentira das cegonhas -
ao túmulo, com a lugubridade dos corvos.

Uns parvos, se assemelham
ao bicho lerdo, a preguiça.
Espertos, são como aves, essas de rapina,
e alguns políticos, com o que mais parecem?

Quem fuma muito, é caipora
quem na bebida se excede,
vira raposa. Quem apronta diabruras
aos símios são comparados. 

espertos, ganham o epíteto
da águia mais soberana 
os que malversam são ratos.
e os sábios igualam-se às corujas.

Quem é/e tem boa memória
tem cérebro de elefante
e aos que sorriem por nada no mundo 
mais se assemelham a hienas.

Velozes são leopardos
promíscuos viram galinha; 
quem trai se touro não é chamado 
ganha ao menos, o par de chifres. 


Na vida de todo humano
temos um similar animal
Portanto, dizemos nisso 
resume toda a irmandade

domingo, 17 de fevereiro de 2019

As palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam.

Nada é mais contundente e eficaz do que a palavra. E, quando dita em momentos sugestivos que mereçam atenção, a palavra tem uma força inigualável. Vale como se fosse uma arma. Uma arma quente. 
As palavras de alguém indignado com a violência que extrapola o seu próprio domínio, revelam inquietação. Sugerem revolta. Mesmo sabendo que ao fazer uso dela, alguém ligado a uma corporação militar pode incorrer em retaliações. Em ser chamado para as conversas. E receber punições. Falo do discurso do agente de segurança, indignado com a morte de mais um companheiro. Ele fez um desabafo, mesmo sabendo que poderia ir de encontro às regras do regimento interno da corporação. Mas que alma ferida pela dor da perda, sabe controlar as emoções? Quem no meio da angústia e da dor consegue segurar o ímpeto de reagir? 
A voz do soldado sobrepujou-se a tudo isso e preferiu manter acesa a chama da indignação, usando o que melhor tem o ser humano para contrapor-se à violência que é a palavra. Ele usou a palavra com mais maestria do que os que se acovardam atrás de uma arma e, sem nenhum controle, partem para retaliações. 
Toda vingança é fruto de ódio e de violência. O oficial que usou a palavra, pode até nem ter medido as consequências do seu gesto, mas equiparou-se a qualquer um de nós com direito à liberdade de expressão. A palavra dele revelou a coragem de quem deseja alertar mentes e corações e, principalmente, acordar os que têm a missão de aperfeiçoar as leis em favor de um tempo melhor. Sabemos que ele possa estar sofrendo algum tipo de retaliações, por fugir ao que determina o regimento interno da corporação, que proíbe os militares de manifestações dessa natureza; mas se ele pecou - para usar uma expressão que eu não gosto -, o fez por sentir que ninguém mais suporta essa onda de violência que deixa Fortaleza enfraquecida aos olhos do mundo. 
É preciso tomar atitudes. Não apenas de usar números da morte como veículo para projeção de marketing. Mas estabelecer um plano que possa dar, real e verdadeiramente, um significado de paz. 
Por enquanto, o Ceará Pacífico existe apenas no nome. E mesmo que a palavra tenha essa força do discurso, não custa nada lembrar Confúcio. O sábio costumava dizer que a palavra convence, mas são os exemplos que arrastam.


sábado, 16 de fevereiro de 2019

P DE POESIA_ O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO

O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO
Nonato Albuquerque
O mundo começou em mim, arremata Moisés
depois de antologizar toda a gênese humana.
Tinha ele, pois, o D´us único, bem ali, aos pés.
E discorreu com palavras toda essência do prana
O mundo terminará em mim, prega o evangelista
João, a quem coube na Terra ver o apocalipse
Esotérica leitura pela qual o homem avista
A mudança do planeta após o grande eclipse.
No meio deles, tu e eu, interligados estamos
Enquanto lá fora o mundo destrambelhado,
Confuso, rola como se fosse desabar no abismo.
Será que vai dar tempo vender o que compramos?
Ou será possível ficar, assim, ensimesmado,
Sabendo que amanhã finda todo esse esnobismo?

AS GAIOLAS DE OURO DA INTERNET



AS GAIOLAS DE OURO DA INTERNET
O mundo tornou-se pequeno mundo,
desde quando alimentei o sonho de me libertar
e abri apenas a janela da internet
prendendo-me em minha gaiola de ouro
sem ganhar o voo das ruas...
é preciso, outra vez, rever o sonho, 
fechar o computador e desplugar-se dele 
para juntar-se aos outros
e libertar o grito sufocado na garganta
de que o 'gigante acordou...'
eu, pássaro de mim, 
convido-me a isso, 
e quero com meu canto alçar voos, 
com outros companheiros
que em suas gaiolas deixam o ar
para feicebucar ou twistar somente.
às ruas, às ruas, às ruas...
é o apelo dos ideais antigos
surgido em terras de França
que cresceu no século IX
e quer cumprir o sonho da
França antártica
em terras onde pensou Coligny.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

mensagem de 15 02 2019

Há um doce encanto no encontro de almas afins, motivadas pelo bem.

Anelam-se aos préstimos da espiritualidade, o engajamento de ideias que vêm preencher o vazio que ainda persiste entre aqueles seguidores do Cristo, mas que se desviaram do caminho por veleidades mundanas.
É hora de certificar-se da promessa robustecida na origem, de que auxiliariam manter acesa a chama da doutrina, certificando-se dos seus valores éticos e das noções de caridade da qual se norteia.
Irmãos de estima, há um oceano de luz ainda por devassar para aplacar as tormentas da ignorância e dissuadir os que silenciam à viagem dessas descobertas.
Içai as velas do barco. enfrentemos as tempestades e as borrascas; navegar sempre em direção ao porto ambicionado por todos os seguidores do Cristo.
Ele é o farol que esparge o roteiro luminoso do caminho da verdade e da Vida.
Abençoe-nos o Senhor pelo cumprimento dessas tarefas.

PRA ACHAR A FELICIDADE



A rezadeira Matilde, das Minas lá de Contagem
marcou a sua viagem com santos, rezas, missais.  
Querendo com tantas preces melhorar a sua imagem
e ganhar o paraíso e alcançar assim, santa paz.

mas por viver de fachada essas virtudes morais,
chegou aqui desse lado sem uma boa bagagem
virou alma penada em terríveis lodaçais
queixou-se a Deus e ao mundo por traição e chantagem

a vida ensina a quem reza e fala da vida alheia
o preço de quem sabe quem planta vento, semeia 
em qualquer parte da vida, só temporal, tempestade.

vai ter que voltar à Terra em vida missionária
pra ver se agora não erra na sua faina diária
e vive o que Cristo ensina, pra achar a felicidade

domingo, 10 de fevereiro de 2019

O SONHO DO CARNEIRO EM PRECE


POESIA_LIBERDADE DOS VENTOS

Liberdade dos ventos
de Nonato Albuquerque para Francisco Carvalho (in memorian)


Eu tenho a idade longeva das pedras
E o peso acumulado de muitas nuvens.
Faço o caminho nada secreto das águas
Na companhia agradável do silêncio.
Em meu refúgio, as andorinhas hibernam
do cansaço angustiante de muitos voos,
E, solenes, as vacas remoem as horas
que se derramam na paisagem vespertina
Eu sou de mouroes antigos, currais de gado
De ruminantes entardeceres nessa jornada
Marcado a ferro e brasa pelos meus donos.
Um dia qualquer, almejo derrubar as cercas
E ganhar o mundo, para que em outros pastos
Eu venha alcançar a liberdade dos ventos.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

POESIA. A LUZ QUE O AMOR IRRADIA


NOTA: O soneto foi composto apenas no seu primeiro verso há dois anos. Ficou esse tempo todo aguardando o resto. Hoje, poetificou-se. 

A LUZ QUE O AMOR IRRADIA



Nas horas de desconforto e desabrigo
a mão humilde que se estende, ajuda.
O olhar sereno que se apieda é amigo
 e a voz do amor não se contenta, muda.

Na solidão de quem sofre algum castigo
a esperança se aninha e se desnuda
para cobrar de um sentimento antigo
largar o peito que o deixa em dor aguda

quem sabe de amor, sabe de amor apenas
ser bálsamo de luz que transpõe limite
pois só amor com amor, o mal se distancia

De todas as coisas, até as mais pequenas
é o amor que na alma, só o bem emite
e afasta a sombra com a luz que ele irradia.

No dia 2 de fevereiro de 2017 escrevi esses versos 
Nas horas de desconforto e desabrigo,
a mão humilde que se estende, ajuda;
o olhar sereno que se apieda é amigo, 
e a voz do amor não se contenta muda.
E indaguei de quem seria ele. Hoje, 3 fevereiro de 2019 resolvi cumprir uma promessa de concluí-lo. E eis aí o resultado.  

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Quem penteava os cabelos de Jesus?

Diante do pequeno altar onde recitava a sua novena, a mãe ouve o menor indagar-lhe: quem penteava Jesus? 

Extraída de sua íntima atenção à prece, ela se surpreende e não entende a razão de tão curiosa indagação. 

"Quem penteava os cabelos de Jesus", volta a interrogar a criança. 

Envolvida por um íntimo desejo de responder a essa questão, ela reflete e diz não saber. Mas porquê a razão de tal pergunta, devolve-lhe com outra indagação a genitora ao filho. 

Ele diz não compreender, mas que gostaria de saber se era Maria, a mãe, ou Madalena, a amiga. 

Ainda mais surpresa, a senhora abraça o filho e diz que, provavelmente, a doce mãe do Nazareno o tenha auxiliado nessa tarefa. 

O filho agradece, enquanto a mãe volta ao terço e, ensimesmada diante da surpresa, reconhece não ser das crianças as preocupações dos adultos em entender o sagrado mistério das lições do Cristo. 

Não interessavam a elas, as nuances esotéricas de sua mensagem; tampouco, a essência mística de suas palavras. 

O menino queria apenas entender quem dava amor, a quem veio pregar esse abençoado sentimento. 

Tomou o filho, então, nos braços e acariciou os seus cabelos, como a responder com gestos, esse tipo de trato que as crianças sabem ser originada dos secretos corações das mães. 

PENSAMENTOS MEUS


P DE POESIA: APRENDIZADOS

APRENDIZADOS
Nonato Albuquerque
Há uns quatro séculos, eu já sabia ser a cor da pele
Algo não tão importante quanto a pureza da alma;
Se hoje uns poucos pensam o que a maioria repele
É que não aprenderam a lição que nos tira a calma.
Há uns três séculos, aprendi que a amiga dor expele
a soma dos nossos erros que marca na mão a palma.
O aprendizado de ontem, forçosamente impele 
A sermos seguros como um barqueiro à sua xalma
Há dois séculos estive ao lado de revolucionários
Que se insurgiram contra todos os preconceitos
E fomentaram na Terra, o ideal inspirado da Luz
Se há menos de um século, existem os refratários
É que as gerações mudam, mas não os preceitos
Ditados aos discípulos pelo bom mestre Jesus