sábado, 24 de agosto de 2019

MINHAS ROUPAS




Ando nas MINHAS ROUPAS todos os santos dias
que muitos dos meus amigos me reconhecem por elas.
São roupas comuns, simples, 
sem compromisso com moda 
Tê-las é garantia de que não acabe saindo nu, por aí. 
Quando pequeno, a roupa de marinheiro me incomodava:
Não tinha mar no meu chão de seco agreste; 
Nem navio algum para eu ficar a vê-los, 
e por isso eu ficava a não ver navios... 
A roupa da primeira comunhão me levou à igreja, 
para bem a terceira vez que eu comungava. 
Entrava na fila, pequeno ainda, 
na batina negra, o padre nunca me empatou
de sem confissão nenhuma
eu cometesse 'o pecado' de vestir cristo em minha inocência; 
Na juventude, as calças bocas de sino tocavam meus sapatos
E escondiam a falta de verniz que a poeira encobria. 
Andei em roupas que se ajustaram ao meu corpo,
Bem como as que cabiam dois de mim. 
Hoje, tenho paletós que me levam ao trabalho, 
Bermudas que as conduzo em psseios pelos shoppings
Calções que uso, uma vez ou outra, na piscina. 
Mas a roupa que melhor assume minha personalidade
É a que anda comigo em casa, despreocupadamente. 
Não é look que se inveje; nem moda que se copie,
Mas é a que mais me aproxima do menino 
Que ainda em mim, eu visto...

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Longinus


Entre as narrativas do Cristo, contadas pelo apóstolo João no Novo Testamento, a que diz respeito ao soldado romano ferindo o peito do nazareno, ressoa até os dias de hoje em nossa mente, como o gesto que contribuiu para a morte do salvador.

Não se tem como afiançar a real identidade do centurião, já que a lança da soldadesca romana era conhecida como ‘longinus’. E daí viria a expressão.

Como numa equipe médica em que o cirurgião faz a citação dos objetos a serem utilizados no procedimento – “o bisturi” – ‘longinus’ era a referência do comando da tropa para aquele soldado que detinha essa arma, usada na maior parte das vezes para infringir aos réus a pena letal que era a quebra das pernas pela chamada prática da ‘crunifragium’.
“Longinus” apelou o chefe da tropa ao que o soldado se apressou a fazer a sua parte. Porém, como a vítima já havia falecido, resolveram trespassar o peito da vítima, de onde um jorro de sangue e água brotou, fazendo com que salpicasse no rosto do centurião.
O jato aquoso caído sobre os olhos, por instantes, anuviou a sua visão e ao recobrá-la notou suave emanação de luz que percorria a extremidade da lâmina de aço.

A vida desse homem nunca foi a mesma. Sua lança passou revelar uma inexplicável luminosidade, a cada instante em que, nela, repousavam seus olhos.

O martírio do homem santo, como o mundo assim o reconheceria, deixara nele uma forte impressão de que cometera um erro, ferindo o tórax de Jesus.

Impactado pela cena, Longinus carregou enorme enorme trauma por todos os dias terrenos e, após uma completa mudança de comportamento, ele fora convocado para compor o exército do Cristo, trabalhando na sua falange de auxiliares.

A lança que abrira o peito do inocente sacrificado e ajudara a encerrar sua vida terrena, abrira naquela alma amargurada uma profunda e grande mágoa.  Foram precisas muitas existências e o ressarcimento de suas dívidas para que o centurião reconhecesse que a lança que abriu o peito de Jesus, atingiu o coração de um homem a quem tantos rogam, hoje em dia, pela intercessão de encontrar objetos perdidos

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Escritos meus

ESCRITOS MEUS
poesia deste sábado

Anos passarão
E o mundo nunca guardará
A imagem de um Mozart envelhecido;
Ele nunca foi assim visto.

Poucos saberão
Do rosto verdadeiro do Cristo
Embora pintores tenham o retratado
E o dignificado em gravuras.

Quantas páginas
Beethoven rasgou para finalizar
A sua Quinta, já quase ensurdecido
E sem poder ouvi-la?

Nem as lágrimas
Das viúvas de Valentino lavarão
A saudade dele que ainda é enorme
E nunca acabará.

O mundo é imenso,
Mas o Tempo insiste em brincar
Sempre de esconde-esconde e ocultar
Personagens muitos.

Quem poderá dizer
Com certeza, o que serei eu amanhã
Se a visibilidade do que sou agora
Vier a esvanecer-se hoje?...

OS RUMOS DE TODOS OS RIOS

ESCRITOS MEUS
Os rumos de todos os rios
quando as dúvidas assaltarem sua mente
para decidir entre duas coisas, fique forte, 
escolha aquela que seu coração mais sente
ser necessária pra dar à Vida um passaporte.

se diante de uma encruzilhada, de repente,
der o rumo de seus passos, não se importe;
analise, pense bem, vá sempre em frente
pois o céu fará cumprir o que compete à sorte.
não se intimide em buscar sempre a verdade,
onde quer que você vá; é a companhia
mais sensata diante desses desafios
Eleja o amor que sempre atrai a amizade
e expulsa a dor repondo o mar de alegria
para onde fluem na existência todos os rios.

PÁGINAS DE LUZ

Nos ensolarados caminhos de Jericó, um homem
havia
que deixava na areia luminosos rastros
como se fossem setas,
a indicar a direção da grande energia.
De sua voz maravilhosa, dardos luminescentes
jorravam.
E percorriam o ar como se flamejantes flechas
buscassem orientar,
também, o real sentido das estrelas.
O seu olhar trespassava os objetos, as coisas e as
pessoas;
e fundia-se no azul de outra celestial virtude
como a buscar sintonizar valores
dos mais altos páramos.
Nos dias de folga - se é que eles haviam - esse homem
descansava
movimentando as águas mornas que do Jordão
corriam para outras águas
ainda mais distantes e cristalinas.
Das redes que os discípulos arremessavam,
cardumes
de piscosas energias agitavam os pescadores
E os conduziam de volta
à companhia de suas amantíssimas mulheres.
O mundo por ali, se concentrava e o romano poder
se definia
para historiar o mais belo de todos os cânticos
e que amanhece hoje em dia
grafado em vivas páginas de luz.
texto de NONATO ALBUQUERQUE

CÁRCERE

CÁRCERE
Nonato Albuquerque
Roubei uma fatia do teu coração, e me expus
a uma vida presa desse farrapo humano 
que andarilho pelas ruas de meu destino,
como se carma fosse dessa nova aurora.
Sim, eu já vivi mil vezes. E já morri mil tantas
Que num lusco-fusco do tempo que alimento,
Essa hora que assisto, é tão só um minuto
Na eternidade dos séculos que eu existo.
Agora rogo ao divino, a misericordiosa ajuda
de libertar-me do cárcere de carne para que eu
Siga a rota milenar em tua perseguição.
Que armadura esconde esse teu anjo bom,
De quem roubei uma fatia apenas e tu cobras,
De mim, a paga como se a de um corpo itodo.

APANÁGIO DE LUZ

APANÁGIO DE LUZ
de Nonato Albuquerque
Alma de luz, que me acompanha a sina
Dessa existência atroz que a mim devassa,
Ponde tua mão na cruz que me domina
Anula essa dor e o medo meu disfarça.
Força de amor, bendito nome ensina
A que eu conviva em paz, em plena graça
Faz o meu coração ser fonte cristalina
A irradiar o bem, transborde a minha taça.
Eu sou dono de mim mesmo; me conforta
Saber que a Vida além da Vida existe.
E para lá é que se encaminha esse esforço.
Pois que ache minha alma, depois de morta,
O apanágio de Luz que se hoje me faz triste
Iluminar-me-á do Bem pelo qual torço.

sábado, 17 de agosto de 2019

O menino que se tornou santo




Santo, o jovem de pouco mais de 15 anos chamado de Martinus, quando cavalgava na Panônia, deparou-se em seu caminho solitário da Savária com um homem coberto de andrajos, morto de fome e de frio.

Na mente indiferente de qualquer um, não perderia seu tempo para atender a um necessitado que nem pertencia à sua comunidade. mas nessa alma de renovado brio, inspirada pelos tutelares do alto, ao contrário do que outro poderia fazer alguém em meio à guerra, desceu do garboso cavalo, alimentou o homem, para em seguida rasgar a metade de sua capa vermelha e envolvê-la no  corpo dele com extremado carinho. 

Martinho, como era o nome pelo qual era identificado entre os de sua família e a tropa da cavalaria romana, depois do gesto caritativo seguiu o caminho e, à noite, em seu sono, maravilhoso sonho acontece, onde  lhe surge transportado em luz o notável mestre Jesus. 

Condicionado ao exemplo maior de Martinus feito na seara terrena, Cristo desce dos páramos celestes e por gratidão ao gesto que ele dedicara ao inimigo, vem lhe trazer a luminosa bênção dos céus, fazendo mais do que isso. Ele lhe dá a metade da túnica sagrada com que, até hoje, os célebres pintores O tem retratado em seus maravilhosos virtuosos trabalhos. 

De manhã, ao acordar-se, o jovem resolve então confirmar sua fé junto à colônia de fiéis que proclamavam no século IV, a religião cristã como celeiro de toda a expectativa do céu para transformação dos homens em mensageiros de Deus. E no decorrer do tempo se torna um monge, fundando depois um monastério junto a prelazia-mor que o acolhera entre os seus. 

Um dia, já como Martinho de Tours (Martinus Touronensis) ele se torna bispo, sem jamais se desligar das tarefas humanitárias onde prima nele a prática da caridade, assistindo aos necessitados e emprestando-lhes o ensino do evangelho como luz a derramar entre os que buscavam consolo. 

No final de sua presença terrena, os céus o recebem com alegria e reconhecimento, enquanto na  Terra, seu nome é alçado aos altares do catolicismo como santo. Sua figura magnífica ganha o itinerário de celebrações na Aquitânia, na Gália e em toda a região que hoje denominamos como Hungria, . 

O santo enviado pelo próprio Cristo para traçar os rumos do seu sagrado desiderato, a cada 11 de novembro, é lembrado pela confirmação de que veio traduzir
 a misericórdia dos Céus a todos aqueles que apostam na caridade como passaporte para o acesso à Casa do Senhor. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Ouço vozes, vejo anjos

Se eu te disser que ouço vozes
e anjos sopram ao meu ouvido
Tu me dirás, com toda a certeza 
Que eu deva estar enlouquecido

Que é preciso buscar um médico 
Antes que tudo aqui se complique
Mas, sinceramente, eu lhe digo 
É verdade sim, tranquilo fique.

Ouço vozes, porque sou normal
E creia regulo bem da cabeça
Sem problema algum de audição

E se anjos eu digo estar ouvindo 
É que você não tem a ideia 
De quem fala ao meu coração.