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domingo, 23 de novembro de 2025

A GRAÇA DE FICAR EM SEU CHÃO MESMO NA CRISE

Na estiagem que de janeiro a março atravessa 

o sertanejo, quase sempre ele se depara 

com a mitigação onde o verde sai depressa 

e a seca braba lhe cobra a coragem e a cara. 


Sem plantar e sem colher, ele faz promessa 

de ir a Juazeiro a pé, distância que o separa 

da figura do Padim Ciço, a quem se apressa 

em cobrar a atenção ao santo bom que o ampara


O tempo passa, o sertão geme essa desgraça 

mas a esperança que é verde nunca falha 

e já não se busca mais o paulista Eldorado.


Ficar entre os seus é mais do que uma graça 

que aos céus enviam a quem trabalha 

em busca de ser grande em seu próprio estado.


 . 


A TRAVESSIA DO RIO DOS MORTOS

 Nonato Albuquerque (23.11.2025)

Do lado de lá, desse rio dos mortos, 

o Aqueronte, 

nos aguarda nessa praia, uma surpresa. 

Outra fonte 

a mostrar que há vida em muitos portos, 

horizonte 

de luz a transfigurar beleza. 


Há rostos comuns, alguns familiares 

de identidade, 

a recomporem o hino que a vida entoa 

pater-maternidade. 

Expressões do ontem que nos altares 

da saudade

compouseram os dias de Pessoa. 


Mais do que tudo isso, na versao grega 

do Estige 

o rio das mortes é composto de mentes vivas 

que exige 

de cada um que o atravessa, usar bom senso


Pois é a volta pra casa que de novo agrega 

Caronte 

e nos põe uma vez seguinte com expectativas 

de um horizonte 

onde somos imortais, como hoje eu mais penso