A luz do mundo
UM BANGALÔ NAS NUVENS
Quando através do sono nos libertamos temporariamente do escafandro corporal, volitamos por entre a dimensão do eu mais puro e visualizamos cenas que, geralmente, só os sonhos conseguem externar. É do substrato desses sonhos - e da criação poética - que se constitui este diário, revelando a incrível magia da dimensão da espiritualidade.
Arquivo do blog
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
ALFARRÁBIOS MEUS: A LUZ DO MUNDO
nonato albuquerque
Nos ensolarados caminhos de Jericó,
um homem havia
que deixava na areia luminosos rastros
como se fossem setas, a indicar a direção da grande energia.
De sua voz maravilhosa,
dardos luminescentes jorravam.
E percorriam o ar como se flamejantes flechas
buscassem orientar, também, o real sentido das estrelas.
O seu olhar trespassava os objetos,
os animais e as pessoas;
e fundia-se no azul de outra celestial virtude
como a buscar sintonizar valores dos mais altos páramos.
Nos dias de folga - se é que eles haviam -
esse homem descansava
movimentando as águas mornas que do Jordão corriam
para outras águas ainda mais distantes e cristalinas.
Das redes que os discipulos arremessavam,
cardumes
de piscosas energias agitavam os pescadores
E os conduziam de volta à companhia de suas amantíssimas mulheres.
O mundo por ali, se concentrava
e o romano poder se definia
para historiar o mais belo de todos os cânticos
e que amanhece hoje em dia
grafado em vivas páginas de luz.
POESIA PRA SE VER PASSAER O DIA. "Eu, essa peça inacabada"
eu, essa peça inacabada
Poesia de Nonato Albuquerque
Eu teço o texto de meus textos com paixão
(e compaixão...)
São linhas filtradas no meu próprio sangue,
que as palavras têm essa propriedade incomum
de injetar líquido na solidez das conversas.
Arremato as pregas de cada frase com fino trato,
e vou alinhavando as sobras com meu jeito de ser:
Sou operário de quem pensa seja eu poeta,
mais vítima do poema que seu próprio executor .
Ah! meus tempos de diálogos travados
em outras eras
onde o corte deixado pela minha lâmina-língua
fazia calar realmente os que não sabiam falar.
Hoje, distante de tudo e de mim mesmo,
rebusco na memória perdida do tempo, alguma lembrança que me dê certeza de ser eu, essa peça inacabada.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
A pena de talião e a sentença de Jesus
No dia em
que trouxeram à sua presença
a mulher
adúltera, flagrada em pecado,
o mestre
Jesus, pelos escribas instigado,
detém-se a
fazer valer ágil, sua sentença.
- Qual seria a punição, segundo sua crença,
se de
Moisés, o talião era o fiel legado?
Jesus
escreve na areia, compenetrado,
Cada falha de quem incita essa querença
Ante o silêncio do Messias, a turba dividida
Quer ouvir a
resposta, saber qual a saída
O mestre de
Israel dará ao caso relatado.
Jesus para a lista, que cada vez se medra,
E diz aos
fariseus "atire a primeira pedra
Aquele que
se achar no mundo sem pecado".
(Nonato Albuquerque)
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
NO ANIVERSÁRIO DE JÉSUS, UM RECORTE POÉTICO
UM NOVO SER CRISTÃO
13.7.26
Jésus Gonçalves
Busquei nas
entranhas do tempo, um archote
para iluminar
minha alma vil, atormentada
por esses séculos nos quais o mal foi mote
da tirania odiosa,
à provação sublimada.
Subjuguei a
Grécia. Em Roma com um magote
de sanguinários a permiti incendiada.
Na ânsia de
governar, cobrei de todos um dote
para aplacar
a fome de poder, que desejei saciada.
Nenhuma virtude.
Nenhum grau de respeito à vida.
Contrário a Deus,
exigia a todos altas pagas
até o dia em
que ‘o nascer de novo’ foi a opção.
E eu, visigodo
maldito, ressurjo numa investida
Alma e corpo
recobertos de malsinadas chagas
a recomporem o capítulo final do novo ser cristão.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
NA LUZ DA VIDA NOVA
Alma lívida de toda sorte de impureza
adentra ao rio das mortes, se invisibiliza
e retorna ao comum que a Natureza
advoga a cada criatura que a divisa.
Não é tática nova de nenhuma empresa
religiosa que dá a quem veste sua camisa
a ideia de que se alcançará a vil riqueza
e com isso alcançará a visão que divisa
a mudança da couraça de lagarta antiga
para as vestes de uma sedutora mariposa
faz parte do que somos na criação divina.
Nascemos impuros, vivemos na fadiga
Até o milagre que em cada um repousa
de acordar na luz que a vida nova inclina.
POESIA. A barca de Caronte
A BARCA DE CARONTE
Quão belo o milagre dessa mariposa
que após largatear uma vida intensa,
despoja-se da sua vestimenta densa
e assume a essência sob a qual repousa.
Da couraça velha ressurge tão imensa-
mente bela, a pele nova, não mais adiposa;
E ela abarca a mudança a qual se esposa
como se da Natureza fosse recompensa.
Assim como esses insetos se propõem
a mudar de forma quando se fizer hora
nós, também, teremos uma similar sorte
de ingressar na vida nova a que expõem
as almas humanas que um dia irão embora
quando a barca de Caronte trouxer a morte.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
POESIA. Para quem ainda curte e soma-se a esse meu gosto
PENSANDO NAQUILO
(Nonato Albuquerque)
Se me perguntas, por onde ando,
responder-te-ei calmo e tranquilo
que ando onde, como e quando
estou contigo a só pensar naquilo
Se na distância, às vezes, eu desando
a reclamar da ausência, é que vacilo;
por só querer estar contigo amando
e por amor fazer naquilo, aquilo.
Quando juntos somamos um apenas,
ambicionamos chegar a sermos três
na matemática que o amor domina.
Quero viver, ainda que a duras penas
uma aventura como nunca se fez
naquilo, aquilo que só o amor sublima
sexta-feira, 17 de julho de 2026
JORNALISMO. Onde denunciar a violência em nossa profissão
Jornalistas e comunicadores sociais que sofrerem violência, intimidação, ameaça ou qualquer outra violação de direitos durante o período eleitoral podem registrar uma denúncia por meio da plataforma Fala.Br. Durante as eleições, o Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores, do qual a FENAJ faz parte, monitora ocorrências relacionadas a esse contexto.
CRÔNICAS. "Não dá pra mudar de signo não?"
Não dava pra mudar de signo não?
Nonato Albuquerque
Há coisas na vida da gente que não mudam nunca. Quantas pessoas existem que gostariam de não ser o que são. Mudar.
Mudar do nome que não gostam desde o batismo. Da altura que
parece beirar ao nanismo. Da profissão em que atuam e que trocariam por
qualquer outra que não lhes desse tanto cansaço e pouco ganho.
Uma amiga minha anda nessa fase.
No lado afetivo cansou-se de homens enganadores. Dos que não
sabe amar. Dos galinhas. E jura por todos os santos que até trocaria de sexo. Não
é nenhum desejo lesbiano que ande tomando conta de seus pensamentos, não. Ela
quer parar de sofrer nas mãos de quem não sabe dá importância aos afetos.
Nessa etapa da vida – e ela já cruzou o Cabo da Boa Esperança,
como se dizia dos que passaram dos 40 – ela quer sombra e vida fresca. É vida
mesmo, pois água ela já tem muita.
Personalidade irreverente, alegre – gente boa, como se diz
de poucas pessoas - essa amiga sempre busca primar pela positividade da vida e
das coisas. Sempre viveu para ajudar os outros. Sempre teve esse dom
franciscano pautando as regras de sua vida. E diz que já passou da conta de
olhar pros outros e não se preocupar com ela. Para isso, precisa de tempo.
Quer ter tempo para ganhar o mundo, Viajar, como fazia antes
de ficar comprometida com a mãe de 92 anos, de quem levou para morar consigo e
cuida com zelo e interesse. Mas tem saudade dos tempos em que podia sair, ir a
shows, assistir um bom filme, praiar ou apenas zanzar por aí, sem dar contas a
ninguém.
- Estou cansada, diz com acentuada exclamação, ao mesmo tempo
em que junta a isso, a indagação de que é preciso mudar. De tudo. E pergunta: “Num
dá pra mudar de signo, não?”, diz achando que Sagitário, o seu signo, é muito
sufocante. Só quer viver pros outros, sem dar tempo à sua liberdade.
Desejaria ser Leão, signo de nomes como Bruna Marquezine,
Rodrigo Santoro, Sasha Meneghel e Tatá Werneck. Mas sabe que não escolheu o seu, mas pode escolher como viver com ele. Gostaria de ser de Leão, mas com a alma de sagitário. Para não perder de vista o lado bom e humano que tanto resguarda. E ama.
sexta-feira, 3 de julho de 2026
SOLITUDE
Eu amo a solitude, a qual abrigo
como se
fosse parte do meu ego.
Solidária ao
que escrevo e digo
guia do ser
que se faz surdo e cego
Nas horas de sonho eu não me intrigo
ao seu eterno plantio eu me entrego.
Acordado, nela eu sempre consigo
adormecê-la como
parte do meu apego
Na vida de sonhos como na fase de vigília
Semeador de
sonhos eu me entendo
Embora colha muitas vezes pesadelo
É nessas horas
que me sinto em família
Com os sentimentos meus que mais velo
sexta-feira, 19 de junho de 2026
domingo, 7 de junho de 2026
REDES SOCIAIS S/A
REDES SOCIAIS
O mundo no ar
Pelo celular
No escritório
Ou no velório.
Muitos o usam
E até abusam
Tudo remete
Hoje a internet
Onde só cabe
A quem lhe sabe.
Até meu verso
Tá no universo
Das digitais
Redes sociais.
(Nonato Albuquerque)
O INFERNO SUPERLOTADO
Conta uma lenda medieval
que o espírito de Jesus
ao deixar a cruz de seu martírio
desceu ao inferno após o terceiro dia
para salvar os pecadores.
Ao ver aquilo, o diabo ficou triste.
Afinal, levando de lá os malfeitores,
os que cometeram erros
e nunca cumpriram a lei,
ele não tinha mais nenhuma função no Universo.
Jesus, aquietou-lhe: “Não lamentes.
Virão pra cá, todos aqueles que,
por se julgarem cheios de virtudes,
vivem condenando os que não seguem
minha palavra.
Espere algumas centenas de anos
e verás que o mundo das sombras
estará mais cheio do que antes.
BALADA DAS MÃOS
BALADA DAS MÃOS
Minhas mãos, magnetizadas por teu corpo,
traçam nele caminhos de carícias
afortunando-me a essa íntima comunhão
É que tens aura serena, vestígio do pretérito
Em que vidas comuns, comungadas
Se alimentam ao sabor desse êxtase.
Quando adentramos esse território sonho
Onde a alma se liberta se plenifica,
alcançamos a liberdade.
Nosso silêncio fala mais que nossas vozes
E um doce canto de amor
Nos envolve, returbinando nossa força.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
segunda-feira, 18 de maio de 2026

O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO
Nonato Albuquerque
O mundo começou em mim, arremata Moisés
depois de antologizar toda a gênese humana.
Tinha ele, pois, o D´us único, bem ali, aos pés.
E discorreu com palavras toda essência do prana
O mundo terminará em mim, prega o evangelista
João, a quem coube na Terra ver o apocalipse
Esotérica leitura pela qual o homem avista
A mudança do planeta após o grande eclipse.
No meio deles, tu e eu, interligados estamos
Enquanto lá fora o mundo destrambelhado,
Confuso, rola como se fosse desabar no abismo.
Será que vai dar tempo vender o que compramos?
Ou será possível ficar, assim, ensimesmado,
Sabendo que amanhã finda todo esse esnobismo?
(escrito no dia 18 de maio de 2016)
sexta-feira, 15 de maio de 2026
saí de casa sem rumo. Sem mapa. Sem dar na vista
que por onde quer que eu fosse, seria eu um artista.
Desde pequeno traquino, como se deve a um menino
que ao lado da bola e do livro tinha um outro destino.
cresci em meio à pobreza, achando que qualquer dia
por um outro esquema melhor, esse jogo eu mudaria.
Fui varredor de uma loja, treinei embaixo de um carro
e aprendi profissões, das quais nenhuma me amarro.
queria ser artista. De quê, nem eu sabia. Entao decidido
a dar conta desse sonho fui ser num circo palhaço
e de tudo o que eu fazia, as pessoas abriam gargalhada.
um dia o circo pegou fogo. Leões fugiram e a platéia
se autodestruiu sem deixar nenhum pequeno traço
e o destino do artista que eu era, fez-se apenas um nada.
O barqueiro do riio das mortes
O barqueiro descansa seu milenar barco
no charco das águas do rio das mortes
onde as sortes lançadas alcançam o arco
Marco da história feita assim sem cortes.
quantas vidas levadas, do velho Plutarco
ao gentil Filarco, entre mil outros passaportes
O mar aguarda o que eu também abarco
Com parco recursos de nos ver firmes e fortes
Ai de quem ousar que no mundo dos mortais
ser mais forte que todas as criaturas da Terra,
Esquece de que todos iremos a um só destino
Sejam eupátridas ou metecos, todos são iguais
Na tripulação onde Caronte sempre encerra
O futuro de todos: seja velho, moço ou menino.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
COVID 19
COVID-19
Nonato AlbuquerqueQue dizem os astros sobre esses desastres
Que a covid-19 a todos impulsiona?
Por que nenhum desses videntes fulastres
Arriscou um palpite sobre o que ele condiciona?
Por que a Ciência-mãe com todos os pilastres
Não responde a pergunta de quem questiona
De onde vem esse mal, que o mal proporciona
Que nos suga a vida como se fora uma albiona.
A vida na Terra não se permite apenas ao visível
Por trás de todos nós há um mundo que se rege
Por micróbios, bacilos e bactérias de igual arranjo
Só o egoísmo humano ainda faz pensar ser crível
Ser ele o semi-deus que, embora sendo herege
constrói sua caminhada em busca de ser anjo.
8.maio.2020
A AMPULHETA
Não quero morrer de manhã. Ainda é tão cedo.
Depois do meio dia, quem sabe. Seria bem mais justo.
Na ampulheta da vida, a contagem do tempo é outra.
Diferencia do relógio dos homens.
Começa de madrugada.
E a cada quatro horas, duplica-se,
somando uma década de vida.
Pela manhã, terei atingindo a idade infante.
Depois das oito, a mocidade.
Ao meio dia, terei somado três décadas.
Quando for lá pelas três da tarde terei chegado aos 40.
Sete da noite, cinquentenarei.
Às 23 horas do dia, já serei sessentão.
Os que passam da meia noite, varam a expectativa de vida.
Ultrapassam a idade limitem. Envelhecem.
Não quero morrer de manhã. É muito cedo.
Lá para o final da tarde, início da noite, é possível ter vivido muito.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
O QUE PROPÕE O DESTINO
De certo modo, não haverá chances de vitória
para os que se empregam à prática do mal.
A promessa crística, diz o sermão da historia,
dará a herança aos mansos. Esse é o sinal.
Num futuro que se almeja próximo, eventual.
exigir-se-á que os bons se separem da escória;
dos que impedem a colheita do bem moral
e que do joio maligno não reste sequer memória.
Muitos dos que se dizem seguidores do mestre
se mostram frios a cumprirem esse desiderato
e atuar entre as falanges do amor divino.
Preciso é que se defina nesse tempo terrestre
de qual lado estamos; para que se dê de fato
o cumprimento da lei. É o que propõe o destino.
Assinar:
Postagens (Atom)




