Um dia, durante uma missa na matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Acopiara, entrei na fila dos comungantes e cumpri com esse rito dos católicos, sem nem ter me confessado, o que deixou minha mãe abismada.
Ao ouvir aquilo, ela se benzeu toda e, invocando o nome de Deus, pediu perdão pelo ato cometido pelo filho. Mas me obrigou a ir ao confessionário e cumprir com o ritual comum para se oficializar esse sacramento. Só comungaria se eu me confessasse. E o fiz.
No confessionário, o padre indagou se eu tinha cometido algum pecado mortal, ao que respondi com um seco "não". E ele, como se desacreditasse, insistiu: "nunca mesmo?". Nunca, respondi. E veio então, a outra indagação: "e pecado venial, meu filho já fez?" Nenhum, respondi. "Nunca desobedeceu ao papai ou a mamãe? E eu ali reticente: não.
Foi aí que ele me fez uma indagação que, naquela idade, eu não tinha a menor ideia do que fosse: "nem àquele!..." Eu parei um pouco; pensei "qual seria àquele", e por avaliar que não devia ser algo bom aos olhos da igreja, respondi negativamente. O padre insistiu: nem no banheiro, você nunca..." E se calou ao chamado de uma pessoa que me fez ser liberado, não sem antes me obrigar que eu, fosse aos pés do altar, rezar de joelhos, dez pais nossos e dez ave-marias.
Só algum tempo depois, conversando com um coleguinha de sala de aula na hora do recreio, é que ele, mais velho do que eu e ao ouvir meu relato, me explicou que diacho de pecado era aquele. Muitos anos depois reconheço ter sido um padre que me despertou para o ato da masturbação. Num confessionário. Dentro da santa madre igreja.










