Devo a um padre a descoberta de um prazer, o da masturbação, condenável aos olhos da Igreja. Parece incrivel, num é? Acontece que eu, por volta dos seis/sete anos, estava me preparando para minha primeira comunhão, quando surpreendi minha mãe ao lhe revelar que eu já fizera isso, não era preciso me preparar.
Um dia, durante uma missa na matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Acopiara, entrei na fila dos comungantes e cumpri com esse rito dos católicos, sem nem ter me confessado, o que deixou minha mãe abismada.
Ao ouvir aquilo, ela se benzeu toda e, invocando o nome de Deus, pediu perdão pelo ato cometido pelo filho. Mas me obrigou a ir ao confessionário e cumprir com o ritual comum para se oficializar esse sacramento. Só comungaria se eu me confessasse. E o fiz.
No confessionário, o padre indagou se eu tinha cometido algum pecado mortal, ao que respondi com um seco "não". E ele, como se desacreditasse, insistiu: "nunca mesmo?". Nunca, respondi. E veio então, a outra indagação: "e pecado venial, meu filho já fez?" Nenhum, respondi. "Nunca desobedeceu ao papai ou a mamãe? E eu ali reticente: não.
Foi aí que ele me fez uma indagação que, naquela idade, eu não tinha a menor ideia do que fosse: "nem àquele!..." Eu parei um pouco; pensei "qual seria àquele", e por avaliar que não devia ser algo bom aos olhos da igreja, respondi negativamente. O padre insistiu: nem no banheiro, você nunca..." E se calou ao chamado de uma pessoa que me fez ser liberado, não sem antes me obrigar que eu, fosse aos pés do altar, rezar de joelhos, dez pais nossos e dez ave-marias.
Só algum tempo depois, conversando com um coleguinha de sala de aula na hora do recreio, é que ele, mais velho do que eu e ao ouvir meu relato, me explicou que diacho de pecado era aquele. Muitos anos depois reconheço ter sido um padre que me despertou para o ato da masturbação. Num confessionário. Dentro da santa madre igreja.