domingo, 8 de novembro de 2009

Viagem numa cápsula em busca de uma semente de luz


Ontem à noite, vaguei pelos páramos celestiais, numa cápsula esverdeada que me levou a um determinado ponto do cosmos onde eu já deva ter ido. Encontrei pessoas serenas, tranquilizadas pela bonomia do tempo e pelas experiências de outra vida, e li em cada rosto um conforto e uma esperança incrustados.

Logo próximo ao parque, por onde crianças volitavam em torno de animais que eu nunca imaginei existir, encontrei meu último pai terreno. Estava tranquilo e de seu sorriso pude perceber que, aliviado de todas as recentes dores.

Sem nenhum esforço para articular palavras, conversamos telepaticamente e, incrível!, eu entendia tudo o que os seus lábios não deixavam exteriorizar.

Entreguei-lhe um pequeno envelope branco, de onde ele retirou um cartão. Vira os dois lados e me pede que escreva alguma coisa. E com o dedo polegar direito, faço de conta que é uma caneta, de onde saem reluzentes letras como sementes de luz que traduzo agora claramente.

"Parabéns, pai. Paz e Bem, sempre." E assinava meu nome, notando que o P de parabéns era idêntico a quando faço na vigília, rebuscado e bonito.

Acordei, certo de que meu pai recebera a minha singela homenagem pela passagem de seu aniversário que foi em setembro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Notícias do mundo de lá


O outro lado é consequência deste? Ou vice-versa? Falo em relação as atividades que encetamos na dimensão da Luz.

Ocupado em apresentar um jornal na emissora onde estava, estabeleço contato com amiga Marlene Teixeira. Peço que ela em eenvie um boletim sobre notícias do mundo de lá.

Na verdade, descubro que estou no trabalho de todo dia quando saio da vigília. Depois que retornei ao corpo, descubro que o realismo das cenas que vivi.

Marlene entra com o boletim. E o que ela ler é. simplesmente, uma crônica - como ela gostava de fazer nos tempos de rádio em Iguatu. Faz uma homenagem a uma senhora de sobrenome Montenegro, que eu não consigo me lembrar o primeiro nome de jeito nenhum.

Fala da importância dela na formação de pessoas na região centro-sul e que ela continua a atuar na dimensão da Luz.

No 'sonho' fico intranquilo porque o tempo está se esgotando e não vai ser possível ouvir todo o relato. O som da mesa do estúdio vai se elevando e a voz de Marlene some.

domingo, 9 de agosto de 2009

Um pouco de mim para quem guardo no peito


Passei o dia pensando no dia que os pais ganham para lembrança maior dos filhos. E me deu uma saudade danada do velho e bom Mário, que há menos de dois meses se mudou de anima e bagagem para a dimensão do espírito.

Não que eu goste desses eventos inventados à troco de gastos, para aquecer as vendas dos lojistas e atear ainda mais fogo na febre consumista que nos ataca. Sou mais de lembrar pai e mãe, no dia-a-dia que a gente vive e sofre, buscando o entendimento do grupo familiar.

Mas me lembrei de você, seu Mário - no passeio com o Greg, na quadra de esportes quando me sentei olhando o não sei o quê, descobrindo um pouco de vazio em mim - vazio que é de você.

Sei que fora da vigília, certamente, a gente deve ter se encontrado por aí, abençoado um ao outro, chamando-nos de pai cada um de nós e lembrando que saudade foi feita pra se sentir e do lado esquerdo do peito, voce ocupa um lugar sagrado que todos os dias comungo uma conversa com você.

Paz e Bem, velho...

domingo, 5 de julho de 2009

Música: Não Tenho Medo da Morte - Gilberto Gil




"
Não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor
ou vontade de mijar

a morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
o além já será então
não terei pé nem cabeça
nem figado, nem pulmão
como poderei ter medo
se não terei coração?

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte e depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

então nesse instante sim
sofrerei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade
como em qualquer despedida.

Música: Não Tenho Medo da Morte - Gilberto Gil


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um abraço que foi uma verdadeira fusão de seres.


Dormi agora a tarde e (devo ter) me desprendi(do). Lembro-me de ter andado por uma avenida que desconheço. Ia em direção a 'um local de trabalho'. E quando menos esperava, estava numa sala como se fosse um grande estúdio da tv e encontrava-me com meu pai. Mais do que um abraço foi uma fusão de seres.

Os dois entrechocados, vibravamos de saudades muitas. E dele, penso ter ouvido falar de "saudades da Francisco Sá", uma das muitas moradas que tivemos em Fortaleza e que, para ele, era um referencial importante pois ali próximo estava o seu trabalho junto à Casa Machado.

Ele me dizia das saudades que tinha de todos e "da Regina". E eu chorava copiosamente abraçado a ele, sem que pudesse ve-lo, mas o ouvia claramente a me dizer algo como "se cuidem", referindo-se aos que estão do 'lado de lá'. Talvez, referindo-se à este lado.

Acordo com os olhos molhados. Vou ao banheiro onde me vejo no espelho, assim. E conto a Maria e a dona Gleide, esta senhora que trabalha conosco e que tanto o ajudou nos últimos dias na Terra.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um trem nas alturas


Há um trem correndo por aí, nessas alturas - ou sei lá como definir o que há na dimensão da Luz. Esta noite, eu circulei por ele. Ao percorrer os vagões encontrei muitos passageiros cujas faces não davam chance de identificá-los.

Uma pessoa nos guiava nesse passeio astral e, a certa altura da conversa que traçavamos no sonho, ela chegava a cumprimentar pessoas em italiano. Algo como "tudo bem? Vamos já já chegar..."

Não sei qual era o destino do trem das alturas; mas havia como quê uma certa expectativa de que ele ia nos levar a um ponto determinado de nosso próprio conhecimento, mas que não consegui descobrir de maneira nenhuma.

Paramos em frente a uma praça, cuja estação dava para o interior de uma igreja secular. Imagens que eu supunho do período barroco e vultos circunavegando nas alturas, como se volitizassem em torno desse ambiente misterioso.

Quando tento ingressar por uma porta, no que imagino seja a sacristia, acordo com o som do despertador tirando-me a chance de saber o que se esconde por trás daquela magnífica porta...