sexta-feira, 22 de junho de 2018

Um verso solto em busca de gratidão


Nas horas de desconforto e desabrigo,

a mão humilde que se estende, ajuda;
o olhar sereno que se apieda é amigo, 
e a voz do amor não se contenta muda.

P DE POESIA (22.06.2018) Alma pura de tantos poetas

Vive em mim a alma pura de tantos poetas

que não se cansam do verso, nem da rima
Passaram séculos, para baixo e para cima 
marcados como se fossem velhos profetas

Vive em mim o delírio de alguns exegetas

que beberam nas fontes e mudaram o clima;
amantes das dores que o mundo lastima
por desnudarem as ideias mais secretas.

Vive em mim isso tudo que chamo sagrado, 

por ser de outro plano que não se nivela 
ao esforço comum que se aplica na Terra.

Fazer verso do ontem, mas não antiquado,

até quando lhe inspire essa musa donzela
A cobrar vidas que essa outra vida encerra.

terça-feira, 12 de junho de 2018

NAMORADOS, dia 12 de junho 2018


Longe, bem longe de onde estou escrevo
em verso novo, meu mui antigo apelo
para lembrar o quanto ainda te devo
dos sonhos muitos, que só a ti revelo

volto com de ideias novas e até me atrevo
pedir tua licença, para com o maior zelo
lembrar de nossa fuga, quando em Sarajevo
a guerra pestilenta nos pôs em desmazelo.

sou ainda o poeta que aos olhos teus
meus tímidos versos sempre repercutem
como a querer refazer o que eu fui antes

morri de amores ao ouvir o teu adeus
e por mais que os dias do passado lutem
eu sobrevivo do mesmo dos amantes

domingo, 10 de junho de 2018

P DE POEMA - O Patrão e o Empregado

O patrão e o empregado
ilustração jorge arbach


Mão estendida para o contato, com o tato;
armada mão, conversação sem conversão
de um lado o labor que labuta por seu trato
do outro lado o lado poder do patrão


mão estendida de quem não vê desacato
no ato simples de quem faz negociação;
mas do outro lado sempre há um “staccatto”
que impede o lado bom de crescer com a nação


vejo isso no dia-a-dia dos nossos bancários
dos operários, dos humildes sem patrões
que lutam pela vida sua e a de familiares


pra melhorar se for possível seus salários
e acreditar que não haverá mais senões:
já que a mão do outro esconde outros ares….

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Versos imperfeitos



eu,
que já quis ser trapezista voador,
aviador,
e que, mesmo assim, acabei no ar,
tive outras ambições.
Como a de ser astronauta
e ir até o fim do infinito
pra dar um enorme grito
de que o universo é a minha cidade. 

eu,
que já quis ser de tudo isso, um pouco
desejei ser viajante dos sete mares
e cruzar a linha do horizonte
para encontrar numa máquina do tempo
os que se foram
os que ainda haverão de vir
e, principalmente,
minha penúltima identidade.

Eu,
que fui o que não sou,  
mesmo intentando ser, 
quis tanto saber
quem foram as companhias de ontem
que se esmaeceram na memória
e que a poeira do tempo
apagou seus rostos, seus nomes,
suas melhores ideias.

Eu,
que sou o que não fui, me vejo
nesses versos imperfeitos
com mais um desejo.
O de ser visto 
como o que não sou
pois a embalagem que me veste
não revela o que fui
em favor do que ainda sou.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

terça-feira, 15 de maio de 2018

sábado, 12 de maio de 2018

Novas sagas



o fogo que arde em mim é de chamas antigas
que nunca debeladas foram em meu espírito;
de eras tirânicas, de pátrias que eram amigas  
 e que séculos passados, carrego ainda contrito.

a dor dessa vingança já me cobriu de escamas
em vida atormentada que só me trouxe atrito.
fui déspota de cavalheiros, crápula de damas
em busca de resposta ao meu íntimo adstrito

transpus séculos em corpos, vidas malsinadas,
percorri a nobreza, me embriaguei na vilania
para renascer pobre, coberto de muitas chagas

hoje, conhecedor do que fui em épocas passadas
agradeço a Jesus, essa bendita alquimia
de mudar o passado e futurar-me em novas sagas.

(Inspirado em Jésus Gonçalves)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Emissões da Quinta Mediúnica




Eu era igual a todo mundo. Vivia só por viver.
Estimava os meus e apreciava o trabalho. Mas não havia dentro de mim, nenhum resquício de luz que projetasse a fé que vejo entre os fiéis de qualquer religião.
O tempo me destinou a esse rumo e eu me descobri tão vazio, porque sem fé eu continuava um ser insípido, quando achava que, depois da morte, tudo se resolveria.
Volvo às lides doutrinárias hoje e percebo na crença dos outros, uma chama de fé a roteirizar os caminhos de cada um. Isso me dá esperança de aprender a ter a fé da qual o filho do Homem falava.
Sou irmão dele, me dizem. E a esperança de crença não morreu junto comigo.

20.04.18

Ó divina força inspiradora do amor maior,
que vivifica as vozes dos mortos
e as resignifica em outras dimensões.

Estendemos nossas preces para que
se aplique o tônus da etemrna presença em nós e consiga transformar
os grãos da palavra em terna poesia.

Retifica nossos erros.
Reconsidera nossos impulsos.
Transforma a horta do nosso coração
em semeadura de paz.

É em nome de teu mensageiro sublime
que nós sublimamos nesse encontro.
Paz...

20.04.18

ABC doutrinário 

Não sou homem de fé.
Eu não sei rezar.
Deixem-me em silêncio
a escutar o coração
(ainda que intranquilo)
bater o compasso do meu eu.

Não sei rezar.
Não sou um homem de fé.
Mas creio firmemente
que há um conduto mental
a estabelecer eco
entre todos vocês.

Eu sou quem não sou mais
Mas sei que sou, sendo
um aluno displicente do passado
que só agora se alfabetiza
no abc doutrinário do bem.

Não sei rezar. Amém.

domingo, 1 de abril de 2018

O futuro esquecerá seus nomes


nós construímos um país, para que eles passassem
com o trator da destruição aniquilando tudo em volta.
Dos irmãos negros, compulsivamente, retirados da África
e que vieram dar sua cota com sangue, suor e lágrimas

Nós ensinamos aos nossos filhos, o dever do respeito
e ética, para que a ordem e o progresso se firmassem.
Eles vieram com suas forças do mal e rasgaram a flâmula
que nos honra nascer à sombra de sua gloriosa legenda

Durante anos, esse chão de todos foi tomando corpo;
sustentando-se nas bases da tolerância de todas as raças,
credos e ideologias que, por aqui, se entranharam.

Eles vieram com suas ações malévolas,  deitaram ódio,
e achacaram o patrimônio da Nação com suas roubalheiras.
O futuro, certamente, esquecerá deles até mesmo o nome.  

domingo, 25 de fevereiro de 2018

O destino proposto por Jesus

dona Celestina, negra admirável e bem quista
retornou aos cimos dos céus depois da lida
conduzindo de queixas uma enorme lista
a reclamar aos guias santos, sua última vida.

Por que o senhor de tudo e todos pôs à vista
essa cor de noite de estrelas desprovida?
num mundo cheio de gente moralista,
de todos os sofreres, o da cor ela não olvida

Um anjo em socorro lhe diz que essa queixa
é inaceitável, pois as sombras de sua pele
escondem a pérola da mais sagrada luz

quando ao final da vida terrena, a raça deixa
um rastro luminoso se ao amor se impele

cumpre o destino que lhe propôs Jesus

sábado, 24 de fevereiro de 2018

dignatário do altíssimo

diáfana presença de paz
essa que me acerca
quando distante de todo barulho
eu adormeço um sonho e acordo no éter

volito por entre nuvens vagabundas
algumas grávidas
outras nervosas, eletrocutando-se

mas acima delas um céu de maravilhas
se protege
das almas puritanas que o desejam

Quando eu me for, realmente,
quero pousar nas esquinas do horizonte
onde estão situados os pomares do bem
para que, diante de um dos seus frutos,
eu me reconheça filho do alto
dignatário do altíssimo.

E amém. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Do pó ao pó

o amor que te devoto
nessa ânsia de loucura
é o mesmo que procura
o relâmpago no ignoto

o abandono que me dás
em troca desse afeto
é o que ao ser mais abjeto
lhes dão as pessoas más

não preciso de tua carne
nem me alegra teu destino
o que me encanta és tu só

ainda que eu desencarne
e volte como um menino

amar-te-ei do pó ao pó. 

O inferno

quando eu quero me parecer nobre,
digo que já fui rei. Um duque. Conde.
títulos que se arranja não sei por onde
por jamais querer me parecer pobre.

a vida minha que levo hoje encobre
as ruínas do passado que se esconde
entre o que eu fui e que corresponde
ao que hoje sou e quero que soçobre.

fui figura do mal. Destilei tanto ódio,
envenenei-me de ciúme o tempo todo
matei sonhos e esperanças. Mil ideais

hoje recolhido ao lugar desse pódio
de sombras, reconheço que é o modo

de quem vive o mal e nesse inferno jaz.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O homem da cruz

quem é esse rei, que ouço
falar há séculos no mundo
padecido ainda tão moço
num sacrifício profundo?

dizem chamar-se Jesus
filho de um carpinteiro
que trouxe dos céus a luz
pra iluminar o mundo inteiro

mas se ele é rei, que motivo
tinha para um sacrifício assim?
mesmo morto, ele está vivo
pois a morte não é o fim

ele reina em outros ares
de dimensões espirituais
onde não chegam os olhares
onde resplandece a paz.

mas quem seguir o conselho
que ele deixou nos ensinos
sabe que ele é o espelho
que muda todos destinos.

dos tempos que eu já passei
até os dias presentes
Jesus nazareno é o rei
de todos nós penitentes

sagrado nome de apreço
que a todos nós nos seduz
nenhum outro ser tem o preço

do valor do homem da cruz

(Inspirado em Lope de Vega)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A lição do Bem do mestre Jesus

pena de morte, gritam nas ruas as vozes,  
ante a avalanche da violência que salta
aos olhos de quem vive o estupor da malta
e se obriga a viver com a fúria dos algozes

por toda a parte, só lamentos atrozes
medo do crime que a todos sobressalta
já que o poder de vencê-lo parece em falta
diante das ações que imprimem os mais ferozes

no silêncio das igrejas, mães desfiam rosários
pelos filhos que as facções silenciaram
e que foram viver no lado oposto da luz

pena de vida a todos, advogam os emissários
do alto, que dos humanos nunca se separam
repetindo a lição do Bem do bom mestre Jesus

terça-feira, 30 de janeiro de 2018


Minha infância tinha mágicas 
 que eu guardava com afeição, 
 rios de pó, feixes de luz 
cavalos marinhos no sertão 

 eu tinha o meu unicórnio 
 arco-irizado de plantão 
 quando eu precisasse voar 
 nas esquinas da amplidão 

 hoje, essa tão pura magia 
 foi descartada de mim 
 nos anos de minha velhice 
 planejo magicaliza-las, sim