terça-feira, 15 de maio de 2018

sábado, 12 de maio de 2018

Novas sagas



o fogo que arde em mim é de chamas antigas
que nunca debeladas foram em meu espírito;
de eras tirânicas, de pátrias que eram amigas  
 e que séculos passados, carrego ainda contrito.

a dor dessa vingança já me cobriu de escamas
em vida atormentada que só me trouxe atrito.
fui déspota de cavalheiros, crápula de damas
em busca de resposta ao meu íntimo adstrito

transpus séculos em corpos, vidas malsinadas,
percorri a nobreza, me embriaguez na vilania
para renascer pobre, coberto de muitas chagas

hoje, conhecedor do que fui em épocas passadas
agradeço a Jesus, essa bendita alquimia
de mudar o passado e futurar-me em novas sagas.

(Inspirado em Jésus Gonçalves)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Emissões da Quinta Mediúnica




Eu era igual a todo mundo. Vivia só por viver.
Estimava os meus e apreciava o trabalho. Mas não havia dentro de mim, nenhum resquício de luz que projetasse a fé que vejo entre os fiéis de qualquer religião.
O tempo me destinou a esse rumo e eu me descobri tão vazio, porque sem fé eu continuava um ser insípido, quando achava que, depois da morte, tudo se resolveria.
Volvo às lides doutrinárias hoje e percebo na crença dos outros, uma chama de fé a roteirizar os caminhos de cada um. Isso me dá esperança de aprender a ter a fé da qual o filho do Homem falava.
Sou irmão dele, me dizem. E a esperança de crença não morreu junto comigo.

20.04.18

Ó divina força inspiradora do amor maior,
que vivifica as vozes dos mortos
e as resignifica em outras dimensões.

Estendemos nossas preces para que
se aplique o tônus da etemrna presença em nós e consiga transformar
os grãos da palavra em terna poesia.

Retifica nossos erros.
Reconsidera nossos impulsos.
Transforma a horta do nosso coração
em semeadura de paz.

É em nome de teu mensageiro sublime
que nós sublimamos nesse encontro.
Paz...

20.04.18

ABC doutrinário 

Não sou homem de fé.
Eu não sei rezar.
Deixem-me em silêncio
a escutar o coração
(ainda que intranquilo)
bater o compasso do meu eu.

Não sei rezar.
Não sou um homem de fé.
Mas creio firmemente
que há um conduto mental
a estabelecer eco
entre todos vocês.

Eu sou quem não sou mais
Mas sei que sou, sendo
um aluno displicente do passado
que só agora se alfabetiza
no abc doutrinário do bem.

Não sei rezar. Amém.

domingo, 1 de abril de 2018

O futuro esquecerá seus nomes


nós construímos um país, para que eles passassem
com o trator da destruição aniquilando tudo em volta.
Dos irmãos negros, compulsivamente, retirados da África
e que vieram dar sua cota com sangue, suor e lágrimas

Nós ensinamos aos nossos filhos, o dever do respeito
e ética, para que a ordem e o progresso se firmassem.
Eles vieram com suas forças do mal e rasgaram a flâmula
que nos honra nascer à sombra de sua gloriosa legenda

Durante anos, esse chão de todos foi tomando corpo;
sustentando-se nas bases da tolerância de todas as raças,
credos e ideologias que, por aqui, se entranharam.

Eles vieram com suas ações malévolas,  deitaram ódio,
e achacaram o patrimônio da Nação com suas roubalheiras.
O futuro, certamente, esquecerá deles até mesmo o nome.  

domingo, 25 de fevereiro de 2018

O destino proposto por Jesus

dona Celestina, negra admirável e bem quista
retornou aos cimos dos céus depois da lida
conduzindo de queixas uma enorme lista
a reclamar aos guias santos, sua última vida.

Por que o senhor de tudo e todos pôs à vista
essa cor de noite de estrelas desprovida?
num mundo cheio de gente moralista,
de todos os sofreres, o da cor ela não olvida

Um anjo em socorro lhe diz que essa queixa
é inaceitável, pois as sombras de sua pele
escondem a pérola da mais sagrada luz

quando ao final da vida terrena, a raça deixa
um rastro luminoso se ao amor se impele

cumpre o destino que lhe propôs Jesus

sábado, 24 de fevereiro de 2018

dignatário do altíssimo

diáfana presença de paz
essa que me acerca
quando distante de todo barulho
eu adormeço um sonho e acordo no éter

volito por entre nuvens vagabundas
algumas grávidas
outras nervosas, eletrocutando-se

mas acima delas um céu de maravilhas
se protege
das almas puritanas que o desejam

Quando eu me for, realmente,
quero pousar nas esquinas do horizonte
onde estão situados os pomares do bem
para que, diante de um dos seus frutos,
eu me reconheça filho do alto
dignatário do altíssimo.

E amém. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Do pó ao pó

o amor que te devoto
nessa ânsia de loucura
é o mesmo que procura
o relâmpago no ignoto

o abandono que me dás
em troca desse afeto
é o que ao ser mais abjeto
lhes dão as pessoas más

não preciso de tua carne
nem me alegra teu destino
o que me encanta és tu só

ainda que eu desencarne
e volte como um menino

amar-te-ei do pó ao pó. 

O inferno

quando eu quero me parecer nobre,
digo que já fui rei. Um duque. Conde.
títulos que se arranja não sei por onde
por jamais querer me parecer pobre.

a vida minha que levo hoje encobre
as ruínas do passado que se esconde
entre o que eu fui e que corresponde
ao que hoje sou e quero que soçobre.

fui figura do mal. Destilei tanto ódio,
envenenei-me de ciúme o tempo todo
matei sonhos e esperanças. Mil ideais

hoje recolhido ao lugar desse pódio
de sombras, reconheço que é o modo

de quem vive o mal e nesse inferno jaz.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O homem da cruz

quem é esse rei, que ouço
falar há séculos no mundo
padecido ainda tão moço
num sacrifício profundo?

dizem chamar-se Jesus
filho de um carpinteiro
que trouxe dos céus a luz
pra iluminar o mundo inteiro

mas se ele é rei, que motivo
tinha para um sacrifício assim?
mesmo morto, ele está vivo
pois a morte não é o fim

ele reina em outros ares
de dimensões espirituais
onde não chegam os olhares
onde resplandece a paz.

mas quem seguir o conselho
que ele deixou nos ensinos
sabe que ele é o espelho
que muda todos destinos.

dos tempos que eu já passei
até os dias presentes
Jesus nazareno é o rei
de todos nós penitentes

sagrado nome de apreço
que a todos nós nos seduz
nenhum outro ser tem o preço

do valor do homem da cruz

(Inspirado em Lope de Vega)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A lição do Bem do mestre Jesus

pena de morte, gritam nas ruas as vozes,  
ante a avalanche da violência que salta
aos olhos de quem vive o estupor da malta
e se obriga a viver com a fúria dos algozes

por toda a parte, só lamentos atrozes
medo do crime que a todos sobressalta
já que o poder de vencê-lo parece em falta
diante das ações que imprimem os mais ferozes

no silêncio das igrejas, mães desfiam rosários
pelos filhos que as facções silenciaram
e que foram viver no lado oposto da luz

pena de vida a todos, advogam os emissários
do alto, que dos humanos nunca se separam
repetindo a lição do Bem do bom mestre Jesus

terça-feira, 30 de janeiro de 2018


Minha infância tinha mágicas 
 que eu guardava com afeição, 
 rios de pó, feixes de luz 
cavalos marinhos no sertão 

 eu tinha o meu unicórnio 
 arco-irizado de plantão 
 quando eu precisasse voar 
 nas esquinas da amplidão 

 hoje, essa tão pura magia 
 foi descartada de mim 
 nos anos de minha velhice 
 planejo magicaliza-las, sim

Saudade

dentro do mar tem um rio
que na correnteza corre  
a se alongar por um fio
fluido no chão que percorre

dentro de mim, desconfio
estão meus pais e me acorre
que seu amor foi pavio
que acendeu o que nunca morre.

se no todo eu tenho tudo
e em tudo assim me revelo
isso é sinal de igualdade

sendo rio, este contudo
se guarda de no mar sê-lo

ainda que seja saudade. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O peso de escravos negros

À maneira de apicultor que em meio à selvageria
das abelhas, recolhe o mel dos favos partilhados
sou quem, na vida nova , enfrento essa algaravia
de vozes que bradam meu nome por todos os lados.

o que desejam de mim, eu grito na teimosia
de saber que eles não são bem comportados
como os anjos de luz que vi alvorecer um dia
nas sombras desse mundo de vís condenados.

Saiam, deixem-me em paz comigo mesmo
eu sou esse desgraçado que sigo assim a esmo
querendo aportar com segurança em algum porto

vão acordar os vivos que se acham íntegros
pois eu que vivo o peso de escravos negros
não sou nem senhor de mim, já que me acho morto.

12.1.18


LAMPARINA APAGADA

Criador de cabras e bodes,
cruzei a porteira da vida
e me dei de cara com essa
nova realidade que hoje vivo.
Como morto, se vejo, ouço,
falo e respiro
a imensa alegria
de lembranças do que fui?
Sou eu ainda
com cheiro de terra molhada,
currais de gado, brejos e sítios,
onde mourejei anos de vivência.
Hoje sou saudade
nos quintais que deixei,
junto à família criada e exilada
do campo em vidas modernas.
Só um desejo tenho
nesse fim de mundo novo:
o de ser semente novamente,
para ser cultivada no chão de outro corpo
– mãe Terra, pai chão -
desse inesquecível Planeta.
Aos que ficaram, eu sigo
criador de cabras e ovelhas
nas pastagens das estrelas,

onde sou lamparina... apagada!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Soneto de Natal 2009

FELIZ NATAL 
Amigo Jesus, 

Em torno de tua festa, acercam-se pobres e ricos 
buscando o lenitivo de amor para cumprir a tarefa 
De excelsar com a amizade tua dadivosa presença,
E reunir em torno de teu nome as mais gratas amizades. 

É quando homens e crianças mais se confundem .
Enternecidos pelo encanto da noite silenciosa, 
De onde se ventralizou a verdadeira Luz do mundo 
E que a escola terrena acolheu o Amor em pessoa. 

Se hoje nos surpreende a ausência de teu nome 
Nos letreiros e fachadas das lojas em liquidação
É que a humildade em pessoa se permite até a isso; 

De se esconder atrás de outra figura, o santo menino 
Que veio do Pai para ser o modelo ansiado por Ele
A mudar a humana idade em um tempo ainda mais novo.

Texto escrito às 15h50min de 24 de dez de 2009

Artigo. Berceuse para o ano que vai nascer

Artigo. Berceuse para o ano que vai nascer


Mais um ano que se vai.
No novo que se manifesta, esperanças muitas se associam ao coro de promessas de todos por um tempo melhor.

Por esse tempo,
habituamo-nos a circular entre desejos e sonhos,
bastante possíveis de se concretizarem caso haja,
da parte de cada um,
a intenção de sua prática.

É que,
ignorantes ao conhecimento do nosso verdadeiro eu,
da potência de luz que somos e podemos exercer,
nos condicionamos a meras intenções do Ter,
sem nos obrigarmos ao verdadeiro sentido do Ser.

Há os que imaginam que o Novo Ano trará a paz,
a saúde, o bem estar, as amizades, o emprego,
o bom ganho e tudo aquilo que é primeiramente
semeado no terreno fértil do coração.

Esquecemos que não é a simples virada da folhinha do calendário,
que vai nos patrocinar a magia de toda essa mudança.
Ela começa em nós.
Ela está em nós.
Virtudes em estado latente,
prestes a serem colocadas na ação prática
de nossos sentidos.

O novo surge em sementes de luz
que devem ser germinadas
a partir do gesto obsequioso da palavra;
pela inspirada forma de se ater às regras do Bem e da Paz;
pela convivência harmoniosa entre os pares
e, principalmente,
pelo esforço meritório de aprimorar-se.
Nós somos o produto de nossas intenções,
construtores do nosso destino.

E nesse 2010 que chega,
preciso é dar espaço ao novo.
Ao novo que começa em nós.
Que já habita em nós.
As chaves para alcançá-lo estão guardadas no nosso eu,
no nosso consciente.
Na nossa certeza de que precisamos mudar a postura
e o modo insensível como vivemos,
reivindicando para esse novo tempo
a construção do estado de ética
e respeito que tanto ambicionamos.

Que seja um ano em que possamos respeitar
ainda mais o Planeta que nos acolhe;
as pessoas com as quais atravessamos essa romagem
e que, nela, haja o amor a Deus incondicional e ao próximo,
para que as virtudes celestiais
estabeleçam em nós o seu desiderato.

Feliz Ano Novo. Pra você. Em você.
Pra que o mundo melhore.
Porque é isso, o que todos nós queremos… 


Escrevi a pedido do Dilson Alexandre para o blog da Janga

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

P de poesia

eu sou um homem calmo
calmo como quando o rio
deixa de correr e deita-se
no leito de suas mil águas

eu sou alguém que palmo
a palmo aceita um desafio
foge de quem se aproveita
só pra contar suas mágoas

eu sou um bicho que anda
em dias desse meu báratro
com as pernas, minhas duas

e quando a noite desanda,
me arrasto por esse quarto
já que não vou mais às ruas


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

ARTIGO. A superação do ator Christopher Reeve

O caso Reeve

Christopher Reeve foi um ator mediano, que se imortalizou pelo Super Homem que fez no Cinema. Ele nunca ganhou um prémio da Academia de Ciências de Hollywood, mas um feito seu o torna admirável aos nossos olhos.

Quando sofreu o tombo do cavalo durante partida de polo, em maio de 1995, enquanto aguardava o resultado dos exames, confidenciou a sua esposa Danna que, se  ficasse tetraplégico, ele autorizava  a realização da eutanásia, a morte branca. A esposa reagiu contra, mandando que se fizesse superhomem naquele instante. Ele se calou e mesmo tendo ficado tetraplégico, Christopher impôs uma mudança em sua vida.

Preso a uma cadeira de rodas, Reeve investiu todo o patrimônio de seus filmes e criou a Fundação Christopher Reeve, empenhada em pesquisar as células tronco. Passou a ser ele próprio uma cobaia humana do projeto. E, entre amigos, deu um prazo para que o "milagre" acontecesse.

Otimista, ele dizia até que um dia se levantaria da cadeira. E citou que até novembro de 2003, ele estaria de pé. Pois no dia 23 desse mês e ano citado pelo ator, ele foi convidado a entregar um prêmio ao presidente da Itália, Carol Ciampi, durante conferência da ONU.

Ao término da solenidade, uma pessoa teria lhe indagado sobre a pesquisa de sua empresa e a promessa de que se levantaria da cadeira de rodas, como se quisesse fazer pouco do que ele havia prometido. Dizem que os olhos azuis de Christopher Reeve ficaram ainda mais brilhantes e ele teria respondido: "Meu filho, eu já me levantei dentro de mim", referindo-se ao dia em que ele pensou em morrer.

Christopher deixou o corpo físico no dia 19 de outubro de 2004, aos 52 anos de idade.