sábado, 29 de julho de 2017

APOSTAS ATRAEM ESPERANÇA

APOSTAS ATRAEM ESPERANÇA
Nonato Albuquerque
É fato comum, entre os que fazem jogos de azar ,
apostarem na sorte que a outros ela bafeja;
e com essa ditosa glória de milionário, sonhar.
em ganhar o prêmio, qualquer valor que seja
Na verdade, as loterias dão ao homem um ar
de grandeza; de serem tudo o que se almeja
Afinal, até a hora do sorteio, vive-se a planejar
o sonho de ser no mundo, aquilo que se deseja
quem joga, aposta mesmo é na força venturosa
que é motivadora em nós dos grandes ideais
e que na Terra a todo ser humano alcança
Até o dia do sorteio, vive-se uma vida cor de rosa,
fazendo planos que o jogo alimenta mais,
com o bem que todos chamamos esperança.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

natal no planeta

Nonato Albuquerque

A acrisolada partitura do cântico se renova.
Eleva-se das paragens terrenas um meigo afeto
Ao menino virtude que do céu se fez e objeto
É de desejo para seguirmos os passos seus na prova.

Entoam-se hinos de louvores e de cada alcova
Onde dormitam sonhos em meio ao rude concreto,
Ressurgem esperanças de albergar sob esse teto
A força da paz substituindo a dor que se reprova.

Sublime lembrança nossa desse espírito modelo,
Põe-nos outra vez na mira de tua preferência;
Inunda-nos de amor para que a vida não seja apenas isto:


Um mar de provas, onde muitas vezes nosso apelo
É para que encontremos bálsamos na luz da ciência
Quando a medicação já temos e ela se chama Cristo.


dezembro 9, 2007

Sobre as trilhas onde vão dar outros trilhos

Dias de chumbo, esses em que vivemos. Céus de nuvens grávidas. Os homens voam mas já temem que as asas de artifício lhes transtornem os dias, lhes dobrem os meses, lhes encurtem os anos… Com medo do céu, resgata-se o prazer de viajar pelas estradas.
O Brasil é serpenteado por elas; muitas em estado de desolação completa; mas aonde elas vão, elas nos levam…
Houve um tempo em que as estradas eram caminhos de ferro e por sobre os trilhos navegavam os vapores das marias inundando de fumagem e fuligem os que embarcavam ou não.
Hoje, os cavalos de ferro já não correm pelos interiores,
comendo chão, devorando túneis, embocando nos cortes;
e nem se fazem mais os caminhos como antigamente.

No passado, os ares eram destinados às aves que voam,
os passarinhos. Ninhos de cobra, esses monstros voadores
hoje chocam ovos de destruição e que alimentam a Morte.

E o homem que inventou Santos Dumont que inventou o avião que inventou de viajar por esse inventivo país
até chegar aos dias de hoje, se sente desolado, inquieto,

quando a absurda cor da noite envolve com seu manto
uma dessas fortalezas voadoras que, num átimo de tempo,
choca-se, despedindo-se da pista que deu “end” em Congonhas.


Eu, selvagem de primeira viagem, botocudo de pai e mãe,
sustento a palavra, bato o pé, engulo o choro e decidido sou:
só viajo agora pelos cipós das matas… e olhe lá quando e como!…

(escrita em dezembro de 2007 por ocasião da queda de um avião em Congonhas)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Eterna Idade

a dor da mãe
por ver seu filho morto,
só encontra lenitivo
na esperança do encontro
em um outro porto.

a fé do pai
pelo rebento perdido,
recolhe as forças
na certeza de que tudo
na vida faz sentido.

o amor de todos
ressabe a saudade
mas infinita crença
nos põe a certeza
da eternidade.

domingo, 26 de março de 2017

A SOLIDÃO DOS ANOS

Eu tenho anjos que me visitam em agosto
Quando setembro me deixam os orixás
Como em abril os duendes me cortejam
Não sofro o adeus que o outro mês me traz

Um unicórnio cavalga comigo em maio
E verte do altiplano em julho a quintessência
Do aroma mais sutil de fadas madrinhas.
Em julho, gnomos me dão de si toda ciência

Em dias chuvosos como esse que atravesso
O espectro da vidência de meu chacra
Amplia-se e adentra o íntimo dos meses.

escrevo essas loucuras para curar o vazio
que a solidão dos anos tentam encharcar 
e que março me indispõe a esses reveses  

sábado, 25 de março de 2017

O verso que se fez música do meu ego

O verso que se fez música do meu ego, 
tangenciou-se a rumos mais sensíveis; 
bocas famintas do belo o trituraram 
até fazê-lo escorrer por entre as arcadas 

a música que se fez do verso meu, eco 
sonorizou ouvidos e realimentou bocas; 
foi vista circunavegando em pleno éter 
como se fruto fosse das hertzianas ondas. 

Que anjo bordou todas as cores do som 
e despejou seus raios luminosos
por entre sensíveis emoções à flor da pele? 

Eu só conheço de mim o verso que liberta 
a poesia do amanhã, para que uma vez mais 
o amanhã venha quebrar todo o silêncio. 

(Nonato Albuquerque)

quarta-feira, 15 de março de 2017

ESCRITOS MEUS

Escritos Meus
para os que ficam depois que eu tiver ido
de Nonato Albuquerque

O corpo que agora baixa à essa sepultura
Não sou eu - diria o morto se fosse ouvido.
É apenas o invólucro temporário que a essa altura
Estende-se ao chão e da vida é agradecido.

A alma que eu sou e mostra desenvoltura,
Permanece de pé, com todo seu sentido.
Eu permaneço ativo, vivo ainda a aventura
Que a vida me propôs e a tenho defendido.


Ah! crença vã dos que pensam dessa maneira
Que ao último suspiro, a vida entrega os pontos!
Como gostaria eu de provar a todos quantos



assim mourejam na Terra essa fé sem eira, 
Que somos eternos e ambientamos contos
Que em outros planos se renovam em cantos 

CAUSAS E EFEITOS

Nonato Albuquerque
(para Francisco Carvalho, in memorian)
O fogo que lambeu o corpo de Jeane D´Arc, 
foi o mesmo que anulou o ar de Iscariotes
O nó que apertou a garganta do inconfidente
ecoou tempos depois na traqueia de Tancredo.

O báratro atroz que incendiou Jan de Husine
iluminou Hipollyte Rivail a uma nova revelação.
E os tormentos da alma vividos por Aleijadinho
Foram peças no resgate do artista Michelangelo
A vida é una, mas as existências múltiplas
Nelas se entrechocam os efeitos e as causas
do nascer, morrer, renascer e progredir sempre
Se o mal reclama converter a paga em igual moeda
O bem, ainda mais; reconduz ao seio da felicidade
Os que amam a Deus e estendem o bem ao próximo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

NATAL DE POESIA

SILÊNCIO, NASCEU O MENINO
de Nonato Albuquerque
Silêncio. Não façam barulho
para não acordar o menino
que nasceu.
Ele vem de páramos celestes
Morada divina onde se divisa
o bem.
Não são as buzinas, nem fogos
De artifício que inquietam
Seu sono.
São os atos transitórios da dor,
A injustiça e a miséria moral
 Dos homens;
A dor de cada malsinado gesto
O fruto da árvore da violência,
O desamor.
Por isso, não quebrem o silêncio,
Não façam barulho, não gritem.
Silêncio!
Para que o sono do menino
Que veio iluminar o mundo
Não se extravie.
De presente, sirva-mo-lo
Nosso amor na taça de nossos
Corações.
Calo-me para que o silêncio
seja poema de luz, tal e qual
o menino.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

nos bailes do mundo - Nonato Albuquerque

Nos bailes do fim do mundo, 
Com quem dançará Fred Astaire?
Ingrid terá reencontrado Rosselini?
Para quem mostrará a língua Einstein?
Dumont terá ganho asas que nem seu 14 Bis?
No oco do mundo para onde as almas migram
Chaplin terá visto Oona e emudecido
outros seres com seu eterno vagabundo?
Beethoven, terá ouvido os sons da Nona Sinfonia?
Mahatma Gandhi tecido um outro dhoti?
Quando passou para a dimensão da Luz
Walter Elias terá construído uma ‘Disney Heaven’?
Coexistirá com Albino, o sorriso Luciani?
Em que cinema Federico estará Felini?
Como estarão Franco, Mussolini, DeGaulle, Roosevelt
E ‘ele’, que não ouso nem citar o nome?
Todos esses mitos humanos passaram
E hoje rumino o ontem de onde eles saíram
para mostrar como é fugaz a vida na matéria.
Com quem partilhará seus sonhos Jackeline?
Keneddy, o John? Ou Aristoteles Onassis?
E aquele anjo bom que adotou Calcutá por sobrenome,
Teresa, madre, mãe dos pobres... como estará?
Nos bailes do fim do mundo,
Deborah ainda Kerr que Gregory Peck?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

o bom Francisco

O bom Francisco, 
que virou santo mesmo já o sendo, 
tinha mania de falar com os bichos de toda espécie. 
Era de tão boa energia, 
que um lobo se rendeu ao domínio de seu mando. 
E um passarinho contou-lhe coisas 
que a nenhum outro da espécie humana teve acesso. 

O bom Francisco, que virou santo embora já o fosse, 

vive nas mentes e corações de todos, 
mesmo daqueles que não fazem nada para se franciscanizarem.

domingo, 18 de setembro de 2016

FOME E SEDE DE DEUS


No rio das muitas águas de meu peito
Navegam queixas, transbordam mágoas
Silenciosos cardumes se estreitam
No aguardo de chegarem à superfície

Quando choro, o anzol do desespero
Trata de içá-los em meio às lágrimas
E o aço das lâminas corrige o rumo
Transportando-os a outra dimensão

Quem para estancar essa correnteza
Que devasta minha alma inconsolável?
Todo rio reclama caminhos oceânicos

Se Pedro fez-se pescador de homens
Quero ser peixe para matar nas redes

Essa fome enorme de Deus em mim

OS PASSOS DE JESUS

A lancinante dor que esse peito oprime
É reserva de dívidas muitas contraídas
em vivências de sofrimento e crime
Que o hoje reclama de outras tantas vidas

Do pretérito malsã ninguém aqui se exime
Mesmo que as causas estejam já falidas
O avalista do ontem busca em tom sublime
(a)pagar as marcas das dores promovidas

Quem no mal se converte em algoz
E comete horrores por discórdia
Encomenda ao futuro sua desdita cruz

Em novo corpo, buscará ouvir a voz
Divina, que por sua misericórdia

Orienta seguir os passos de Jesus.

domingo, 11 de setembro de 2016

O alienígena

Areia, areia, areia
Deserto de pó, esse mundo
Não sei porque vim dar com os costados
No oco desse tempo vazio.
Sou de planetas distantes
Meu ego, minha metade
Trouxeram a esse plano
Em busca de socorrê-lo.
Chegando aqui, nada
Só terra, terra, terra...
Que nome terá esse canto?
Não vejo ninguém por perto
Alma viva, sou do mundo
Quem busca achar-se, se perde
De tanto andar sem um rumo.
De areia, areia, areia
Meus olhos estão cobertos
A minha boca espuma um vento
De eras comuns já passadas
Eu sou quem fui e quem resta
Do que serei quando deixar de ser.
Areia, areia, areia

Se eu sou pó, quando retornarei a ele?

domingo, 28 de agosto de 2016

Liberdade dos ventos

Liberdade dos ventos
de Nonato Albuquerque para Francisco Carvalho (in memorian)

Eu tenho a idade longeva das pedras
E o peso acumulado de muitas nuvens.
Faço o caminho nada secreto das águas 
Na companhia agradável do silêncio.

Em meu refúgio, as andorinhas hibernam 
do cansaço angustiante de muitos voos,
E, solenes, as vacas remoem as horas
que se derramam na paisagem vespertina

Eu sou de mouroes antigos, currais de gado
De ruminantes entardeceres nessa jornada
Marcado a ferro e brasa pelos meus donos.

Um dia qualquer, almejo derrubar as cercas
E ganhar o mundo, para que em outros pastos 
Eu venha alcançar a liberdade dos ventos.

O poeta mandrião

Olhos de mandrião, sou eu quem busco
As cenas do pretérito em terras minhas
Onde poeta, logrei por entre as linhas
Ser feitor de versos a pleno lusco-fusco

Imagens me trouxeram as andorinhas
nas cumeeiras do casario etrusco
E a pachorrenta noite a cair de brusco
Por sobre os mil telhados de Azevinhas

Nela, pastoreei almas em romagens
Do evangelho crístico, tomei prumo
Buscando ser fiel a esse nóvel trabalho

De volta ao exílio, já n´outras paragens
Revela-se a veia poética que ainda assumo

E que me nomina ser Chico Carvalho

Inspirado em Fco. Carvalho
a quem muito tenho apreço

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A LISTA (ou o próximo da chamada)

A LISTA 

depois de ouvir Tom Barros

Um amigo, ao saber da morte de mais um contemporâneo seu, 
comentou meio desconcertado: "é, estamos todos nessa lista; 

uns mais próximos da chamada, embora, às vezes, os mais novos
acabem indo primeiro do que os ditos preferenciais..."


Em verdade, em verdade vos digo; desde a hora de nascido,
até o dia dela vir, todos temos os nomes grafados nessa lista.
Uns, porque já combinaram em sair mais cedo, vão sumindo;
outros, porque se preservaram vão ficando, enganando o tempo.

Só sei dizer quando for a hora da chamada de meu nome 
eu quero estar bem esperto, pra não dar trabalho a quem fica 
e muito menos perder a festa de chegada do lado de lá de lá.

Aos que temem que, na lista, a sua vez seja abreviada, 
façam como Matusalém: vivam, trabalhem e amem 
sem a preocupação de que seu nome seja o próximo da lista.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

MINHAS ROUPAS Nonato Albuquerque

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Ando nas MINHAS ROUPAS todos os santos dias

que muitos dos meus amigos me reconhecem por elas.
São roupas comuns, simples, 
sem compromisso com moda 
Tê-las é garantia de que não acabe saindo nu, por aí. 
Quando pequeno, a roupa de marinheiro me incomodava:
Não tinha mar no meu chão de seco agreste; 
Nem navio algum para eu ficar a vê-los, 
e por isso eu ficava a não ver navios... 
A roupa da primeira comunhão me levou à igreja, 
para bem a terceira vez que eu comungava. 
Entrava na fila, pequeno ainda, 
na batina negra, o padre nunca me empatou
de sem confissão nenhuma
eu cometesse 'o pecado' de vestir cristo em minha inocência; 
Na juventude, as calças bocas de sino tocavam meus sapatos
E escondiam a falta de verniz que a poeira encobria. 
Andei em roupas que se ajustaram ao meu corpo,
Bem como as que cabiam dois de mim. 
Hoje, tenho paletós que me levam ao trabalho, 
Bermudas que as conduzo em psseios pelos shoppings
Calções que uso, uma vez ou outra, na piscina. 
Mas a roupa que melhor assume minha personalidade
É a que anda comigo em casa, despreocupadamente. 
Não é look que se inveje; nem moda que se copie,
Mas é a que mais me aproxima do menino 
Que ainda em mim, eu visto..

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Da reunião de 18 de agosto

O melhor de tudo é não dizer nadinha 
tão longa foi a espera, tão próximo é esse dia.
alvorecemos em campos de trabalho 
depois de anoitecdido o corpo em desalinho

reajustamos os dispositivos da alma 
e fechamos balanço às ações cotidianas;
eu nada tenho a dizer do muito que já foi dito
quem procura aprender é quem tem muito a ensinar

o primeiro instante aqui é o primeiro depois do último
retoquem as máscaras
revisem os conceitos
transformem-se em atos
pois de palavras muitas 
eu sempre me acho cheio