quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

sábado, 18 de janeiro de 2020

ROTAS DE LUZ



rotas de luz
No itinerário sagrado da vida, há razões muitas que são capazes de transformar o homem desesperançado e o conduzi-lo a destinos de vitória. Para isso, preciso é que ele se fortaleça na fé e na esperança de que podemos determinar os rumos do destino.
O eco do passado e as experiências do presente, são forças produtivas e renovadoras a positivar o encaminhamento de toda trajetória humana. Todo futuro se formata a partir do que somos e experimentamos no hoje.
A alma que jornadeia o [ quase sempre ] encrespado mar da Vida, ambiciona sempre conduzir seu barco a uma destinação segura. Anela aportar com ele em um remanso, onde águas tranqüilas o depurem e renovem suas forças, onde vislumbre a segurança de aportagem.
A exemplo de todo marujo prudente, para se chegar a qualquer rota de destino há que se ater a um plano de viagem, cuja carta náutica tem o certificado das nobres virtudes morais.
Por isso, nesses tempos em que tempestades investem contra o barco da existência humana e o deixam aos solavancos e trepidações, recomenda-se recompor as amarras de luz que o roteiro da divina sabedoria recomenda.
Põe-te em guarda. Refaz teus planos. Orienta tua bússola. Planifica ultrapassar esses percalços de momento, certo de que ao leme da governança da Terra, está o mestre dos mestres, a guiar a viagem de todos os seres que estão no planeta.
Fortalece-te na fé que responde pelo combustível de toda esperança. Ajuda-te, capacitando-te a servir sempre aos que estão a caminho, que o céu te propõe iluminar as passagens mais difíceis dessa viagem.
Sereniza tua mente. Não vaciles. É tempo de provas e de buscar resultados. Prescruta melhor o caminho. Compreende que é momentânea a provação que te plenifica, ainda que, em alguns momentos, te sintas induzido a largar o barco e declinar do teu plano de viagem.
Sê contigo agora. Deus está contigo. Sempre.
De autoria de Nonato Albuquerque
Do blog 'Acabei de Chegar' (11.04.10)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

PAS DE DEUX

PAS DE DEUX
Nonato Albuquerque


Um dia inventaram de levar o menino a um cabaré.
O pai muito cioso de que o filho devia começar cedo
Disse a ele: ‘passarim’ quando cresce, voa do pé.
Num fica comendo bosta que lhe trazem pro arvoredo.
Tá na hora de voar. Se ‘aprepare’, vou arranjar muié
Que vai lhe fazer ser ‘ômi” em meio a um bom brinquedo.
Deu gorjeta ao leão de chácara, que parecia não dar fé
De um menino de dez anos entrando naquele putedo.
Lá dentro, o pai pagou para que o levassem a alcova
E ficou bebericando e se enxerindo com as raparigas
Achando que tudo ia saindo bem, às mil maravilhas .
Como demoraram a voltar, resolveu tirar a prova.
E ao abrir a porta descobriu o ‘bixim’ entre as amigas
Fazendo um ‘pas de deux’, com duas lindas sapatilhas.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

CEARÁ ERA SAARA



CEARÁ ERA SAARA
No dia que decidiram que eu teria que nascer na Terra, o anjo Xico, meu guia de guarda, me estendeu um grande mapa e disse:
- Onde o senhor quer nascer?
Sem pestanejar, respondi:
- Numa terra do Oriente, de clima tórrido, sem chuva. Chão esturricado, mas que tem uma riqueza debaixo dele, que será o futuro do Planeta: óleo de pedra.
Xico, ao que parece, não tinha lá muita ciência das coisas e foi preciso explicá-lo que era petróleo, o óleo do qual eu falava
- Quero nascer aqui - disse apontando no mapa - e ser um dos herdeiros de todo o califado, pra viver uma vida de paxá: enriquecer e viver de ar (de brisa, devia ter dito pra ser mais compreensível).
Pra evitar alguma dúvida, peguei o mapa, botei o dedo indicador na região onde pretendia nascer. No Sahara.
E como ele tivera uma vida pretérita num reino croata, indagou-me:
- Sahará? E eu, displicente confirmei.
Pois num é que o desgramado do anjo trocou as bolas. Mandou-me pruma terra seca, que nem água tem pro gasto. Quando tomei juízo das coisas e que fui olhar direito, vi que o anjo Xico, meu guia, ao invés de Sahara me mandou com armas e bagagens pro Ceará. E só assim pude ver que ele trocou a acentuação tônica da palavra para a última sílaba do Sahara. E ficou Saará.
Mesmo que hoje ame demais essa terra, mas não esqueci. Ando fulo da vida com o anjo que me jogou onde ‘óleo de pedra’ tem. Mas refinado. Nos postos de gasolina. E caro pra caramba! E num herdei nem uma bombinha. E pra num dizer que ele errou de todo, vivo de ar. No ar. Nos meios de comunicação.
Tem nada não! Descubro assim que num é só humano que erra. Anjo, também. Só tenho pena sim, é de quem pediu a ele pra nascer em Boston. Ou Chicago.
---
Confira a pronúncia do Xico em croata: http://pt.forvo.com/word/sahara/" title="Listen to Sahara pronunciation by Forvo">Listen to Sahara pronunciation by Forvohttp://pt.forvo.com/_presentation/img/ico_play.gif
" id="play_1147171" style="border: 0px; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: middle;" /> http://pt.forvo.com/word/sahara/" style="color: #2186c5; font-family: arial; font-size: 11px; margin-right: 5px;" target="_blank">Sahara

domingo, 12 de janeiro de 2020

O roteiro Cristo


qual o lugar preferido você nunca esqueceu
indagou curioso um amigo que eu tive.
quase sem pensar respondi-lhe: "o céu"
e o coitado ficou pasmo e mudo, inclusive. 

curioso, quis saber mais de que modo eu
já estivera no céu e com que poder obtive
essa chance de ir ao lugar que reconheceu 
ser destinado a quem só o bem convive 

foi-lhe fácil dizer que, na verdade, considero
o céu um estado de espírito que construo 
em momentos em que ao mal luto e resisto

é quando tenho paz, que a vida mais venero
e sinto ser o bem maior que hoje possuo 
para chegar ao céu, sigo o roteiro Cristo. 

CONSTRUTORES DA NAÇÃO


CONSTRUTORES DA NAÇÃO
Nonato Albuquerque

Eu tenho a cara nordestina de todo sertanejo
que admira o seu chão e fortalece a sua raça;
que dorme com esperança e acorda um só desejo,
De ver a sua gente respeitada em toda praça.
.
Eu tenho a fortaleza de entes que são um pejo
de orgulho – cuja ação, homem nenhum rechaça.
Padim Ciço, o Dragão do Mar que fez o despejo
Dos que na escravidão, lucravam com a desgraça.
.
O Brasil, onde eu passei habitar nessa existência,
Tem lutas de superação e histórias de grandeza
Que merecem, de cada um de nós, celebração.
.
Nordestinos no mundo, temos em nós a ciência
De sermos raça sofredora mas, que com certeza,
Temos a alma gentil dos que constroem a nação.
(Nonato Albuquerque)

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

ASSIM REZAVA CAIO DO AFETUOSO AFETO


ITZACK X ISAAC


Há mais de 50 anos, um sonho tive com alguém chamado Itzack Albrecht. Era assim que lia seu nome. Numa igreja de Kolhn, ele me mostrava do átrio ao interior dela e falava sobre a data 3 de março de 1917. Teria sido o ano que ele deixara a vida. Sonhei outras vezes com ele. Sempre no mesmo espaço.

Hoje, 2020, tive um ‘insight’, uma quase certeza, de tê-lo encontrado nesta existência. Ele tem o nome de Isaac. Mora com a mãe em Aquiraz, depois de residir aqui em Fortaleza no Presidente Kennedy. Foi-me apresentado pela mãe, uma senhora que trabalha em casas de família; cujo marido desencarnara, deixando-lhe à míngua, com 3 filhos.

Isaac, o mais novo, me foi dado como afilhado, no dia em que a mãe foi-me pedir ajuda no CEJE, o Centro Espírita João, o Evangelista - onde congrego. Buscava meios para alimentá-los. Isso foi há uns dez anos, quando ele tinha quatro anos. Hoje, com 14, foi me visitar no trabalho do rádio e da TV Jangadeiro, que ele diz ser o sonho de ser Jornalista na vida. 

Na conversa com ele, uma revelação: ele fala como uma pessoa adulta. Sua conversa versa sobre temas que vão da Filosofia, às questões da Vida e da Morte, da necessidade de moral e ética no mundo - coisas incomuns para alguém dessa idade. 

Ele diz integrar a igreja Maranata e eu vibro para que Deus, o Eterno, possa abençoá-lo com a Luz, que ele já divisa de alguma maneira. 

Quando perguntado sobre o que desejava mesmo ser na vida, a sua resposta é de uma magnitude incrível: quero dar orgulho à minha mãe; pois sei o quanto ela sofre para nos dar vida. 

Diante de respostas assim, fiquei matutando sobre a essência de Isaac: Itzack, o outro, teria voltado?!
E estaria, outra vez, tão perto de mim?

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

VERSOS IN VERSOS

eu navego
as alturas
como quem
abraça
um sonho

e acordo
as manhãs
esperando
que seja
doce meu dia
meu barco
estacionou
em porto
de nuvens
alvacentas
amarrado
ao diálogo
das sombras
onde está
meu porto
sou do alto
e não vejo
saída, senão
remar ao
meu passado
um dia
evolarei
do sonho
à realidade
como criança
que acorda
e sente fome
de leite
e correr
nas campinas

domingo, 8 de dezembro de 2019

EU NÃO NASCI DO PECADO


Eu não nasci do pecado, 
como ainda querem devoradores de bíblia,
que não sabem filtrar a letra morta
e consubstanciar no texto, o espírito.  

Eu nasci do amor,
esse sentimento que varre a poeira dos séculos
e que tem sido o alimento de animais
em todas as suas divisões de espécie.

Eu não nasci do medo
que advogam algumas mentes ignorantes
ao verdadeiro sentido da Vida.
Eu nasci da força da esperança de viver.

De me iluminar com essa existência
E iluminar o mundo à minha passagem.
Eu sou o ideal ansiado por Deus
Para cada pessoa que vive a sua fé.

E eu não vou morrer, acreditem!
Os que se apegam ao Ter, acabam
significando abrigo à desconfiança
E Deus é pai pra toda obra.

Somos imortais e, aqui, não falo
de imortalidade como se apenas
privilégio fosse dos que academizam 
um saber. Eles já o são em vida.

Eu não vou cair no pântano de Pan
como ainda afirmam os inocentes
Que preveem para si o mergulho
Da gota no oceano. Eu sou luz.

E saber que luz interpenetra tudo
Faz-me crer que eu sou, sendo. 
hoje aqui; amanhã renascendo de novo
Pelo amor. E por amor. Não pelo pecado.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Um Jesus entre tantos cristos


Eu vi um Jesus sem teto,
morador de rua, "homeless",
desempregado,
caído junto à fila do Sine.
Era um Jesus sem casa,
sem calçado, na calçada
de uma firma
que à noite acolhe mendigos
eu vi um Jesus insone
enrolado em folhas de jornais,
reivindicando
a solidariedade dos passantes.
Não vi nenhum cristão parar
e atender à súplica com a esmola
caritativa,
dos que desejam ganhar o céu
eu vi um Jesus morto de fome,
misturado a outros cristos
na sociedade
onde todos se dizem irmãos.

domingo, 17 de novembro de 2019

FORTALEZA SAUDADE

(in memoriam à Jáder de Carvalho)

o olhar de menino do interior, 
que a cidade alcovitou um dia 
adormeceu uma paisagem 
de terra, água, amor e muito mar.

no porto onde naus descansam 
meu olhar desejou ser um navio 
e singrar os sete mares do mundo 
sem choro, medo e sem adeuses. 

Não ia dizer nada a minha mãe 
que desligado o meu umbigo 
mantém aprisionado meu coração 
com receio desse meu outro destino 

Nas areias do Mucuripe, flagro 
ainda o menino já descalço 
à sombra de um carvalho nome 
poetando versos, vozes e (en)cantos 

Um dia, eu navio de mim mesmo 
velejei no mar da Vida a outro porto 
oonde vim jornalistar esse outro lado 
que é o lado de lá, do lado mar. 

o céu que os padres me vendiam 
é lugar de trabalho, sem descanso
sem necessidades de indulgência 
nem petitório aos protetores santos.

Náufrago dessa enseada de luz 
vejo surpreso, navios já cansados 
atracarem neste porto, sem aviso
aos lenços em aceno de saudades. 

Que a terra bárbara onde eu vivi 
um tempo bom, bom tempo tenha;
e que o farol do mediúnico estafeta
brilhe com essa fortaleza saudade. 

Vidas duplas


vivemos vidas duplas 
quando acordado e dormindo 
realidades convictas 
que fazem parte de um todo

quando despertos estamos 
correndo o mundo, vivendo 
as emoções que nos fazem 
melhores a cada instante 

quando no sono caímos 
estamos com outras pessoas 
que vivem duplos conosco 

também nos comunicamos 
com os que a nós todos 
antecederam na viagem. 

sábado, 16 de novembro de 2019

como entendo a terra, nesse momento

Reflexões
como entendo a terra, nesse momento

No princípio, a Terra era o destino-porto de todas as almas
sofridas pelo pecado de origem;
hospital-socorro às vítimas do erro e da injustiça;
escola-reformatório à todos os analfabetos de virtudes
e presídio-regenerador a quantos mancharam suas fichas de identificação.

E vieram os pseudo-sábios e escravizaram as almas doentias
atormentado-as ainda mais com o pecado do eterno.
Superlotaram o hospital com seus erros e injustiças;
desvirtuaram o ensino, analfabetizando até os que já eram virtuosos;
identificaram-se com o crime, cadastrando-se para as tormentas do presídio.

Eis que foram dadas novas e oportunas chances
aos que têm a alma em dor e já compreendem o pecado.
Esses, tomaram a frente para atender aos sem-hospitais e sem socorro;
matriculando-se na escola de todas as virtudes
e auxiliando aos encarcerados a compreender a justiça da lei e as leis de justiça.

Novos céus e novas terras são prometidos para daqui a pouco,
quando as almas dessa atual geração terminarem sua etapa missionária.
Os que socorrerem os que erram, clarificarão a Justiça;
os que escolarizarem a moral e a ética
se doutorarão em novas e mais sábias virtudes
E os que têm a cumprir a lei de causa e efeito
serão conduzidos a uma outra gênese,
Onde superlotarão novos hospitais,
matricular-se-ão em novas escolas
e ainda terão que suportar os efeitos da lei,
por amor ao amor e à causa da própria Justiça.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Carta de amor Opus 1

Carta de amor Opus 1
nonato albuquerque

escrevo-te essas bem traçadas linhas
para dar conta do que te devo, resposta
de como andam as tuas e as minhas
coisas, das muitas que a gente gosta

não sou de esconder em entrelinhas
a verdade que tenho e que bem posta
revela-te minha alma e se adivinhas
e ti entrego-te assim aqui exposta.

não rias desse meu vetusto gesto
de falar como nos velhos alfarrábios
é que somos de antepassadas eras

se nessa existência não te sou modesto
é que lições aprendi com outros sábios
a me guardar pra ti noutras esferas.

domingo, 10 de novembro de 2019

Celular e céu lugar


dos vícios meus,
que atento ainda descrevo
como inimigos
o do celular nesses dias de hoje
é o que mais compulsivo me faz.

deixei o cigarro
e hoje me alimento de ler
o celular
a cada depressivo instante meu
olho para ele e ele me responde

que diabo tudo isso!
me salvei de uma escravidão
e caí noutra
quando depurar-me de tudo isso
devo alcançar o céu, meu lugar. 

APELO


Nonato Albuquerque
ESCRITOS MEUS
Apelo
Nonato Albuquerque
Se minha voz, por acaso ou por descaso, se calar,
não emudeça a sua.
Fale o quanto for possível para que acorde
o acorde do meu som retido na garganta.
Se me detiverem os passos, caminhante eu vacile,
Por favor, ajude-me
a seguir nos braços teus por onde tu andares.
Se minhas mãos não escreverem mais uma só linha
ajuda a tecer com os olhos
o fio do coração a transmutar do silêncio o meu discurso.
Que eu não sou de me calar diante de qualquer tropeço.
Muito menos ainda,
deixar de ouvir as vozes que se afinam aos sons da minha.
Prometo andar contigo um século inteiro e mais um dia,
Até que eu, essência,
me liberte do casulo-corpo e circunavegue as alturas.

Currais da morte (a Fco. Carvalho)


ESCRITOS MEUS
Currais da morte (A Francisco Carvalho, in memoriam)
o canto de minha poesia, reside hoje em dia
na tradução mais legítima do presente.
Não cheira o álacre dos currais de gado
tampouco versa nas rimas dos aboios.
Adulta, ela se alimenta do hálito das nuvens,
Embriaga-se na brisa das crinas dos cavalos.
Longe das lambanças que, nos engenhos,
eu repuxava das gamelas o alfinim em fios.
Minha poesia desse tempo busca as rimas
Que tanto reclamei em noturnas temporadas
Quando só, primaverizava lúdicos sonhos.
Hoje, ela sobrevive da essência da saudade
E nessa dimensão busca recriar em fatias de luz
A alma que ganhei ao transpor os currais da morte.

A doença do beijo


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

poema inacabado ao meu anjo de guarda


Meu anjo-de-guarda, que chamo de Francisco,
costuma tocar alaúde nas horas de meu sono
Num átimo de tempo, como se fosse um cisco
minha alma ganha os ares, do corpo em abandono.
na imensidão do cosmo a lhe buscar, volito
tentativa de achar o bem do meu passado
embora saiba que comigo, rumo ao infinito
ele cumpra a tarefa de estarmos lado a lado.
que eu eu não faça a esse anjo, nenhum pedido
que não seja o de render eterna companhia
para que a minha vida mágica se expanda
`(...)