domingo, 5 de julho de 2009

Música: Não Tenho Medo da Morte - Gilberto Gil




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Não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor
ou vontade de mijar

a morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
o além já será então
não terei pé nem cabeça
nem figado, nem pulmão
como poderei ter medo
se não terei coração?

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte e depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

então nesse instante sim
sofrerei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade
como em qualquer despedida.

Música: Não Tenho Medo da Morte - Gilberto Gil


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um abraço que foi uma verdadeira fusão de seres.


Dormi agora a tarde e (devo ter) me desprendi(do). Lembro-me de ter andado por uma avenida que desconheço. Ia em direção a 'um local de trabalho'. E quando menos esperava, estava numa sala como se fosse um grande estúdio da tv e encontrava-me com meu pai. Mais do que um abraço foi uma fusão de seres.

Os dois entrechocados, vibravamos de saudades muitas. E dele, penso ter ouvido falar de "saudades da Francisco Sá", uma das muitas moradas que tivemos em Fortaleza e que, para ele, era um referencial importante pois ali próximo estava o seu trabalho junto à Casa Machado.

Ele me dizia das saudades que tinha de todos e "da Regina". E eu chorava copiosamente abraçado a ele, sem que pudesse ve-lo, mas o ouvia claramente a me dizer algo como "se cuidem", referindo-se aos que estão do 'lado de lá'. Talvez, referindo-se à este lado.

Acordo com os olhos molhados. Vou ao banheiro onde me vejo no espelho, assim. E conto a Maria e a dona Gleide, esta senhora que trabalha conosco e que tanto o ajudou nos últimos dias na Terra.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um trem nas alturas


Há um trem correndo por aí, nessas alturas - ou sei lá como definir o que há na dimensão da Luz. Esta noite, eu circulei por ele. Ao percorrer os vagões encontrei muitos passageiros cujas faces não davam chance de identificá-los.

Uma pessoa nos guiava nesse passeio astral e, a certa altura da conversa que traçavamos no sonho, ela chegava a cumprimentar pessoas em italiano. Algo como "tudo bem? Vamos já já chegar..."

Não sei qual era o destino do trem das alturas; mas havia como quê uma certa expectativa de que ele ia nos levar a um ponto determinado de nosso próprio conhecimento, mas que não consegui descobrir de maneira nenhuma.

Paramos em frente a uma praça, cuja estação dava para o interior de uma igreja secular. Imagens que eu supunho do período barroco e vultos circunavegando nas alturas, como se volitizassem em torno desse ambiente misterioso.

Quando tento ingressar por uma porta, no que imagino seja a sacristia, acordo com o som do despertador tirando-me a chance de saber o que se esconde por trás daquela magnífica porta...