domingo, 29 de outubro de 2017

Fundo do mar

Dentro da imensidão do mar
correm rios de luz,
por onde transitam peixes
de todas as espécies.

Cardumes de sargos de dentes,
robalos, tainhas,
camurupins, tarpões e ciobas,
enfileiram-se no mar.

Numa nuvem espessa de xaréus
circunavegam corvinas,
dourados do mar se engolfinham
entre mil espadartes.

Quem para apreciar a riqueza
do fundo das águas
senão os elementais que guardam
e integram a Natureza.

Um bando de garoupas e marlins
sinfonizam uma dança
enquanto baleias atravessam ondas 
de golfinhos a lhe guiarem.

Uma pescada mais ousada vai 
até o espelho dágua
e pela ousadia de vir à superfície 
se faz ainda mais pescada

No mar de tantos mundos, afloram 
espécies curiosas, belas. 
Namorados, cavalas, meros, pargos
e tantos seres aquáticos. 

Há uma ponte entre o ar e as águas;
de tão sutil que é,
invisível se faz ao olho humano
que tente prescrutá-la

Um dia, quando os mortos do mar
se levantarem em juízo
e os mortos da terra se alinharem
não haverá mais divisor

No abismo do mais fundo oceano 
esses seres vigiam 
palácios e riquezas que só a alma
dos poetas sabem traduzi-las.