Não dava pra mudar de signo não?
Nonato Albuquerque
Há coisas na vida da gente que não mudam nunca. Quantas pessoas existem que gostariam de não ser o que são. Mudar.
Mudar do nome que não gostam desde o batismo. Da altura que
parece beirar ao nanismo. Da profissão em que atuam e que trocariam por
qualquer outra que não lhes desse tanto cansaço e pouco ganho.
Uma amiga minha anda nessa fase.
No lado afetivo cansou-se de homens enganadores. Dos que não
sabe amar. Dos galinhas. E jura por todos os santos que até trocaria de sexo. Não
é nenhum desejo lesbiano que ande tomando conta de seus pensamentos, não. Ela
quer parar de sofrer nas mãos de quem não sabe dá importância aos afetos.
Nessa etapa da vida – e ela já cruzou o Cabo da Boa Esperança,
como se dizia dos que passaram dos 40 – ela quer sombra e vida fresca. É vida
mesmo, pois água ela já tem muita.
Personalidade irreverente, alegre – gente boa, como se diz
de poucas pessoas - essa amiga sempre busca primar pela positividade da vida e
das coisas. Sempre viveu para ajudar os outros. Sempre teve esse dom
franciscano pautando as regras de sua vida. E diz que já passou da conta de
olhar pros outros e não se preocupar com ela. Para isso, precisa de tempo.
Quer ter tempo para ganhar o mundo, Viajar, como fazia antes
de ficar comprometida com a mãe de 92 anos, de quem levou para morar consigo e
cuida com zelo e interesse. Mas tem saudade dos tempos em que podia sair, ir a
shows, assistir um bom filme, praiar ou apenas zanzar por aí, sem dar contas a
ninguém.
- Estou cansada, diz com acentuada exclamação, ao mesmo tempo
em que junta a isso, a indagação de que é preciso mudar. De tudo. E pergunta: “Num
dá pra mudar de signo, não?”, diz achando que Sagitário, o seu signo, é muito
sufocante. Só quer viver pros outros, sem dar tempo à sua liberdade.
Desejaria ser Leão, signo de nomes como Bruna Marquezine,
Rodrigo Santoro, Sasha Meneghel e Tatá Werneck. Mas sabe que não escolheu o seu, mas pode escolher como viver com ele. Gostaria de ser de Leão, mas com a alma de sagitário. Para não perder de vista o lado bom e humano que tanto resguarda. E ama.
