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sexta-feira, 22 de maio de 2026

CAPA E ESPADA

 

segunda-feira, 18 de maio de 2026


 O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO

Nonato Albuquerque
O mundo começou em mim, arremata Moisés
depois de antologizar toda a gênese humana.
Tinha ele, pois, o D´us único, bem ali, aos pés.
E discorreu com palavras toda essência do prana
O mundo terminará em mim, prega o evangelista
João, a quem coube na Terra ver o apocalipse
Esotérica leitura pela qual o homem avista
A mudança do planeta após o grande eclipse.
No meio deles, tu e eu, interligados estamos
Enquanto lá fora o mundo destrambelhado,
Confuso, rola como se fosse desabar no abismo.
Será que vai dar tempo vender o que compramos?
Ou será possível ficar, assim, ensimesmado,
Sabendo que amanhã finda todo esse esnobismo?

(escrito no dia 18 de maio de 2016)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

saí de casa sem rumo. Sem mapa. Sem dar na vista 

que por onde quer que eu fosse, seria eu um artista.

Desde pequeno traquino, como se deve a um menino

que ao lado da bola e do livro tinha um outro destino. 


cresci em meio à pobreza, achando que qualquer dia 

por um outro esquema melhor, esse jogo eu mudaria. 

Fui varredor de uma loja, treinei embaixo de um carro 

e aprendi profissões, das quais nenhuma me amarro. 


queria ser artista. De quê, nem eu sabia. Entao decidido 

a dar conta desse sonho fui ser num circo palhaço

e de tudo o que eu fazia, as pessoas abriam gargalhada.


um dia o circo pegou fogo. Leões fugiram e a platéia 

se autodestruiu sem deixar nenhum pequeno traço 

e o destino do artista que eu era, fez-se apenas um nada.  



O barqueiro do riio das mortes

 

O barqueiro descansa seu milenar barco

no charco das águas do rio das mortes

onde as sortes lançadas alcançam o arco

Marco da história feita assim sem cortes.

 

quantas vidas levadas, do velho Plutarco

ao gentil Filarco, entre mil outros passaportes

O mar aguarda o que eu também abarco

Com parco recursos de nos ver firmes e fortes

 

Ai de quem ousar que no mundo dos mortais

ser mais forte que todas as criaturas da Terra,

Esquece de que todos iremos a um só destino

 

Sejam eupátridas ou metecos, todos são iguais

Na tripulação onde Caronte sempre encerra

O futuro de todos: seja velho, moço ou menino.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

COVID 19

 COVID-19

Nonato Albuquerque

Que dizem os astros sobre esses desastres
Que a covid-19 a todos impulsiona?
Por que nenhum desses videntes fulastres
Arriscou um palpite sobre o que ele condiciona?

Por que a Ciência-mãe com todos os pilastres
Não responde a pergunta de quem questiona
De onde vem esse mal, que o mal proporciona
Que nos suga a vida como se fora uma albiona.

A vida na Terra não se permite apenas ao visível
Por trás de todos nós há um mundo que se rege
Por micróbios, bacilos e bactérias de igual arranjo

Só o egoísmo humano ainda faz pensar ser crível
Ser ele o semi-deus que, embora sendo herege
constrói sua caminhada em busca de ser anjo.

8.maio.2020

A AMPULHETA

Não quero morrer de manhã. Ainda é tão cedo. 

Depois do meio dia, quem sabe. Seria bem mais justo.

Na ampulheta da vida, a contagem do tempo é outra. 

Diferencia do relógio dos homens. 

Começa de madrugada. 

E a cada quatro horas, duplica-se, 

somando uma década de vida.

Pela manhã, terei atingindo a idade infante. 

Depois das oito, a mocidade.

Ao meio dia, terei somado três décadas.

Quando for lá pelas três da tarde terei chegado aos 40. 

Sete da noite, cinquentenarei. 

Às 23 horas do dia, já serei sessentão. 

Os que passam da meia noite, varam a expectativa de vida. 

Ultrapassam a idade limitem. Envelhecem.

Não quero morrer de manhã. É muito cedo. 

Lá para o final da tarde, início da noite, é possível ter vivido muito.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O QUE PROPÕE O DESTINO


De certo modo, não haverá chances de vitória 

para os que se empregam à prática do mal. 

A promessa crística, diz o sermão da historia,

dará a herança aos mansos. Esse é o sinal. 


Num futuro que se almeja próximo, eventual. 

exigir-se-á que os bons se separem da escória; 

dos que impedem a colheita do bem moral 

e que do joio maligno não reste sequer memória.


Muitos dos que se dizem seguidores do mestre 

se mostram frios a cumprirem esse desiderato 

e atuar entre as falanges do amor divino. 


Preciso é que se defina nesse tempo terrestre 

de qual lado estamos; para que se dê de fato 

o cumprimento da lei. É o que propõe o destino. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

MAR DE LUZ

Nonato Albuquerque (06.04.2026)

Além d´aqui, um imenso mar de luz aguarda

a volta do filho pródigo que se evadiu um dia.

Trocou a casa do pai por uma pretensa mansarda

num mundo onde provas e limitações se expia.

   

Para atender a esse intento, enverga nova farda

que da última experiencia Terra, o diferencia

De purgar na seara de amor a chance felizarda

de vencer as provações com essa outra estadia.

 

A lei de divina justiça, nesse ponto, é meritória;

oferece aos que erram uma chance de mudança

oportunizando reajuste e avanço a outro plano.

 

A promessa crística é de que na humana história

haverá a chance de que a senhora da balança

nos requalifique para a volta à luz do eterno oceano.

sábado, 2 de maio de 2026

Ato confessional: e "àquele pecado", nunca o cometestes?

  Devo a um padre a descoberta de um prazer, o da masturbação, condenável aos olhos da Igreja. Parece incrivel, num é? Acontece que eu, por volta dos seis/sete anos, estava me preparando para minha primeira comunhão, quando surpreendi minha mãe ao lhe revelar que eu já fizera isso, não era preciso me preparar. 

  Um dia, durante uma missa na matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Acopiara, entrei na fila dos comungantes e cumpri com esse rito dos católicos, sem nem ter me confessado, o que deixou minha mãe abismada.

 Ao ouvir aquilo, ela se benzeu toda e, invocando o nome de Deus, pediu perdão pelo ato cometido pelo filho. Mas me obrigou a ir ao confessionário e cumprir com o ritual comum para se oficializar esse sacramento. Só comungaria se eu me confessasse. E o fiz. 

  No confessionário, o padre indagou se eu tinha cometido algum pecado mortal, ao que respondi com um seco "não". E ele, como se desacreditasse, insistiu: "nunca mesmo?". Nunca, respondi. E veio então, a outra indagação: "e pecado venial, meu filho já fez?" Nenhum, respondi. "Nunca desobedeceu ao papai ou a mamãe? E eu ali reticente: não. 

  Foi aí que ele me fez uma indagação que, naquela idade, eu não tinha a menor ideia do que fosse: "nem àquele!..."  Eu parei um pouco; pensei "qual seria àquele", e por avaliar que não devia ser algo bom aos olhos da igreja, respondi negativamente.  O padre insistiu: nem no banheiro, você nunca..." E se calou ao chamado de uma pessoa que me fez ser liberado, não sem antes me obrigar que eu, fosse aos pés do altar, rezar de joelhos, dez pais nossos e dez ave-marias. 

  Só algum tempo depois, conversando com um coleguinha de sala de aula na hora do recreio, é que ele, mais velho do que eu e ao ouvir meu relato, me explicou que diacho de pecado era aquele. Muitos anos depois reconheço ter sido um padre que me despertou para o ato da masturbação. Num confessionário. Dentro da santa madre igreja.