Quando através do sono nos libertamos temporariamente do escafandro corporal, volitamos por entre a dimensão do eu mais puro e visualizamos cenas que, geralmente, só os sonhos conseguem externar. É do substrato desses sonhos - e da criação poética - que se constitui este diário, revelando a incrível magia da dimensão da espiritualidade.
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sábado, 2 de maio de 2026
Ato confessional: e"àquele pecado", nunca o cometestes?
Um dia, durante uma missa na matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Acopiara, entrei na fila da comunhão e cumpri com esse rito dos católicos, sem nem ter me confessado, o que deixou minha mãe abismada. Ao ouvir, ela se benzeu e, invocando o nome de Deus, pediu perdão pelo ato cometido pelo filho. Mas me obrigou a ir ao confessionário e cumprir com o ritual comum para se oficializar esse sacramento. Só comungaria se se confessasse. E o fiz.
No confessionário, o padre indagou se eu tinha cometido algum pecado mortal, ao que respondi com um seco "não". E ele, como se desacreditasse, insistiu: "nunca mesmo?". Nunca, respondi. E veio então, a outra indagação: "e pecado venial, meu filho já fez?" Nenhum, respondi. "Nunca desobedeceu ao papai ou a mamãe? E eu ali reticente: não.
Foi aí que ele me fez uma indagação que, naquela idade, eu não tinha a menor ideia: "nem àquele!..." Eu parei um pouco; pensei "qual seria àquele", mas como não devia ser algo bom aos olhos da igreja, respondi negativamente. O padre insistiu: nem no banheiro, você nunca..." E se calou me liberando sob a obrigação de que eu, fosse aos pés do altar, rezar dez pais nossos e dez ave-marias.
Só algum tempo depois, conversando com um coleguinha de sala de aula na hora do recreio, e ao ouvir meu relato, é que ele, mais velho em idade do que eu, me explicou que pecado era aquele. Muitos anos depois reconhelço ter sido um padre que me despertou para o ato da masturbação.
