Arquivo do blog

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A pena de talião e a sentença de Jesus



 
No dia em que trouxeram à sua presença
a mulher adúltera, flagrada em pecado,
o mestre Jesus, pelos escribas instigado,
detém-se a fazer valer ágil, sua sentença. 

- Qual seria a punição, segundo sua crença,
se de Moisés, o talião era o fiel legado?
Jesus escreve na areia, compenetrado,
Cada falha de quem incita essa querença

Ante o silêncio do Messias, a turba dividida
Quer ouvir a resposta, saber qual a saída
O mestre de Israel dará ao caso relatado.

Jesus para a lista, que cada vez se medra,
E diz aos fariseus "atire a primeira pedra
Aquele que se achar no mundo sem pecado". 

(Nonato Albuquerque)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

NO ANIVERSÁRIO DE JÉSUS, UM RECORTE POÉTICO

UM NOVO SER CRISTÃO

13.7.26 Jésus Gonçalves

Busquei nas entranhas do tempo, um archote

para iluminar minha alma vil, atormentada

por esses séculos nos quais o mal foi mote

da tirania odiosa, à provação sublimada.

 

Subjuguei a Grécia. Em Roma com um magote

de sanguinários a permiti incendiada.

Na ânsia de governar, cobrei de todos um dote

para aplacar a fome de poder, que desejei saciada.

 

Nenhuma virtude. Nenhum grau de respeito à vida.

Contrário a Deus, exigia a todos altas pagas

até o dia em que ‘o nascer de novo’ foi a opção.

 

E eu, visigodo maldito, ressurjo numa investida

Alma e corpo recobertos de malsinadas chagas

a recomporem o capítulo final do novo ser cristão.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

NA LUZ DA VIDA NOVA

 

Alma lívida de toda sorte de impureza

adentra ao rio das mortes, se invisibiliza

e retorna ao comum que a Natureza

advoga a cada criatura que a divisa.

 

Não é tática nova de nenhuma empresa

religiosa que dá a quem veste sua camisa

a ideia de que se alcançará a vil riqueza 

e com isso alcançará a visão que divisa


a mudança da couraça de lagarta antiga

para as vestes de uma sedutora mariposa

faz parte do que somos na criação divina.

 

Nascemos impuros, vivemos na fadiga

Até o milagre que em cada um repousa

de acordar na luz que a vida nova inclina. 

POESIA. A barca de Caronte

 A BARCA DE CARONTE

Nonato Albuquerque


Quão belo o milagre dessa mariposa
que após largatear uma vida intensa,
despoja-se da sua vestimenta densa
e assume a essência sob a qual repousa.
Da couraça velha ressurge tão imensa-
mente bela, a pele nova, não mais adiposa;
E ela abarca a mudança a qual se esposa
como se da Natureza fosse recompensa.
Assim como esses insetos se propõem
a mudar de forma quando se fizer hora
nós, também, teremos uma similar sorte
de ingressar na vida nova a que expõem
as almas humanas que um dia irão embora
quando a barca de Caronte trouxer a morte.