Arquivo do blog

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Longe da vigília, o jardim dos Franchini

Sonho de hoje: sou convidado a ir à casa dos Franchini - que, na vigília, simplesmente desconheço quem são. Chego e tomo conhecimento de uma residência cercada por um jardim maravilhoso. O dono da 'villa' é um senhor de sobrenome Franchini, cujo filho, já adulto, tem problemas mentais. Ele é um rapaz que age como criança. Por isso, o jardim é todo dedicado a ele. 

Um grupo de teatro acerca-se de toda a casa para cantar e ensaiar uma peça infantil. Em meio aquela algazarra sadia, eu circulo pelo jardim e na parte dos fundos, uma sala enorme é um teatro, com algumas cadeiras para a plateia e gente que, na ocasião, me parece familiar. 

Eu começo a discursar falando sobre as divergências entre as gerações. Falo como os idosos encontram problemas de relacionamento com os mais jovens. "Aos poucos, eu sinto que vamos perder eles de vista; deixando de ouvi-los mais e de conversar também; e, tudo isso, nos leva a uma ausência de abraços e carinhos que tanto todos precisamos". 

Na plateia, vejo muitos emocionados, indo às lágrimas. Eu, também, acordo chorando.
 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O vento que nos traz notícias do ontem




É preciso ouvir a voz do vento norte.
Ela traz notícias de olhares outros
Que a gente perdeu com os dias;
Esquecidos de viver, naturalmente,
A melhor forma de auxiliar-nos.
O vento norte nos traz notícias
De infâncias margeadas pelos campos
Molhados da chuva fina que passou.
Cheiro de mato verde, barro molhado,
Ovelhas no pasto devorando o capim.
A matilha de cães em busca da caça
E a armadilha onde caí ao fim da tarde.
O vento norte me faz rememorar
As idas em junho para o engenho
De seu Pedro Alves, onde nos tachos
O mel da cana era farto e soberano.
O bagaço da cana, os bois na moenda
O sino da igreja da matriz chamando
Para a hora do Angelus e a novena.
O vento do norte me traz paisagens
De uma existência que parece outra,
Por conta do tempo já tão avançado.
Das águas escorrendo nas coxias;
As barragens feitas para segurá-las;
Do velho oitão da casa de minha avó,
Onde brincava com os ossos
Formando a fazenda de gado que nunca tive.
Doces lembranças de um passado
Ainda tão presente em mim, toda vez
Que o vento sopra acordando em mim
As lembranças que deixei tão longe.
Um cão que ladra na noite silenciosa.
O apito do guarda-noturno. A voz
Do vento norte ruminando em mim
Todas essas lembranças. Agora mesmo,
Ele soprou no beiral da minha janela.
Eu o escuto, mergulhado em sonhos,
Para aliviar o passado que não volta nunca.  

domingo, 16 de março de 2014

Uma atriz famosa volta à roda viva da vida

.
Num sonho, dia desses, uma revelação. Uma atriz famosa, que fez a história do Teatro e Cinema brasileiros no século passado, estaria de volta. Já atuando em papéis que atraem atenção do público. Quarenta anos depois de sua partida, deu-se a estreia dela - agora com outra farda corporal e outra identificação, a complementar a promessa do próprio mestre Jesus de que "é necessário nascer de novo" e atingir a plenitude para se chegar ao Reino. Por uma questão de evitar incômodos, prefiro não revelar sua identidade. Mas, o futuro próximo dirá. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Entrevistado desencarna em meio a entrevista e dá conta do fato

.
Esse vídeo nos foi indicado pela leitora Rosa Maria. Nele, o espírita e filósofo Romeu de Toledo Zandoná, dava entrevista na rádio Boa Nova ao apresentador Jether Jacomini Filho e, de repente, disse estar sumindo. Ali deitou sua cabeça sobre a mesa e morreu. Isso foi na quinta feira, dia 27 de fevereiro último.
.
.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Por uma saudade que bateu agora

Senti uma saudade enorme de Geraldo Filho.
Um amigo meu. Daqueles do peito.
De quando a gente saía e fazia noitadas.
Bebíamos juntos até os dois perderem a conta.
E adorávamos cantar e contar coisas;
reunir-se a outros amigos e sair por aí,
sem destino para chegar, nem hora pra retorno.
Que saudade danada daquele menino bom,
que tinha segredos na alma e não se abria com ninguém.
Que me amava como se ama um amigo,
mas tinha medo de dizer isso com naturalidade.
A saudade me faz voar aos fins de semana na Prainha,
onde a turma - Chico,  Smith - se encontrava e acendia ilusões. Eram tempos em que se podia fazer isso.
Hoje, esse tempo é outro. Geraldo Filho foi se juntar
ao João Paulo, seu outro irmão, que sumiu como bolha.
Estava bem de saúde e de vida e, de repente, puf!
Desapareceu...
Por onde andará GF? Deve estar se lembrando da dupla
Stan Laurel e Oliver Hardy, de quem se comparava,
ao lembrar que ele e o irmão eram gêmeos,
embora não tivessem nascidos no mesmo parto.
“Quando Oliver morreu, Stan entrou em depressão”,
costumava repetir para mim, como a querer dizer
João morreu e eu também para o mundo.
Passou a beber como um louco. Até Smith, o bom Smith,
formando-se em Direito, tentou ajudá-lo a sair disso,
mas ele só vivia para beber e beber. 
Tornou-se um alcoólatra.
Perdeu a luminosidade do olhar. A beleza do riso.
Criou marcas no senho fechado. Carrancuzou-se.
Amou sua mulher como se fora a primeira. A filha, idem.
Embriagou-se nos braços de uma prostituta,
Que não lhe dava amor; lhe dava bebida. 
E era isso a paixão dele. Bebida. 
Distanciou-se. Quando lhe telefonava, ele achava um jeito de desculpar-se. Que estava ocupado. Mentira.
Ele não queria que eu lhe visse como estava.
Um dia, um telefonema me contou que ele partira.
Fui ao seu velório. Lá estava o corpo de Geraldo Filho. Morto.
Não era o Geraldo Filho das noitadas, das brincadeiras,
do riso, da alegria. Do saber fazer uma turma feliz,
bastando para isso que ele estivesse no meio. 
Que adorava "Sociedade dos Poetas Mortos". E alucinav a-se com o romance de Thomas Mann "Morte em Veneza". 
Ele era um pouco, aquele personagem. 
GF se foi. O mundo ficou sem ele. Ele se foi. 
Hoje ele é apenas uma sombra...
Saudade enorme de Gerado Filho.
Ele, eu tenho absoluta certeza como dois e dois são quatro,

Que ele está pensando em mim, agora.
Quer apostar? 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

IMPRESSÕES: A PRIMEIRA E A ÚLTIMA



Não creio nos homens que faltam com a palavra,

que fazem trapaças, 
que geram confiança

quando buscam votos 
e, quando eleitos, 
fazem tudo

para apagar em todos nós 
a primeira impressão.


Não creio nas coisasque dizem esses homens

que só trapaceiam 
e buscam beneficiar-se

depois de se fazerem santos 
para se revelar verdadeiros 
demônios 
na primeira ocasião.


Não vivo esse tempo de homens abjetos

Que fazem qualquer coisa 
para se sentirem bem

Sem levar em conta 
a avaliação daqueles  

Que deles têm uma definitiva 
e última opinião.


Por isso, não conto tempo,não somo suas coisas

E, tampouco, eu divido 
com esses homens

Sem respeito, 
que anoitecem na vida

Mesmo quando 
ainda é manhã.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Os dias em que eu nasci



Eu, que cheguei ao mundo no ano em que vim à luz,
nasci mesmo foi no dia em que entrei para a escola
e acabei com a cegueira das letras e algarismos
para mergulhar nesse mundo de prosas e de versos.

Eu, revelado no ano que da minha mãe apartado fui, 
Considero-me nascido mesmo no dia do primeiro afago, 
do primeiro beijo, do primeiro gozo, da namorada, 
que me levou ao primeiro adeus expondo meu coração.

Eu nasci no dia em que fiz pela promeira vez, sexo
Quando no trabalho, ganhei meu primeiro salário,
Quando, estudando, me formei na faculdade.

Eu nasci para o mundo no dia do que te encontrei
E renasci a cada instante em que te ouvi dizer
Que nasces a cada dia em que eu morro de amor por ti.