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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pastor de cabras, pastor de almas




Um velho pastor de cabras
Cuidava da vida - e delas
E não se importava com nada
Nem mesmo que o mundo acabasse
Bastava somente viver
E viver simplesmente.

O velho pastor falava  
Que os céus lhe pediram um dia
Que cuidasse bem dessas cabras
E que, no final, em semente
Ele fosse plantado no chão
pra nascer novamente

Queria o pastor de cabras
Na vida nova que houvesse
Ser apenas um pastor de almas

Pra cuidar bem de todas elas 
(bis)

domingo, 6 de julho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sem pontos e sem vírgulas


Quem bate à porta, meia noite adentro 
em meu sono de descanso 

Eu viajo em outros rumos
auxilio o andamento das coisas 
como se desperto
e moro na simplicidade dos sonhos 

Lidero uma multidão de rostos informes

que viajam num trem de destino incerto

Por onde passa 

mais gente se aboleta
e chega até à praça da Misericordiosa Prece

Quem é esse indivíduo que me recepciona

quem sou eu, afinal de contas nesse jogo
que termina quando começa
e onde apenas eu sou atacante e defensor 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Poema que abençoa os homens e aviva os mortos

Nonato Albuquerque


O poeta diz, citando outro poeta,

Que o dia mais feliz de sua vida

Foi quando descobriu que fazia poemas

Sem saber que também era poeta...


Thiago de Mello ao lembrar Bandeira,

Me faz viajar nas asas da imaginação

E procurar no fundo da memória

O dia em que me descobri poemando.


Eu não era nada, além do que eu sabia,

De poeta que escreve versos sem rima

E prosa nas conversas, um pouco poesia

Mas era tudo, falando comigo mesmo 
das coisas que descobri serem poemas

Que abençoam homens e avivam mortos.


domingo, 11 de maio de 2014

Mães


Dias depois de o sacrifício do cordeiro,
seguidores muitos lamentavam.
O arrependimento abateu um deles.
Um outro se maldizia tê-lo negado. 
Os que, amedrontados, se dispersaram 
tentavam explicar-se uns aos outros. 
Os que se alimentaram de seus peixes e pães, 
arrotavam desculpas por tê-lo abandonado. 
Os que beberam de sua mensagem viva, 
vomitaram impropérios à sua passagem.
Nas moradias silenciadas, 
falava-se da sexta feira sombria 
que expulsara daquele convívio 
a figura atraente do que se dizia Messias.
Jerusalém em trevas se fizera.
Um ar de tristeza salpicara-lhe o casario.
Pelos becos, a soldadesca romana circulava.
Temia-se indignos gestos ao martírio
daquele que por três anos deixara bem claro
ser o ideal ansiado por Deus para cada um dos homens.
Discípulos, ainda atordoados,
buscavam em casa de Maria, 
algo que lhes sossegasse a alma.
Lágrimas de mãe, um rio despejara;
mas a dolorosa máter não se entregara ao desespero.
Abraçava a todos os que iam lhes deixar conforto,
 garantindo-lhe as premissas do Filho amado.
- Ele não está morto!
Havia ressurgido em luz, 
diante da vidência de Magdala,
O suave som de sua boca cantara um hino de esperança
Aos ouvidos daquela mãe,  como a confirmar 
a sobrevivência da vida após a morte.
E nessa crença, Maria estabelecia sua existência agora.

Que intrigante esse papel de mãe,
que mesmo tendo o filho sacrificado de forma injusta,
conseguia alimentar os outros com a sua força interior?
As mães se nutrem desse hálito amoroso
Que rescende do tempo mais distante
E renova-se a cada lembrança 
dessa outra mãe inigualável,
como são todas as mães de todos os filhos.
Elas estão sempre a magnificar a Vida
e a sobrepujar-se aos tormentos mais diversos
que o destino lhes impõe.
Mães que contribuem com o Criador
Como usinas de transposição de almas 
da outra dimensão, para que, na Terra, 
possam retomar a caminhada de volta ao paraíso perdido.

Neste dia das mães,
como será útil agradecer a cada uma delas,
a chance de ter nos permitido nascer.
Poucas vezes, nos lembramos dessa primordial importância.

Mãe, como te agradeço ter-me deixado nascer.
Fosse o contrário, não estaria eu aqui a te render
Homenagens, por cumprires na Terra
O papel que, Maria a mãe do sacrificado, 
tão bem desempenhou.  

domingo, 4 de maio de 2014

Ser tão amigo


das coisas boas da vida, 
nhá Balbina nunca esquece, 
do cheiro bom da comida 

na roça, quando amanhece:

leite mugido, espumante, 
canjiquinha, pão de ló, 
café preto, fumegante, 
pão de queijo, o seu xodó.

Hoje distante, desfeita
dessas boas iguarias 
ela reza, pra ser feita 
sua volta em outros dias 

quer voltar ao chão antigo 
onde espera renascer 
em meio ao torrão amigo 
que não quer nunca esquecer

Pede a Deus somente isso 
que lhe permita  voltar
e atender ao compromisso 
de nascer, viver e amar... 
 
(Homenagem a Cornélio Pires)

Outra estrada




15265-blue-sky-and-the-road 

Saudades minhas, te mando
por entre rabiscos e traços,  
do tempo que vivi, quando
andaram na Terra meus passos

Cruzei fronteiras com um bando
de gente amiga que abraço;
voltei para outro comando
da vida, num mês de março

Aqui não tem meia história,
nem lorota ou vadiagem.
Ou se é tudo, ou se é nada.

Quem junto ao mal foi escória
vai fazer nova viagem.
Pegar na Terra, outra estrada.   

terça-feira, 29 de abril de 2014

Mães 'full time'

.
Ainda existem mães full time?

Aquelas que acordam no meio da noite, 

entre enfados e choros de seus filhos?

As que só vivem para casa, 

as que nem dormem sossegadas, 

e vivem a bancar amas secas até dos adultos?

Dizem que, domingo segundo de maio, 

é o dia santo delas. Coitadas! 

Quando  já crescidos, esses filhos retornam 

e, nesse dia, inventam de homenageá-las.

As mães morrem de trabalhar no domingo!


Preparam a comida do gosto dos filhos, 

porque eles voltaram com suas mulheres a colo, 


com os filhos, os netos das mães (pre)ocupadas

em agradar a todos porque coração de mãe 

é coração de mãe...

Quem é arruma a casa cedo, varre, espana, 

deixa tudo brilhando para quando eles chegarem?

Quem prepara a melhor comida? 

Quem serve a todos na hora do almoço 

e é a última a sentar-se à mesa?

- É a mãe! É a mãe! respondem todos.

E na hora da festa, os filhos e os netos lhe pregam peças, 

lhe trazem presentes de 1,99, 

comprados no Beco da Poeira, 

encaixotam em embrulhos vistosos,

e quando elas abrem - ouve-se a voz das mães dizerem: 

- Menino, não precisava gastar tanto... 

As mães full time nunca deixam de tratar os filhos

como meninos; porque as mães full time

nunca permitem que seus filhos cresçam. 

Querem que eles sejam sempre crianças

para que o coração de mãe, deles nunca se perca...  

domingo, 20 de abril de 2014

A Quarta Academia

Em alguma parte da erraticidade existe uma colônia de abrigo chamada ‘Quarta Academia’. Por ela transitam almas que migraram da Terra após uma experiência corpórea ligadas ao pragmatismo, baseando-se única e exclusivamente nos ditames Ciência e, por convicção pessoal, se distanciaram dos postulados do amor, da benemerência e da caridade – o ABC que, verdadeiramente, promulga os corações mais elevados .

Nessa colônia, embora cônscios do saber científico, antigos experimentadores da Ciência elegeram a produção do mal no exercício de suas atividades profissionais. Os que lançaram mão de projetos destruidores; os que narcotizaram indivíduos com suas poções venenosas; os que aplicaram métodos mortíferos na degradação da raça; os que lucraram com a eutanásia e o aborto; os que estimularam equivocados à prática do suicídio e os que, por desacreditarem na divina ciência do Bem, simplesmente se desviaram desse caminho, levados pela ganância do Ter.

Na ‘Quarta Academia’ são ministradas palestras de orientação cósmica no sentido de que esses seres possam ser informados da sua nova realidade, já que muitos, simplesmente, não têm a menor consciência da mudança de dimensão. 
Com a morte física, muitos são os que permanecem atrelados às suas idiossincrasias, convictos de que continuam a exercer atividade na matéria, embora se surpreendam com as dificuldades que, inopinadamente, surgem na área da comunicação com a família e os amigos e da estranha maneira como todos passaram a reagir com ele. 

Numa dessas aulas experimentais, um mestre ascensionado dirigia a palavra aos presentes e lembrava-lhes da importância da informação. Lembrava do eminente grego que, em vida, indicava aos seus discípulos que “aprender é recordar”, referindo-se, evidentemente, à crença das vidas múltiplas disseminada entre a sua civilização. 
A cada existência, pois, acumulamos conhecimentos muitos que, depois de mortos, ficam anexados nos arquivos da alma - e que Freud iria se referir como sendo os arquétipos. Em futuras vivências na Terra, cada um busca reavivar essas informações, de acordo com o interesse pessoal. 

A metodologia empregada na Quarta Academia não faz imposição a nenhuma crença religiosa aos egressos da Terra; busca lhes informar sobre o conhecimento que, por vontade própria, eles rejeitaram e que é necessário para a convivência na nova realidade espiritual.

Muitos dos que exerceram atividades proeminentes na seara terrena, vão aos poucos sendo sensibilizados para algumas verdades que são princípios vitais na dimensão do espírito. De acordo com o interesse, esses novos alunos vão adotando uma nova postura com relação às práticas mais simples da ciência da paz, do amor e da benemerência, esses sim, elementos indispensáveis para se nutrir da energia que fortalece os seres na longa jornada através das novas experiências que, porventura, devam cumular na matéria.

Visões a partir de um sonho 20.4.14

sexta-feira, 11 de abril de 2014

aos políticos

.


Esses homens todos aclamados 
não valem os tolos, acamados 
que se embriagam 
de fumaça e pó 

Essa gente descrente, absoluta
por quem vive essa gente, por quem luta
se a vida de todos 
é pequena e só?

No caminho do caminho que faço,
sou o mel de engenho e sou o bagaço
mas não o que essa gente transparece

Quando amanhã no amanhã eu for embora, 
vou deixar o meu nome como agora, 
na lembrança de quem já não me esquece.