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domingo, 10 de novembro de 2024

A CRUZ DE FERRO

 A solidão dos campos de batalha.

As noites mal dormidas e inquietas
ressurgem nas lembranças do ontem
Como se vivas todas elas fossem.

Cortina de neve, a esgarçar a vista,
o corpo tomba de frio. Tiros ao longe
enchem-me de medo. Nesse campo
eu sou um, em meio a outros medos.

Esse tempo adormece no meu ser
Para acordar no corpo novo que visto
Das terras longínquas onde fui nada.   

Eu sou do ontem, esse passado torto
Que carrego como uma cruz de ferro
cravada bem no íntimo de minha alma.

O LÍRIO

 Tinha um lírio no meio das rosas

que ornavam o féretro do menino
uma faixa de adeus, versos, prosas
tudo a lamentar seu cruel destino

Lágrimas, lenços em mãos carinhosas
que se apertavam enquanto o sino
dolente, tangia as pessoas chorosas
buscando na dor entender esse ensino
 
Do lado de lá, onde a farsa não conta
e a vida é constante em sua dimensão
tem riso e festança por essa chegada
 
É que a pátria das almas ali se desponta
cada vez que o corpo se oculta no chão
E a luz do que somos reinicia a jornada.  

CARTAS 1. O entrevistado de quem não lembrei o nome

 Quinta, 17 de junho. Ano pandêmico 21.

Caro leitor(a) 

Uma viagem. É como eu classifico a convivência desta quinta feira, enquanto dormia. Eu me vi numa sala, como se um estúdio de rádio, esperando a hora de entrevistar alguém. Quando tenho à minha frente a sua holografia, descubro tratar-se de um jornalista famoso, nos anos 70 e 80 aqui no Ceará. Sinto uma energia agradável na sua presença, mas não consigo, de jeito algum, me lembrar o nome dele. É como se minha memória tivesse ficada pedrada. 

Para não passar vexame, anuncio que "vou conversar com alguém muito importante do jornalismo", e enquanto falo, meu pensamento viaja atrás do baú de memórias, querendo achar a identidade da figura que está ali, à minha frente. Não consigo. E fico ainda mais atribulado, quando ele me responde à primeira pergunta, sobre como é que ele vai. 

- Estou bem. Mas sinto que as pessoas não se lembram mais de mim. Ninguém fala meu nome entre os pares de trabalho - diz, enquanto penso que ele acabara de ler meus pensamentos. Tento lhe confortar e digo: mas o que é isso, rapaz! Todos nos lembramos de seu trabalho, sua coluna. Nos anos 80 você foi um dos primeiros a estimular as caminhadas. Sempre citava o assunto nas páginas internas do segundo caderno do jornal. 

- Não, nem mesmo entre meus familiares se fala mais de mim. Eu sou um nome apagado. Uma página virada. Pareço ter vindo de um mundo vitoriano, época hoje nem mais tratada nas salas de História. 

Nesse instante, a conexão onírica foi se desestabilizando e fui acordando com a preocupação enorme de querer saber o nome do entrevistado. Ele sumiu do écran de minha mente e desperto, fiquei meio abobalhado, porque eu sabia quem era, mas não tinha a menor lembrança do seu nome. E essa, pelo visto, era a pior lembrança que ele carregava no mundo dos encantados. 

P.S.: depois que fiz o texto é que vi o nome dele em meio às declarações.


 

A MONTANHA DO SERMÃO

 A montanha do sermão 

Nonato Albuquerque

Na manhã ambientada de luz e de suave brisa aromática, o mestre reuniu-se outra vez a seus discípulos, depois de um dia em que explicara à multidão sobre as primícias do reino.

Falara-lhes das bem-aventuranças e dos designos de Deus para a enorme multidão que sofregava experiência na colônia terrena. Dissera-lhe do amor do pai divino em relação à justiça para com seus filhos. Admoestara-os a servir ao bem e a entesourar as riquezas morais como único apanágio para se acercarem das claridades vindouras.

Discípulos haviam, contudo, que não conseguiram captar em toda a sua extensão a diáfana mensagem do alto, principalmente nas referências sobre os herdeiros da vida futura.

Compreensivo, o mestre acercou-se do grupo e juntando à palavra, o carinhoso gesto de quem explica, teceu comentários sobre o Sermão da Montanha.

A montanha, na verdade, é o caminho ascensional por onde todos nós trilhamos a jornada vivencial na escola da Terra. O disciplinamento e a prática constante do bem, configuram-se como extratos maiores para o saldo de nossas bonificações.

Jesus, a entidade santa que visitava pessoalmente a escola de refazimento e progresso, confidenciou aos disciípulos que, no planeta, a humanidade estava dividida entre os seres aflitos que voltam do ontem para sequenciar o aprendizado na carne, passando pelos pobres de espírito e os que buscam o aprimoramento no saber espiritual.

Os primeiros, carregavam cruzes dolorosas repatriando o passado de outras fronteiras. Choram dores físicas e morais, sentem fome e sede de justiça e se descobrem necessitados da matéria. "Felizes os que sabem ultrapassar essa fase e atingir o degrau dos pobres de espírito. Uma vida melhor irá consolá-los", asseverou o mestre.

- Mas como justificar de "bem aventurados, os que são pobres de espírito" -, interrogou um dos presentes.

Em verdade vos digo, felizes os que mendigam as verdades do Espírito', acentuou o mestre, considerando primordial a ação daqueles seres que já superaram a vaidade e o orgulho e buscam as coisas do alto em detrimento das riquezas materiais. "Deles é a certeza do reinado do Bem na Terra", complementou.

O mestre lembrou, também, a escala de aprimoramento dos que já ultrapassaram a fase da dor e da busca de sua fé, e reconciliam suas atitudes através da pureza do coração. "São almas assemelhadas a crianças e elas, certamente, verão a Deus em toda a sua luminescência", comparou.

Cristo continuou a mostrar os graduados seguintes da escola terrena. "Os que formam os grupos dos mansos e pacíficos, voltarão à Terra e habitarão na era de transformação do planeta".

Num grau ainda mais evoluído, Jesus apontou para os seres que já ultrapassaram todas as distenções e barreiras impeditivas do avanço moral. "Eles acrescentaram aos valores da mansuetude e pacificidade, o glorioso lema da misericórdia. Felizes, porque eles alcançarão esse alvo comum".

Diante do exposto, os discípulos sentiram a compreensão das etapas de cada um dos que vivenciam na Terra, a experiência vida. E, individualmente, puseram-se a imaginar em que grau de aprimoramento e progresso cada um deles se encontrava exatamente.

O MENINO QUE FOI PAI DE SUA MÃE

 

“Quando eu era grande, eu era teu pai
E tu obedecia(sic) todas as minhas ordens”.
Assim falou um pequeno de seis anos
à sua mãe, uma voluntária de Casa de Emaús.
Preocupada, ela perguntou a Lena Belotto:
Aquilo que ouvira tinha algum sentido?
Lena, 

que hoje se configura na dimensão da Luz,
Respondera-lhe que aquietasse seu coração.
Aquilo que o menino falara tinha a ver
com a justa crença de antigas civilizações
que, racionalizam ser comum
as vidas múltiplas de todo ser humano.
Lena contou-me isso, um dia.

Eu fiquei de escrever em oportuna ocasião
para os que dele tomassem conhecimento
soubessem que a Vida é plena. 

Que somos alunos dessa escola terrena,
alfabetizando as virtudes do céu, em cada vida;
para restringir o excesso do TER que nos aprisiona
e libertar no íntimo de nós, o SER que somos para a Luz. 

OS ARQUÉTIPOS DOS ALTARES

Respeite as devoções de todos.

Se no hinduísmo há deuses para as mais diversas castas,
não é diferente a sagração dos católicos aos santos de sua crença.
O que são Brahma, Vishnu, Shiva, Ganexa, Rama e Krishna
senão o inventário místico dos que na dita igreja mãe,
são reverenciados como o santo da chuva,
o casamenteiro, o senhor dos aflitos?

Esses arquétipos são formas de visibilizar na Terra
o sublime senhor de tudo e de todos.

A dália não muda seu perfume quando emerge distante do jardim.

AS MORADAS DE MEU PAI

 Nos mundos que circundam os universos, 

miríades de estrelas nos convidam
a meditar sobre os rumos dessa gente
que ocupa hoje os quadrantes do planeta.

As diversas moradas citadas por um mestre
ocultam vidas muitas, algumas superiores
Outras em vias de progresso igual ao nosso
Todas a refletir o fluxo da energia divinal.

Por que achar que somos nós, os únicos
se ainda nem nos conhecemos nesse chão
E desacreditar no destino de outras raças

A vida nos multiuniversos que nos cercam
esplendora de luz e realça em harmonia
A par de acharmos ser, o centro da criação. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Waldy na luz que imaginava sombra

 amigos, 

de meus dias outros, 

aqui chegados;

fizeram sala à vinda minha 

a esse porto 

onde o barco da morte no Aqueronte 

conduziu-me morto 

pelo rio que enalteceram outros vates.


Incrível, 

no "rictus defunctorum" 

que hei passado,

achar-me de pé, 

ainda vivo após exposto 

ao fim da conjunção 

de carne e osso 

e assim disposto 

encontrar-me nessa outra 

margem de embates. 


eu sei que

vivo a eterna/idade 

dos que se mudam 

não sendo mais, 

nem carne e osso  

e vim dar com os costados 

nessa nova "terra" 

onde me acho moço 

depois dos anos 

que dividi afetos.


me encontro, 

após a extrema unção 

do ritual religioso,

com velhos conhecidos 

de épocas remotas 

que são famílias 

a quem me refiro grato 

nessas minhas notas 

aos sombras que deixei, 

entre meus filhos e netos. 


Depois de sonhar com W.S.

onde ele se referia que eu era afilhado de sua esposa. 

6.11.2024