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sábado, 27 de dezembro de 2025

BEL, A BELDADE e O SONHO

 

Eu não saberia atinar sobre o mundo extra-físico, aquele ao qual todos nos destinamos quando for a hora da mudança, a não ser informações recolhidas de leituras e aprendizado na frequência às doutrinas espíritas/espiritualistas. Mas os sonhos, os desdobramentos que a gente ganha por imersão, eles nos dão um sentido do que seja o viver noutro plano.

Numa dessas viagens astrais, dou de cara com um centro de cultura onde as pessoas buscavam se harmonizar com a riqueza de sons que atravessam a nossa vida. E que os sons propiciavam elemento no processo de cura. 

Eu surjo numa mesa de sons, como se trabalhasse a equalização deles e, de repente, adentra a sala uma figura feminina, dessas de fechar quarteirão, como se dizia na minha terra.

Ela é escultural. Tem pra mais de 1m80cm. Anda como se fosse uma modelo. Veste-se com alinhado apuro e caminha com adejado jeito de quem volita.

Ela veio falar com Belchior. Isso sim, o cantor. E eu digo que ele não se encontra naquele núcleo. Ao que ela sorri e aponta para uma porta que dá para o estúdio de gravação. Levanto-me, vou até lá e descubro o autor de “Como nossos pais”, ao redor de outras pessoas, como se estivesse gravando.

Para evitar barulho, eu chamo a atenção do artista e aponto para a figura incrível que está atrás de mim, deseja falar com ele. Ele se levanta e, tanto ele quanto eu, nos surpreendemos.

Não há ninguém atrás de mim, a não ser um esvoaçante risco de fumaça de algo que acabara de apagar sua presença.

Bel rir e diz: já sei de quem se trata. Ela volta depois.

E ainda ouvindo a frase, acordei do sonho com a inveja danada de saber o fim dessa história que rendeu apenas esses mal escritos de uma viagem com espectros de real espiritualidade.