Eu não
saberia atinar sobre o mundo extra-físico, aquele ao qual todos nos destinamos quando for a hora da mudança,
a não ser informações recolhidas de leituras e aprendizado na frequência às doutrinas espíritas/espiritualistas. Mas os sonhos, os desdobramentos que a gente ganha por imersão, eles nos dão um sentido do que seja o viver noutro plano.
Numa dessas
viagens astrais, dou de cara com um centro de cultura onde as pessoas buscavam se
harmonizar com a riqueza de sons que atravessam a nossa vida. E que os sons propiciavam elemento no processo de cura.
Eu surjo
numa mesa de sons, como se trabalhasse a equalização deles e, de repente, adentra
a sala uma figura feminina, dessas de fechar quarteirão, como se dizia na minha
terra.
Ela é escultural.
Tem pra mais de 1m80cm. Anda como se fosse uma modelo. Veste-se com alinhado apuro e caminha
com adejado jeito de quem volita.
Ela veio
falar com Belchior. Isso sim, o cantor. E eu digo que ele não se encontra
naquele núcleo. Ao que ela sorri e aponta para uma porta que dá para o estúdio
de gravação. Levanto-me, vou até lá e descubro o autor de “Como nossos pais”,
ao redor de outras pessoas, como se estivesse gravando.
Para evitar
barulho, eu chamo a atenção do artista e aponto para a figura incrível que está
atrás de mim, deseja falar com ele. Ele se levanta e, tanto ele quanto eu, nos
surpreendemos.
Não há ninguém
atrás de mim, a não ser um esvoaçante risco de fumaça de algo que acabara de apagar sua
presença.
Bel rir e
diz: já sei de quem se trata. Ela volta depois.
E ainda ouvindo a frase, acordei do
sonho com a inveja danada de saber o fim dessa história que rendeu apenas esses
mal escritos de uma viagem com espectros de real espiritualidade.