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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

POESIA. Enquanto houver tempo, sempre haverá espaço para ela

FUNDO DO MAR

nonato albuquerque

Dentro da imensidão do mar
correm rios de luz,
por onde transitam peixes
de todas as espécies.
Cardumes de sargos de dentes,
robalos, tainhas,
camurupins, tarpões e ciobas,
enfileiram-se no mar.
Numa nuvem espessa de xaréus
circunavegam corvinas,
dourados do mar se engolfinham
entre mil espadartes.
Quem para apreciar a riqueza
do fundo das águas
senão os elementais que guardam
e integram a Natureza.
Um bando de garoupas e marlins
sinfonizam uma dança
enquanto baleias atravessam ondas
de golfinhos a lhe guiarem.
Uma pescada mais ousada vai
até o espelho dágua
e pela ousadia de vir à superfície
se faz ainda mais pescada
No mar de tantos mundos, afloram
espécies curiosas, belas.
Namorados, cavalas, meros, pargos
e tantos seres aquáticos.
Há uma ponte entre o ar e as águas;
de tão sutil que é,
invisível se faz ao olho humano
que tente prescrutá-la
Um dia, quando os mortos do mar
se levantarem em juízo
e os mortos da terra se alinharem
não haverá mais divisor
No abismo do mais fundo oceano
esses seres vigiam
palácios e riquezas que só a alma
dos poetas sabem traduzi-las.
29.10.2017