HOMO SAPIENS X HOMO DEUS
Quando através do sono nos libertamos temporariamente do escafandro corporal, volitamos por entre a dimensão do eu mais puro e visualizamos cenas que, geralmente, só os sonhos conseguem externar. É do substrato desses sonhos - e da criação poética - que se constitui este diário, revelando a incrível magia da dimensão da espiritualidade.
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quinta-feira, 28 de setembro de 2023
HOMO SAPIENS x HOMEO DEUS
terça-feira, 26 de setembro de 2023
Nonato Albuquerque
No universo do meu quarto,
moram poetas sagrados;
santos, os mais devotados
a quem rezo e não me farto.
Convivem sempre comigo
pintores, escolas diversas
contistas de muitas conversas.
a quem eu dou sempre abrigo.
Nesse universo que eu lido
Vivem mortos de saudades
os que da vida fazem parte
E eu a todos convido
a que celebrem, senhores
O dom da vida e sua arte.
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
FÁBULAS FABULOSAS DE NONATO: A DO CARANGUEIJO LERDO
FÁBULAS NONATIANAS
O CARANGUEIJO LERDO
terça-feira, 19 de setembro de 2023
ENCHENTE DE LUZ
da escrivaninha onde me pauto
entre folhas de papel e caneta
para poemar
o meu vôo
tem a dimensão das estrelas
e o rastro luminoso que traça
me e(n)leva.
mistério
é tudo que espero recolher
desse plantio de letras e sons,
santuário
do meu ser, a poesia me alaga
como uma enchente de luz.
sábado, 16 de setembro de 2023
LEMBRANÇAS DO VENTRE DE MINHA MÃE
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
UMA VIAGEM DE MISTÉRIO E ENCANTO À ODISHA
À noite, quando
dormimos, o que somos em essência – alma, espírito – transita com facilidade
pelo universo paralelo que nos cerca. Algumas vezes, sonho. Noutras,
desprendimento. Em todas, sempre acontece um “download espiritual”, como vêm
sendo designadas as informações difundidas de dimensões extrafísicas. Em todas elas,
mistério e encanto.
Em setembro
de 2023, me deparei num eremitério hindu. Era um ambiente
aconchegante, onde divisava as figuras de Belchior e um eremita jovem, vestindo o que - quando acordado pesquisei ser um sherwani, um tipo de casaco longo comum em usado em ocasiões
formais pelos hindus.
Ao cumprimentar
Bel, ele adornava seu rosto com um sorriso, cuja boca deixava transparecer tres
dentes brilhantes, ao que eu indagava a razão deles.
- Você o vê quando sintomizamos nossas conversas na tríade dos elementos água, fogo e ar.
Do que consegui filtrar do encontro, lembro-me dele falar que antigos povos na Índia atingiram uma certa evolução capazes de se inter-relacionarem com "o universo paralelo". Entendi como se vivos pudessem atravessar o portal da dimensão física e conviver naturlmente com o mundo espiritual.
O próprio jovem hindu contou-me essa gente vivia em Odushin - que viria depois pesquisar e a escrita
correta ser Odisha(*) -, "uma espécie de paraíso situado acima do Índico".
Ele próprio dizia fazer essa "viagem" com frequência, ao que lhe perguntei se ele era uma "emanação". Ele apenas sorriu.
Enquanto folheávamos diversos libretos em idioma que eu não saberia distinguir, eu elogiava Belchior pela sua saudável aparência . E ele apenas me dizia "como não poderia estar ao lado desse swami".
Nesse ponto eu me levanto e faço uma reverência dirigida ao jovem acompanhada da citação namastê e saio.
Curioso: a porta do lugar onde eu estava dava exatamente para a praça da Bandeira de Fortaleza e eu me surpreendia de estar voltando pra casa ali no Bemfica. Foi quando me acordei, encantado com a visão.
(*) Orissa, oficialmente em inglês Odisha e, por vezes na forma histórica portuguesa Orixá, é um estado da Índia localizado junto ao Golfo de Bengala. Seus limites em terra são os Estados de Jharkhand a norte, Bengala Ocidental a nordeste, Andhra Pradesh a sudoeste e Chatisgar a oeste. A capital é Bhubaneswar. Foi criado a 1 de abril de 1936 como província da Índia britânica. Essa data é celebrada hoje em dia como Utkal Dival (dia de Orissa). (Wikipédia)
SANTUÁRIO BENDITO
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
DA MINHA INFÂNCIA PERDIDA

de encantos primaverís.
Tormentas muitas da alma
teu peito, qual porto abriga
enquanto os ventos da mente
buscam por outros navios.
de vez em quando adormeço
nesse oceano de luz
a barca da minha poesia.
certo de que um novo tempo
busca em tuas águas a bússola
domingo, 10 de setembro de 2023
O CRISTO TORTURADO QUE ADORAMOS
Toda vez que vejo a imagem do Cristo
na cruz exposto
seminu em seu martírio,
com suas muitas dores e feridas
tenho a nítida impressão de que
em muitos há mais gosto
pela macabra visão da tortura do Cristo
do que pela sua luz
É como se eles admirássem a crueldade
explícita no rosto
da imagem, e fossem pelos ritos
das pregações conduzidas
a nutrirem essa paixão, num ato
de masoquismo exposto
do que as lições do primato de amor
por ele traduzidas.
Quão desafortunada não seria a mãe
que resolvesse do filho
guardar uma foto na parede
do instante de seu sofrimento
como se colecionasse ali sua mais forte
e viva lembrança
Devemos sagrar o Cristo na memória,
com seu intenso brilho.
No amor que pregou e no bem que fez
com todo o sentimento
da alma mais pura que veio dividir na Terra
toda a esperança.
sábado, 9 de setembro de 2023
CONVITE PARA UM JANTAR COM DEUS
Vocês me deixam eu contar um sonho. Um belo sonho, por sinal. Ou um desdobramento como costumo definir essas visões. Nele, um homem de notável aparência, semblante tranquilo e expressivo sorriso no rosto, resolvera numa noite atrair para um jantar uma multidão de famintos em situação de rua. Na verdade, um grande banquete numa praça toda iluminada. Enquanto
ele caminhava pelas ruas convidando os miseráveis para a festa, entoava uma
terna canção de amor à Vida, que atraía a atenção de todos que se abrigavam
sob as marquises das lojas para o sono. Sua
canção foi ganhando outras vozes, entre os convidados, e um grande coral
foi-se formando preenchendo o vazio das ruas adormecidas e sem
tráfego. Ao
se levantarem das calçadas, os necessitados de toda sorte, traziam um
estranho brilho em redor de si. Já não eram os maltrapilhos de sempre. Os
deficientes sem mobilidade. As crianças de rosto sujo. Os idosos decrépitos
pelo peso do tempo e nem as mulheres de roupas rotas e sem condições de se
arrumarem. Ao
chegarem ao coração da praça, onde devia se dar o banquete, se depararam com
enorme mesa, disposta com os alimentos mais sugestivos, servidos por uma
equipe de transluzentes e solícitos auxiliares. Todos
tomaram assento, mas só poderiam começar quando o benfeitor desse a devida
autorização. O
homem, então, em meditativa postura, profere uma enternecida oração – a mais
bela prece que os meus ouvidos já escutaram – acompanhada em silêncio por
todos os presentes. Ao
término, ele autoriza para que todos se sirvam, e anuncia que aquele jantar
era patrocinado pela figura mais importante da humanidade, o Cristo. Nesse
instante, um clarão enorme se faz sobre a praça. E como se os céus se
abrissem, de um portal, descem por uma escada aureolada de luz, figuras
angelicais surpreendendo a todos. De
forma mágica, ouve-se uma voz, anunciando que aquele senhor havia cumprido a
sua última tarefa de sua jornada terrena e precisava agora atender a um
indispensável compromisso. O de jantar, naquela noite com o divino mestre,
nas claridades infinitas dos céus. De repente, eu fui desbloqueado daquela encantação e e voltei rapidamente ao meu corpo; certo de que as almas dos mendigos ali reunidos estavam sendo alimentadas pela virtude maior do amor que é a graça e a bondade de Deus. |