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domingo, 28 de dezembro de 2025

ODE AO ETERNO MENINO

 
ODE AO ETERNO MENINO

Eu vi o pequeno Jesus
Nascer numa manjedoura.
Ser aureolado de luz
Surgiu nesse logradouro
Onde reina pouca luz
Pra ser luz, n’era vindoura
Filho de José e Maria
O menino recebeu
Visita de reis no dia
em que na Terra nasceu
Do alto uma voz dizia
"Esse é o filho amado meu".
No coche onde o menino
Nasceu, pastam animais
Acolhendo esse destino
De quem vai ser rei da paz
Chega em solo palestino
Pra mostrar do que é capaz.
Não façam barulho agora
Que o menino inda dormita
Para acordar na sua hora
Em que se tornará bendita
Sua lição no mundo afora
Parem com essa correria
Que o menino adormeceu
Ele será modelo e guia
Pra nações e para o céu.
Bendita seja Maria
Que o menino concebeu

POESIA. Exercício de empatia para aguardar o novo ano

de Nonato Albuquerque

Faça um exercício de empatia

para receber o ano que chega

 mude as ideias tristes e sorria 

Pro novo que o novo prega.

 

Repita isso várias vezes ao dia,

que o ano que vai, foi de entrega

e o que virá lhe trará harmonia

pois é ao novo que a gente se apega

 

Um pouco de esperança, um naco

de mansuetude e a quantidade

exata para acolher o novo ano.

 

Lance fora tudo que seja saco

mostre-se feliz para que a felicidade

não perca seu endereço por engano. 

Esse é o original de dez/2020



sábado, 27 de dezembro de 2025

BEL, A BELDADE e O SONHO

 

Eu não saberia atinar sobre o mundo extra-físico, aquele ao qual todos nos destinamos quando for a hora da mudança, a não ser informações recolhidas de leituras e aprendizado na frequência às doutrinas espíritas/espiritualistas. Mas os sonhos, os desdobramentos que a gente ganha por imersão, eles nos dão um sentido do que seja o viver noutro plano.

Numa dessas viagens astrais, dou de cara com um centro de cultura onde as pessoas buscavam se harmonizar com a riqueza de sons que atravessam a nossa vida. E que os sons propiciavam elemento no processo de cura. 

Eu surjo numa mesa de sons, como se trabalhasse a equalização deles e, de repente, adentra a sala uma figura feminina, dessas de fechar quarteirão, como se dizia na minha terra.

Ela é escultural. Tem pra mais de 1m80cm. Anda como se fosse uma modelo. Veste-se com alinhado apuro e caminha com adejado jeito de quem volita.

Ela veio falar com Belchior. Isso sim, o cantor. E eu digo que ele não se encontra naquele núcleo. Ao que ela sorri e aponta para uma porta que dá para o estúdio de gravação. Levanto-me, vou até lá e descubro o autor de “Como nossos pais”, ao redor de outras pessoas, como se estivesse gravando.

Para evitar barulho, eu chamo a atenção do artista e aponto para a figura incrível que está atrás de mim, deseja falar com ele. Ele se levanta e, tanto ele quanto eu, nos surpreendemos.

Não há ninguém atrás de mim, a não ser um esvoaçante risco de fumaça de algo que acabara de apagar sua presença.

Bel rir e diz: já sei de quem se trata. Ela volta depois.

E ainda ouvindo a frase, acordei do sonho com a inveja danada de saber o fim dessa história que rendeu apenas esses mal escritos de uma viagem com espectros de real espiritualidade.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Falta de respeito ao aniversariante

Não me peçam pra falar de Natal, 

enquanto por aí há bombas e disparos 

tirando a paz de meninos e não raros 

de adultos que sofrem um baixo astral. 


Não venham dizer que há sentimento 

de amor reinante no ar natalino 

eu não vejo ninguém falar do menino 

que é a figura principal desse momento. 


parem de fazer pouco, os que o amam. 

De piedade fácil e de consumismo 

quando fazem dele, o menos importante


se o dono da festa que muitos proclamam

é mero figurante no cristianismo

que falta de respeito ao aniversariante!  


`Publicado também no Medium

NUNCA FUI TÃO RICO, PENSANDO SER TÃO POBRE

 

Nunca fui tão rico, pensando ser tão pobre;

enquanto vivia aí, em dias sacrificados.

A troco de suor pra ganhar poucos cruzados

Vivendo a ilusão de que eu vivia como nobre

 

Dos versos que eu fazia lucrava eu o cobre,

que se para muitos era dobrões mirrados,

pagava uma boa xepa e pelo que me recobre

sobrava um troco bom para alguns pingados.

 

Hoje, vivo de memórias, estas que me puxam

para os tempos de menino-moço de amizades

que me marcaram muito como a maior riqueza

 

Celebro esses momentos que desembucham

em consequências plenas de saudades

e fazem lembrar que nunca conheci pobreza.

domingo, 23 de novembro de 2025

A GRAÇA DE FICAR EM SEU CHÃO MESMO NA CRISE

Na estiagem que de janeiro a março atravessa 

o sertanejo, quase sempre ele se depara 

com a mitigação onde o verde sai depressa 

e a seca braba lhe cobra a coragem e a cara. 


Sem plantar e sem colher, ele faz promessa 

de ir a Juazeiro a pé, distância que o separa 

da figura do Padim Ciço, a quem se apressa 

em cobrar a atenção ao santo bom que o ampara


O tempo passa, o sertão geme essa desgraça 

mas a esperança que é verde nunca falha 

e já não se busca mais o paulista Eldorado.


Ficar entre os seus é mais do que uma graça 

que aos céus enviam a quem trabalha 

em busca de ser grande em seu próprio estado.


 . 


A TRAVESSIA DO RIO DOS MORTOS

 Nonato Albuquerque (23.11.2025)

Do lado de lá, desse rio dos mortos, 

o Aqueronte, 

nos aguarda nessa praia, uma surpresa. 

Outra fonte 

a mostrar que há vida em muitos portos, 

horizonte 

de luz a transfigurar beleza. 


Há rostos comuns, alguns familiares 

de identidade, 

a recomporem o hino que a vida entoa 

pater-maternidade. 

Expressões do ontem que nos altares 

da saudade

compouseram os dias de Pessoa. 


Mais do que tudo isso, na versao grega 

do Estige 

o rio das mortes é composto de mentes vivas 

que exige 

de cada um que o atravessa, usar bom senso


Pois é a volta pra casa que de novo agrega 

Caronte 

e nos põe uma vez seguinte com expectativas 

de um horizonte 

onde somos imortais, como hoje eu mais penso


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

AS DORES DOS VELHOS ERROS

 

A ampulheta do tempo não se atrasa, nem para.

Vira. Revira. Remexe o que é história e o que é lenda

Que só nos refolhos da alma, a gente lê e compara

O que era de paz e bem e o que só era contenda.

 

Ultrajante era meu porte. Com uma legião tão cara

Obediente ao meu mando, ela seguia a minha senda

De renegado de um reino, que eu mesmo abjurara

Tracei o terror na Trácia, e pus Roma em minha agenda

 

Era Alarico II, o mais temível, o destruidor maldito

Que nem as sombras de outro reino me serviram

De aprendizado num ambiente infernal e hostil.

 

Renasci em um corpo em chagas, para cumprir o rito

Da lei, e com as dores que eu fiz as dores me atingiram

E eu vim resgatar o erro; acertar minhas contas no Brasil.

AS SETE DIVINAIS VIRTUDES

 Soneto de Nonato Albuquerque



Sete cores tem o arco-íris, sete os dias da semana

Sete as virtudes divinas que dos sete céus emana

Em latim aqui eu narro, sendo Castitas a primeira

Que os padres a exaltavam como pureza certeira.

 

A 2ª chama-se Caritas, que se opõe a avareza,

Fê-la o Cristo ser virtude da mais completa beleza

a terceira, minha gente, eu aprendi desde criança

É a de quem na vida toda, pratica a tal temperança.

 

Quando se é diligente, tem-se na vida outra marca

que é a quarta das virtudes aquela que mais arca

Com a paciência, a quinta com toda sua plenitude

 

E em 6º vem a bondade, virtude de quem se acalma

Impondo paz e disciplina aos mecanismos da alma

Para atingir a humildade, a sétima e ideal virtude. 

EPÍGRAFE DO BEM, A SUA MAIS SÁBIA VIRTUDE

 Nonato Albuquerque 31.10.2025


No roteiro iluminado desse palco, monta-se o drama

pelo qual personagens, os mais diversos, se expressam.

Uns, ansiando as alturas celestiais, como poder e fama

outros no profundo abismo de si mesmo, se estressam.


Almas em provas vinculadas ao mal, perpetuam a trama 

de sempre expiarem os mesmos erros que não cessam 

de revelar num impulso, serem escravos de uma trama. 

que os infelicitam no ambiente em que se processam. 


Ah luta em vão, desgraça que insistente se renova,

como a querer colocar o eterno em constante prova

e ameaçar do poder divino toda a sua magnitude.


Até quando a misericórdia há de permitir a esperteza

desses anjos rebeldes atuarem com diabólica proeza

sem revelar interesse pelo bem, sua mais sábia virtude.  

POEMA. As invisíveis mãos do tempo




 

SONETO. As invisíveis mãos do tempo

 


AS INVISÍVEIS MÃOS DO TEMPO

Onde antes brincavam, hoje só descansam.
Por onde antes trabalharam em sacrifício
edificando a Vida, hoje, silentes, em repouso
acrescentam textura nova às velhas marcas.
Onde antes primavera, o outono delineia-se.
Invernos e verões passaram e elas acenaram
a tantas outras com quem cruzaram caminhos,
e despediram-se com promessas de voltar.
Falo das mãos, as ferramentas indispensáveis
que amanhecem desde o despertar da vida
e atravessam rios do tempo, ruas de conversas,
até chegarem ao ocaso de todas as andanças
mudando a tez, enrugando-se como folhas de papel
que mãos invisíveis amarfanharam com os anos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

VIDAS MÚLTIPLAS — o conto da lâmpada queimada

 

No tempo em que os bichos e as coisas falavam, duas lâmpadas tiveram um choque de idéias. Uma dizia que uma outra lâmpada da sala havia sucumbido.

- Ela apagou-se! — dizia uma

- Não, ela parece apenas ter cochilado — dizia outra desconfiada.

- Pois eu acho que ela se queimou.

- Queimou nada, mor-reu!

- Pois sempre ouví dizer que toda luz que se apaga, um dia volta a acender de novo.

- Conversa besta, quem morre, nunca mais vive

Ficaram nessa discussão toda que entrou noite à dentro, até que um velho lampião de gás, desses antigos que guardam sabedoria e experiência, reivindicou a palavra e acendeu sua luz sobre o assunto.

- Calma, minhas irmãs.

Nem tudo que reluz é ouro, já dizia o antigo ditado. Mas nem tudo que deixa de ser, quer dizer que acabou. A luz não morre. O corpo de vidro pode quebrar, acabar; mas a energia é contínua.

Dia virá, insistiu ele, que alguém com outra lâmpada a reinstalará no espaço vazio deixado pela lâmpada quebrada. E aí, uma vez seguinte, tudo voltará a se iluminar. É a lei da Vida. E ela é plena. Contínua. Sempre.

As duas lâmpadas piscaram agradecidas, no exato instante que uma mão acionou a tomada e as tirou de cena. O lampião baixou seu fogo e adormeceu tranquilo.

Texto de Nonato Albuquerque

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

TEXTOS MEUS. A MONTANHA DO SERMÃO

A montanha do sermão

2 min readJust now

Nonato Albuquerque

Na manhã ambientada de luz e de suave brisa aromática, o mestre reuniu-se outra vez a seus discípulos, depois de um dia em que explicara à multidão sobre as primícias do reino.

Falara-lhes das bem-aventuranças e dos designos de Deus para a enorme multidão que sofregava experiência na colônia terrena. Dissera-lhe do amor do pai divino em relação à justiça para com seus filhos. Admoestara-os a servir ao bem e a entesourar as riquezas morais como único apanágio para se acercarem das claridades vindouras.

Discípulos haviam, contudo, que não conseguiram captar em toda a sua extensão a diáfana mensagem do alto, principalmente nas referências sobre os herdeiros da vida futura.

Compreensivo, o mestre acercou-se do grupo e juntando à palavra, o carinhoso gesto de quem explica, teceu comentários sobre o Sermão da Montanha.

A montanha, na verdade, é o caminho ascensional por onde todos nós trilhamos a jornada vivencial na escola da Terra. O disciplinamento e a prática constante do bem, configuram-se como extratos maiores para o saldo de nossas bonificações.

Jesus, a entidade santa que visitava pessoalmente a escola de refazimento e progresso, confidenciou aos disciípulos que, no planeta, a humanidade estava dividida entre os seres aflitos que voltam do ontem para sequenciar o aprendizado na carne, passando pelos pobres de espírito e os que buscam o aprimoramento no saber espiritual.

Os primeiros, carregavam cruzes dolorosas repatriando o passado de outras fronteiras. Choram dores físicas e morais, sentem fome e sede de justiça e se descobrem necessitados da matéria. “Felizes os que sabem ultrapassar essa fase e atingir o degrau dos pobres de espírito. Uma vida melhor irá consolá-los”, asseverou o mestre.

- Mas como justificar de “bem aventurados, os que são pobres de espírito” -, interrogou um dos presentes.

Em verdade vos digo, felizes os que mendigam as verdades do Espírito’, acentuou o mestre, considerando primordial a ação daqueles seres que já superaram a vaidade e o orgulho e buscam as coisas do alto em detrimento das riquezas materiais. “Deles é a certeza do reinado do Bem na Terra”, complementou.

O mestre lembrou, também, a escala de aprimoramento dos que já ultrapassaram a fase da dor e da busca de sua fé, e reconciliam suas atitudes através da pureza do coração. “São almas assemelhadas a crianças e elas, certamente, verão a Deus em toda a sua luminescência”, comparou.

Cristo continuou a mostrar os graduados seguintes da escola terrena. “Os que formam os grupos dos mansos e pacíficos, voltarão à Terra e habitarão na era de transformação do planeta”.

Num grau ainda mais evoluído, Jesus apontou para os seres que já ultrapassaram todas as distenções e barreiras impeditivas do avanço moral. “Eles acrescentaram aos valores da mansuetude e pacificidade, o glorioso lema da misericórdia. Felizes, porque eles alcançarão esse alvo comum”.

Diante do exposto, os discípulos sentiram a compreensão das etapas de cada um dos que vivenciam na Terra, a experiência vida. E, individualmente, puseram-se a imaginar em que grau de aprimoramento e progresso cada um deles se encontrava exatamente.

Nonato Albuquerque, jornalista

blog UM BANGALÔ NAS NUVENS

https://umbangalonasnuvens.blogspot.com/

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

TBT. De um artigo nosso publicado no site "Medium"


PARA LER AQUI 

LEITURAS Life continues in planes that make us call it death.

 Life continues in planes that make us call it death.

Nonato Albuquerque




In times of discomfort and homelessness,

the humble hand that extends helps;

the serene gaze that pities is a friend,

and the voice of love is not content to be silent.

The fear that within us confronts danger

surrenders to courage and with it grows stronger.

It is the intimate strength that generates bread from wheat

and the peaceful magic of a verse by Neruda.

Who else could contradict the argument

where the expression Love reveals itself naked

and unveils mysteries like someone who tells fortunes?

If for every soul, Life is nourishment,

it must be said that it, whole, continues

In planes that make us call it death.


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

VIDAS MÚLTIPLAS - O CONTO DA LÂMPADA QUEIMADA

 VIDAS MÚLTIPLAS - o conto da lâmpada queimada


No tempo em que os bichos e as coisas falavam, duas lâmpadas tiveram um choque de idéias. Uma dizia que uma outra lâmpada da sala havia sucumbido.
- Ela apagou-se! - dizia uma
- Não, ela parece apenas ter cochilado - dizia outra desconfiada.
- Pois eu acho que ela se queimou.
- Queimou nada, mor-reu!
- Pois sempre ouví dizer que toda luz que se apaga, um dia volta a acender de novo.
- Conversa besta, quem morre, nunca mais vive
Ficaram nessa discussão toda que entrou noite à dentro, até que um velho lampião de gás, desses antigos que guardam sabedoria e experiência, reivindicou a palavra e acendeu sua luz sobre o assunto.
- Calma, minhas irmãs.
Nem tudo que reluz é ouro, já dizia o antigo ditado. Mas nem tudo que deixa de ser, quer dizer que acabou. A luz não morre. O corpo de vidro pode quebrar, acabar; mas a energia é contínua.
Dia virá, insistiu ele, que alguém com outra lâmpada a reinstalará no espaço vazio deixado pela lâmpada quebrada. E aí, uma vez seguinte, tudo voltará a se iluminar. É a lei da Vida. E ela é plena. Contínua. Sempre.
As duas lâmpadas piscaram agradecidas, no exato instante que uma mão acionou a tomada e as tirou de cena. O lampião baixou seu fogo e adormeceu tranquilo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

CRÔNICA: O ANJO ANDRÓGINO DE SEU TIBÚRCIO

 O ANJO ANDRÓGINO DE SEU TIBÚRCIO

Nonato Albuquerque

 

Pense num sujeito grosso! Seu Tibúrcio. Pai de Nozim da padaria. Num tempo onde mais se combate homofobia e outros preconceitos, seu Tibúrcio se gabava de encarar a figura de “machão” do Lagedo – o nome do lugar onde nascera, crescera e vivera dominado por um surto constante de raiva e ódio a todo tipo de integrantes de LGBTQ+.

Desde mocinho, costumava dizer ter sido o maior rabo de saia do lugar. Levava no papo quem caísse na sua lábia. E garantia ter pego 99% das mulheres do lugar. “Só não cheguei aos 100, para livrar minha mãe”.

De todas, só Excelsa cedeu às suas cantadas e acabou caindo “nas malhas da Justiça”, pois grávida antes do casório, o pai dela obrigou Tibúrcio a casar-se frente a um juiz de paz ou teria que escolher entre os três Cs da sua lei: cemitério, cova, cadeia. Era o delegado do lugar.

Em 45 anos de casados, seu Tibúrcio e dona Excelsa só tiveram um filho, o Nozim, a quem o pai obrigara a votar no Mito, fazer campanha contra o aborto, contra a implantação do comunismo no Brasil e “a invasão do movimento LGTBQ+”, regra que ele próprio aditara. O fracasso de Bolsonaro no 2º turno, o levou às manifestações em frente ao Tiro de Guerra de Lagedo, onde uma enxurrada o fez desmaiar entre os “patridiotas”.

Levaram-no a um hospital. Diagnóstico: tuberculose, sendo induzido ao coma. Quando despertou estava despido, deitado em outra cama, onde uma mulher anunciara que ia fazer a maquiagem dele.

- Maquiage é a porra! Eu sou espada – gritou, mas ninguém parece ter ouvido. Depois ele foi até a porta, chamou alguém e lhe aparece Nozim, o seu filho.

- E aí, gostou do trabalho que fizemos nele?

- Está ótimo – disse acrescentando: “Ele só num ia gostar desse batom que puseram nele”.

- Batom!!! Meu filho, me leve pra casa. Estão me querendo parecer um viado...

A voz foi sumindo e uma outra figura de branco tirou ele da cama e disse ter vindo buscá-lo.  

Só deu tempo para olhar em torno e descobrir seu corpo, ali na cama hospitalar, rosto com maquiagem pesada – com base, pó e batom... “que nem uma drag”

Seu Tibúrcio achou aquilo, um fim de mundo. E era, de fato. Ele acabara de esticar as canelas. E se viu diante de um anjo, com aspecto andrógino, que viera lhe dar as boas vindas. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

POESIA. Curriculum mortis

 


terça-feira, 29 de julho de 2025

POESIA. Apostas atraem esperança

 APOSTAS ATRAEM ESPERANÇA

Nonato Albuquerque

É fato comum, entre os que fazem jogos de azar,
apostarem na sorte que a outros ela bafeja;
e com essa ditosa glória de milionário, sonhar
em ganhar o prêmio, qualquer valor que seja.
Na verdade, as loterias dão ao homem um ar
de grandeza; de serem tudo o que se almeja
Afinal, até a hora do sorteio, vive-se a planejar
o sonho de ser no mundo, aquilo que se deseja.
Quem joga, aposta mesmo é na força venturosa
que é motivadora em nós dos grandes ideais
e que na Terra a todo ser humano alcança
Até o dia do sorteio, vive-se uma vida cor de rosa,
fazendo planos que o jogo alimenta mais,
com o bem que todos chamamos de esperança.

domingo, 27 de julho de 2025

quarta-feira, 23 de julho de 2025

POESIA. Para se ganhar asas de anjo


 


















PARA SE GANHAR ASAS DE ANJO

nonato albuquerque
Eu sou íntimo dos anjos. Amigo.
Com eles brinco, com eles me educo.
O espírito de uns sempre me renova
com o de outros, apenas eu caduco
Uma frase que ouvi deles outro dia,
me calou profundamente a alma.
"Nunca avance no tempo, espere
que ele te leva na bênção de sua calma".
Outro me revelou um segredo
que para se ganhar asas e ser anjo
é preciso fazer curso aí na Terra.
Quanto mais se faz o bem - me disse -
provoca o surgimento delas
e a etapa humana assim se encerra.
(23.7.2021)

segunda-feira, 21 de julho de 2025

POESIA. Para os que ainda acreditam nessa (e)terna linguagem


PLANO DE VOO 

Nonato Albuquerque (in memoriam a PG) 

 

Não é da noite atroz que se fermenta o dia,

mas de um antelucano projeto de espera

no qual a luz, em meio à sombra, gera

um novo pulso que o amanhecer procria

 

Nenhuma dor maior na alma se prospera,

a impor angústia que furte essa energia.

É nela que se inspira o poeta sua elegia 

para cantar na sombra a luz que a supera 


É da alegria fortuita que a alma se inclina 

a cada experiência nova que na Terra habite 

e com isso rompa o ciclo que o seduz. 


É quando se submete a ordenança divina 

de alçar um voo alto, que não tem limite 

a perseguir o plano que nos traçou Jesus. 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

POESIA. Meu unicórnio Relâmpago


 ANOTAÇÕES PRECIOSAS

Dos velhos sonhos incomuns de toda a infância,
um só ainda lembro com constância:
o dia que cavalguei um unicórnio
e a relva toda iluminava-se à sua passagem.
Eu tive sim um par de unicórnios.
Um deles chamava-se Relâmpago.
Era comum, ir num trote rápido, de Alkazhar a Netuno,
buscar água de colônia para meus banhos matinais.
Hoje, que estou centenário
e desprendido de materiais vinculações,
eu só tenho deles a saudosa lembrança.
Um dia, em outro corpo, em outra esfera planetária,
pretendo criar unicórnios em pastos da Lua,
só para deixar com inveja
os que lerem essas preciosas anotações
e acharem que é impossível
ainda ter sonhos na minha idade.