Arquivo do blog

sábado, 2 de maio de 2026

Ato confessional: e"àquele pecado", nunca o cometestes?

  Devo a um padre a descoberta da masturbação. Parece incrivel, não? Acontece que eu, por volta dos seis/sete anos, estava me preparando para minha primeira comunhão, quando surpreendi minha mãe ao lhe revelar que eu já fizera isso, não era preciso me preparar. 

  Um dia, durante uma missa na matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Acopiara, entrei na fila da comunhão e cumpri com esse rito dos católicos, sem nem ter me confessado, o que deixou minha mãe abismada. Ao ouvir, ela se benzeu e, invocando o nome de Deus, pediu perdão pelo ato cometido pelo filho. Mas me obrigou a ir ao confessionário e cumprir com o ritual comum para se oficializar esse sacramento. Só comungaria se se confessasse. E o fiz. 

  No confessionário, o padre indagou se eu tinha cometido algum pecado mortal, ao que respondi com um seco "não". E ele, como se desacreditasse, insistiu: "nunca mesmo?". Nunca, respondi. E veio então, a outra indagação: "e pecado venial, meu filho já fez?" Nenhum, respondi. "Nunca desobedeceu ao papai ou a mamãe? E eu ali reticente: não. 

  Foi aí que ele me fez uma indagação que, naquela idade, eu não tinha a menor ideia: "nem àquele!..."  Eu parei um pouco; pensei "qual seria àquele", mas como não devia ser algo bom aos olhos da igreja, respondi negativamente.  O padre insistiu: nem no banheiro, você nunca..." E se calou me liberando sob a obrigação de que eu, fosse aos pés do altar, rezar dez pais nossos e dez ave-marias. 

  Só algum tempo depois, conversando com um coleguinha de sala de aula na hora do recreio, e ao ouvir meu relato, é que ele, mais velho em idade do que eu, me explicou que pecado era aquele. Muitos anos depois reconhelço ter sido um padre que me despertou para o ato da masturbação.