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domingo, 17 de junho de 2012

A VELHICE



Ao transitar pelo corredor do apartamento, entrevejo quadros que guardam fotografias de nossos entes mais queridos. Estão ali ocupados em sorrir ou simplesmente com o olhar vago em direção à câmera que os eternizou no flagrante. Uma pergunta me salta à mente: quanto tempo esses retratos de nossos antepassados vão permanecer ali?  Passada a nossa geração e a geração seguinte, certamente alguém os olvidará, retirando-os da parede e colocando-os a um canto qualquer.

Nada é mais propenso ao esquecimento do que aquilo que passou. Assim como se faz aos objetos, algumas pessoas tendem a pensar em relação a outras. O velho François Chateaubriand já dizia que a idade provecta é uma temeridade para aqueles que a alcançam. “Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso”.

Enquanto se é jovem e o ardor da chama da vida tem sua maior gradação, todos os investimentos são fortuitamente destinados a essa idade.  Pode se ver  isso nas propaganda; a sua maioria está relacionada com o vigor da juventude. É que vem dela, o maior número de consumidores. E, por isso mesmo, a ela se destina tudo.

A nossa Cecília Meireles disse-o bem ao referir-se que não se morre de velhice, mas sim de indiferença. É a solidão arbitrada pela família que obriga o velho a se diferenciar do mundo.

O cansaço dos anos, leva-o a andar mais lento. E o mundo novo exige pressa. A vista curta, impede-o de ver mais longe; e ele passa a circunavegar seu pensamento em torno do seu eu. Interioriza-se, ruminando o passado e sorvendo nas lembranças do que foi, um naco de satisfação. Afinal, como já antevia o filósofo Arthur Schopenhauer  “o perfeito conhecimento começa pela perfeita reminiscência”.

Como ouve mal, a voz do nosso velho vai aos poucos deixando de ser ouvida. E ele pára numa cadeira de balanço, reflexivo, meditabundo, como se estivesse aéreo a tudo, a querer dizer que estancara também sua vontade de viver.
O mundo novo que se renova a cada minuto, vai aos poucos distanciando esse cidadão que, durante décadas, serviu a humanidade, qualquer que fosse o seu jeito de ser. Ferramentas novas que surgem na modernidade, são coisas das quais ele se afasta, mas provavelmente com uma enorme vontade de prescrutá-las.

Ao ver aquela fila de idosos em frente a bateria de caixas eletrônicos, trêmulos, reticentes e envergonhados por não saberem  usar os novos mecanismos da sociedade moderna, fico a pensar: como ser diferente , se ao tempo deles sequer um curso de datilografia puderam fazer e, hoje, até para receber os proventos da Previdência exige-se que eles se adaptem à automação.
Se pudesse fazer chegar a eles um conselho, eu diria como Karen Horney que, nessas horas outonais da vida, “a preocupação deveria levar-nos  a ação e não a depressão”.  Afinal, a vida é plena. A morte é uma piada velha contada nos dias em que até a Ciência já nos sinaliza com a continuidade da existência em uma 
outra dimensão.

Por isso, ao passar pelo corredor e notar que ainda estão suspensos as fotos do ontem, não temerei o destino delas. Afinal, é preciso renovar os ambientes e a própria vida humana faz isso, continuamente.

O dia que ressurge após a noite, nada é mais do que a resposta da Natureza ao constante renovar da vida. Se o é em cada grão semeado, por que não sê-lo nesse projeto magnífico chamado ser humano?

A quem amadureceu pela idade e sente esquecido por aqueles que, um dia, chegarão a esse tempo, a convicta certeza de que, apesar de todas vicissitudes e vexames da terceira idade, reconheçamos: ninguém morre.

A exemplo de alunos que foram para a escola e ao final da aula, a escola terrena vai nos liberar para que retornemos a nossa casa de origem. De lá, certamente, renovaremos as energias do espírito e circunavegaremos em torno de forças outras que vão nos trazer, uma vez seguinte, a uma nova experiência – como já foram outras – até que encontremos as chaves do reino da felicidade que estão depositadas em cada um de nós. E que são acessadas apenas através da existência fortuita do agir em favor do bem e da paz. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ODE A FP


A dor do esquecer é menor que a do lembrar
Do que fomos e o que não somos 
nesse verso, ver-se já
Poeta de tantos nomes, nem mais sabe quem já foi
Não esperava o infinito 
no finito que há depois
Entrou numa letargia enorme e ficou a delirar
Será que um mar me navega 
ou é preciso navegar?
Quem fui não sei de ontem, quem sou nem mais lembrar
A dor de esquecer o tempo 
é tempo só de calar... 

segunda-feira, 11 de junho de 2012


FÁBULAS

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PARA DOMESTICAR O BICHO-HOMEM  
Texto de Nonato Albuquerque

No reino dos bichos, um passarinho me contou que os animais realizaram uma grande assembléia. Todos foram convocados para esse encontro no centro da grande floresta. Do mosquito ao elefante, da jararaca mais rasteira ao bicho de pena mais veloz dos ares, todos acorreram ao grande chamamento.
Depois que a sábia coruja pôs ordem na ensurdecedora algazarra dos presentes, soube-se o real motivo daquele encontro. Os animais estão demasiadamente preocupados com o futuro do bicho-homem. E ao contrário do que se possa imagnar, não é com a ação humana em relação aos que, insuspeitavelmente, chamamos de irracionais. Os bichos temem que o homem se destrua por si só.
Depois de anos e anos empenhados em caçar os animais em suas reservas naturais e expulsá-los para mais distante de seu 'habitat', parecia que o homem mudara mais os conceitos em relação ao trato de seus irmãos na escala animal. É bem verdade que ainda os agredia, torturava, escravizava e, claro, dizimava-os para continuar sendo. "O homem ainda sobrevive dos nossos mortos", argumentava a dirigente da assembléia.
Nenhum dos presentes, esquecera que o homem ainda os buscavam para o enjaulamento e para a morte, mas nos últimos tempos, eles desviaram o alvo da caça aos bichos, contentando-se em abater o seu próprio semelhante. "O homem, afinal, se tornou o verdadeiro lobo do homem como já prenunciara um membro deles".
Ele já não importunava as manadas de elefantes nas savanas africanas. Perdera o interesse por engaiolar passarinhos só para ter o canto deles. Desistira, através de decretos, de criar os da espécie em extinção e, entre os seres humanos, tornara-se politicamente incorreta a atitude fuzilar animais nas pradarias pelo simples gosto de praticar tiro ao alvo. "Até deixaram de caçar as nossas irmãs baleias para azeitar as suas lanternas", lembrou bem um presente.
- Claro, o homem amadureceu, gente! - piou, ainda mais convencida, a coruja no alto de um carvalho centenário, preservado a partir da conscientização humana de que as árvores fazem parte do ecosistema vital à sobrevivência de todos no planeta.

Foi o bastante para que a assembléia se dividisse. Uns em apoio a essa tese, embora a representante das pulgas, escondidinha atrás de uma orelha animal, desconfiasse da manobra dos ditos racionais. Por sua vez, haviam os que se mostravam contrários,  receiosos de que estaria ocorrendo apenas uma trégua. Poucos, certificavam-se de que a matança dos homens entre si, resultaria de alguma forma em prejuízo para o planeta e, por tabela, ao reino animal.
"É preciso fazer alguma coisa, em benefício... do homem", ladrou o representante dos cães. "Se os homens se matam, como é que a gente vai ter casa, comida e veterinária de graça?", completou.
- Protesto! Numa assembléia como essa não se deve votar em causa própria - repeliu o leopardo, uma eterna vítima da sanha humana.
- Concordo com o companheiro leopardo - baliu timidamente uma gazela, esquecendo as rivalidades animais.
- Desde o início dos tempos, que eles têm se utilizado de nosso trabalho, de nossa pele, de nossa própria carne...", mugiu o representante do gado-vacum. 
- Apoiado! relinchou o jumento, argumentando a questão da escravidão a que muitos foram submetidos pelo homem desde que o Criador de todos os bichos os expulsara do paraiso. "Por causa do homem", sibilou a serpente, esquecendo-se de que ela própria fora personagem nessa estória mal interpretada.
Ao final de muitas discussões, chegou-se a um consenso. Fora colocada em votação, a proposta inusitada de que os bichos deveriam urgentemente começar um trabalho de humanização do bicho-homem. Uma conscientização para que eles pudessem compartilhar realmente das maravilhas da Terra que pouquíssimos humanos conseguem entrevê-las.
Em outras palavras, foi aprovada a proposta para que os bichos domesticassem os homens. Quem sabe, assim, possam eles excluir do seu comportamento, o lado que dizem ser 'animal" quando provocam qualquer ação que contrarie as regras do ser humano.
Moral da história: bicho que é bicho, não tem capricho; ajuda a qualquer bicho.
03/04/2008 01:30 antena Enlace permanente. sin tema No hay comentarios.Comentar.

A PROFECIA DO COMETA

de Nonato Albuquerque 

Ih! Isso de destino, é coisa muito séria...
Não há como remediar para não cumpri-lo.
Quem nele estiver inscrito, se-lo-á por certo
sua vítima, em qualquer curva do caminho...
Isso tudo me falava o bom e velho Isaac,
enquanto me apontava ali no templo
o lugar onde o centenário órgão se alojava,
pedindo-me a gentileza de uma peça...
Mais do que curioso pela visita em sonhos,
Eu é que lhe implorava uma história
Para que eu a desfiasse aos meus leitores
Que, diária ou semanalmente, aqui recolho...
- Do destino ninguém foge! disse-me Isaac,
acentuando bem a expressão "destino",
que a sonoridade de sua voz me tocou fundo...
- Vou contar-lhe a cobrança de um carma.
E narrou-me sobre um homem que, certa feita,
Uma cigana lera em suas mãos cruel fatalidade!
"Tenha cuidado com a passagem do cometa.
Ele poderá ser o causador de sua morte!..."
Coitado do inocente; passou a viver apavorado.
Lia almanaques e informes astronômicos,
à cata de saber onde/quando apareciam cometas,
Prevenindo-se de todas as possíveis formas...
Quando o Halley veio de novo, no século passado,
estendendo sua cauda brilhante, ele, em pânico,
Nem chegou a sair de casa, tomando precaucações.
O cometa passou e... alívio! Nada lhe aconteceu.
Ultimamente, já nem pensava mais no aviso
Da vidente; sorria quando alguém mais próximo
Lhe lembrava a devastadora "profecia do cometa"
E dizia ser coisa que não existe. "Conversa fiada!"
Mas como diz a velha e enxovalhada sabedoria,
"do destino ninguém foge", o previsto se cumpriu.
Estava ele, um dia, atravessando uma estrada,
Quando ouviu um grito: "cuidado, olhe o cometa!"
A última coisa que fez, instintivo, foi olhar o céu...
Sentir um choque, ouvir o baque... cair de bruços!
E ao sair do corpo conseguiu matar a charada:
Era o Rapidão Cometa, que passava com mais uma carga...
Nonato Albuquerque

TEXTOS MEUS


Poesia Nossa de Cada Dia

para os que ficarem depois que eu já tiver ido

O corpo que agora baixa à essa sepultura,
Não sou eu - diria o morto se fosse ouvido.
É apenas o invólucro temporário que a essa altura
Estende-se ao chão, da vida agradecido.

A alma que eu sou e mostra desenvoltura,
Permanece de pé, com todo o seu sentido.
Eu permaneço ativo, vivo essa aventura
Que a vida me propôs e a tenho defendido.

Ah! crença vã dos que pensam dessa maneira
Que ao último suspiro, a vida entregue os pontos
Como gostaria eu de provar a todos quantos

assim mourejam na Terra essa fé sem eira,
Que somos eternos e ambientamos contos
Que em outros planos se renovam em cantos 
13/08/2006 20:06 antena Enlace permanente. sin tema No hay comentarios.Comentar.

Escritos Meus
O anjo decaído

Nonato Albuquerque

Chegou àquele hospital meio chumbado. Não acreditava no que lhe dissera o irmão mais velho. Teria que partir. Viajar com destino ignorado. Era assim que sempre acontecia com os moradores daquela colônia. Chegavam ali, se estabeleciam, recuperando-se da longa jornada pela estrada do tempo e, quando já estavam até criando raízes, fazendo amizades mais fortes, vinha sempre alguém com a notícia de que teriam que embarcar.
Não adiantou nada embirrar, bater o pé, dizer que não ia de jeito nenhum. Contra esse tipo de comportamento, eles tinham ações bem práticas. Chegavam ao ponto de convencer ´neguim´ a aceitar, caso contrário teria que ir à força. Danielo foi um desses casos.
Quando soube que teria que ir, fugiu de casa. Mas não foi tão longe. As barreiras de som colocadas por eles ao longo dos caminhos, rapidinho denunciavam os fugitivos. E acabavam caindo nas armadilhas elétricas montadas por todos os pontos.
O pior é que Danielo descobriu que não adiantava fugir, pois haviam sensores instalados dentro do seu cérebro, denunciando-lhe os mínimos movimentos.
Foi apanhado próximo ao umbral da Costaterra, uma espécie de sítio instalado entre a camada iônica do planeta - a ionosfera - e a selva magnética de sons, onde cada morador era sempre tentado a fugir por ela. Para capturá-lo foi preciso injetar-lhe uma droga de efeitos fortes.
Levado ao hospital pelas equipes técnicas, ele foi colocado num descompressor de energia e, pouco a pouco, ele foi sendo compactado ao nível mais baixo de sua vibração. O que sobrou dele foi colocado dentro de uma proveta, mesmo instante em que da superfície da matéria, agentes iniciavam a experiência "in vitro" para a fertilização de óvulos.
Acordou "uma eternidade depois", preso a vestimentas diferentes e, pelo que soube, passou um bom tempo numa espécie de hibernação para que a operação pudesse ser concluída a contento.
Ao perceber que estava preso outra vez num corpo, gritou, esperneou, mas o eco de sua voz parecia não responder aos impulsos de sua mente. Mãos lhe pegaram jeitosamente e se detiveram alguns minutos a acariciá-lo. Mas o que ele queria era voltar à colônia, ficar com os seus, desistir da viagem à terra nova, sentir-se livre de qualquer amarra, como aquelas vestes que lhe aprisionavam as chances de voltar à luz.
Ouvira alguém dizer que ele nascera. E a voz de uma desconhecida falando baixinho ao seu ouvido: "que bom, que você veio, minha coisa linha!". Queria gritar que ele não era nenhuma coisa, mas sim um anjo do plano da Luz. E que por ter desobedecido as ordens do seu patrão, fora expulso do Paraíso e viera a essa dimensão, pagar sua dívida. Purgar seu pecado. Nascer homem. 


Escritos Meus
0 pássaro de luz
Nonato albuquerque

Noite escura. Breu medonho. Eu na praça da matriz. Silhuetas negras de pessoas conversando. Nenhum som se ouvia. Não se po-dia distinguir ninguém. Vai e vem de gente andando pra lá e pra cá, passeando. Não havia nenhum brilho de luz. De repente, lá em ci-ma na torre da igreja, um pássaro. Um pássaro iluminado. Brilhante que nem uma lâmpada florescente.
A idéia que eu tive é de que ele acabara de pousar em cima do cruzeiro e descansava de um longo vôo. O pássaro de luz era o úni-co contraste naquele mar de escuridão. E, nesse oceano, as pessoas navegavam seus corpos como se buscassem chegar a um porto.
Tentei chamar a atenção dos passantes para a visão fabulosa. A a-ve pousada sobre a torre da igreja e derramando pingos de luz en-quanto sacolejava suas penas. Incrível, as pessoas não me ouviam. E nem me viam, dedo em riste, apontando em direção ao pássaro.
Foi então que me lembrei que podia estar sonhando. E recordei o que, num outro sonho, me ensinara um monge de nome Itzack Al-brecht. ¿Fora da dimensão da matéria, ao invés de falar, pense, diri-gindo sempre o vôo do pensamento a quem você deseja atingir¿.
Fechei os olhos. Mãos postas com os dedos polegares levemente tocando os lábios, vibrei. ¿Gente, vocês não estão vendo aquele pássaro de luz?¿. Incrível. Num átimo de segundo, todos se volta-ram em minha direção, indagando a posição da ave. ¿Um pássaro de luz! Onde?¿.
Apontei a torre da matriz, onde o pássaro continuava pousado. Mas ninguém conseguia vê-lo. ¿Pássaro de luz! Era só o que fal-tava!¿, diziam em tom de ofensa. Achei que estavam a brincar co-migo, mas todos todos foram me dando as costas e retornando aos seus lugares de antes, chamando-me de sonhador, louco, visionário.
Desalentado, eu já ia abandonar o local, quando notei que o pás-saro levantara vôo. E mergulhara em minha direção. Logo, estava diante dos meus olhos. Passou raspando o meu rosto. E enquanto deslizava no seu vôo quase magnético, me surpreendia outra vez.
O pássaro ao passar diante de mim, como se numa cena de ¿slow-motion¿, salpicou gotas de luz em meu rosto. Gotas que escorriam delicadamente iluminando minha face. Gritei para que as pessoas vissem, mas elas não me deram atenção. E então, sem que soubesse dizer como imaginara a idéia que tive, pedí que todos ali pegassem uma vela e algum objeto que os refletisse, um vidro espelhado qualquer, para verificarem o milagre.
E cada vulto negro que ia acendendo uma vela, ia se iluminando, como uma enorme lâmpada florescente, na mesma voltagem da luz do pássaro. De repente, a praça se iluminou e um coro de vozes, partindo não sei de onde, entoou uma Ave Maria que eu nunca ou-vira antes.
- "Vejam como vocês são céticos. O pássaro de luz existe. E ele habita dentro de cada um. Basta despertá-lo- , gritava eu a todo pulmão, enquanto ia acordando magicalizado do meu sonho.



NONATO ALBUQUERQUE
outubro de 1998 
Escritos Meus

A OUTRA FACE DO CRISTO
DA CEIA LARGA DE DA VINCI
Nonato Albuquerque

Nunca tive aptidões para a pintura, mas já fui retratado pelas mãos de um grande mestre. Quem me vê assim maltrapilho, miserável, jogado pelas ruas como um trapo, nem imagina que, um dia, eu já fui modelo de um famoso pintor: Leonardo da Vinci. E meu rosto, acreditem, ficou impresso num de seus trabalhos mais inesquecíveis, a Santa Ceia. Aliás, por duas vezes ele me retratou nessa mesma tela.
Eu morava em Milão, por essa época. Jovem, bem afeiçoado, levava uma existência tranquila. De família abastada, tinha recursos e, por onde eu passava, era alvo de cortesias e olhares das donzelas, chegando a arrancar a ira dos mancebos que me invejavam o porte. Estive prometido a uma das mais bonitas mulheres da cidade. Era, porém, a semelhança física com a figura do Nazareno, o traço mais marcante de minha pessoa.
Certa feita, quando estava em minhas noitadas junto a amigos que o meu dinheiro e minha fama atraíam, achegou-se a mim um pintor florentino de nascimento e de nome já bastante íntimo à escola de arte difundida por seu mecenas, Lorenzo de Médici. Convidou-me para que eu fosse modelo de um novo projeto seu. Uma tela que ia registrar o último encontro de Jesus com os seus discípulos antes da tragédia na cruz. O convite me deixou sa-tisfeito, afinal era o mestre de Nazaré um dos ícones mais respeitados da virtuosa fé católica, a qual eu professava junto com minha família. E, depo-is, eu tiraria partido da minha semelhança com o filho de Deus.
Durante algum tempo da segunda metade do século XV, eu trabalhei pa-ra Da Vinci. Nessas ocasiões, ele conversava muito, indo dos temas mais banais aos assuntos mais profundos. Uma vez, chegou a contar-me algo surpreendente. Havia mais do que o simples interesse em retratar uma pas-sagem bíblica com aquele quadro.
Da Vinci - e quebro agora um pacto de silêncio de muitos séculos - desenvolveu com a "Última Santa Ceia", um precioso ensaio sobre Astrologia, mercê de seus estudos de ocultismo junto a outras ciências que ele tão bem conhecia. O quadro, em verdade, representa uma leitura do cos-mos e os doze signos do Zodíaco e as relações psicossociais de cada indivíduo que nasce sob as mais diversas conjunções. Os onze homens que estão em torno do mestre atendiam, também observou o artista, a um preceito antigo da seita dos nazarenos, cujos rituais ocorriam nos cenáculos, principalmente ao aproximar-se a festa do Pessach.
Depois, quando da Vinci já havia dispensado os meus préstimos, eu me retirei de sua vida e a minha, inexplicavelmente, passou por um redemoi-nho de acontecimentos. Por uma grande paixão não correspondida, eu aca-baria estabelecendo uma mudança radical. A mulher que me fora prometi-da em núpcias, simplesmente me deixou - cansada, segundo ela, de minhas muitas traições - e fugiu com um outro. O peso do mundo desabou sobre minha cabeça. Entrei em parafuso e, literalmente, enlouquecí.
Larguei a casa dos pais, passei a viver nas tavernas, constantemente em-briagado. Perdí as noções do tempo, do respeito e da dignidade, a ponto de chegar a mendigar nas ruas para minha própria sobrevivência. Minha famí-lia fez de tudo na tentativa para eu me recuperar; mas foi em vão.
Uma noite, quando eu dormia junto a outros mendigos no átrio da catedral de Milão, fui acordado por um companheiro. Dizia-me estar ali uma pessoa bem aparentada, à procura de alguém para um trabalho que ele esta-va a realizar. E eu tinha sido a pessoa escolhida.
Quando abrí melhor os olhos e me deparei diante daquele homem de cabelos compridos e barba ainda mais longa, me assustei. Era o pintor famoso que me procurava. Mas ele não reconhecera naquele farrapo humano que eu me transformara, o seu antigo modelo de Cristo. Quando lhe revelei minha identidade, ele ficou perplexo. E ao tomar conhecimento de toda a tragédia, lamentou minha situação de penúria, mas mesmo assim me ofe-receu o emprego até mesmo como forma de me auxiliar na recuperação.
Evidente que eu não mudei, pois a desgraça já havia me tomado a pró-pria alma e nem o meu físico lembrava mais qualquer vestígio da meiga e doce figura do rabi da Galiléia, de outros tempos. Mesmo assim, Leonardo da Vinci precisava de mim para que eu lhe inspirasse com meu rosto preco-cemente envelhecido, a refletir todo a maldade que eu herdara do mundo. Mas, jamais, uma revelação me causaria tanto impacto quanto a da nova proposta do pintor.
Ele, agora, estava à procura de alguém com feições bastante carregadas de sofrimento e dor para figurar no projeto que ele ainda estava a executar. E entre todos os desgraçados da sorte que ele sondara por onde andou, nenhum chamara mais sua atenção do que minha triste e singular pessoa en-tregue à desgraça da bebida.
Aceitei o trabalho e, durante algum tempo, era eu, uma vez seguinte, o modelo através do qual o grande mestre do Renascimento compunha a sua fantástica visão da Ceia Larga, na qual desenvolveu todo o seu talento para revelar a contraditória face da individualidade humana e da capacidade de uma mesma pessoa viver o seu paraíso e o seu inferno numa única existên-cia na Terra.
Depois de ter sido o Cristo nessa obra majestosa, o destino me encami-nhara ao outro extremo. Da Vinci encontrara em mim o modelo completo para retratar o mais miserável de todos os seguidores do Mestre. E foi assim, que eu emprestei novamente o meu rosto para que ele desenhasse o perfil que imaginava ter tido o discípulo Judas Iscariotes, o que fora vítima da sua própria miséria humana. 
Escritos Meus
retrato falado

Um excluído, cidadão de uns 33 anos, é preso, torturado e executado de forma arbitrária. Seu julgamento durou menos de 24 horas, entre a prisão e a morte assistida por centenas de pessoas.
O crime pelo qual foi executado não ficou bem definido. Há suspeitas de que ele vivia à margem da lei. Que pregou uma nova ordem social, na qual as pessoas deveriam viver no Bem, na Esperança e na Caridade.
Ousado, ele chegou a incitar as multidões a abandonarem os vícios da maldade, do ódio e da violência.
Seus algozes o acusaram de andar em bando, com uma gangue que chegara a danificar um templo religioso, expulsando os comerciantes que, segundo ele, assaltavam o
consumidor no peso e no preço.
Preso, depois de várias tentativas frustadas pelas milícias oficiais, esse homem quase foi linchado pela multidão à qual ele assistiu durante três sucessivos anos, ensinando regras de comportamento ético e de uma vida saudável para o corpo e para o espírito.
Foi a ajuda de um integrante de seu grupo - através do expediente da delação - que deu à polícia a chance de localizá-lo. Sua prisão não obedeceu a nenhum critério da lei ou respeito aos direitos humanos.
Sua identidade é bastante conhecida mas há em torno dele um grande mistério. Partidários e até inimigos são unânimes em garantir que ele sempre se portou a favor dos pobres, assassinos, prostitutas e anunciou a Justiça em defesa dos muitos oprimidos.
Esse homem, sem residência fixa, costumava atrair multidões às praças e aos locais por onde ele pregava lições que jamais foram ouvidas da boca de alguém: o dever de amar os inimigos; esquecer pai e mãe para segui-lo; e fazer pelo
outro aquilo que desejaríamos que nos fizessem.
Preso, torturado e executado em via pública num local denominado Morro da Caveira, esse homem mereceu o registro maior de todas as violências.
Seu nome: Jesus.
Seu crime: ter amado a humanidade.



Nonato Albuquerque/escrito em 14/04/95.
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Cada vez mais em muitos lugares do mundo, pessoas de todas as classes buscam descobrir o lado zen da Vida. O verdadeiro sabor dos prazeres da alma.

Desfrutar de coisas simples, mas de prodigiosas virtudes para a expansão do eu interior. Amar a si mesmo, mas sem perder a distância do outro a quem devemos corresponder a lei de ajuda. Viver em benefício de todo próximo. Ser cortês com tudo e com todos. Ter ideais mais próximos da realidade.

Defender o meio ambiente como parte de seu todo. Ouvir mais o vento. Sentir mais a Natureza. Meditar. E saindo de sí, conviver amiúde com pessoas menos amargas e dissociadas de tédio e depressão. Indignar-se com todo erro. Ser exemplo, sem denotar a menor pretensão de sê-lo.

Aqueles que no soberano palco da vida se armam de ferramentas zen, pouco a pouco dissociam-se de seus estresses e descarregam as emoções tendenciosas ao orgulho e ao egoísmo. Expandem mais o seu eu espiritual como forma de iluminação.

A força do Amor tem a competência de acalmar nervos, retemperar os corações de algo suficientemente bom para o equilíbrio da Vida. Prazer, doçura, paciência, compaixão - lenitivos dos quais nem percebemos que dispomos em nosso armazém interior.

Agem bem os que disputam menos o Ter em função do Ser, como forma de responder as inquietações do mundo moderno. Se há vazio e angústia no coração de muitos, é que grande parte dessas pessoas ainda não se apercebeu que o ideal da Vida se nutre de valores que nenhuma gôndola de supermercado tem para oferecer.

Viver zen é, portanto, armar-se de coragem para enfrentar os dias difíceis com a serenidade com que os marujos enfrentam as tormentas e relevar tudo aquilo que, de um modo ou de outro, excede os limites da nossa temperança em função da virtude primordial da vida que é viver em benefício do próprio planeta que habitamos.


Texto: Nonato Albuquerque

segunda-feira, 21 de maio de 2012

169º

Véspera de passagem de alguém importante. O que me leva a essa crença é o sonho que tive na madrugada de hoje.  Havia um anúncio naquela dimensão de que alguém conhecido ia chegar. E todo mundo lá estava preparado. Na vizinhança onde eu me encontrava, MF esperava o 'amigo'. E eu, surpreso, por encontrá-lo ali, duvidava de que fosse o mesmo escritor famoso que habitara o planeta durante várias décadas. Ele me dizia uma frase> "Quem não chora, não ama", parafraseando o velho ditado conhecido. Mas isso ainda não bastava para entender que era verdadeiramente o autor.

Enquanto falamos, alguém coloca uma placa com "169º - um minuto de silêncio" como a querer dizer nos próximos 169 dias, esse alguém famoso mudará de rota. Acordei e ainda ouvia a voz dele dizendo: 'Vambora, João...". 

sábado, 19 de maio de 2012

domingo, 6 de maio de 2012

A MORTE E O MORRER


domingo, 22 de abril de 2012

ESCRITOS MEUS: A PROFECIA DO COMETA


Ih! Isso de destino, é coisa muito séria...
Não há como remediar para não cumpri-lo.
Quem nele estiver inscrito, se-lo-á por certo
sua vítima, em qualquer curva do caminho...

Isso tudo me falava o bom e velho Isaac,
enquanto me apontava ali no templo
o lugar onde o centenário órgão se alojava,
pedindo-me a gentileza de uma peça...

Mais do que curioso pela visita em sonhos,
Eu é que lhe implorava uma história
Para que eu a desfiasse aos meus leitores
Que, diária ou semanalmente, aqui recolho...

- Do destino ninguém foge! disse-me Isaac,
acentuando bem a expressão "destino",
que a sonoridade de sua voz me tocou fundo...
- Vou contar-lhe a cobrança de um carma.

E narrou-me sobre um homem que, certa feita,
Uma cigana lera em suas mãos cruel fatalidade!
"Tenha cuidado com a passagem do cometa.
Ele poderá ser o causador de sua morte!..."

Coitado do inocente; passou a viver apavorado.
Lia almanaques e informes astronômicos,
à cata de saber onde/quando apareciam cometas,
Prevenindo-se de todas as possíveis formas...

Quando o Halley veio de novo, no século passado,
estendendo sua cauda brilhante, ele, em pânico,
Nem chegou a sair de casa, tomando precaucações.
O cometa passou e... alívio! Nada lhe aconteceu.

Ultimamente, já nem pensava mais no aviso
da vidente; sorria quando alguém mais próximo
lhe lembrava a devastadora "profecia do cometa"
E dizia ser coisa que não existe. "Conversa fiada!"

Mas como diz a velha e enxovalhada sabedoria,
"do destino ninguém foge", o previsto se cumpriu.
Estava ele, um dia, atravessando uma estrada,
quando ouviu um grito: "cuidado, olhe o cometa!"

A última coisa que fez, instintivo, foi olhar o céu...
Sentir um choque, ouvir o baque... cair de bruços!
E ao sair do corpo conseguiu matar a charada:
era o Rapidão Cometa, que passava com mais uma carga...

UNIVERSO POESIA: A busca mais sublime


Nonato Albuquerque

Nascer e viver são etapas de momento
Das vidas que se tem pelas estradas do tempo.
Cada passagem no corpo é um útil aprendizado 
Em busca da meta chamada perfeição. 


Crescer e ser feliz são fases desse tempo 
Em meio as semeaduras de tantas existências. 
O hoje é a resposta do ontem, e o amanhã, 
necessariamente, será o que hoje somos. 


Por isso, nas estradas do mundo, dê tempo 
À tua própria ascensão, embora não percebas 
Que asas leves vão se ajustando a tua alma 


A cada passo que se der em favor do bem. 
É que a virtude do tempo consagra um impulso 
A quem vive do amor a busca mais sublime.

domingo, 15 de abril de 2012

O PAI QUE VISITA A FAMÍLIA

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Experiências extra-sensoriais com pessoas que já deixaram essa dimensão são muito comuns, muito embora a maioria das pessoas guarde lembranças poucas. Eu já as tive muitas. Confesso que, nenhuma, me surpreendeu tanto quanto a que registrei esta madrugada.

Estava dormindo e sou acordado por uma pessoa que anuncia estar chegando alguém a minha residência. Antes que eu possa indagar de quem se trata, um sentido qualquer leva-me a reconhecer a figura de meu pai. Em junho que vem completará dois anos de seu desencarne. Poucos meses depois de sua passagem, eu e minha irmã Regina tivemos uma visão muito curiosa de sua presença entre nós. 

Mas a de hoje foi magnífica. Ele chegou me abraçando e indagando se tudo estava bem por aqui. Como alguém que viajasse e retornasse querendo saber as novidades. Eu, na verdade, era que tinha mais interesse em saber dele. "Como é que o senhor está" indaguei. E ele me respondia com um ar despreocupado que estava tudo em ordem. 

Eu notei na sua cabeça uma espécie de lenço em torno de sua fronte e perguntei, curioso, o que era aquilo. Não consegui entender sua explicação, mas ele parece querer dizer que era algo normal. Indago se ele tem visto Regina e ele me responde: "ah" ela sempre vai lá quando está dormindo. É a pessoa que mais me visita". 

De repente, vejo da janela do quarto, gritos de pessoas lá embaixo do prédio. Temo que sejam espíritos de má índole e peço ao meu pai para que se cuide. Ele diz sorrindo que se trata de amigos que vieram em sua companhia  E desaparece. 

Nisso, eu me acordo e ouço no quarto contíguo a voz de minha mãe chamando. Vou até lá e ela pergunta "Você viu seu pai aqui?". Eu chego a estremecer. Aos poucos, ela vai se acordando e diz: "Ah! eu tava era sonhando!...." Vira-se para o outro lado e volta a dormir. 

A minha constatação é de que papai esteve nos visitando para atender a uma tradição comum entre as almas desencarnadas e suas famílias que ficaram na Terra. Para mim, algo bastante comum que não me impressiona esse fenômeno de desprendimento.

domingo, 1 de abril de 2012

Do discurso sobre o capital humano e as drogas


Semana passada, assistindo a TV Câmara, um parlamentar cearense do legislativo municipal denunciava o consumo intenso de drogas por torcedores que foram flagrados fumando maconha e crack nas dependências do PV, durante o jogo Fortaleza e Ceará. Pedia o representante do povo para que a casa envidasse esforços no sentido de evitar que isso acontecesse nas dependências da praça de esportes, por conta de que os drogados acabariam levando a prática do vandalismo e depredando o patrimônio público.

O legislador estava preocupado com os prejuízos ao patrimônio público.

Eu, particularmente, tem uma outra visão do problema: preocupam-me os danos causados ao patrimônio, mas muito mais ainda ao patrimônio humano de quem se vê vitimizado pela drogadição. Preocupa-me o número cada vez maior de jovens que se tornam dependentes e clientes de um supermercado que, hoje em dia, não tem limites. Comercializa-se drogas em todo canto. E não só os jovens de comportamento equivocado se unem a esse contingente, mas adultos que engrossam os descaminhos da sua própria evolução.

Mães e pais estão compartilhando desse malsinado comércio do crack e da cocaína, como nem mesmo na minha época de juventude podíamos constatar. E era um período de mudanças, onde a revolução do ‘paz e amor’, exibia uma pretensa liberalidade que , se chocava aos olhos da época, hoje soa como atitude bastante pueril.

Diante da invasão do crack e da facilidade com que a cocaína hoje é adquirida por uma clientela que, há dez anos, jamais teria condições econômicas de adquiri-la, a era dos hippies mais parece estória de carochinha contada nos dias de hoje.

O livro “Droga! Internar não é prender” do psiquiatra Odailson da Silva, tem a preocupação com o capital humano. Capital humano, hoje em dia, a serviço de um modelo consumista alienante que, provoca sonhos em mentes ainda em formação e que são cooptadas – essas mentes, por forças interessadas apenas no capital econômico.

O livro do Odailson tem o certificado de quem convive no dia-a-dia desse mundo que, antes era restrito a uns poucos ‘chefões’ mas que hoje em dia já se avultou de tal forma que ninguém nem mais sabe quem é o traficante e quem é o viciado.

A propósito, o Juiz Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves, ao prefaciar a obra, cita muito acertadamente que hoje não tem mais a figura do traficante, como dono da única boca de fumo do bairro. “Agora são dezenas de pequenos traficantes e centenas de aviões que disputam com suas gangues o controle de tráfico de drogas”.

Agora, junto ao aspecto do vício acomoda-se o interesse da vantagem, da ganância – que, aliás, é a porta de acesso a terríveis comprometimentos tanto material quanto moral. É por ganância que o comerciante frauda no preço e no peso; é por ganância que o político engana seus eleitores; é por ganância que se alastra a corrupção desmesurada; é por ganância que a Educação virou comércio e até as próprias religiões, na conquista de almas para ampliar suas contas bancárias, deixam o espiritual e se dedicam a salvar a alma de seus patrimônios.

Diante de um mundo cada vez mais individualista, o jovem toma como modelo, os exemplos de uma sociedade distanciada dos valores éticos e morais que sábios nos deixaram. Diante da família desajustada, do ambiente cultural comprometido pela mediocridade, ele busca fugas. E sabemos todos que, mesmo os indivíduos mais bem ajustados  se tornam clientes das multinacionais da química, acabam também se tornando dependentes de remédios para emagrecer, engordar, dormir, acordar, e até para fazer sexo.  Iludidos por essa cornucópia de desejos, os jovens mergulham no desgraçado poço das drogas, onde a bebida – fartamente colocada à mão de qualquer, em qualquer lugar (vide o caso da Fifa) -  a bebida é o primeiro degrau para essa escada do horror , que não é ascendente. Ela leva sempre o viciado para baixo.

O que fazer diante de tudo isso? Como agir? Como tratar? O Estado, no afã de se ver livre de um problema, faz a limpeza das ruas, como para tirar o lixo da vista de todos. Manda as vítimas do crack para internatos que, na verdade, não dispõem de parâmetros para reajustá-los e devolvê-los à sociedade. Centros de recuperação são abertos, alguns responsáveis, outros interessados em usufruir as verbas do sistema e acabam misturando religiosismo – e não religiosidade – com a necessidade de humanizar e espiritualizar essa gente.

“A internação precede à prisãoassim como a doença é anterior ao crime”, afirma com segurança Odailson nesta obra, que tem tudo para inquietar a todos nós. Principalmente, porque ele conhece o problema de cor. Porque ele trata de adictos, mas não apenas pelo viés da Ciência fria e sim pelo conhecimento espiritualista que sua alma comporta nesta existência. Pelos valores espirituais que precisam ser fermentados com o exemplo, com o modelo – não só para os doentes do crack, mas para seus familiares e suas amizades. 


Porque afinal, o viciado é apenas a ponta do iceberg de um drama social e existencial que confunde a todos nós. A ponto de um político pedir providências para evitar que as vítimas desse cancro de final dos tempos possa prejudicar o patrimônio público – que achamos correto, defendê-lo. Mas o patrimônio humano é ainda a prioridade de quem enxerga apenas o rótulo e não a essência. De quem vê a caixa e não o produto. De quem não compreende que o valor da Vida está, principalmente, no capital humano. 


Odailson entende o problema. E o livro seu livro nos provoca: "Droga! Internar não é prender" O caminho é aprender. E o livro ensina. 


(Discurso a ser proferido dia 2 de abril de 2012
na Academia Cearense de Letras, durante o 
lançamento do livro "Drogas! Internar não é prender"
do psiquiatra Oldailson da Silva)

quinta-feira, 29 de março de 2012

O CONTO DOS DOIS BOLSOS

Conta uma lenda antiga que cada homem nasce no mundo com dois bolsos pendurados em seu pescoço... - um na frente e outro nas costas. 


O bolso da frente está cheio de erros e falhas de seus vizinhos e amigos e o grande bolso que carrega atrás repleto de suas próprias falhas e deficiências. 


Por isso, é que os homens são rápidos em ver os defeitos dos outros, mas são muitas vezes cegos para suas próprias falhas. 


Moral: Antes de ver e julgar os defeitos dos outros, vamos primeiro ver e julgar nossas próprias faltas. 

(Fábula de Esopo, o famoso escritor da Grécia antiga)

terça-feira, 27 de março de 2012

OS SONHOS, ÀS VEZES, NOS CONTAM HISTÓRIAS INCRÍVEIS


A canção de ninar da baleia mãe

Aquele não era um fim de tarde comum mesmo. Havia algo estranho no ar.
Pela areia da praia, um vento brando soprava, contrário à algazarra do bando de jovens que atraíam a atenção de todos.
Eles formavam um círculo em torno de algo estendido no chão. Na cabeça de cada um deles, pequenos aparelhos em forma de ‘bobbies’, instalados como cateteres de onde escapavam filetes de luzes, como circuitos em choque.
Avancei até o grupo. Achei passagem entre eles e descubro, espantado, a presença de uma baleia encalhada na areia. É uma mãe que, junto a um filhote, vieram dar na areia e tentam com esforço retornar a água.
Debruço-me sobre o enorme animal. Ele emite uma espécie de canto, que em meio a sonoridade deixa escapar aos meus ouvidos a visão onomatopéica de sua letra:
“O naúma canduma securidá
Nausa conda candira secá...”
Ao ouvir a canção eu digo a todos para saírem de perto, pois a baleia precisava embalar o filho-criança para “dormitá-lo” (sic).
As pessoas não acreditam em nada do que falo. Riem de mim: uma baleia cantora! Que deseja ninar o filhote!... Eles não dão conta do meu apelo. Dizem até que não existe nenhum som vindo do gigante mamífero. Mas eu ouço o lamentoso canto da mãe, aconchegando para perto de si o filho semi-morto.
Alguém da turma, que reconheço no plano físico ser um antigo companheiro de trabalho, escreve algo na areia. Surpreendentemente, as letras ganham brilho. Iluminam-se com a escrita. Enquanto escreve, fala. Diz serem poemágicos, aqueles versos que escreve na areia e, magnificamente, a sua voz sai com imagens holográficas que aparecem no ar em cima de nossas cabeças.
“Sou divino, sou humano, sou da Terra, sou do Céu...”
Tenho a impressão que a baleia riu. E ouço ela dizer (sim, uma voz me traduz simulaneamente) que está cansada do humano mundo, precisa retornar ao oceano.
Quando digo isso a Pedro, o tal poeta, ele considera que eu esteja em alguma dimensão alfa. “O homem que veio da terra, deve ter fumado algo para nos divertir com histórias de não se contar...”, diz ele.
A baleia se agita. Contorce-se. Todos ali acham que ela se debate. De que está nas últimas. Mas, na verdade, ela apenas dança. E atrai para perto de si, uma vez seguinte o filho que eu imaginava morto.
“O naúma canduma securidá
Nausa conda candira secá...”
Então, tenho uma inspiração de que poderia auxiliá-la a sair dali. E peço que ela dance mais. Aos poucos, “a dança” vai abrindo uma espécie de canal que fazem com que as ondas do mar consigam atingir o local onde a mãe e o filhote estavam. As águas vão chegando e aos poucos, os dois animais conseguem chegar até um lugar onde o mar os envolve num abraço.

Do meio das ondas, a cauda da baleia se ergue enorme, belíssima. Como se acenasse para todos nós, despedindo-se. De longe, ouço a cantiga.
“O naúma canduma securidá
Nausa conda candira secá...”
Na praia, algumas pessoas revelam decepcionadas com a minha atuação.
- Que pena, daria uma ótima refeição – diz o dono de um restaurante.
- Num aquário, atrairia turistas – um administrador de empresas.
- E o óleo dela, que combustível não daria para nossas luminárias...
- Bichinha, exclama o que imagino ser uma solteirona – estava igual a mim. Encalhada. 


Alguém acreditaria se eu falasse que tudo isso foi um sonho? Pois acredite. Eu o tive na madrugada chuvosa desta terça feira.

domingo, 25 de março de 2012

ASSIM FALOU SHAKESPEARE


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Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, mas somente as de verão. Mas no fundo isso não tem importância. O que nos interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos. 
Sonhos que os homens sonham sempre Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, Dormindo ou acordado.”
William Shakespeare

VÍTIMA E ALGOZ UNIDOS PELA FORÇA DO PENSAMENTO

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Que mecanismos de pressão ocultam os seres em relação aos vícios? Pelo que pude depreender de um mergulho astralino nesta madrugada, há componentes muito mais exteriores à sua individualidade do que se possa supor.

Num imóvel que me pareceu ser um local de atendimento a seres fora do aparelho físico, deparo-me com a visão de um conhecido meu que estava recebendo estímulos para evitar o problema do alcoolismo. Uma complicada aparelhagem estava ligada à mente do paciente que recebia uma espécie de punção elétrica no cérebro, no que sugere ser uma espécie de lobotização ao contrário.

Num painel próximo se vê em grande tela que a mente do jovem está interligada a de um ente que se julgava morto, mas que respira exatamente com o auxílio da emanações elétricas que vampiriza do corpo somático desse meu conhecido.

A pessoa que opera a máquina me diz que ali se estabelece o que, comumente, se diz ser o fenômeno da obsessão. E, na verdade, no plano da matéria, esse meu amigo está vivendo uma terrível fase da doença do alcoolismo, que nem mesmo a ajuda médica terrena consegue dar-lhe freio.

O ser que o atende me orienta que ele está imantado pelo opressor, uma pessoa que é ligada à sua consanguínedade, fortalecido pelos pensamentos dos dois que compreendem o mesmo nível de relação. É preciso "cauterizar os miasmas que bloqueiam o cérebro", fazendo com que a vítima seja cada vez dependente do seu algoz.

Já havia lido algo a respeito, mas a mecânica de funcionamento é algo assim espetacular e demonstra que, do lado da outra dimensão, não somos abandonados pelos que, samaritanamente, zelam por nós e desejam nosso progresso evolutivo. 

domingo, 18 de março de 2012

PARA ONDE VAMOS DEPOIS DA VIDA

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Muita gente ainda se preocupa com o futuro depois da vida terrena. Para onde se vai? Céu ou Inferno? E muitas pessoas, infelizmente, ainda buscam as religiões mais com receio de se infelicitarem na escolha do caminho, indo desembocar num lugar de eternas penas - o que não combina com a misericórdia e a bondade de um criador - ou se alimentarão a esperança de viver em um local pleno de paz, onde não haja "dor e ranger de dentes". 

A expressão do iluminado Cristo de que "haverá choro e ranger de dentes" é uma referência à destinação das almas que, depois de uma experiência na matéria e não encontraram o ponto de sublimação, terão que retornar a um planeta para conviver desde o choro (nascimento) até o ranger de dentes (maturidade do corpo). 

Não há céu e nem inferno, da maneira vociferada pelas doutrinas conservadoras. Depois de uma vida física, recolheremos os frutos de nossa semeadura. Se vivemos na tranquilidade, em obediência às regras da evolução, chegaremos a nos unir em espaços da espiritualidade para onde procedem todos os seres que irão se harmonizar na paz e no bem. Não é o céu onde almas vivam sem esforço nenhum, numa existência onde não haja atividades. Seremos o que fomos. Ninguém vira santo entre o instante do desencarne e que ressurge no outro lado. 

Infelizmente, devido a ignorância e a imperfeição da maioria das almas, há os que continuam integrados a ações delituosas e equívocos cometidos contra o próximo. Muitos deixam o corpo envolvidos numa força de energia pesada e convergem para locais onde espíritos sofredores se assemelham. Mas não se trata de um lugar onde viverão eternamente no 'fogo eterno". 

Tudo isso é construção humana, quando na Idade Média a reforma protestante retirou do redil católico aquelas ovelhas que já não acreditavam em promessas vãs, sem nenhum vínculo à raconalidade. Comprava-se o lugar no céu, de acordo com as posses daqueles conseguiam adquirir as indulgências. 

O caminho para o futuro da alma, quando deixar a vida corporal, vai depender das escolhas que fizermos hoje. Se levarmos uma vida simples, pacata e de bondade, aplicando a lei do amor e da caridade, haveremos de alçar vôo para os planos onde vicejam espíritos com esses mesmos sentimentos afins.  


QUEM DISSE QUE VOAR É COM OS PÁSSAROS?


Domingo à tarde. Sempre é convidativo o sono depois do almoço. Sair do corpo e ir para onde durante o dia? Neste 18 de março, vi-me envolvido em experiência recorrente: a de volitar por minha própria vontade, sem a ajuda de outros.  Tenho "sonhado" muito assim, muito embora reconheça por meus conhecimentos, tratar-se de um desdobramento. 

Vou por uma rua em que há tráfego de veículos lá embaixo. Não sei atinar qual a cidade. Conduzo uma pessoa de idade, por quem tenho cuidados para que ela não caia. Tenho em mãos, um objeto. A impressão é de que é uma espécie de aparelho que abre semelhante a um guarda-chuva e do qual as pessoas (numa escola) acham ser ele o responsável pelo vôo. 

No desprendimento, eu tenho a convicção de que sou eu que manejo meu próprio 'eu' para cruzar o espaço. Até mesmo alguém me pergunta como eu consigo aquela proeza, que não vejo como fenômeno mas uma capacidade que todos os seres têm de se locomover na dimensão do espírito. 

Eu imagino que é preciso uma espécie de aprendizagem e treino para se lançar ao espaço volitando, mas a maioria dos seres ainda estão tão absorvidos na matéria que, muitas vezes, eles nem saem do corpo enquanto descansam.  

LEITURAS RECOMENDÁVEIS: VOLITAÇÃO

sábado, 3 de março de 2012

Há algo no ar além dos aviões de carreira

Algum avião deva ter passado por cima de minha cabeça hoje e eu nem tive tempo para notar. Ando tão preocupado com coisas do chão que sequer tenho levantado os olhos para ver o céu de noite. E há brilhos de luz muito mais ricos no céu de minha alma, principalmente quando adormeço e volito na paisagem da outra dimensão.


Hoje, por exemplo, estive num lugar em que as pessoas pareciam repetir nas ruas os versos da canção de Chico, “falando de lado e olhando pro chão”. Uma energia pesada circundava os indivíduos que, eu diria, ousavam sair de suas casas e uma coluna policial os forçava a constantes vistorias. 

Eu mesmo, pensava, tive que me submeter a uma rigorosa investigação até ser liberado para conseguir o visto de andar. Não havia sinais de destruição, como nas cenas de cidades atormentadas pelas guerras ou catástrofes naturais. Tudo levava a crer fosse o padrão de exigência do Poder para que as pessoas conseguissem a chance de ver a luz do dia. 


Em certa residência, onde um grupo se concentrava silencioso, tive a sensação de que ali as pessoas estavam buscando vestimentas especiais para conseguir se conduzirem nas suas mais simples tarefas. 

 Não sei, custa muito para mim citar aqui que a cidade por onde eu caminhei seria algum ermo lugarejo sírio, convivendo com a desgraça de uma ditadura cruel. Mas durante todo o meu desprendimento, era essa a idéia que eu partilhava. 

Uma das pessoas falava (em linguagem que eu entendia, muito embora não ouvisse a voz, nem tampouco visse os lábios se movimentarem) que era preciso arranjar fardas do sistema a fim de alcançar a fronteira mais próxima e se livrar do modelo absolutista que se praticava em pleno século 21. 

 Nisso alguém pega pelo meu braço. Minha respiração agita-se. Olhar enfurecido injeta-me medo. E um grito de que, finalmente, me achara... faz com que eu me acorde e fique sem saber quem me procurava naquela paisagem distanciada de qualquer elemento de beleza e de sentido mais racional.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

DOMINGO À TARDE, EM VISITA A QUEM JÁ FOI

Um domingo. Não um dia qualquer. Mas um dia para se descansar. Depois do almoço, dormir. E desprender-se no astral. Em meio a muitas entidades que circulam pela dimensão da Luz, deparo-me com um primo, recém desencarnado. 

Ele faleceu depois de uma doença que o deixou muito abatido. E o encontro no lado de lá, ainda com dificuldades até para manter-se de pé. Deitado, conto-lhe que estamos com "muita saudade" dele. E ele acena a cabeça dizendo que sabe disso. Quero saber como ele está e ele me responde ter vindo até ali com nossa avó que, na vida física, teve ele como um dos seus netos preferidos.

Eu pergunto quando poderemos vê-lo outra vez e ele me diz que em abril deve estar pegando "o trem" para vir até a crosta da Terra e poder nos encontrar. Diz que tem uma missão a cumprir nessa vinda. Deixa no ar uma suspeita que eu prefiro não adiantar muita coisa. Mas que sei do que se trata... 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Escrita automática


Encontrei esse texto no Care2 falando sobre escrita automática. E resolvi, via Google, tra(duzi)zê-lo para cá. Leiam e aproveitem. 

writing.jpg imagem escrita por vienna7287
Desde os primórdios do Espiritismo, escrita automática tem sido aceito como uma forma de médiuns em transe, e às vezes as pessoas comuns, para receber comunicações do mundo espiritual. 

O homem sempre desejou para se comunicar com os espíritos e, graças à fundação do movimento espírita, que agora ele tinha um método de fazê-lo. As comunicações originais, como as das irmãs Fox em Hydesville, eram pouco mais do que batidas e pancadas que enunciados métodos longos e elaborados. A maioria ficou frustrado por tais métodos lentos de comunicação e começou a procurar algo mais rápido - e muito mais direta. Pouco tempo depois, a arte da "escrita automática" nasceu.

A escrita automática é, essencialmente, por escrito, que é feito em um estado alterado de consciência que é atribuído aos espíritos dos mortos. Acredita-se por alguns que os espíritos literalmente manipular o utensílio da escrita nas mãos do médium para se comunicar, como o escritor é, muitas vezes sem saber o que está sendo escrito e, muitas vezes até mesmo fora rabisca texto manuscrito que é marcadamente diferente da sua. 

Outros acreditam que, talvez, os espíritos podem se comunicar também através da formação de mensagens na mente do médium, que se reproduzem na página. O mais provável, porém, o meio está escrevendo inconscientemente e as mensagens são formados a partir de material na mente subconsciente ou de uma personalidade secundária, que é dotado de percepção extra-sensorial. Uma das América 's médiuns mais famosos, Leonora Piper, pensou que talvez suas habilidades estranhas veio uma personalidade, que se manifestou na escrita automática mais tarde em sua carreira. 

Através da escrita automática, os médiuns têm reclamado de produzir mensagens de pessoas famosas da história, autores falecidos e compositores de música clássica mesmo. Em 1850, John Worth Edmonds, um juiz de Nova York Supremo Tribunal de Justiça, tornou-se interessado no Espiritismo após a morte de sua esposa. Após uma sessão com as Irmãs Fox, ele ficou intrigado com o movimento e reconheceu publicamente seu apoio a ele, apesar do dano potencial para a carreira jurídica. Ele tornou-se mais interessado em comunicações espirituais e começou a incentivar um amigo meio, o Dr. George T. Baxter, para tentar entrar em contato figuras famosas e literária que passou.Em nenhum momento, Edmonds e seu pequeno círculo de espiritualistas estavam recebendo discursos de Francis Bacon e Emanuel Swedenborg, ou como o vidente sueco insistiu em soletrar o seu nome ao se comunicar com o juiz - "Sweedonborg".

Alguns incidentes documentados de escrita automática incluir outros aspectos do sobrenatural. No início de 1900, o famoso sociedade belle Marguerite Du Pont Lee começou afirmando que ela estava tirando fotografias de espíritos assustadores na direção de mensagens que recebeu através da escrita automática. Lee, a filha do Du Pont em Delaware, era da linhagem impecável, reputação ilibada e aparentes sensibilidades boas. Depois de seu amigo, Episcopal ministro Kemper Bocock morreu em 1904, Lee começou a ter episódios de escrita automática que ela mencione a Bocock. Os escritos disse-lhe para tirar a fotografia e ela o fez, geralmente colocando um retrato de si mesma ou Bocock em uma cadeira e tirar fotos dele. Algumas das fotos resultantes mostraram manchas inexplicáveis ​​de rostos claros e espectral, algumas tremidas e outras distintas. Alguns deles se parecia com o ministro morto.

Outras formas de escrita automática ir além de meras mensagens e incluem desenho e pintura e até mesmo a música que supostamente está sendo inspirado pelos mortos. Em alguns casos, os médiuns ou pessoas com pouca ou nenhuma formação artística, de repente se sentir compelido a pintar ou desenhar em estilos distintos, profissionais. Caíram norteada por um espírito, como se outra mão está guiando sua própria. Em alguns casos, as pinturas são reconhecíveis no estilo de um artista famoso.

O QUE HÁ POR TRÁS DAS MAZELAS INDIVIDUAIS

Além da fronteira da vigília, eis-me dedicado a compartilhar as experiências de um encontro com o chamado invisível. Dirijo-me a um endereço onde provável reunião amiga deve marcar impressões da realidade entremundos.

À cabeceira da mesa está um eminente professor de escola do ensino superior no Ceará, ainda em vestes carnais. Ele dirigirá os trabalhos. A um sinal dele, ocupo uma das duas cadeiras à mesa, enquanto a outra se acha vazia. As luzes da sala são diminuídas e, após comovida prece, é iniciada a reunião.

Em poucos minutos, sinto alguém ocupar a cadeira vazia. Mesmo de olhos cerrados, consigo entrever a silhueta da figura que adentrou à sala. É uma mulher. À sua chegada, envolve-nos uma serena calma e ela passa a escrever algo em folhas de papel colocadas à cabeceira da mesa.

Terminado o trabalho, sinaliza que seja lida a mensagem cujo teor refere-se à demanda de casos de humanos famosos que são acometidos de pertinazes moléstias.

Tentarei reproduzir a mensagem mas, de ante-mão, peço desculpas porque sei da impossibilidade de transcrvê-la como ouvi em meio ao sonho.

"[humanos] Jornadeiam na Terra, a batalha entre as forças do Bem e do Mal. Orientam os sagrados valores, à imperiosa necessidade de se eleger a Luz por curso diretivo. Alguns, porém, dominados pelo excesso de poder e fama, perdem-se no meio do caminho, adstritos aos mecanismos tempestuosos do orgulho e da vaidade.

Quando não atendem às chamadas para recompor-se à verdadeira condição humana, as injunções cármicas buscam o reequilíbrio dessas personalidades através da fragilização da bioenergia individual. É a lei de causa e efeito se fazendo saber prática. Os atingidos por ela, elegeram seus próprios infortúnios.

Governantes imperiosos que ditam suas ações por atos de exceção, atendendo mais à cupidez do cargo do que ao cumprimento da missão, são alcançados pelo aspecto de talião dessa pena.

Mesmo aqueles que, bem sucedidos em seus empreendimentos administrativos, deletam em si as origens de berço, são condicionados a males físico-orgânicos com o intuito recondicionador de sua própria depuração.

Famosos que, mesmo à custa de conhecimento e talento, atingiram o ápice da fama mas passaram a admoestar-se com seus pares, chegam ao descontrole vital e delapidam as fontes preciosas de energia consumidas pelo fogo da vaidade e da ambição.

A todos, a Natureza impõe regras. A nenhum exige mais do que é possível corresponder. Porém, na multidão de aflitos que se transtornam ao saber da doença acometida, há os que se reeducam e buscam consolidar a saudabilidade de suas posturas. [...]

Eis o que pude recordar-me de uma noite em que uma lição nova deu-me a consciência do aprendizado da Vida e da aplicação a pena de Talião.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Da janela do meu 4º
.................4º andar do edifício
............................ é difícil
achar insetos
..... in sets que são de flores, o jardim.

Mas eu vi por instante, juro
...... visitante mais ilustre
................... no lustre
da iluminação
.........ação mais forte essa minha

(inacado)