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sábado, 27 de outubro de 2012

ASAS DE ANJO LHE AGUARDAM NA VOLTA DO CAMINHO


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Se você amanheceu na Terra esquecido de quem foi, mesmo achando saber-se quem é, trate de recapitular as lembranças perdidas no tempo. Elas dizem de vidas múltiplas, multiplicadas em afetos, consignadas em rotinas de trabalho e marcadas pela esperança do conhecimento do eu.

Você não é o que é, tampouco o que os outros vêem em você. Somos espíritos endividados com a Luz, vivendo momentaneamente uma experiência humana. Trazemos ao presente, as reminiscências do ontem, para que a nova investidura na carne corrija em nós os desmandos antigos e fortaleça os acertos do hoje.

Se não encontra resposta mais evidente a essas minhas afirmações é que a misericórdia divina nos auxilia com o véu de Isis, ocultando as paixões mais densas do passado, subtraindo os conflitos mais arraigados da alienada vivência, permitindo-nos que nos apliquemos aos métodos conscienciais das virtudes mais sagradas.

No entanto, creia que o que está oculto sob o olhar deste tempo, não está de todo banido da nossa mais entranhada essência. Tudo se acumula como lições e, pouco a pouco, vão se diluindo a cada manifestação de bem que se fizer.

Adotadas as virtuosas práticas do amor, as dores se convertem em pontos de luz equacionados em forças geratrizes de bênçãos. Elas vão delineando o perfil do novo ser que sua alma esconde e que se projeta em feitos, por alguns considerados miraculosos, quando na verdade nada mais são que a sagração natural da eficácia e do destino humanos.

Por isso, se você amanheceu nessa existência, achando-se deslocado no tempo e no espaço, conclame suas forças interiores a cumprirem o império do Bem e todas as fontes vivas do Universo se abrirão em sua direção e deixarão fluir pelas vielas dessa experiencia vida, rios de luz para que se confirme e se cumpra o primado da paz que é desejo de todos.

De uma coisa, porém, você nunca deve esquecer: as asas de anjo que lhe aguardam para o vôo na outra dimensão esperam apenas que o fluido do Amor seja o combustível itinerante dessa atual jornada terrena. 

domingo, 21 de outubro de 2012

DOMINGO DE GRAÇA. MELHOR, DE GRAÇAS

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Um domingo de graça. Ou de graças, diria melhor. Convidado pela amigona Tereza Cristina, professora do 7 de Setembro, ambientei-me no conforto de seu lar e desfrutei do carinho dela e de pessoas como dona Lurdes Albuquerque, (viúva do político Mário Albuquerque), sogra do jonalista Waldemar Menezes. Aos 90 anos, uma lúcida memória de quem ajudou a esconder políticos cassados pela ditadura de 64. Com ela, a mãe do humorista Luiz Antonio e a mãe da Tereza. Depois veio a vizinha Excelsa, qualificar ainda mais o encontro. 

Dona Lurdes, 90 anos, Tereza Cristina e eu numa homenagem à boa Vida
Mas, curioso, o que mais dominou os papos foram conversas de além vida. Dona Lurdes contou os fenômenos espirituais que ocorriam ao seu redor. De avisos de amigos que deixavam a vida física e chegavam em desdobramento a noticiar a passagem. Do seu velho esposo, ateu, que ao fim da vida andava por dentro de casa de mãos postas e ela surpresa a indagar-lhe se havia mudado. Ele dizia que não, mas que a Política mudara na sua vida. 

A mãe da Tereza contou uma história incrível. De um sonho com um amiga que desencarnara e deixara com ela a incumbência de criar um dos filhos órfãos. Ela aparece em sonhos, pede para que ela acompanhe até um sítio no Eusébio e lá retorna dizendo não haver mais ninguém ali. Contara que os outros filhos estavam bem, mas que Felipe dera para beber demais. 

Acordada, ela perguntou à família se sua mãe tinha alguém no Eusébio. A filha responde que lá tinha o pessoal da família, mas que ela já havia se mudado do antigo sítio. E confirmara que Felipe, o filho mais velho, dera para beber demasiadamente. Depois que ela contou o sonho, ele teria deixado de beber e se corrigira.  

Aproveitei para falar do mundo invisível - do jeito que aprendi a conhecê-lo e com o qual convivo quando, à noite, saio do meu corpo e volito por aí em busca das amizades que me antecederam na viagem. Uma coisa ficou patente no encontro deste domingo: a vida não se limita às paredes do nosso mundinho. Expande-se, além da cortina que o físico nos separa da dimensão da Luz. 

PEQUENA CANÇÃO À DULCÍSSIMA ALMA

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Alma dulcíssima,
Vagueias em minha noite sossegada
Calma grandíssima,
A espera de chegar nova alvorada

Por onde fores, alma doce aquieta a minha
Repleta em dores quando a morte se avizinha

Alma dulcíssima
Eu sei que te acharei no outro plano
Assim belíssima
Mas deixa-me viver por mais um ano. 

domingo, 14 de outubro de 2012

ORIENTAÇÕES ESPIRITUAIS

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Se alegas inconvenientes, os desafios que te propiciam avançar no conhecimento do Eu, repara nas almas edificadas de bênçãos. 

As que se disciplinam em paciência, ainda que envoltas em íntimas discussões; as que orientam os passos, ainda que lhes faltem a visão. 

As que se destinam ao desapego, embora não amealhem um níquel de fortuna. 

As que suscitam apaziguamento em meio às agruras da guerra pessoal. 

Todas seguem as diretrizes edificantes da moral cristã, que associa o 'dar de graça, sem nada receber' a todos os benefícios celestes. 

O dia que surge, o sol que rutila, a força e o trabalho, a comunhão das pessoas em amizade. Tudo é fruto de uma sementeira que a vida lhes proporciona. 

Nem todos consideram-se nimbados da luz divina, nem se sagram aos altares, mas santificam suas ações na prática do bem. Trabalhando e servindo.

Ainda que reconheças difícil a caminhada, compraz-te ao primeiro passo que a chama da vida estimular-te-á a palmilhar a estrada em busca do bem comum. 

Escrito na madrugada 
de 14 de outubro 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

ESPIRITUALIDADE E MÍSTICA SEGUNDO TERESA DÁVILA

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Existe uma santa da Igreja Católica que me atrai a atenção pela vida e pela profunda identidade com o místico e a meditação. Falo de Santa Teresa de Ávilla - ou Santa Teresa D´Avila - de quem o monge Lorenz Marti (Como um místico amarra seus sapatos) tanto apraz em falar em suas obras. 

Descubro, agora, a existência de um curso online, orientado por Frei Patrício Sciadini, que aborda profundas reflexões e embasamentos para quem deseja aprender mais sobre a doutora da Igreja. 

Interessados devem acessar o site do EAD-Século 21 onde é possível fazer a inscrição e ter mais detalhes sobre esse evento. 

domingo, 30 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

FALEMOS DE MISTÉRIOS, o blog

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Este é um texto que li num blog espanhol e resolvi compilá-lo por aqui. Principalmente, porque ele é uma advertência aos indivíduos que ainda não sabem valorizar a importância da vida e que, por equívoco, acabam debandando-se dela, via suicídio. O original é do Hablemos de Misterio.


Rosalia Zabala conectado com o inquérito invisível e desencarnado ajuda a fazer a sua transição para a vida após a morte, então ela mais do que ninguém pode nos dar respostas ao que vive para além da morte.
A  Associação Centro Ajna , realiza oficinas Rosália servindo Muitas pessoas lidam com a morte e luto. Algum tempo atrás, realizou o workshop"A morte de Entendimento como parte da vida" tentando várias questões relacionadas com o trânsito final. Hoje em breve realizar um workshop denominado "Rumo a luz" Centro Ajna e aproveitando esta circunstância, realizar uma consulta para Rosália que muitos de vocês Você perguntar-nos. E em um artigo anterior O que acontece quando morremose ilustrado sobre os diferentes estágios pelos quais passamos no processo de morrer, mas agora pedimos-lhe para esclarecer o que acontece à alma de quem já tomou a sua própria vida voluntariamente.O que acontece com a alma do suicídio? E sobre os diferentes tipos de suicídio?
"Eu recebo muitos e-mails pedindo-me esta pergunta: O que acontece quando uma pessoa cometeu suicídio?
Existem muitas variações sobre esse tema, que se partiu em um purgatório ou castigo eterno, são errantes entre dois mundo tão sem esperança. Amigos S, você sabe que sempre que eu falo por experiência própria. Eu tive várias experiências com pessoas que passaram por este tipo de tráfego e posso dizer que depois de ter feito a ação de suicídio Eu expliquei que a forma como a luz é passado para ele, do que qualquer outro falecido, exceto para alguns diferença.
Quando uma pessoa comete suicídio com um ato premeditado, um ataque de pânico ou uma disposição que faz ele ir de ser relativamente bem para fazer o ato, essas pessoas fazem a transferência mais lenta porque eles estão perdidos e desorientados. Se uma morte comum tinha chamado "The Bard", que são entre 3 e 7 dias, em que ainda vivem com a consciência (lembrar que o bardo é o tempo que nos é dado para fechar questões emocionais e dizer adeus ao nosso querido os aqui neste plano), estas pessoas são geralmente um atraso de até um ano de campo (nota-se que no tempo outro avião não é contado como aqui), mas depois muitas vezes fazer a transferência corretamente.
Depois, há os bombardeiros que planejaram seu suicídio para fazer a consciência assim que o tempo e completa. Esses seres, quando a realização do ato e têm seus seres de luz próximos e ajudá-los em trânsito e é muito mais rápido.
Eu no meu trabalho, eu vou ser encontrado com cerca de 7 ou 8 casos desses tipos e em todas estas formas foram transferência.
Também é verdade que há alguns que estão ancoradas, mas da mesma forma que o normal desencarnada, como no momento do suicídio, não há arrependimento e quero ficar aqui neste plano, mas depois são ancorados e devemos ajudá-los a transferir.
O homem com tendência suicida, muitas vezes o produto da herança de energia a partir de um ancestral que se suicidou. Esta situação que vemos muito na terapia das constelações familiares. Ancestral alguém ou avô ou mais gerações atrás cometeu suicídio e que a carga de energia cai em terceiro ou quarto geração mesmo. Daí a muito jovem, com 7 anos, 10 ou 20 têm uma tendência suicida, sem motivo aparente.
Se alguém percebe isso em alguém que você conhece, você sabe que tem uma solução para essa terapia, e talvez os outros saibam.
Não se esqueça que a Igreja Católica, entre outros métodos para ter controlado as pessoas, o suicídio fez algo terrivelmente punido, mas o que eu tenho visto é quelos movimento suicida de uma forma ou de outra para o espiritual e, assim, concluir o processo de como a alma .
Isso se, quando uma pessoa voluntariamente quebra o ciclo de vida, tem re-encarnado e deve cumprir o seu ciclo, um ciclo que deixou incompleto. Por exemplo, se você tivesse acordado de viver 80 anos e 45 anos suicídio você, novamente reencarnada em outra vida para viver 35 anos e algo vai acontecer com você no que fallezcas idade. É quase sempre doente ou o que eles chamam de morte súbita. Por isso às vezes ouvimos três anos de idade os bebês que morreram de SMSI. Foi então uma alma ficou determinado tempo de vida, não tendo completado o seu pacto de vida em encarnação anterior.Espero ter apagado as suas dúvidas. "



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Não existe fim no túnel, apenas recomeço


Sabemos que a morte física é uma mudança e não o fim da história de cada indivíduo. No final do túnel da vida há um recomeço para a estrada que leva à dimensão da luz. Nela, vivem os seres que se foram. E é para lá que todos iremos. Vez em quando os visitamos. Ou eles nos visitam. 

Hoje de madrugada tive uma dessas noções via sonho. Alguém poderia imaginar que nada mais que um sonho. Mas um dado que dele extraio me deixa desconcertado ao verificar que o nome citado por alguém (que não conheço) foi encontrado na rede de computadores. 

Sonhei com uma senhora (assim me pareceu pela aparência física) que pedia para que eu escrevesse o nome dela que tinha mudado de dimensão. Morrido em um acidente. E dizia bem pronunciado: Anne Jefferson Meyer. 

Acordei e anotei em duas versões: a inglesa e a aportuguesada Ana Jeferson Maia. Resolvi pesquisar para saber se o Google me daria uma posição sobre alguém com esse nome. Apareceram alguns. Mas o que mais me impressionou foi o de Ella Anne Jefferson, que foi vítima de um acidente automobilístico nos EUA, em dezembro do ano passado. 

 Será a mesma pessoa? Como não é a primeira vez que tenho esses desdobramentos nos quais pessoas da dimensão da Luz se identificam e eu confirmo depois, então isso me parece mais um daqueles lances que homens de Ciência terão explicação nada plausível, enquanto eu e minhas teses temos a afirmar que se trata de uma conexão com o além. Nada mais natural, para todos nós que fazemos parte dessa dualidade: corpo x espírito.

UPDATE: Preso suspeito de acidente fatal em auto-estrada 

Um homem acusado de dirigir drogado em Menifee atingiu fatalmente uma mulher de 69 anos de idade quando o veículo ia a leste de Wildomar em alta velocidade, disse a polícia.
Ella Anne Jefferson, residente em Hemet, morreu de ferimentos sofridos em uma colisão de frente em Domenigoni Parkway na segunda-feira, de acordo com um relatório legista.
O acidente teria sido causado por Ryan Mahan, residente em Menifee, de 20 anos de idade, que segundo autoridades estava dirigindo sob a influência de drogas. Os investigadores encontraram uma parafernália de maconha em seu carro, disse o diretor da California Highway Patrol Diretor Darren Meyer.
Mahan alegou que dirigia para o oeste na Donmegoni em um carro Ion Saturno 2003, quando ele desviou e derrapou fora das pistas, indo chocar-se no canteiro central com uma Toyota a caminho das festas de ano novo.

Jefferson não teve tempo para se mover e bateu o veículo que se aproximava de frente.  Paramédicos declararam que ela morreu no local.
Mahan foi levado para Inland Valley Medical Center, em Wildomar em estado grave, disse Meyer.
O motorista supostamente embriagado espera sobreviver e ser levado para responder por homicídio culposo por suspeita de crime de veículos quando estiver pronto a deixar o hospital.
Cidade News Service contribuíram para este relatório.
Tópicos relacionados: Ella Anne Jefferson , acidente em winchester , acidente em Temecula ,acidente em Winchester e Ryan Mahar
Você sabia que a vítima? Que tipo de pessoa ela era? Diga-nos nos comentários.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SUICÍDIO, O PRIMITIVO ERRO

E se eu lhe dissesse que, na última noite, minha alma desprendida da prisão que é o corpo, saiu-se muito bem num encontro entre pessoas que, nessa encarnação, as conheço só de nome. Uma delas, dizia em inglês ter conhecimento de minha terra, o Brasil, origem de sua esposa atual em outra vida. Ele, que chegou a notório cargo público, preocupa-se com o instinto selvagem que a alma humana da atualidade convive. 

Interessante percepção eu tive durante o desdobramento, porque em meio a plateia para a qual sua fala se destinava, estavam vivos de outros tempos e que conheci nessa atual jornada. Cada um, como sintonizado numa aura de luz do ambiente, parecia desprender de seus 'corpos' uma pequena radiação vaporosa que circundava todo o ambiente. 

A.S., a figura central da conversa, dizia que todos os humanos, mesmo na carne, nunca se desprendem dos seus laços com a família espiritual. Por isso embarcamos, uma vez ou outra, em visitas aos grupos de nosssa sociabilidade. 

Falou em seguida do temor que deve cercar cada criatura na Terra, em relação a questão do suicídio. "Erro primitivo de eras que já não convencem a consciência humana", ouvi dizer bem claro. Eu assistia a tudo convencido de que, ali, se falava a verdade. E acordei, vindo tomar conhecimento de que o diretor de cinema Tony Scott (Top Gun) havia tirado a vida, lançando-se de uma ponte. 

A M A N H E C E R E M O S


Quem éramos, quando já fomos
Em idas eras, em múltiplas vidas?
Leio que, provavelmente, somos
O que fomos em meio a tantas lidas.

Quem somos! Do que hoje estamos
A ser na existência; somos mistério.
Que a vida não começa no berço
Nem termina na morada cemitério.

Na dimensão da luz de onde viemos
Existem vidas muitas que entrelaçam
outras muitas vidas que perdemos.

A minha existência que contigo levo
É a melhor de todas as que eu já tive
Em busca do que amanhã seremos. 

domingo, 12 de agosto de 2012

as outras bem-aventuranças
Nonato Albuquerque
Bem aventurados, os homens de poucas letras e de muito saber
em quem a Natureza expõe toda a sua maestria.

Bem aventurados, os sem esperança mas que acham motivos
para derramar nos outros as chances de um tempo melhor.

Bem aventurados, os que navegam pela Terra sem bússola, sem rumo
e conseguem auxiliar numa rua, a travessia dos sem memória.

Bem aventurados, os profetas que anunciam chuva e inverno
e mesmo que lhe dêem as costas, sua ciência é verdade exata.

Bem aventurados, os que se acham solitários por sobre o planeta,
mas abrigam em si o conhecimento de que somos uma só família.

Bem aventurados os homens e mulheres de idéias luminosas
cujo facho de luz se projeta em favor não de si mas dos outros.

Bem aventurados, os que amam e embora não haja reciprocidade,
magnificam a Vida com sua luminosa presença de paz...

Bem aventurados, todos e todas que auxiliam os deserdados do bem
ainda que nem considerem ser possuidores dessa sagrada virtude.

Bem aventurados, sejam todos e todas!

as virtudes que alimentam cristo

Esta manhã, um mendigo me seguiu enquanto eu andava em direção ao meu trabalho.

Quando me alcançou, estendeu a mão ressequida e de sua boca um pedido se fez rogo:
- Ajude-me a alimentar o Cristo...
Aquela frase nada habitual aos meus ouvidos, soou como uma profanação. Era preciso ouvir mais, questionar. E devolvi-lhe uma pergunta:
- O senhor tem o mesmo nome do Salvador?
- Não! E nem seria digno de carregar em qualquer uma das minhas vidas, esse nome santo.
- Mas, então, como entender que o senhor pede esmola para o Cristo?
Ele me olhou com uns olhos de quem não olha o que está vendo, mas prescruta os escaninhos da alma e me disse ser realmente para Cristo, o alimento que estava a pedir.
Sorri-lhe, como a dispensar qualquer crédito ao que dizia, mas antes de lhe falar qualquer coisa, ele interpôs sua voz e aduziu:
- Eu o encontrei caído na rua, faminto, sedento. Ladrões o espancaram durante um assalto e levaram suas sandálias, único patrimônio que ostentava, além das vestes.
Não tinha dinheiro, não tinha cartão de crédito, nem tampouco um celular que pudesse satisfazer aos apelos daqueles malditos.
- Perdão cidadão, mas eu tenho pressa. Pegue essa cédula e vê se compra algum alimento para o "seu Cristo"!
- Não senhor, não aceito dinheiro. Ele precisa de outro tipo de alimento. O Cristo só se alimenta de virtudes.
Sorri novamente tentando entender tudo aquilo e quando já iniciava minha caminhada em direção à entrada no prédio onde trabalho, o mendigo me fez voltar um pouco à discussão.
- O senhor diz que o ´seu´ Cristo só se alimenta de virtudes?
- De qualquer fração de bem que alguém possa demonstrar. Ele quer exemplo.
- Está bem. Que tipo de "exemplo", ele deseja?
- Que o senhor faça qualquer gesto de bondade em favor de quem quer esteja necessitado. Isso será uma esmola para o coração faminto do Cristo.
Aquilo tudo me deixava intrigado. Precisava entender melhor e lhe disse:
- O senhor poderia ser mais claro? O que é que devo fazer?
- Só é preciso que o senhor prometa a si mesmo, fazer hoje e todos os dias alguma coisa boa em favor de alguém necessitado. Basta essa promessa e o coração do Cristo se sentirá reconfortado.
- Então, eu prometo. Agora, deixe-me ir trabalhar senão acabo perdendo o meu emprego.
- Desculpe-me. Obrigado pela promessa.

Subi as escadas do prédio em busca do hall de acesso ao elevador, não sem antes olhar novamente a rua. Incrível, no lugar onde deixara o mendigo, o local estava vazio. Voltei à calçada em busca de localizá-lo, mas nada. Ele sumira misteriosamente...

Cheguei aqui ao trabalho e fiquei matutando: quem seria aquele homem? De onde viera? Por que falara aquilo tudo? E por que sumira tão repentinamente?

De uma coisa, cheguei a uma conclusão: que o Cristo (dele ou o nosso) quer de todos nós o exemplo de amor para com todos. E já se satisfaz apenas com a promessa de quem deseja elevar-se nesse campo de virtudes.
para os que ficarem depois que eu já tiver ido 

O corpo que agora baixa à essa sepultura, 
Não sou eu - diria o morto se fosse ouvido. 
É apenas o invólucro temporário que a essa altura 
Estende-se ao chão, da vida agradecido. 

A alma que eu sou e mostra desenvoltura, 
Permanece de pé, com todo o seu sentido. 
Eu permaneço ativo, vivo essa aventura 
Que a vida me propôs e a tenho defendido. 

Ah! crença vã dos que pensam dessa maneira 
Que ao último suspiro, a vida entrega os pontos. 
Como gostaria eu de provar a todos quantos 

assim mourejam na Terra essa fé sem eira, 
Que somos eternos e ambientamos contos 
Que em outros planos se renovam em cantos. 
Metamorfose
um dia peixe, outro dia ave 
Nonato Albuquerque

Um dia peixe, nascemos;
nas muitas águas, rumamos...
e noutro, aves seremos
alçando os ares do mundo.

Um dia sementes na Terra
que, ela, responde com espigas;
num outro, o homem-semente;
que em outro em alma se lança.

Um dia, de peixe das águas
seremos aves, seremos;
para no azul amanhecermos.

Um dia, água dos peixes;
no outro, o vento dos ares
em tudo e todos, presença.

O ESTÔMAGO DO DIABO

Nonato Albuquerque

Um dia, 
esses homens envelhecerão 
E contarão a seus netos - 
se é que vai ser possível! -
As histórias que a guerra alimentou. 

Ruínas, 
destroços, bombardeios, 
Vidas arrasadas 
ao sabor dos tiros 
Que as metralhadoras vomitavam... 

Dirão que saíram de longe, 
de suas terras, 
Embrenharam-se em outras estranhas, 
E despejaram bombas a três por quatro 
Alimentando o estômago do diabo... 

Por que será que os homens são assim 
Tão estúpidos? 
Um dia, eles envelhecerão 
E contarão a seus seguidores, se sobreviverem, 
Que passaram o tempo matando... e morrendo!
Reflexão Dominical 
rotas de luz 

No itinerário sagrado da vida, há razões muitas que são capazes de transformar o homem desesperançado e o conduzi-lo a destinos de vitória. Para isso, preciso é que ele se fortaleça na fé e na esperança de que podemos determinar os rumos do destino.

O eco do passado e as experiências do presente, são forças produtivas e renovadoras a positivar o encaminhamento de toda trajetória humana. Todo futuro se formata a partir do que somos e experimentamos no hoje.

A alma que jornadeia o [ quase sempre ] encrespado mar da Vida, ambiciona sempre conduzir seu barco a uma destinação segura. Anela aportar com ele em um remanso, onde águas tranqüilas o depurem e renovem suas forças, onde vislumbre a segurança de aportagem.

A exemplo de todo marujo prudente, para se chegar a qualquer rota de destino há que se ater a um plano de viagem, cuja carta náutica tem o certificado das nobres virtudes morais.

Por isso, nesses tempos em que tempestades investem contra o barco da existência humana e o deixam em solavancos e trepidações, recomenda-se recompor as amarras de luz que o roteiro da divina sabedoria recomenda.

Põe-te em guarda. Refaz teus planos. Orienta tua bússola. Planifica ultrapassar esses percalços de momento, certo de que ao leme da governança da Terra, está o mestre dos mestres, a guiar a viagem de todos os seres que estão no planeta.

Fortalece-te na fé que responde pelo combustível de toda esperança. Ajuda-te, capacitando-te a servir sempre aos que estão a caminho, que o céu te propõe iluminar as passagens mais difíceis dessa viagem.

Sereniza tua mente. Não vaciles. É tempo de provas e de buscar resultados. Prescruta melhor o caminho. Compreende que é momentânea a provação que te plenifica, ainda que, em alguns momentos, te sintas induzido a largar o barco e declinar do teu plano de viagem.

Sê contigo agora. Deus está contigo. Sempre. 


- NONATO ALBUQUERQUE, 

NUMA DIMENSÃO DO SONHO ONDE UFOS CIRCULAM

Um sonho. Mas que parecia tão real que acordei decepcionado. Por ter acordado. Estava numa rua, que não tenho a mínima ideia de qual o quadrante do mundo, por onde caminhavam pessoas. Uma visão soturna em meio a paisagem de fim-de-tarde, início de noite. Nisso, uma luz corta o céu e me chama a atenção. Uma senhora que passa ao meu lado identifica-o como um OVNI - Objeto Voador Não-Identificado. Eu apenas confirmo com a cabeça. E lá no fim da rua, uma visão ainda mais magnífica. 

 Uma bola de fogo cresce nos céus e toma uma cor entre o vermelho e o alaranjado. Rodopia em torno de seu eixo. E no centro dá para se ver claramente uma cabine e uma silhueta humana - ou coisa que o valha. 

Apresso-me a pegar a câmera do celular e disparo em direção à visão, detendo-me em ampliar bem o zoom ao máximo possível. É quando identifico uma figura estranha de um ser de alvacenta pele e cabelos longos que está manobrando o veículo imerso naquela bola de fogo. 

Na rua, as pessoas vibram. E vozes dispersas pelo ambiente assinalam que "ele voltou!". Um eco gerado pelas múltiplas vozes ressoa no espaço e meus ouvidos passam a escutar de longe, num crescendo, uma música magnífica a sublimar a visão estranha. É quando vou acordando e no quarto onde descansa meu corpo, ainda percebo o som da belíssima canção que vozes muitas entoam... 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A mansão dos inocentes

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Esta semana, em visita a um abrigo dirigido por duas antigas irmãs de Caridade, percebi como ainda é dificil o trabalho de recepção de individualidades recém despojadas do aparelho físico. Elas tomam conta de uma residência na qual se instalam crianças que saem da Terra e necessitam de um tratamento especial para absorverem a nova situação.

Não sei em que região está incrustada a 'mansão dos inocentes', expressão designada por uma das freiras para entender causas e objetivos do trabalho.


domingo, 29 de julho de 2012

domingo, 22 de julho de 2012

SONHOS: MEMÓRIAS EM FRANCÊS

Um sonho curioso. No estúdio da estação onde trabalho, deparo-me com inscrições bem alinhadas, declarações de pessoas que fizeram/estiveram na Revolução Francesa. Uma delas, de uma pessoa do sexo feminino, dá conhecimento ao leitor que naquele espaço renascidos estão os ímpetos do ontem, sufocados pelas lâminas das guilhotinas, mas que ressurgidas no alvorecer de uma nova existência. 

Interessante: as letras surgiam em alto relevo, obedecendo a mesma cor da parede - branca - e ela somente eram vistas de um ângulo do estúdio. 

Num outro lado, consegui divisar uma palavra que me deixou matreiro depois que acordei: 'almeijão'. Procurei no dicionário e não encontrei nada que me explicasse o seu sentido. 

Acordei pensativo e certo de que, naquele ambiente, há um pouco de história através de pessoas com as quais convivo diariamente mas não consigo definir as identidades. 

domingo, 8 de julho de 2012

NA DIMENSÃO DOS SONHOS EM UM ASHRAM

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Hoje eu andei por dimensões que conheço de leituras. A Índia. Visitei um ashram onde  me encontrei com pessoas que, na dimensão física, são meus amigos Ved e Harbans Al Arora. Os dois me levavam até um sábio antigo muito conhecido na Terra e que explicava o seu novo método de trabalho. 

Dizia-nos estar iniciando um ciclo de reflexões na área circunscrita pela matéria e que necessitava do auxílio de pessoas vontadosas a expandir esse projeto. De sua pregação feita a nosso grupo, lembro-me de ele ter dito que o trabalho será iniciado entre jovens que frequentam shoppings e que necessitam reverter o pensamento para o anti-consumismo. 

Terminou o sonho com uma oração cantada em um dialeto hindu pelas vozes de Ved e Harbans. 

domingo, 17 de junho de 2012

A VELHICE



Ao transitar pelo corredor do apartamento, entrevejo quadros que guardam fotografias de nossos entes mais queridos. Estão ali ocupados em sorrir ou simplesmente com o olhar vago em direção à câmera que os eternizou no flagrante. Uma pergunta me salta à mente: quanto tempo esses retratos de nossos antepassados vão permanecer ali?  Passada a nossa geração e a geração seguinte, certamente alguém os olvidará, retirando-os da parede e colocando-os a um canto qualquer.

Nada é mais propenso ao esquecimento do que aquilo que passou. Assim como se faz aos objetos, algumas pessoas tendem a pensar em relação a outras. O velho François Chateaubriand já dizia que a idade provecta é uma temeridade para aqueles que a alcançam. “Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso”.

Enquanto se é jovem e o ardor da chama da vida tem sua maior gradação, todos os investimentos são fortuitamente destinados a essa idade.  Pode se ver  isso nas propaganda; a sua maioria está relacionada com o vigor da juventude. É que vem dela, o maior número de consumidores. E, por isso mesmo, a ela se destina tudo.

A nossa Cecília Meireles disse-o bem ao referir-se que não se morre de velhice, mas sim de indiferença. É a solidão arbitrada pela família que obriga o velho a se diferenciar do mundo.

O cansaço dos anos, leva-o a andar mais lento. E o mundo novo exige pressa. A vista curta, impede-o de ver mais longe; e ele passa a circunavegar seu pensamento em torno do seu eu. Interioriza-se, ruminando o passado e sorvendo nas lembranças do que foi, um naco de satisfação. Afinal, como já antevia o filósofo Arthur Schopenhauer  “o perfeito conhecimento começa pela perfeita reminiscência”.

Como ouve mal, a voz do nosso velho vai aos poucos deixando de ser ouvida. E ele pára numa cadeira de balanço, reflexivo, meditabundo, como se estivesse aéreo a tudo, a querer dizer que estancara também sua vontade de viver.
O mundo novo que se renova a cada minuto, vai aos poucos distanciando esse cidadão que, durante décadas, serviu a humanidade, qualquer que fosse o seu jeito de ser. Ferramentas novas que surgem na modernidade, são coisas das quais ele se afasta, mas provavelmente com uma enorme vontade de prescrutá-las.

Ao ver aquela fila de idosos em frente a bateria de caixas eletrônicos, trêmulos, reticentes e envergonhados por não saberem  usar os novos mecanismos da sociedade moderna, fico a pensar: como ser diferente , se ao tempo deles sequer um curso de datilografia puderam fazer e, hoje, até para receber os proventos da Previdência exige-se que eles se adaptem à automação.
Se pudesse fazer chegar a eles um conselho, eu diria como Karen Horney que, nessas horas outonais da vida, “a preocupação deveria levar-nos  a ação e não a depressão”.  Afinal, a vida é plena. A morte é uma piada velha contada nos dias em que até a Ciência já nos sinaliza com a continuidade da existência em uma 
outra dimensão.

Por isso, ao passar pelo corredor e notar que ainda estão suspensos as fotos do ontem, não temerei o destino delas. Afinal, é preciso renovar os ambientes e a própria vida humana faz isso, continuamente.

O dia que ressurge após a noite, nada é mais do que a resposta da Natureza ao constante renovar da vida. Se o é em cada grão semeado, por que não sê-lo nesse projeto magnífico chamado ser humano?

A quem amadureceu pela idade e sente esquecido por aqueles que, um dia, chegarão a esse tempo, a convicta certeza de que, apesar de todas vicissitudes e vexames da terceira idade, reconheçamos: ninguém morre.

A exemplo de alunos que foram para a escola e ao final da aula, a escola terrena vai nos liberar para que retornemos a nossa casa de origem. De lá, certamente, renovaremos as energias do espírito e circunavegaremos em torno de forças outras que vão nos trazer, uma vez seguinte, a uma nova experiência – como já foram outras – até que encontremos as chaves do reino da felicidade que estão depositadas em cada um de nós. E que são acessadas apenas através da existência fortuita do agir em favor do bem e da paz. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ODE A FP


A dor do esquecer é menor que a do lembrar
Do que fomos e o que não somos 
nesse verso, ver-se já
Poeta de tantos nomes, nem mais sabe quem já foi
Não esperava o infinito 
no finito que há depois
Entrou numa letargia enorme e ficou a delirar
Será que um mar me navega 
ou é preciso navegar?
Quem fui não sei de ontem, quem sou nem mais lembrar
A dor de esquecer o tempo 
é tempo só de calar... 

segunda-feira, 11 de junho de 2012


FÁBULAS

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PARA DOMESTICAR O BICHO-HOMEM  
Texto de Nonato Albuquerque

No reino dos bichos, um passarinho me contou que os animais realizaram uma grande assembléia. Todos foram convocados para esse encontro no centro da grande floresta. Do mosquito ao elefante, da jararaca mais rasteira ao bicho de pena mais veloz dos ares, todos acorreram ao grande chamamento.
Depois que a sábia coruja pôs ordem na ensurdecedora algazarra dos presentes, soube-se o real motivo daquele encontro. Os animais estão demasiadamente preocupados com o futuro do bicho-homem. E ao contrário do que se possa imagnar, não é com a ação humana em relação aos que, insuspeitavelmente, chamamos de irracionais. Os bichos temem que o homem se destrua por si só.
Depois de anos e anos empenhados em caçar os animais em suas reservas naturais e expulsá-los para mais distante de seu 'habitat', parecia que o homem mudara mais os conceitos em relação ao trato de seus irmãos na escala animal. É bem verdade que ainda os agredia, torturava, escravizava e, claro, dizimava-os para continuar sendo. "O homem ainda sobrevive dos nossos mortos", argumentava a dirigente da assembléia.
Nenhum dos presentes, esquecera que o homem ainda os buscavam para o enjaulamento e para a morte, mas nos últimos tempos, eles desviaram o alvo da caça aos bichos, contentando-se em abater o seu próprio semelhante. "O homem, afinal, se tornou o verdadeiro lobo do homem como já prenunciara um membro deles".
Ele já não importunava as manadas de elefantes nas savanas africanas. Perdera o interesse por engaiolar passarinhos só para ter o canto deles. Desistira, através de decretos, de criar os da espécie em extinção e, entre os seres humanos, tornara-se politicamente incorreta a atitude fuzilar animais nas pradarias pelo simples gosto de praticar tiro ao alvo. "Até deixaram de caçar as nossas irmãs baleias para azeitar as suas lanternas", lembrou bem um presente.
- Claro, o homem amadureceu, gente! - piou, ainda mais convencida, a coruja no alto de um carvalho centenário, preservado a partir da conscientização humana de que as árvores fazem parte do ecosistema vital à sobrevivência de todos no planeta.

Foi o bastante para que a assembléia se dividisse. Uns em apoio a essa tese, embora a representante das pulgas, escondidinha atrás de uma orelha animal, desconfiasse da manobra dos ditos racionais. Por sua vez, haviam os que se mostravam contrários,  receiosos de que estaria ocorrendo apenas uma trégua. Poucos, certificavam-se de que a matança dos homens entre si, resultaria de alguma forma em prejuízo para o planeta e, por tabela, ao reino animal.
"É preciso fazer alguma coisa, em benefício... do homem", ladrou o representante dos cães. "Se os homens se matam, como é que a gente vai ter casa, comida e veterinária de graça?", completou.
- Protesto! Numa assembléia como essa não se deve votar em causa própria - repeliu o leopardo, uma eterna vítima da sanha humana.
- Concordo com o companheiro leopardo - baliu timidamente uma gazela, esquecendo as rivalidades animais.
- Desde o início dos tempos, que eles têm se utilizado de nosso trabalho, de nossa pele, de nossa própria carne...", mugiu o representante do gado-vacum. 
- Apoiado! relinchou o jumento, argumentando a questão da escravidão a que muitos foram submetidos pelo homem desde que o Criador de todos os bichos os expulsara do paraiso. "Por causa do homem", sibilou a serpente, esquecendo-se de que ela própria fora personagem nessa estória mal interpretada.
Ao final de muitas discussões, chegou-se a um consenso. Fora colocada em votação, a proposta inusitada de que os bichos deveriam urgentemente começar um trabalho de humanização do bicho-homem. Uma conscientização para que eles pudessem compartilhar realmente das maravilhas da Terra que pouquíssimos humanos conseguem entrevê-las.
Em outras palavras, foi aprovada a proposta para que os bichos domesticassem os homens. Quem sabe, assim, possam eles excluir do seu comportamento, o lado que dizem ser 'animal" quando provocam qualquer ação que contrarie as regras do ser humano.
Moral da história: bicho que é bicho, não tem capricho; ajuda a qualquer bicho.
03/04/2008 01:30 antena Enlace permanente. sin tema No hay comentarios.Comentar.

A PROFECIA DO COMETA

de Nonato Albuquerque 

Ih! Isso de destino, é coisa muito séria...
Não há como remediar para não cumpri-lo.
Quem nele estiver inscrito, se-lo-á por certo
sua vítima, em qualquer curva do caminho...
Isso tudo me falava o bom e velho Isaac,
enquanto me apontava ali no templo
o lugar onde o centenário órgão se alojava,
pedindo-me a gentileza de uma peça...
Mais do que curioso pela visita em sonhos,
Eu é que lhe implorava uma história
Para que eu a desfiasse aos meus leitores
Que, diária ou semanalmente, aqui recolho...
- Do destino ninguém foge! disse-me Isaac,
acentuando bem a expressão "destino",
que a sonoridade de sua voz me tocou fundo...
- Vou contar-lhe a cobrança de um carma.
E narrou-me sobre um homem que, certa feita,
Uma cigana lera em suas mãos cruel fatalidade!
"Tenha cuidado com a passagem do cometa.
Ele poderá ser o causador de sua morte!..."
Coitado do inocente; passou a viver apavorado.
Lia almanaques e informes astronômicos,
à cata de saber onde/quando apareciam cometas,
Prevenindo-se de todas as possíveis formas...
Quando o Halley veio de novo, no século passado,
estendendo sua cauda brilhante, ele, em pânico,
Nem chegou a sair de casa, tomando precaucações.
O cometa passou e... alívio! Nada lhe aconteceu.
Ultimamente, já nem pensava mais no aviso
Da vidente; sorria quando alguém mais próximo
Lhe lembrava a devastadora "profecia do cometa"
E dizia ser coisa que não existe. "Conversa fiada!"
Mas como diz a velha e enxovalhada sabedoria,
"do destino ninguém foge", o previsto se cumpriu.
Estava ele, um dia, atravessando uma estrada,
Quando ouviu um grito: "cuidado, olhe o cometa!"
A última coisa que fez, instintivo, foi olhar o céu...
Sentir um choque, ouvir o baque... cair de bruços!
E ao sair do corpo conseguiu matar a charada:
Era o Rapidão Cometa, que passava com mais uma carga...
Nonato Albuquerque