FINDO O CORPO, VIVO A VIDA
Quando através do sono nos libertamos temporariamente do escafandro corporal, volitamos por entre a dimensão do eu mais puro e visualizamos cenas que, geralmente, só os sonhos conseguem externar. É do substrato desses sonhos - e da criação poética - que se constitui este diário, revelando a incrível magia da dimensão da espiritualidade.
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quinta-feira, 30 de junho de 2022
FINDO O CORPO, VIVO A VIDA
A SERVIL OBEDIÊNCIA
A SERVIL OBEDIÊNCIA
nonato albuquerque/jun 22
Quantas estrelas preciso eu contar
para que surjam em mim os condilomas
que maldiziam bocas com lesivos aromas
embora eu nunca quis mesmo acreditar?
Quantos “nomes do
pai” hei de precisar
para apagar pecados
dos quais as somas
ultrapassam os códices
que vêm de Roma
e que as confissões
inventam perdoar?
quantas vezes precisarei de argumentos
que religiões
não salvam e que inscrito
está e só as obras
libertam nossa essência?
Para que viver assim
em meio a tormentos
Se céu e inferno fazem
parte de um mito
Que desejam de nós a servil obediência?
PARA LER E MEDITAR
o brilho da lua refletido na poça dágua
eu sei que, à noite, todos os gatos são pardos;
VERSO SANGRADO DA MINHA VIDA EXTINTA
Na boca da noite, a bruma resiste
em ser o que o mar a tudo converte.
Na praia, um homem prosta-se triste
diante do anjo que, ateu, se diverte.
A poesia do morto, ela está viva, existe
e busca fazer com que o povo liberte
o ego inflado, que sempre persiste
em que o laço da forca em si mais aperte.
Eu não devo dar explicação alguma
Sobre o que escrevo e o que não faço
Pois sou de maior e já passei dos trinta.
Quero apenas que me dêem só uma
chance de poder com esse meu traço
Sangrar o verso de minha vida extinta.
(Nonato Albuquerque, junho 2022)
quarta-feira, 29 de junho de 2022
EU QUERIA UM TEXTO
TUDO QUE ESCREVO, EU GUARDO
nonato albuquerque
Eu queria um texto
Que se ocupasse de algo grandioso e marcante
Que não desse ouvidos a essa dor pujante
Que abriga o peito sem nenhum pretexto.
Mas tudo já foi dito
E o senhor da Razão, a que o tempo se nomina
Reconhece que tudo que esse viver se inclina
A estar sempre entre o bendito e o maldito.
Quero então dizer
Que se deve aplacar na alma essa temeridade
Amanhã seremos com o mesmo vigor da idade
Que hoje tecemos em nosso muito aprender.
A benção cedo
Aos filhos do mundo que chegaram ao ponto
Em que os vivos e os mortos se farão confronto
Para colher o céu sem dores e sem medo.
À FERRO E FOGO
O velho poeta, no zênite da Vida,
quis versejar, como último poema,
algo de bom e majestoso como tema.
E viu ser o amor a lição preferida
A vida inteira teve esse bem por lema
e nele, a alma inteira se fez mantida,
buscando viver, inda que algum problema
Tenha sofrido e lhe deixado ferida
É que amor que é amor em toda
plenitude
Só é bom de se viver de forma instigante
Marcado a ferro e fogo em nossa
alma
quem abriga o amor desde a
juventude
Sobrevive por colher na vida de
amante
Essa força inspirada que toda dor
acalma.
terça-feira, 21 de junho de 2022
O PASTOR
O PASTOR
ESPELHO MEU, MEUS ESCRITOS
nonato albuquerque
quarta-feira, 15 de junho de 2022
AOS MÁRTIRES DA AMAZÔNIA
Tempo de horror, esse em que vivemosonde a selvageria exposta assim malditatrai o ensino do bem que aprendemosem época de luz, que até a paz conflita.que tempo dificil esse, onde tudo se agitanum torpor de ódio em que prevalecemoscomo títeres do mal, a vivenciar a aflitacondição do que do humano nos perdemos.o egoísmo e o interesse por lucro imediatofazem com que mãos de ajuda se devotemao comando da morte em exponencial sentidoe matam quem aos ideiais se propõem de fatona defesa do chão sagrado que hoje é totemna pauta global de um povo índigena esquecido
quinta-feira, 9 de junho de 2022
NÃO GOSTO DA RUA QUE NÃO MORO
Nem da cor que falta ao arco-íris
Prefiro o canto do silêncio audível
Aos olhos de quem não enxerga
Não temo o medo; ele me teme
Ignoro o saber dos não sábios
Prefiro a solidão das multidões
Onde recolho o que eu espelho
Sou da angústia, um apátrida
Da inocência, um adepto sequaz
E da memória, o esquecimento
Mas quando é pra dizer te amo
Prefiro fazê-lo do que teorizar
Para cumprir esse dever sagrado.
O QUE TENHO PARA CUIDAR HOJE
O que tenho para cuidar hoje
É o mesmo que tinha ontem
E que tive nos dias anteriores
A esse que tenho de cuidar.
Sentir a vibração das ondas
O marejar da água na areia
O orvalhado campo de flores
E aflitiva inquietude das horas.
Não dou conta de tudo isso,
Por isso transfiro para amnhã
O que teria que cuidar hoje
Pertence ao divino o futuro
E ele, que cuida mehor que eu
Saber-se-á fazê-lo com afinco.
QUANDO CRUZARES O STYX
Quando cruzares o Styx,
transportado por
Caronte a outra margem,
lembrar-te-ás
do que na memória guarda
todo
viajante que alcança esse destino.
Da tua infância
perdida
que a
adolescência levou a outros páramos;
e do olhar
vítreo, outonal, que acalentastes
como recordação de teu último instante vivo.
Nos altiplanos, serás tu
alma vivente,
subtraída da física armadura,
liberta num
átimo de tempo para ires à fronteira
entre o que emana o alfa e ômega das existências.
Nutrirás de novo ar.
Tua pele
será plasmada da luz que concebestes
e tua
memória, se ocupará de reminicências
das vidas múltiplas que tu mesmo consagrastes.
Acordar-te-ão
signos
de ultramontanos tempos, hoje tão seculares,
a anunciarem os novos passos de caminhante,
a organizar as células para o teu novo porvir.
Viverá tu, como anjos
volitando livre pelas circuvizinhanças do céu
mesmo que ainda dele não possas desfrutar
a divina virtude da ambicionada sublimação.
Quando cruzares o Styx
serás o que tu és, na medida do que alcançaste
e dominarás teus dias entre o silêncio e a dúvida
tentando aclarar a todos esses teus conflitos.
terça-feira, 7 de junho de 2022
O CELULAR

POESIA: Balada das Mãos
BALADA DAS MÃOS
segunda-feira, 6 de junho de 2022
POESIA Opus 6 de 6 de 12
POESIA
Opus 6 de seis de 12
Eu tenho tantas coisas para pensar e penso em tantas outras que não me deixam tempo. Pensar que, no futuro, eu esteja presente. Onde qualquer lugar esteja, que eu seja mais crente e possa aliviar todas as dores que, por acaso, eu venha ter.
Eu tenho tantas coisas para dizer e digo somente que se houver tempo, di-las-ei. Direi que no passado, fui tão presente. Recordar de onde fui, estive e por onde eu passei. Quero estar firme e forte, acreditando que na outra dimensão, se-lo-ei.
Eu tinha até mesmo um propósito; de me visitar mais e de ficar comigo sempre. Mas aí, sabe, o mundo dá umas voltas tão complexas, eu me distrao com as coisas que penso e acabo achando que amanhã será outro dia e o sol vai voltar uma vez seguinte.
Ninguém deixe para depois aquilo que devia ter sido antes feito com açúcar e com carinho. As bases da vida são degraus cimentados de luz e cor; de brilho e simplicidade. Como eu gostaria de ser simples para tocar, todos os dias, a fluidez das horas.
Eu vivo e me alimento de esperanças como quem não vive só um dia apenas. Eu penso que longe, no tempo, eu ainda estarei ao lado de quem pensa comigo, estar comigo. Eu vivo disso e troco o disco a toda hora, no ideal de não cansar o ritmo da música.
É por isso, que tenho tantas coisas para pensar e penso em tantas outras que não me deixam tempo. Pensar que, no futuro, eu esteja presente. Onde qualquer lugar esteja, que eu seja mais crente e possa aliviar todas as dores que, por acaso, eu venha ter.
Nonato Albuquerque
06.06.12
sexta-feira, 3 de junho de 2022
O REPOUSO DO GUERREIRO
colheremos os frutos de nossa semeadura
quiçá sejam doces e uma igual formosura
tenham.
um rio
atravessaremos e num segundo instante
descobriremos o quanto como amante
fomos
um dia,
cresceremos como as árvores seculares,
dando frutos muitos, sombra e abrigo
até que
noutra geração, nós ganharemos os ares
e repousaremos como esse par amigo.