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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

BEIJAR DESENHO DE FLORES



Um beija flor, pequenino,
Embora todos o sejam,
mas esse por ser menino
quando suas asas adejam
foi-se de encontro ao destino
que outros beijas almejam.
Mas esse era de um feminino
Robe, onde mil rosas vicejam
E no desenho, o traquino
Beija e as flores se arejam.
Vendo essa cena, eu atino
que o que os seres cortejam
Nem sempre é o que obstino
Enquanto muitos invejam
Ter um amor repentino
Que as suas flores protejam
Me lembra que é bizantino
Amar o que os sonhos ensejam.

CEGO, SURDO E MUDO


Eu já fui menino, hoje sou velho.
Passei por muitas mudanças.
Quando hoje me olho no espelho
Preservo minhas lembranças

Eu já fui só, hoje eu parelho
com a sorte todas minhas danças  
e se lhe serve o conselho
aprendi com minhas lambanças

eu já fui mulher, em outras vidas
para que nessa eu me ocupasse
de ser homem, conhecendo tudo

já fui falastrão e dessas mui lidas
que eu tive, a que me deu mais classe
foi quando fui cego, surdo e mudo.   

sábado, 22 de agosto de 2020

O EBAMIM

Sou filho de carpinteiro 
neto de Ana e Joaquim .
Aquele que vem a mim 
será também companheiro 

De minha mãe, sou herdeiro 
do que há de mais belo em mim 
do meu pai, sou o ebamim 
seu grande amor verdadeiro 

Quem acha que eu descrevo 
O filho de Deus, Jesus 
nesses meus versos pueris 

acertou, pois a ele eu devo 
sua harmonia e sua luz 
fontes do amor mais feliz.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O MAR DA QUINTAESSÊNCIA


Meu coração é igual fonte sagrada
De onde jorra um rio avermelhado
Nas minhas veias. ele se faz estrada
se movimenta com seu tônus sagrado

Quando minha alma se vê entrosada
O rio flui com meu corpo integrado 
Mas ao sentir-se só e amargurada 
faz o rio virar pedra, infartado. 

Porém se pusa amor, essa corrente
Jorra de paz, meu corpo inteiro
E o rio faz seu curso sem sofrência

Por isso, digo a você e a toda gente
busquem ter o bem mais verdadeiro  
Para alcançar o mar da quintessência.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Fé positiva (reunião live)


Fé positiva (reunião live)


A grandeza da alma não se mede 
pela trena que medís a criatura; 
mas na extensão do bem a quem se pede 
ser benção de luz e de ventura 

Dulce, Divaldo, Chico isso não impede 
que se liste Anália, Mãezinha na postura 
da positiva fé, de onde procede 
do ensino do Cristo, sua cultura. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Nada é mais fora de moda que um soneto

Nada é mais fora de moda que um soneto.
Eu, de teimoso, insisto sempre em tê-lo.
É que de tudo o que na vida eu prometo
acabo por descumprir a esse meu apelo.

Um soneto é algo antiquado, como amuleto
do ontem que o hoje quer prescrevê-lo,
Mas convive em mim como se fosse um dueto
que imagino apenas só eu consiga lê-lo.

Nessa disputa entre eu e não sei quantos
vou ganhando tempo e sonetos carregando
até que um dia a modernidade me reclame.

Eu sou de eras outras onde poemas e cantos
eram arte de uma arte que irá durar até quando
houver alguém que a faça e alguém que a ame.

®nonato albuquerque

domingo, 9 de agosto de 2020

A VOLTA DO PAI QUE HOJE É SEU FILHO

Vivia interessado em saber onde estaria o pai
que se adiantara na viagem, ao fim da vida.
Sangrava o coração árabe vivente em Dubai
Pela perda da figura familiar mais sentida.

Quem sofre a ruptura de uma afeição querida
No grupo familiar, que é a voz que sobressai,
fica como num ergástulo, só e sem guarida
chegando a descrer de tudo, até de El Shaddai

Ah! dias de alegria que se viveu outrora
Para onde foram as promessas do profeta
De que haveria um tempo bom, abençoado

É que a resposta a esse homem agora
Se faz presente, e eu falo como um poeta,

No filho que é seu pai, que está hoje ao seu lado 

QUEM AMA JESUS, QUEM AMA DEUS


O fiel penitente
guarda o Cristo numa imagem banhada em ouro
Como se aquilo fosse o seu maior tesouro,
Pobre esse crente!

Outro religioso
Adora a Deus sob silícios e sofrimentos
Esquecido de que nesses momentos
Não se faz virtuoso

Quem ama Cristo
O faz por onde a prática da caridade
Se acentue como primado de verdade
De ser só isto.

Quem ama Deus
Ama no próximo a verdade absoluta
De que ama em meio a toda essa luta
A si e aos seus.


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

LIBERTE-SE DO QUE VOCÊ NÃO É

Liberte-se do que não é você. 
Aprenda a conviver com os enfeites, mas não desgrude a atenção ao que você é. 

O ouro e a prata de seus adereços; os títulos honoríficos que a alguns tanto soma; as riquezas materiais que sufocam as do espírito... tudo passa! 

Tudo que é matéria tem vida curta, fugaz... 
Eterno é o ser que você é. 

Não é preciso que se desfaça de tudo, mas necessário é impor-se diante do que é efêmero. 
Não se prenda às máscaras que alguns elegem como a ser íntimo do orgulho e da impiedade. 

Não finja; seja você onde quer que esteja. 
Não aja por conveniências para atender a certos requisitos de mera ocasião.  
Não procrastine o tempo de ser para valorizar o ter.
Não esqueça que o tempo é senhor da razão. Tudo nele é passageiro Tudo é transitório no mundo das coisas.  Eterno só é o ser que você é. 

Quando for hora de desembarcar desse veículo corpo, você notará, o que o véu de Isis lhe oculta, mas que a consciência racional lhe permite entender que tudo é empréstimo: até o corpo que você carrega, é algo temporário. 
Haverá de se despir/despedir-se dele e ser grato à existência que ele te permitiu ter. 

Por isso, agradeça tudo o que tem e tudo que lhe chegar às mãos nessa viagem que, por sinal, tem tempo de chegada e de partida. Tem começo e fim... 

 Mas não esqueça nunca: eterno só é o que você é: ânima, ser. 


 (nonato albuquerque escreveu)

domingo, 2 de agosto de 2020

PAVANA DE UM AMOR SENTIDO

se ao desencanto meu, tu te ausentares 
E por encanto a outro, me traíres, 
seja do amor-saudade os meus pesares; 
seja o pesar, tua dor quando partires 

se por acaso de outro te acercares.
caso com meus pesares, se desistires.
Não sendo a flor que perfuma meus ares 
nunca serás jardim em meus porvires. 

se por respeito, pensas estar comigo 
ou por piedade desejares, eu não quero
sai de minha vida, é o que mais imploro 

Pois onde há amor, há de haver amigo
que se propõe a ser sempre sincero  
se assim não o for, do teu amor deploro. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Sol no interior das almas

eu vejo o dia botar cor na manhã raiada;
derramar ouro por entre nuvens e calçadas;
com o vento a sacudir os cabelos das árvores.
É o sábado pedindo para se fazer presença.
Em meio à expectativa de nova caminhada.
Corre um burburinho nas ruas de gente miúda
zoando com outras, entre risos e brincadeiras,
que só os infantes conseguem ambientá-las.
Ao lado delas, amadurecidos de problemas,
Velhos se dirigem lentos à praça do Ferreira,
onde desmiolam conversas de outros tempos,
Porque o hoje, para eles, está aos pés do abismo.
Nos ônibus lotados vai gente pro trabalho,
ensimesmada em seus smarts e celulares.
Um pregador prega a dor de um Cristo imolado
E promete os céus a quem o servir na Terra.
O dia nasceu. A bola de ouro corre pelos céus
com sinal de vida e luz por toda essa cidade.
Eu aqui, com meus botões do notebook,
certifico que, também, há sol no interior das almas.

Apostas atraem esperança

APOSTAS ATRAEM ESPERANÇA
Nonato Albuquerque 29 julho 2014
É fato comum, entre os que fazem jogos de azar ,
apostarem na sorte que a outros ela bafeja;
e com essa ditosa glória de milionário, sonhar.
em ganhar o prêmio, qualquer valor que seja
Na verdade, as loterias dão ao homem um ar
de grandeza; de serem tudo o que se almeja
Afinal, até a hora do sorteio, vive-se a planejar
o sonho de ser no mundo, aquilo que se deseja
quem joga, aposta mesmo é na força venturosa
que é motivadora em nós dos grandes ideais
e que na Terra a todo ser humano alcança
Até o dia do sorteio, vive-se uma vida cor de rosa,
fazendo planos que o jogo alimenta mais,
com o bem que todos chamamos esperança.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

RETRATO FALADO DE UM HOMEM CHAMADO JESUS

 Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

 02 de Abril de 2015

Um excluído, cidadão de uns 33 anos, é preso, torturado e executado de forma arbitrária. Seu julgamento durou menos de 24 horas, entre a prisão e a morte, assistida por dezenas de pessoas. O crime pelo qual foi condenado não ficou bem definido. Há suspeitas de que ele vivia à margem da lei. Que pregou uma nova ordem social, na qual as pessoas deveriam viver no Bem, na Esperança e na Caridade.
Ousado, ele chegou a incitar as multidões a abandonarem os vícios e as maldades do ódio e da violência. Seus algozes o acusaram de andar em bando, com uma espécie de gangue que chegara a danificar um templo religioso, expulsando os comerciantes que, segundo ele, assaltavam o consumidor no peso e no no preço.
Preso pelas milícias oficiais, depois de várias tentativas frustradas, esse homem quase foi linchado pela multidão, a qual ele assistiu durante três sucessivos anos, ensinando regras de comportamento ético e de uma vida saudável para o corpo e para o espírito.
Foi a ajuda de um integrante de seu grupo, por meio do expediente da delação, que deu à polícia a chance de localizá-lo. Sua prisão não obedeceu a nenhum critério da lei ou respeito aos direitos humanos.
Sua identidade é bastante conhecida, mas há em torno dele um grande mistério. Partidários e até inimigos são unânimes em garantir que ele sempre se portou em favor dos pobres, doentes, assassinos, prostitutas e miseráveis, tendo anunciado a Justiça em defesa dos oprimidos.
Esse homem, sem residência fixa e cujo destino todos ignoravam, costumava atrair multidões às praças e aos logradouros onde pregava lições que jamais foram ouvidas da boca de alguém: o dever de amar os inimigos; esquecer pai e mãe para segui-lo; a promessa de um lugar no paraíso para os pobres de espírito; a igualdade dos povos e a sua filiação divina; a crença de que todos somos deuses, além de buscar fazer pelo outro aquilo que desejaríamos que nos fizessem.
Preso, torturado e executado em via pública, num local denominado Morro da Caveira, esse homem mereceu o registro maior de todas as violências.
Seu nome: Jesus.
Seu crime: ter amado a humanidade.
Texto de Nonato Albuquerque

sábado, 18 de julho de 2020

CAUSA E EFEITO

Sêo Neco de nhá Vicência,
nascido no pé de serra,
vei limitado pra guerra
dessa atual existência

Vei sem as mãos, o coitado
Pru mode atender pedido
de um erro adormecido
que ficou lá no passado.

Sinhô raivoso, pachola
Se apegou só ao dinheiro
e morreu na maió misera

Hoje, vive de esmola
Pra dar conta do herdeiro
Que manietou noutra era.

(inspirado em Cornélio Pires)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA


Fujão na mata, o escravo então liberto
Sente a necessidade de ausentar-se
e de coragem poder assim armar-se
para mostrar a outros, o rumo certo

vaga sem destino, por caminho incerto
medo de no encalço, vir a deparar-se
com capitão do mato para entregar-se
e voltar à senzala, fosse ele descoberto

um estampido se ouve, vindo em sua banda
o escravo cai e com enorme estranheza
se vê fora do corpo em uma outra forma.

Ao seu redor irmãos da antiga Luanda
A provarem a lei pétrea de toda Natureza
De que nada se perde, tudo se transforma.

OUTRO PÓDIO



Éramos bichos em figura de gente
Trancafiados em porões de navio
Vendidos por nada, vidas por um fio
Atados a grilhões de uma corrente

Vínhamos de longe, outro continente
A chorar nossas mágoas, no desvario
De um desencontro mais sombrio
Apartando nossa raça, nossa semente

Como animais fomos assim tratados
Por senhores de baraço e cutelo
A impor sobre nós sua raiva e ódio.

O tempo mudou e hoje transportados
A outra plagas, vemos que o flagelo
Da escravidão repousa em outro pódio.

sábado, 11 de julho de 2020

O ESPETACULAR CIRCO DA VIDA

A vida é um circo onde o palhaço sempre paga mico onde o trapezista vive em corda bamba pra se mostrar artista onde a bailarina tem que sempre ter corpo de menina que o engolidor de faca no fim da função não saia de maca e que todo mágico não termine a cena em um número trágico que no picadeiro o domador de fera seja seu guerreiro que o malabarista faça em seu ofício nada tão simplista e num bom vernáculo que o circo da vida seja um espetáculo e nessa conversa o circo parece a vida e vice-versa

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A lua na poça d'água

eu sei que, à noite, todos os gatos são pardos;
mas o que mais me inspira é ser da noite, a lua
que traça, ininterrupta e sempre, a mesma rota
como se tudo nos céus fosse de um mesmo hábito.

também entendo bem que a noite é uma criança,
mas nada disso me faz perder meu sono e sonhos.
eu vivo é da ilusão de não ser, de crer que não sou,
além do que eu sinto e do que eu desejo mais ter.

por isso, eu abro sempre a janela do meu computador
e escancaro bem o que o mundo mais parece ter:
rostos, marcas, palavras, imagens, sinais... fotografias.

eu sou parte desse tempo em que todos se inscrevem
para eterna idade, ainda que ninguém busque ver lá fora
o brilho da lua refletido na poça dágua sobre a rua.

NONATO ALBUQUERQUE

quinta-feira, 25 de junho de 2020

AURORA SEGUINTE - 25.JUNHO.2020


Ante o inimigo que, invisível, oculto,
Espreita o instante para logo te acercar
Reflete o tempo de aprendiz no culto
ao bem e não falhes nunca na hora H

Aprendestes a ser bom e sempre cultivar
O tesouro sagrado que para um inculto
Por não saber discernir, não tem como prezar
E reage à menor provação com um insulto

Há dias de contar os lucros e as vantagens
Há noites de mergulhar sós pesadelos
E lamentar na pouca sorte a desventura.

Mas creia, a aurora seguinte porá imagens
De esperanças muitas em que os modelos
Do bem retificarão as marcas da tortura.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

ALMA PURA DE POETAS


quarta-feira, 10 de junho de 2020

BAIXE A GUARDA


BAIXE A GUARDA

Eu não teria nada a dizer
Sobre o que você fez ou deixou de fazer
Pois só a você compete isso.
Mas eu teria muito que falar
Se você não se permitisse a ser como é
Humano, embora com falhas  

Eu gostaria de lhe mostrar
Que o mundo dos interesses pessoais,
Esse que estamos mergulhados
Está se esvaindo, se rachando ao meio
E é preciso evitar que, na queda,
Despenquemos abismo abaixo.

As causas de toda essa ruína
São os pilares em que se sustentam
As conveniências humanas
Permitindo a indelicadeza de trato,
O desrespeito e a alienação
Que ainda nos move a mente.

Em nossas palavras e atos
A voz do coração tem sido silenciada
E a despeito da racionalidade
Atribuímos o desamor, o ódio,
A inveja, a mentira e tudo mais
Que se torna lixo em nós mesmos.

Eu poderia nem estar falando
De coisas que você sabe e ao que parece
Teima em dar as costas
A vida é curta. A estrada é longa
E se não tiver paciência, acabará
Não sendo humano o seu proceder.

Baixe a guarda, segure a raiva
Deixe que a humildade adoce sua alma
E os frutos da mudança advirão.
Eu não sou nenhum perfeito,
Mas discípulo do bem, confesso
Busco a prática, nesse aprendizado.  

terça-feira, 9 de junho de 2020

O VOLATIL E O


A gente aqui, na eternidade,
Se dá conta quanto erramos
Imaginando ser a felicidade
o que temos ou o que herdamos

meninos, se ainda pensamos
Ser a vida boa, a da prosperidade
É que somente nós avaliamos
O que é volátil e não propriedade  

Asseguram-nos os novos mestres
Que a ordem das coisas correta
Não se restringe ao ter, mas ao ser

Porisso como se um extraterrestre
Proponho renove sua meta
de fazer o bem e assim melhor viver. 

OUTRAS VIDAS, NOVOS LAÇOS




A vida tem duas faces
Igual a toda moeda
As duas são entrelaces
De elevação e de queda

Uma convive nos ápices
Enquanto outra se hospeda
Em meio a dor dos trespasses
Que o mundo ainda lhe enreda

Escravocratas antigos
Carregam hoje em seus braços
os filhos de outras tormentas

Protegem assim inimigos
de outras vidas, nesses laços,
renovadas as vestimentas.

domingo, 31 de maio de 2020

AS MANHÃS DO DIA NOVO


In memorim ao Principe dos Poetas
  

Eu, príncipe, que outrora assim me vi
retorno ao lar de onde tudo se origina
E com a clareza cristalina, descobri
Que tudo o que aí começa, aí termina.

A vida maior difere de tudo, imagina
A vã filosofia que tantas vezes li.
É feita do que é simples e determina
Vencer o orgulho que anterior vivi.

Sábio não é quem diante da verdade,
Que fere suas idiossincrasias vãs,
Não reconheça e dê mão à palmatória

Permitam-me dizer que a eternidade
É só o fim da ponte onde as manhãs
Acordam o dia novo dessa outra história.

MOSAICOS ALEXANDRINOS

Sonhei hoje entrevistado dois nomes famosos das letras no Ceará. Permitam-me não revelar as identidades para preservaro que, imagino, tenha sido fruto desse encontro onírico. Ao acordar, o primeiro pensamento foi para um deles que, insistentemente, tomava meus pensamentos. E, depois do café da manhã, sentei-me aqui no computador e rabisquei esses versos que, inspirados, imagino sejam alexandrinos, 


MOSAICOS ALEXANDRINOS 

A lira do poeta antigo, abandonada fora
Por conta de arroubos que não vem ao caso
Motivos singulares que eu já vivi outrora
Mas que ao destino meu só a mim embaso

Quem apenas se ocupa com o aqui e agora
Não vive as razões dos doutos do parnaso
De comparar fazer versos como quem labora
Um ofício qualquer, sem litígio a dar aso.

Foi preciso a morte, mostrar essa clareza,
a quem se acha senhor de si nessa filáucia,
a realidade do ser é o que a vida ensina

os ouropéis da fama, não contam com certeza
a verdade mostra ao ser que toda audácia
de orgulho, basta a morte vir e ela termina.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O HOMEM PEIXE


Estou como um tripulante de um submarino.
No aguardo de ouvir da base as orientações de praxe
Para quando passar essa tempestade
Eu, novamente, possa voltar à terra firme.
Preciso recompor o equilíbrio da embarcação.
Ajustar a minha cota periscópica.
Ativar o sonar, momentaneamente desligado.
Buscar o norte de minha bússola,
afim de emergir para ver o mundo lá fora.
Vivo submerso há mais de dois meses.
circundando os estreitos corredores desse barco,
limitando-me a ver, ouvir e ter as mesmas coisas.
Às vezes me acalmo; às vezes, enlouqueço.
Para continuar mantendo-se assim,
em condições de submersão,
preciso é rever o tanque do lastro principal,
a todo instante.
Mas tenho saudades da vida lá fora.
Todo exílio contribui, muitas vezes,
para processos depressivos
que atormentam e nos deixam moralmente abalados.
O trânsito em espaços limitados,
configura-se, muitas vezes,
em difícil exercício de aprisionamento.
Logo eu, que sou alma livre,
marinheiro de requisitar portos e navegar mares.
Quando do comando lá fora,
ouvir que o tempo melhorou,
que a tormenta deixou de arregimentar
os mortos à sua passagem,
serei o primeiro a saltar fora do barco
e correr até a praia,
Vou com ânsias de abraçar a primeira pessoa
que me provar que, lá fora,
longe deste vasto mundo de água e sal
ao qual me recolhi em quarentena,
Torço para que o anzol da Vida normal
desça sobre esse abismo líquido
e pesque esse humano-peixe
em que acabei me transformando.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

VIDA IGUAL A VIDA


Das voltas que o mundo dá
Pro mundo que voltas tem
Eu sou quem fui e quem já
não vive entre vós também

Procuro não me mostrar
Pra não contrariar ninguém
Pois pode alguém me achar
Que um morto vida não tem

Eu canto em conto que aqui
Tem vida muita e a granel
que eu mesmo até me espanto

aqui se trabalha, se chora, se ri
e onde se pensa ser o céu
é vida igual a vida, eu garanto.   

domingo, 24 de maio de 2020

Ilumina ação


quinta-feira, 21 de maio de 2020

ontem, hoje, amanhã

quem dera 
fosse ontem 
o dia de amanhã
para que o hoje 
significasse 
as mudanças 
do futuro.

P DE POESIA_ CAPA E ESPADA


segunda-feira, 18 de maio de 2020

O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO

O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO
Nonato Albuquerque
O mundo começou em mim, arremata Moisés
depois de antologizar toda a gênese humana.
Tinha ele, pois, o D´us único, bem ali, aos pés.
E discorreu com palavras a essência do prana
O mundo terminará em mim, prega o evangelista
João, a quem coube na Terra ver o apocalipse
Esotérica leitura pela qual o homem avista
A mudança do planeta após o grande eclipse.
No meio deles, tu e eu, interligados estamos
Enquanto lá fora o mundo destrambelhado,
Confuso, rola como se fosse desabar no abismo.
Será que vai dar tempo vender o que compramos?
Ou será possível ficar, assim, ensimesmado,
Sabendo que amanhã finda todo esse esnobismo?