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quinta-feira, 22 de julho de 2021

G R A T I T U D E


Todo ouro do mundo 
não paga meu preço.

Não compra minha alma; 

não atrai meu coração.

A energia do meu amor 

é simplesmente gratuita 

Mas só a tem quem me for grato 

e viva toda afeição.  


Fortuna nenhuma conquista 

o meu livre pensar. Não admito. 

Meu coração se alimenta 

é de apreço e não de preço.

Minha alma só gravita 

em torno de almas de igual similitude. 

 

Por isso, eu e meu corpo 

só contabilizamos a graça de ser de graça 

a quem por gratitude nos conquiste. E assim sejam. 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Beatitude do ser pleno


Projeto em construção,  

todo indivíduo há de ser

humano enquanto cresce

desligando-se do seu eu.

 

A vida é uma passagem

que nos liga a dimensão

de origem, oceano de luz

onde todos mergulharemos.

 

A morte é apenas princípio

e não o fim como a vemos.

Ponte de uma intercessão. 

 

Quando atingir o Nirvana,

cada alma se sagrará

à beatitude do Ser pleno 

domingo, 11 de julho de 2021

PARA SE GANHAR ASAS DE ANJO



Eu sou íntimo dos anjos. Amigo.

Com eles brinco, com eles me educo. 

O espírito de uns sempre me renova 

com o de outros, apenas eu caduco 


Uma frase que ouvi deles outro dia,

me calou profundamente a alma. 

"Nunca avance no tempo, espere 

que ele te leva na bênção de sua calma". 


Outro me revelou um segredo 

que para se ganhar asas e ser anjo 

é preciso fazer curso aí na Terra.


 Quanto mais se faz o bem - me disse - 

provoca o surgimento delas 

e a etapa humana assim se encerra. 

ESPELHO MEU, ESPELHO MEU

 


O medo de mim mesmo, era tão real

que eu nunca quis me olhar num espelho.

Evito-os, como faz da cruz o ser do mal.

E não sigo de ninguém outro conselho .

 

É que meu olhar penetra de modo tal

as raízes do íntimo meu, de porte velho

que nele vejo cicatrizes minhas, sinal

de que fui mau e cometi um destrambelho.

 

Minha alma não tem a cara que carrego.  

Não é doce, nem amarga, pelo contrário

é alma sofrida, marcada a ferro e fogo.

 

Vivenciou apegos que hoje ainda me apego

Sempre a fugir do espírito gregário 

Que o espelho meu revela como um jogo. 

sábado, 10 de julho de 2021

OS QUE SÃO E PARECEM NÃO EXISTIREM

Eu sou a gota dágua  

vertida pela emoção do teu olhar,

naquele instante de emoção plena.

Sou o grito calado

ante o temor do futuro indesejável

que aperta a minha garganta.

Sou o estalar de dedos,

quando o nervosismo aperta

diante de alguma notícia ruim.

Sou a respiração arfante,

que aperta o peito

e deixa o meu coração na boca.

Sou todos esses instantes

Que ninguém conta e, infelizmente,

esquece como se nada fôssemos. 

sábado, 3 de julho de 2021

PENSANDO NAQUILO

Se me perguntas, por onde ando, 

responder-te-ei calmo e tranquilo

Que ando onde, como e quando 

Estou contigo a pensar só naquilo 


Se na distância, às vezes, eu desando 

a reclamar da ausência, é que vacilo 

por só querer estar contigo amando 

E por amor fazer naquilo, aquilo.  


Quando juntos somamos um apenas, 

ambicionamos chegar a sermos três

na matemática que o amor domina 


quero viver, ainda que a duras penas 

uma aventura como nunca se fez 

naquilo, aquilo que só o amor sublima.

[17:17, 03/07/2021] 

quarta-feira, 30 de junho de 2021

BONS TEMPOS (Nonato Albuquerque)

 


Bons tempos

aqueles em que os bares serviam Bob Dylan
regado a sabores de incenso indiano,
e onde levitávamos de uma mesa a outra
orbitados apenas por ser o que éramos...
Bons tempos
aqueles em que se adoçava o mel das palavras
com uma boa leitura de Pessoa ou citações
de Hesse, pinçadas de seu "Demian"
Bons tempos,
aqueles em que não odiávamos a violência
porque esse era mal domesticado
Bons tempos,
em que se dizia ao padre pecados nossos
que chocariam hoje de tão ingênuos que foram.

(30 de junho de 2015)

sábado, 26 de junho de 2021

OBJETO DE TORTURA

OBJETO DE TORTURA

 

O reino de Deus não é deste mundo,

Assim falou o profeta que tudo sabia.

que andou como vento

abrindo caminhos,

virando cabeças tão desinformadas.

 

Ensinava a partilhar a paz com todos 

e fazer da amizade sua grande valia. 

Em Cafarnaum,

projetou fenômenos

que a multidão ignara os tachou de magia.

Por onde ele andou deixou rastros de luz,

e a sua verdade

ambientou corações 

por semear o caminho, a verdade e a vida. 

Aos 33 anos de sua virtude, crucificaram-no 

numa cruz que inda hoje, 

muitos conduzem esse objeto de tortura.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

O LÍRIO

 

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    Tinha um lírio no meio das rosas
    que ornavam o féretro do menino
    uma faixa de adeus, versos e prosas
    tudo a lamentar seu cruel destino

    Lágrimas, lenços em mãos carinhosas
    que se apertavam enquanto o sino
    dolente, tangia as pessoas chorosas
    buscando na dor entender esse ensino
     
    Do lado de lá, onde a farsa não conta
    e a vida é constante em sua dimensão
    tem riso e festança por essa chegada
     
    É que a pátria das almas ali se desponta
    cada vez que o corpo se oculta no chão
    E a luz do que somos reinicia a jornada.  

terça-feira, 15 de junho de 2021

MEU ENCONTRO COMIGO MESMO

 Eu me encontrei hoje na rua

comigo. Dei um forte abraço
e relatei quanta saudade sua
tenho nas coisas que faço.
Contei da dificuldade que passo,
já que a pandemia continua
chutando almas pro espaço
que penso seja bem pra lá da Lua.
Pelo que deu pra ver, eu ando
bem. Estou com a pele boa
e um ar de bom sobrevivente
Mas ledo engano, pois quando
quis saber se tinha alguma pessoa
Me disse apenas que tinha eu, somente.
14:18 de 15.6 21

domingo, 6 de junho de 2021

POESIA_ À LORCA, A QUEM AMO

 À LORCA, A QUEM AMO

Nonato Albuquerque


As devotas mulheres de luto
pareciam orquestrar uma sinfonia de silêncio,
por onde se filtravam, na espessa luz do dia,
raios de sol por entre as crinas dos cavalos.
No obituário desse campo
lembranças. Uma expressão vazia de tristeza,
por entre os véus negros que anulavam aos olhos
dos passantes, a verdadeira face de quem chora.
Um mocho pia numa tumba próxima
Um grito escapa de uma buzina atordoada
Badaladas do sino encomendam um anjo
Que é transportado num caixão azul celeste.
Almas destemperadas de vida alguma
Sonumbáticas formas de revelar o passado
Que eu vivi em minha Acopiara, muito antes
De sair para o mundo e só viver saudades

sexta-feira, 4 de junho de 2021

a força que o amor faz

 Minhas mãos, magnetizadas por teu corpo,

traçam nele caminhos de carícias

afortunando-me a essa íntima comunhão

 

É que tens aura serena, vestígio do pretérito

Em que vidas comuns, comungadas

Se alimentam ao sabor desse êxtase.

 

Quando adentramos esse território sonho

Onde a alma se liberta

E se plenifica, alcançamos a liberdade.

 

Nosso silêncio fala mais que nossas vozes

E um doce canto de amor

Nos envolve, returbinando nossa força.

domingo, 30 de maio de 2021

A SOMBRA DA FALTA DE DEUS

O incognoscível

anda comigo

o tempo todo.

 

Semelhante é

a uma fogueira

com luz e calor.

 

Quando dou

às costas a ele,

eu me esfrio

 

e à minha frente

enorme sombra

se derrama inteira.

 


sábado, 22 de maio de 2021

A E I O U

 


Na vida eu já fui ‘hacker’,

Tive “hecks” de loucura

Me achei rico de aventura

Que devo a Rock Hudson.

 

Serei sábio, sendo servo

Silvícola, soldado, surdo

Nave que navega em neve

Nívia novidade nuvem.

 

Do vale verde que avisto

Vozes ouço assim avulso

Vindas quem sabe do além.

 

Santo de selva não silva

Sol que não arde não sua

Por isso, eu só digo amém.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

NOSSA SAUDOSA MEMÓRIA DE OUTROS TEMPOS

Os tempos mudaram. Os homens e o mundo. É coisa do tempo. Que sempre avança. Alterando as coisas e mudando as pessoas.

Tempos de tecnologia de ponta. Que nos aponta o caminho fácil de se fazer as coisas. . Onde temos tudo na palma da mão. Nosso guia é o celular. Que nos liga a tudo e a todos. Que ajuda a pagar nossas contas. Às compras de casa. Facilitando a vida num minuto.

Mas enquanto evoluímos nesse lado, perdemos algumas gratas conquistas. Antes, a gente sabia de cor e salteado os números dos telefones da família, do trabalho, dos amigos e até de serviços que nos são úteis em tempos de necessidade.

Hoje a nossa memória mal sabe o número do nosso celular. E com isso, vamos esquecendo não só os números, mas os nomes, as ruas, as caras, os afetos e o saber que um dia nossa era a memória, que hoje exportamos para o celular que mudou o homem e o mundo. E a nossa história. PENSE NISSO.

QUEM BATE A ESSA HORA?!

QUEM BATE A ESSA HORA? 


Quem bate a essa hora?

Diz o interno, no abrigo,

onde vivos de outrora

vivem à falta de um amigo.


Se for rico ou for mendigo

seja bemvindo, ora, ora!

por companhia, eu digo

ninguém pode dormir fora.


Alguém vai até a entrada

abre a porta e se depara

com visão mais que sem sorte


É a maldita. a desgraçada!

que ninguém quer ver a cara

dessa tal senhora morte.


quarta-feira, 19 de maio de 2021

FLOR DE LÍS

Se me quer ser o bem que sempre diz

faça com que esse amor tenha apreço

e por mais caro que seja esse seu preço

Que ele nos faça bem muito mais feliz

 

A gente se quer bem desde o começo

quando descobri ser você a flor de lís

que no jardim do coração sempre quis

Para ser na vida minha, esse adereço.

 

Amanhã, quando formos só lembrança

E o mundo recontar a nossa história

Que seja bela como é todo nosso encanto

 

Pois o que somos, só no amor se alcança

A altitudes celestiais de glória

céu de luz que transporto a esse canto.


domingo, 9 de maio de 2021

A mensagem do anjo

Um caçador na mata

pega a arma, faz mira e atira pra cima.  

Acerta num anjo que volitava na ocasião,

conduzindo uma mensagem do Alto

para que as criaturas tomassem ciência.

 

O anjo cai na terra

e se despedaça em partes pelo caminho

onde um poeta, embriagado de sonhos,

pega suas asas e evade-se com elas

assumindo a identidade daquele mensageiro.

 

Os anos se foram

para onde nunca soube dizer e, atualmente,

o jovem é um senhor da quarta idade

com um par de asas, memória desse anjo

que um dia trouxe uma mensagem à Terra

 

Os que o visitam

em sua morada, querem saber do ancião

acerca da mensagem que o anjo dizia trazer.

Mas o velho se nega e diz que só os eleitos

podem acessar o escrito das mãos do Senhor.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

PELAS MÃOS DA CIÊNCIA

 PELAS MÃOS DA CIÊNCIA

(Nonato Albuquerque, de quarentena in 8.4.2020)
Há quanto tempo, eu não chorava com imagens
como as que assisti vendo cidades combalidas.
Milhares de chineses em silenciosas homenagens
aos que tiveram as vidas de seu povo interrompidas.
As dores minhas são as dores d´outras paragens,
por conta do vírus que deixa cidades destruídas.
Que matam idosos, sustam o comércio e as viagens
afetam pessoas, entre as ricas e as mais desprovidas
O mundo nunca passou por algo igual. Semelhante
apenas às eras da peste negra e a gripe espanhola,
quando muitos pereceram por falta de assistência.
Hoje, com tudo globalizado, se torna importante
fugir do abraço, do beijo. Não ir à rua, nem a escola.
Só rezar! Que a salvação virá pelas mãos da Ciência.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

SALADA DE FRUTAS



segunda-feira, 5 de abril de 2021

ENFIM, NÓS

Enfim, nós

separados depois de uma vida boa

aqui a sós

quando já não me sinto mais Pessoa. 

 

Enfim, sós

amanhecido em outros novos planos,

com os nós

da carne desatados após tantos anos.

 

Somos, enfim

O que éramos quando assim

já fomos

 

um pedaço de mim

ficou em ti como nós dois 

supomos.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

ALMA VERTICALIZADA NO INFINITO

ODE A LAURO RUIZ DE ANDRADE


Na vida, minha luta constante

foi para que na hora da morte

meu corpo fosse num instante

plantado em pé, em alto porte

 

No fim, ao tentar o passaporte

para a vida eterna e triunfante

Nem como cobaia tive a sorte

De ser no projeto, executante

 

A vida de todos é a passagem

 que o ‘pessach’ judeu lembra

na fuga desse povo do Egito.

 

Na morte, me tornei visagem.

Liberta, a alma se desmembra

a verticalizar-se no infinito


Próximo dia completa 110 anos do poeta Lauro César Ruiz de Andrade, escritor e colaborador de O Povo e que defendeu a ideia de um cemitério ecológico, onde os corpos seriam enterrados na vertical, plantando sementes de árvores que teriam o nome do ausente.