Quando através do sono nos libertamos temporariamente do escafandro corporal, volitamos por entre a dimensão do eu mais puro e visualizamos cenas que, geralmente, só os sonhos conseguem externar. É do substrato desses sonhos - e da criação poética - que se constitui este diário, revelando a incrível magia da dimensão da espiritualidade.
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sábado, 1 de julho de 2023
segunda-feira, 26 de junho de 2023
ESPORTES. Narrador acusado de "torcer" por um dos times
Vira e mexe, ouve-se falar de narrador ou comentarista que, em uma partida de um futebol, tenham puxado mais por um time do que o outro. Mas nunca ao ponto de virar manchete como a relacionada ao jogo entre o Flamengo e o Santos, no qual o time carioca venceu por dois a um, nesse domingo.
O narrador Everaldo Marques precisou se explicar após ser acusado por parte da torcida santista de estar apoiando o Rubro-Negro durante a transmissão. Na ocasião, Everaldo Marques narrou a partida usando bordões como: “Vamos, Flamengo” e “Vai, Santos”. Com isso, os torcedores da equipe paulista questionaram o porquê de o narrador não usar o mesmo termo para os dois times.
Na Coluna do Fla, nesta segunda, a gente acompanha essa notícia com a citação de que o jornalista se explicou: “Algumas torcidas usam o ‘vamos’, de um jeito muito forte – cantos, gritos de guerra, etc… fazer essas pequenas adaptações gera uma identificação maior por parte do torcedor e a repercussão até agora tem sido positiva. Não custa nada”, disse Everaldo.
quinta-feira, 15 de junho de 2023
PARTO DE JUSTIÇA
Morreu de morte
matada
como se diz
geralmente,
numa atabalhoada
ação da PM e sua gente
Foi pária de vida
errada
danou-se feito a
mulesta
até ser pontofinalizada
dando um basta a essa "festa".
Noutra cena e figurino
nosso morto é
avisado
da volta à vida
futura
Renasce outra vez menino
por PMs é ajudado
no parto numa viatura
segunda-feira, 12 de junho de 2023
O POETA VIVE
Um fantasma maluvido
desses que se acham a mil
tentou muito ser ouvido
num terrerim do Brasil.
Catou un versim sofrido
no centro ninguém o viu
e sem lhe darem sentido
mandou-os à mãe que pariu
Agora resolvi acercar-te
Pra dizer que essa é a hora
de mostrar-me que tô ativo.
Continuo amando a arte
e sou bem melhor agora
do que fui quando era "vivo".
DE VERSOS QUE O AMOR VERSA
a folha virgem,
deitada sob uma prancha,
aguarda o ansiado instante
de receber seu amante,
o lápis pontiagudo.
da mesma origem
o par então se deslancha
no rito de todo amante
que é o mais relevante
em tudo, tudo por tudo
é quando começa
o parto dessa outra vida;
a musa que move o verso
sorve de todo universo
seu poema acetino.
tatuando essa peça
a arte com a mágica lida.
o lápis deita na folha
e sua verve desfolha
como coisa do destino.
são de versos e saudades
que se propõe esse parto;
da criação e criatura
num poema que até cura
a mais terrível doença.
Cosmos, países, cidades
amantes, por todos lados
do amor, em benefício
da arte e desse ofício
rezam por essa crença
mestres e aprendizes
todos seguem essa trilha
pois que o amor é bendito
quando faz tudo bonito
no coração ofegante.
de ingrediente é preciso
encanto, encontro, partilha;
pra que o sabor apurado
tenha um bom resultado
valorize o poeta amante.
O AMOR TUDO CURA
Um anjo falou comigo
mas não quis ser nominado.
Sei que era anjo, amigo
por ser ele assexuado.
No vale aonde resido
só tem criaturas boas
umas dizem ter vencido
o mal de outras pessoas
Mel de engenho e bagaço
tudo aqui é separado
preservando sua mistura
Pois quem foi de baraço
e de cutelo ou pau mandado
sabe que o amor tudo cura.
DE PARTIDAS E CHEGADAS
Com enfeites e estandartes
lembrando os dias de reis
Larguei tudo o que era artes
Pra adentrar a esse reino
Das mãos eu fiz bacamartes
Comparando meia dúzia e seis
Querendo ser um Descartes
Como se um atleta sem treino
Hoje desprendido de tudo
Passei um tempo surdo e mudo
Sem escrever nenhum risco
É que a mudança foi um tombo
No qual me tomei de assombro
Ao ver que ainda sou Francisco.
sexta-feira, 9 de junho de 2023
FRATERNITUDE
Nonato Albuquerque 9.6.23
A fraternitude de uns
poucos nesse mundo
celebra-se sob o ardor de um
gesto amigo.
Do auxílio a quem se acha em
um segundo
com a vida presa a um
acidental perigo.
No instante em que um amargor
profundo
no peito em tormentas busca
abrigo,
a alma se entristece e o pano de fundo
assemelha-se ao morto em
busca de um jazigo
Ah dor profunda, essa mágoa que se enlaça
no coração deixando o corpo
em frangalhos
como se não houvesse uma outra alternativa
Morre-se aos poucos, em meio a essa desgraça
de achar que a árvore da vida
decepou seus galhos
e que a raiz profunda, não pede mais que viva.
quinta-feira, 8 de junho de 2023
BALADA DAS MÃOS
BALADA DAS MÃOS
sexta-feira, 2 de junho de 2023
Chá das 5 às 8
belos e feios, um dia
se reuniram em um chá das cinco
quando já passava das oito
no relógio da matriz.
Era tanta gente feia,
mal vestida, sem nenhum porte
que a vizinhança pra vê-la
se debruçava à janela.
ninguém até hoje
soube dizer de onde partiu
o convite para esse horrendo baile,
contam os menos feios
que deva ter sido criação
do autor desses versos. Eu.
DE PESSADELO E DE SONHO
Todos estamos vivos! Gritou a voz
Entrecortando o silêncio que jazia
No átrio da catedral onde todos nós
Esperávamos a ajuda de um guia
Todos estamos vivos! Ainda dizia
Quando batemos com os nós
Dos dedos e a porta não se abria
Deixando-nos em um medo atroz
Foi quando alguém calmamente
o nosso corpo sacolejou
E acordamos do susto medonho
Como é misteriosa a mente
Que adormeceu e acordou
De um pesadelo ou de um sonho
quarta-feira, 24 de maio de 2023
domingo, 21 de maio de 2023
UMA FORTALEZA SAUDADE
UMA FORTALEZA SAUDADE
Por Nonato Albuquerque
(in memoriam à Jáder de Carvalho)
O olhar de menino do interior,
que a cidade alcovitou um dia
adormeceu uma paisagem
de terra, água, amor e muito mar.
No porto onde naus descansam,
meu olhar desejou ser um navio
e singrar os sete mares do mundo
sem choro, medo e sem adeuses.
Não ia dizer nada a minha mãe,
que desligado o meu umbigo,
mantém aprisionado meu coração
com receio desse meu outro destino.
Nas areias do Mucuripe, flagro
ainda o menino já descalço
à sombra de um carvalho nome
poetando versos, vozes e (en)cantos.
Um dia, eu navio de mim mesmo,
velejei no mar da Vida a outro porto
onde vim jornalistar esse outro lado
que é o lado de lá, do lado mar.
O céu que os padres me vendiam
é lugar de trabalho, sem descanso,,
sem necessidades de indulgência,
nem petitório aos protetores santos.
Náufrago dessa enseada de luz
vejo surpreso, navios já cansados
atracarem neste porto, sem aviso
aos lenços em aceno de saudades.
Que a terra bárbara onde eu vivi
um tempo bom, bom tempo tenha;
e que o farol do mediúnico estafeta
brilhe com essa fortaleza saudade.
sexta-feira, 19 de maio de 2023
MEU REINO POR... UM CAFÉ E UM BOM LIVRO
Meu reino por um cavalo,
Virando a página do tempo,
quarta-feira, 3 de maio de 2023
RESGATE inspirado por Ciro Costa
Nas vagas noturnas, por onde o mar ressoa,
a nau dos infelizes avança, ganha espaço
transporta ao horizonte de uma nova coroa
vidas roubadas à custo de cutelo e baraço.
Da África berço mãe, que é o seu leito regaço,
os filhos dessa terra em galés se amontoa
respirando o acre do azedume e do bagaço
que lhe servem de alimento na líquida insoa
Quem de haveres do passado, essa lembrança
guarda para refletir no outro lado do espelho
que a roda do tempo, em outros dias, deslinda?
Os donos desses escravos hoje estão na dança
que as vidas mal vividas recebem a conselho
de resgatarem o mal feito por essa dívida ainda.
CC / 3.5.23
terça-feira, 18 de abril de 2023
POESIA: ODE A GILMAR
ODE À GILMAR
sábado, 15 de abril de 2023
O mouro morto do velho Tejo
Ó grandioso e majestosíssimo mar
de onde espelho este céu
que hoje mourejo,
nas cercanias do Porto vivi eu
levando o barco
de meu corpo ao velho Tejo.
Quem pra desmentir o que sou
Se estou sendo?
A JÓIA
O sonho da casa minha invadida
Por ricos
interessados em uma jóia
Me leva a imaginar
Que deva estar próxima
Uma perda maior em minha vida.
A CHAGA DE TODA ALMA
Na madureza efêmera dos meus dias
Sabedoria é lucro, disciplina método.
sei avaliar bem quanto tudo isso custa
sem me maldizer dos erros exercidos.
Das amizades muitas, somei milhares
das que me ensinaram fé e esperança;
a prática do que aprendi me robustece
e me dá sentido para enfrentar a morte.
Do passado, saberei evitar o velho bordão
de achar que bom eram os outros tempos
qundo o presente é o ganho do que fomos
viver, nesse modesto meu entendimento
é sublimar o divino acima do mais profano
e dominar o medo, a chaga de toda alma.
(15.4.23)
segunda-feira, 10 de abril de 2023
POESIA PARA UMA LOIRA DESPOSADA DO SOL QUE ANIVERSARIA
FORTALEZA297.COM.CE
Nonato Albuquerque
Fortaleza,
cidade ponto com
De tribos
muitas,
Com/unidades
tantas;
Idades
comuns quantas se achem
por suas
ruas apinhadas de carros muitos
Fortaleza de
caras e bocas
a ponto de
cantar
e contar
estórias de seu povo.
Karmas e
loucas, brancos guerreiros
Bulinando as
iracemas de nossa beira mar.
Fortaleza
ponto com sumo,
consumida
Por quem se
agita
nas praias
de sol(bemol)aradas
Sintonia do
canto, do conto, do quanto
amo, do cais
do porto à barra da tua saia.
Fortaleza,
cidade ponto comedida
Medida de
alto a baixo,
Compro
metida com seu tempo,
sem planos
pro passado
No espaço
verticalizado onde habitamos.
Cidade de
idade nova,
novidade
velha
É teu logo
que logo vem à nossa mente
‘Loira
desposada do sol’
cidade
ardente de luz
Que induz
desejos ponto com somente.
Fortaleza de
pontos com
ver gentes
Urbana
metrópole, suburbana cara
Trafegamos
contigo por esse mar
De carros e
carros e carros e mais carros.
Neste novo
dia de tu mudar de idade
Queremos é
ter na mente,
eternizar-te
tatuando no
baobá enorme do Passeio
o coração de
amante
dessa bem
amada, a/mor/cidade.
sábado, 8 de abril de 2023
Compreendida, a morte é terna.
Todo começo
leva a um fim.
Do mesmo
modo
que todo fim
é certeza de começo.
A morte, por
exemplo.
Funciona à
semelhança de uma semente,
Que se enterra
para que dela
Se prestigie
toda uma colheita.
A morte,
pensada assim, não existe.
É o começo de
outra vida.
Compreendida, a morte é terna.
sexta-feira, 7 de abril de 2023
CRÔNICA DE 1990. 'Os que foram pegos pra Cristo'
LEITURAS. Um texto sobre os que foram pegos pra Cristo
Era uma quarta feira de abril. 1990. Redação apressando o fechamento de O Povo para a edição da sexta feira santa. O
editor do Vida & Arte, Miguel Macedo (de tanta querência nossa) nos contou
estar um espaço enorme vago que precisava ser preenchido. E ele não tinha mais
nenhuma matéria de gaveta. O segundo caderno fechava mais cedo, meio dia
na redação. E eu disse: deixa eu me sentar aqui à máquina e vou tentar um texto
sobre a semana santa.
Surpreendendo até mesmo aos meus 30
anos de idade, "recebi" em poucos minutos esse texto, que consigo
resgatar junto ao Arquivo de O Povo. Eu me lembro que, na Câmara
Municipal, um vereador chegou a citá-lo pedindo à presidência que se fizesse a
transcrição nos autos do dia.
Imprressionante, também, ele está
atualíssimo, passado todo esse tempo.
sábado, 1 de abril de 2023
DOR, SEMENTE ABENÇOADA
Ai de quem vive a dor por descaminho
na estrada árdua
que a vida lhe impõe.
Não tira
proveito e lança em desalinho
A alma
insigne que a tudo se expõe
Cada passo
que se fizer nesse caminho
é semente bendita
que logo se recompõe
Em fruto
abençoado, como se faz ao vinho
A uva
trabalhada no sumo que a compõe
Quem dera entendesse cada ser humano
que o bem sofrer a tudo nos transforma
E nos conduz a páramos celestiais de luz
Não que se intente
em masoquista plano
Mas ao captar a dor dessa notável forma
define-se o puro amor que dela fez Jesus.











