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segunda-feira, 20 de julho de 2020

RETRATO FALADO DE UM HOMEM CHAMADO JESUS

 Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

 02 de Abril de 2015

Um excluído, cidadão de uns 33 anos, é preso, torturado e executado de forma arbitrária. Seu julgamento durou menos de 24 horas, entre a prisão e a morte, assistida por dezenas de pessoas. O crime pelo qual foi condenado não ficou bem definido. Há suspeitas de que ele vivia à margem da lei. Que pregou uma nova ordem social, na qual as pessoas deveriam viver no Bem, na Esperança e na Caridade.
Ousado, ele chegou a incitar as multidões a abandonarem os vícios e as maldades do ódio e da violência. Seus algozes o acusaram de andar em bando, com uma espécie de gangue que chegara a danificar um templo religioso, expulsando os comerciantes que, segundo ele, assaltavam o consumidor no peso e no no preço.
Preso pelas milícias oficiais, depois de várias tentativas frustradas, esse homem quase foi linchado pela multidão, a qual ele assistiu durante três sucessivos anos, ensinando regras de comportamento ético e de uma vida saudável para o corpo e para o espírito.
Foi a ajuda de um integrante de seu grupo, por meio do expediente da delação, que deu à polícia a chance de localizá-lo. Sua prisão não obedeceu a nenhum critério da lei ou respeito aos direitos humanos.
Sua identidade é bastante conhecida, mas há em torno dele um grande mistério. Partidários e até inimigos são unânimes em garantir que ele sempre se portou em favor dos pobres, doentes, assassinos, prostitutas e miseráveis, tendo anunciado a Justiça em defesa dos oprimidos.
Esse homem, sem residência fixa e cujo destino todos ignoravam, costumava atrair multidões às praças e aos logradouros onde pregava lições que jamais foram ouvidas da boca de alguém: o dever de amar os inimigos; esquecer pai e mãe para segui-lo; a promessa de um lugar no paraíso para os pobres de espírito; a igualdade dos povos e a sua filiação divina; a crença de que todos somos deuses, além de buscar fazer pelo outro aquilo que desejaríamos que nos fizessem.
Preso, torturado e executado em via pública, num local denominado Morro da Caveira, esse homem mereceu o registro maior de todas as violências.
Seu nome: Jesus.
Seu crime: ter amado a humanidade.
Texto de Nonato Albuquerque

sábado, 18 de julho de 2020

CAUSA E EFEITO

Sêo Neco de nhá Vicência,
nascido no pé de serra,
vei limitado pra guerra
dessa atual existência

Vei sem as mãos, o coitado
Pru mode atender pedido
de um erro adormecido
que ficou lá no passado.

Sinhô raivoso, pachola
Se apegou só ao dinheiro
e morreu na maió misera

Hoje, vive de esmola
Pra dar conta do herdeiro
Que manietou noutra era.

(inspirado em Cornélio Pires)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA


Fujão na mata, o escravo então liberto
Sente a necessidade de ausentar-se
e de coragem poder assim armar-se
para mostrar a outros, o rumo certo

vaga sem destino, por caminho incerto
medo de no encalço, vir a deparar-se
com capitão do mato para entregar-se
e voltar à senzala, fosse ele descoberto

um estampido se ouve, vindo em sua banda
o escravo cai e com enorme estranheza
se vê fora do corpo em uma outra forma.

Ao seu redor irmãos da antiga Luanda
A provarem a lei pétrea de toda Natureza
De que nada se perde, tudo se transforma.

OUTRO PÓDIO



Éramos bichos em figura de gente
Trancafiados em porões de navio
Vendidos por nada, vidas por um fio
Atados a grilhões de uma corrente

Vínhamos de longe, outro continente
A chorar nossas mágoas, no desvario
De um desencontro mais sombrio
Apartando nossa raça, nossa semente

Como animais fomos assim tratados
Por senhores de baraço e cutelo
A impor sobre nós sua raiva e ódio.

O tempo mudou e hoje transportados
A outra plagas, vemos que o flagelo
Da escravidão repousa em outro pódio.

sábado, 11 de julho de 2020

O ESPETACULAR CIRCO DA VIDA

A vida é um circo onde o palhaço sempre paga mico onde o trapezista vive em corda bamba pra se mostrar artista onde a bailarina tem que sempre ter corpo de menina que o engolidor de faca no fim da função não saia de maca e que todo mágico não termine a cena em um número trágico que no picadeiro o domador de fera seja seu guerreiro que o malabarista faça em seu ofício nada tão simplista e num bom vernáculo que o circo da vida seja um espetáculo e nessa conversa o circo parece a vida e vice-versa

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A lua na poça d'água

eu sei que, à noite, todos os gatos são pardos;
mas o que mais me inspira é ser da noite, a lua
que traça, ininterrupta e sempre, a mesma rota
como se tudo nos céus fosse de um mesmo hábito.

também entendo bem que a noite é uma criança,
mas nada disso me faz perder meu sono e sonhos.
eu vivo é da ilusão de não ser, de crer que não sou,
além do que eu sinto e do que eu desejo mais ter.

por isso, eu abro sempre a janela do meu computador
e escancaro bem o que o mundo mais parece ter:
rostos, marcas, palavras, imagens, sinais... fotografias.

eu sou parte desse tempo em que todos se inscrevem
para eterna idade, ainda que ninguém busque ver lá fora
o brilho da lua refletido na poça dágua sobre a rua.

NONATO ALBUQUERQUE

quinta-feira, 25 de junho de 2020

AURORA SEGUINTE - 25.JUNHO.2020


Ante o inimigo que, invisível, oculto,
Espreita o instante para logo te acercar
Reflete o tempo de aprendiz no culto
ao bem e não falhes nunca na hora H

Aprendestes a ser bom e sempre cultivar
O tesouro sagrado que para um inculto
Por não saber discernir, não tem como prezar
E reage à menor provação com um insulto

Há dias de contar os lucros e as vantagens
Há noites de mergulhar sós pesadelos
E lamentar na pouca sorte a desventura.

Mas creia, a aurora seguinte porá imagens
De esperanças muitas em que os modelos
Do bem retificarão as marcas da tortura.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

ALMA PURA DE POETAS


quarta-feira, 10 de junho de 2020

BAIXE A GUARDA


BAIXE A GUARDA

Eu não teria nada a dizer
Sobre o que você fez ou deixou de fazer
Pois só a você compete isso.
Mas eu teria muito que falar
Se você não se permitisse a ser como é
Humano, embora com falhas  

Eu gostaria de lhe mostrar
Que o mundo dos interesses pessoais,
Esse que estamos mergulhados
Está se esvaindo, se rachando ao meio
E é preciso evitar que, na queda,
Despenquemos abismo abaixo.

As causas de toda essa ruína
São os pilares em que se sustentam
As conveniências humanas
Permitindo a indelicadeza de trato,
O desrespeito e a alienação
Que ainda nos move a mente.

Em nossas palavras e atos
A voz do coração tem sido silenciada
E a despeito da racionalidade
Atribuímos o desamor, o ódio,
A inveja, a mentira e tudo mais
Que se torna lixo em nós mesmos.

Eu poderia nem estar falando
De coisas que você sabe e ao que parece
Teima em dar as costas
A vida é curta. A estrada é longa
E se não tiver paciência, acabará
Não sendo humano o seu proceder.

Baixe a guarda, segure a raiva
Deixe que a humildade adoce sua alma
E os frutos da mudança advirão.
Eu não sou nenhum perfeito,
Mas discípulo do bem, confesso
Busco a prática, nesse aprendizado.  

terça-feira, 9 de junho de 2020

O VOLATIL E O


A gente aqui, na eternidade,
Se dá conta quanto erramos
Imaginando ser a felicidade
o que temos ou o que herdamos

meninos, se ainda pensamos
Ser a vida boa, a da prosperidade
É que somente nós avaliamos
O que é volátil e não propriedade  

Asseguram-nos os novos mestres
Que a ordem das coisas correta
Não se restringe ao ter, mas ao ser

Porisso como se um extraterrestre
Proponho renove sua meta
de fazer o bem e assim melhor viver. 

OUTRAS VIDAS, NOVOS LAÇOS




A vida tem duas faces
Igual a toda moeda
As duas são entrelaces
De elevação e de queda

Uma convive nos ápices
Enquanto outra se hospeda
Em meio a dor dos trespasses
Que o mundo ainda lhe enreda

Escravocratas antigos
Carregam hoje em seus braços
os filhos de outras tormentas

Protegem assim inimigos
de outras vidas, nesses laços,
renovadas as vestimentas.

domingo, 31 de maio de 2020

AS MANHÃS DO DIA NOVO


In memorim ao Principe dos Poetas
  

Eu, príncipe, que outrora assim me vi
retorno ao lar de onde tudo se origina
E com a clareza cristalina, descobri
Que tudo o que aí começa, aí termina.

A vida maior difere de tudo, imagina
A vã filosofia que tantas vezes li.
É feita do que é simples e determina
Vencer o orgulho que anterior vivi.

Sábio não é quem diante da verdade,
Que fere suas idiossincrasias vãs,
Não reconheça e dê mão à palmatória

Permitam-me dizer que a eternidade
É só o fim da ponte onde as manhãs
Acordam o dia novo dessa outra história.

MOSAICOS ALEXANDRINOS

Sonhei hoje entrevistado dois nomes famosos das letras no Ceará. Permitam-me não revelar as identidades para preservaro que, imagino, tenha sido fruto desse encontro onírico. Ao acordar, o primeiro pensamento foi para um deles que, insistentemente, tomava meus pensamentos. E, depois do café da manhã, sentei-me aqui no computador e rabisquei esses versos que, inspirados, imagino sejam alexandrinos, 


MOSAICOS ALEXANDRINOS 

A lira do poeta antigo, abandonada fora
Por conta de arroubos que não vem ao caso
Motivos singulares que eu já vivi outrora
Mas que ao destino meu só a mim embaso

Quem apenas se ocupa com o aqui e agora
Não vive as razões dos doutos do parnaso
De comparar fazer versos como quem labora
Um ofício qualquer, sem litígio a dar aso.

Foi preciso a morte, mostrar essa clareza,
a quem se acha senhor de si nessa filáucia,
a realidade do ser é o que a vida ensina

os ouropéis da fama, não contam com certeza
a verdade mostra ao ser que toda audácia
de orgulho, basta a morte vir e ela termina.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O HOMEM PEIXE


Estou como um tripulante de um submarino.
No aguardo de ouvir da base as orientações de praxe
Para quando passar essa tempestade
Eu, novamente, possa voltar à terra firme.
Preciso recompor o equilíbrio da embarcação.
Ajustar a minha cota periscópica.
Ativar o sonar, momentaneamente desligado.
Buscar o norte de minha bússola,
afim de emergir para ver o mundo lá fora.
Vivo submerso há mais de dois meses.
circundando os estreitos corredores desse barco,
limitando-me a ver, ouvir e ter as mesmas coisas.
Às vezes me acalmo; às vezes, enlouqueço.
Para continuar mantendo-se assim,
em condições de submersão,
preciso é rever o tanque do lastro principal,
a todo instante.
Mas tenho saudades da vida lá fora.
Todo exílio contribui, muitas vezes,
para processos depressivos
que atormentam e nos deixam moralmente abalados.
O trânsito em espaços limitados,
configura-se, muitas vezes,
em difícil exercício de aprisionamento.
Logo eu, que sou alma livre,
marinheiro de requisitar portos e navegar mares.
Quando do comando lá fora,
ouvir que o tempo melhorou,
que a tormenta deixou de arregimentar
os mortos à sua passagem,
serei o primeiro a saltar fora do barco
e correr até a praia,
Vou com ânsias de abraçar a primeira pessoa
que me provar que, lá fora,
longe deste vasto mundo de água e sal
ao qual me recolhi em quarentena,
Torço para que o anzol da Vida normal
desça sobre esse abismo líquido
e pesque esse humano-peixe
em que acabei me transformando.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

VIDA IGUAL A VIDA


Das voltas que o mundo dá
Pro mundo que voltas tem
Eu sou quem fui e quem já
não vive entre vós também

Procuro não me mostrar
Pra não contrariar ninguém
Pois pode alguém me achar
Que um morto vida não tem

Eu canto em conto que aqui
Tem vida muita e a granel
que eu mesmo até me espanto

aqui se trabalha, se chora, se ri
e onde se pensa ser o céu
é vida igual a vida, eu garanto.   

domingo, 24 de maio de 2020

Ilumina ação


quinta-feira, 21 de maio de 2020

ontem, hoje, amanhã

quem dera 
fosse ontem 
o dia de amanhã
para que o hoje 
significasse 
as mudanças 
do futuro.

P DE POESIA_ CAPA E ESPADA


segunda-feira, 18 de maio de 2020

O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO

O PRINCÍPIO, O FIM E O MEIO
Nonato Albuquerque
O mundo começou em mim, arremata Moisés
depois de antologizar toda a gênese humana.
Tinha ele, pois, o D´us único, bem ali, aos pés.
E discorreu com palavras a essência do prana
O mundo terminará em mim, prega o evangelista
João, a quem coube na Terra ver o apocalipse
Esotérica leitura pela qual o homem avista
A mudança do planeta após o grande eclipse.
No meio deles, tu e eu, interligados estamos
Enquanto lá fora o mundo destrambelhado,
Confuso, rola como se fosse desabar no abismo.
Será que vai dar tempo vender o que compramos?
Ou será possível ficar, assim, ensimesmado,
Sabendo que amanhã finda todo esse esnobismo?

sábado, 16 de maio de 2020

Uma Fortaleza saudade



UMA FORTALEZA SAUDADE

 Por Nonato Albuquerque 

 20 de novembro de 2019

(in memoriam à Jáder de Carvalho)
o olhar de menino do interior, 
que a cidade alcovitou um dia 
adormeceu uma paisagem 
de terra, água, amor e muito mar.
No porto onde naus descansam,
meu olhar desejou ser um navio 
e singrar os sete mares do mundo 
sem choro, medo e sem adeuses. 
Não ia dizer nada a minha mãe,
que desligado o meu umbigo,
mantém aprisionado meu coração 
com receio desse meu outro destino.
Nas areias do Mucuripe, flagro 
ainda o menino já descalço 
à sombra de um carvalho nome 
poetando versos, vozes e (en)cantos. 
Um dia, eu navio de mim mesmo, 
velejei no mar da Vida a outro porto 
onde vim jornalistar esse outro lado 
que é o lado de lá, do lado mar. 
O céu que os padres me vendiam 
é lugar de trabalho, sem descanso,,
sem necessidades de indulgência, 
nem petitório aos protetores santos.
Náufrago dessa enseada de luz 
vejo surpreso, navios já cansados 
atracarem neste porto, sem aviso
aos lenços em aceno de saudades. 
Que a terra bárbara onde eu vivi 
um tempo bom, bom tempo tenha;
e que o farol do mediúnico estafeta
brilhe com essa fortaleza saudade. 

sexta-feira, 15 de maio de 2020

ORAÇÃO DO PÃO NOSSO


segunda-feira, 11 de maio de 2020

UNICÓRNIO

UNICÓRNIO 
nonato albuquerque 

Minha infância tinha mágicas 
que eu guardava com afeição, 
rios de pó, feixes de luz 
cavalos marinhos no sertão 

Eu tinha o meu unicórnio 
arco-irizado de plantão 
quando eu precisasse voar 
nas esquinas da amplidão 

Hoje, essa pura magia 
foi descartada de mim 
nos anos de minha velhice 
planejo magicalizá-las, sim

sexta-feira, 8 de maio de 2020

P DE POEMA: COVID-19

COVID-19
Nonato Albuquerque

Que dizem os astros sobre esses desastres 
Que a covid-19 a todos impulsiona? 
Por que nenhum desses videntes fulastres 
Arriscou um palpite sobre o que ele condiciona? 

Por que a Ciência-mãe com todos os pilastres
Não responde a pergunta de quem questiona 
De onde vem esse mal, que o mal proporciona  
Que nos suga a vida como se fora uma albiona. 

A vida na Terra não se permite apenas ao visível 
Por trás de todos nós há um mundo que se rege 
por micróbios, bacilos e bactérias de igual arranjo  

Só o egoísmo humano ainda faz pensar ser crível 
ser ele o semi-deus que, embora sendo herege,
constrói sua caminhada em busca de ser anjo.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O PRÓXIMO ATO - 06.02.2020

 Estúpida forma essa
de sair da vida por motivos próprios.
Outros que o fizeram
Adormecidos ainda estão até hoje.
O que era santo nos ares,
Por enganosos pensamentos seus
Trocou as asas da viagem
Pela da morte e nunca chegou ao céu.
Goulart, desesperado
Fecha a cortina do seu nobre teatro
Sem que o último ato
Desse ao ‘star’ o panteão sagrado.
A vida perde o sentido
Quando liberta em “voluntariis arbitrium”
A lugar nenhum se chega
Quem opção faz pela extrema saída.
Não se permita a isso
Por maiores que sejam as dificuldades
Engana a si. Cria uma peça
Que ameaça ser tragédia, o próximo ato.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

É o cão!


Dizem as más línguas
Que um tal Lúcio Ferreira está no mundo.
Por onde ele passa 
arrasta pequenos e grandes. 
Pois dada lhe foi autorização 
Para que abrisse as portas de sua casa 
E demandasse pela Terra 
escolhendo os escravos desobedientes 
às regras de segurança. 
Gente, milhares de pessoas 
já se mandaram pros lados de lá. 
Homens velhos e jovens também 
na onda da pandemia 
que arrasa quarteirões do mundo. 
Quando ele inventa de subir do abismo 
traz sempre identidade nova. 
Já se manifestou como gripe espanhola, 
febre amarela, peste da Aids, Sars etc e tal. 
Conectou-se nas duas grandes guerras 
e hoje é Covid-19. O da pandemia. 
Porém, as más línguas dizem, 
que ele na verdade tem nome português. 
Chama-se Lúcio Ferreira. 
Mas que se assina resumidamente 
Luci Fer.