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domingo, 28 de outubro de 2018

A tal da morte


não são forças do mal, que de outra esfera
se agigantam em nosso mundo hodierno.
mas o veneno da violência do homem-fera
transformando a Terra em verdadeiro inferno.

quem se alimenta de ódio e acha moderno
refutar o evangelho do bem, porque “já era”,
não faz parte do humano ser,  fraterno,
que a Terra espera ser herdeiro em Nova Era

quem vive sem saber que nesse mundo
dependemos um do outro para ir em frente,
perde o rumo do céu, não futura o passaporte 

O tempo no Planeta é fugaz, num segundo
muda, já que ninguém fica pra semente
sobretudo quando se lhe acerca a tal da morte. 

Essa cidade que me tinha


Tinha um nome, essa cidade
cidade que, então, me tinha
da fortal_felicidade
feliz cidade essa minha.

tinha o mar pra navegante
nenhum aqui por defeito
e quando fosse distante
levar saudades no peito

minha cidade, tão pura
que deixei quando parti
tem a saudosa doçura
da infância que aí vivi

por isso, quando escrevo
esse verso improvisado
a ela que tanto devo
deixo meu muito obrigado.

VIDAS EXEMPLARES


Nos arquivos da história
que o outro lado conserva
há memoráveis capítulos
que Ciência alguma imagina
como os registros de vidas
de seus heróis “et caterva”
sacrificados nas lides
que a encarnação lhes destina.

São almas de passado rude,
filhas da deusa Minerva,
que alimentadas de ódio
viveram o que a lei ensina:
quem com ferro fere, se fere
até que venha a serva
morte, reconstruindo-os todos
sob a inspiração divina.

depois que aprendem na carne
e o bem imprimem às suas vidas
ganham a misericórdia
de retornar uma vez mais
para que essa nova chance
seja de bênçãos e de luz

renascem heróis libertários,
de nações quase esquecidas
onde foram escravizados,
para no amor e na paz
serem exemplos marcantes
do evangelizador Jesus.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O OLHAR DE NOSSA MÃE

O olhar de nossa mãe parece vítreo.
Foge deste tempo, como quem busca o longínquo.
Atravessa paredes como se imaterial fosse.

O olhar de nossa mãe adormece segredos
cuja chave desses misterios só ela decifra.

O olhar de nossa mãe, confunde-se com a sua mente
Parece morar num tempo de estrelas.

Pois ele (o olhar) e ela
adormecem sonhos que não sei dizê-los.

O olhar de nossa mãe, parece despedir-se. 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Para amanhecer na luz de um novo abrigo


como demora amanhecer, dizia no leito de morte 
o paciente com o destino, que este lhe pregava. 
Estava nas últimas, sem chances de mais sorte
mas a esperança do eterno ainda lhe abrigava. 

por que demora tanto vir, esse passaporte 
com que devia atravessar o que já divisava: 
uma estrada diáfana, quando vem o tal corte 
do elo em que a matéria se lhe apegava.


De repente, adentra à enfermaria uma figura 
de branco, olhar tranquilo, sorriso largo 
a lhe estender os braços para um abraço amigo 

é o seu anjo de guarda, uma afável criatura 
que viera lhe buscar, findo esse tempo amargo 
para amanhecer na luz de um novo abrigo. 

Do que vivo e encanto

plantei sementes de luz 
em folhas de papel, 
letras marcavam o caminho 
por onde
por onde deitei palavras 
e, em cujas linhas, 
semeei encantos muitos. 

fui amante das letras 
como ninguém mais 
ousou sê-lo, ao tempo 
em que vivi as múltiplas 
faces do amor 
com que aprendi ser 

hoje eu milito aqui 
no lado onde dizem 
ter anjos e vidas muitas 
adormecem no silêncio 
Mas eu vivo, falo, 
ando e semeio sons. 

quando, um dia, de novo 
eu tiver a possibilidade 
de voltar aos campos 
plantarei palavras 
que serão colhidas 
por atenciosos ouvidos. 

E iluminarei os dias 
com a luz da minha fala
recolhendo do meu eu 
as fulgurantes marcas 
do que, nesse momento, 
eu vivo e encanto. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

P DE POESIA

Não fosse eu, quem eu sou
seria quem menos penso;
um estranho que se achou
na vida agitado e tenso.
não fosse a força do amor,
a quem tudo mais dispenso
não seria eu, esse ator
da vida de prazer imenso.
mas sou filho desse encanto
que busca achar nessa luta
o caminho correto da luz
se ainda andamos em pranto
é que a alma nossa reluta
em seguir o que diz Jesus.
nonato albuquerque
domingo, 22.10.17

domingo, 21 de outubro de 2018

Uma flor à beira do abismo



Sugestivas orientações

ESPIRITUALIDADE.
Sugestivas orientações
Nonato Albuquerque.
Se alegas inconvenientes, os desafios que te propiciam avançar no conhecimento do Eu, repara nas almas edificadas de bênçãos.

As que se disciplinam em paciência, ainda que envoltas em íntimas discussões; as que orientam os passos, ainda que lhes faltem a visão.

As que se destinam ao desapego, embora não amealhem um níquel de fortuna.

As que suscitam apaziguamento em meio às agruras da guerra pessoal.

Todas seguem as diretrizes edificantes da moral cristã, que associa o 'dar de graça, sem nada receber' a todos os benefícios celestes.

O dia que surge, o sol que rutila, a força e o trabalho, a comunhão das pessoas em amizade. Tudo é fruto de uma sementeira que a vida lhes proporciona.

Nem todos consideram-se nimbados da luz divina, nem se sagram aos altares, mas santificam suas ações na prática do bem. Trabalhando e servindo.

Ainda que reconheças difícil a caminhada, compraz-te ao primeiro passo que a chama da vida estimular-te-á a palmilhar a estrada em busca do bem comum.

Escrito na madrugada
de 14 de outubro 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2018

INTERROGA AÇÕES


que dia vai se erguer amanhã, 
quando essa noite deixar suas sombras 
escorrerem por entre os lençóis incômodos 
e levitar no ar como um balão de sonhos?

que manhã teremos depois, 
quando as amarras da dor se aquebrantarem
e a face cruenta de tormentos outros 
for despejada da mente de nossos velhos?

Preciso descansar essa inquietude
para, uma vez seguinte, povoar-me 
de ilusões fervilhantes e requentadas. 

Pois, afinal, somos parte uníssona
do que, no universo, verdadeiramente, 
é canção de paz e de esperança plena. 


HISTÓRIAS DO HOMEM BOM



ANJO DE CARNE
Um homem bom, 
que não era amigo do rei, mas de pessoas simples que nem ele, 
quando viajava de seu lugarejo até à cidade 
para compras de mantimentos do mês, 
costumava deixar à sombra de uma frondosa árvore, 
uma pequena porção de alimentos 
e uma galheta com água pura, para matar a fome e a sede 
de quem, porventura, viesse a cruzar aquele caminho. 
Esse missionário da Vida, samaritano do amor, 
praticava o crístico ensino 
enquanto a maioria de nós só o faz, muitas vezes, 
apenas da boca pra fora.
No dia que ele ascendeu aos céus
um espírito de luz preparou-lhe uma surpresa:
deixou-lhe na escada para o paraíso um par de asas
como paga pelos serviços que ele prestou
aos inúmeros desconhecidos, por ele auxiliados,
e que jamais se deram conta do anjo de carne
que, missionariamente, atravessava o vale da Vida.

O 'RUH' DOS VIAJANTES DO DESERTO

O 'RUH' DOS VIAJANTES DO DESERTO
Muita gente comentou o caso do homem bom que deixava alimento e água pelo caminho onde costumeiramente passava para servir de alimento aos viajantes. Pois bem, tem ainda uma outra história dele que é preciso ser contada para que saibamos como se operava a grande virtude desse ‘fellahin’.

Houve um dia que, ao passar por uma cidade, viu-se diante um mendigo que dormia ao relento, com o peito nu ao rigor dos ventos alísios. Pessoas que passavam pelo caminho, pareciam não sentir sua presença, pois que a indolência às necessidades do outro, costuma cegar os indivíduos. 

O homem bom tirou suas vestes de pele de camelo e as colocou calmamente ao lado do mendigo, retirando-se depois de forma silenciosa para não perturbar o seu sono. 

Ao chegar em casa sem as vestes, alguém lhe interpelou se havia sido arrestado por um algum nômade do deserto, ao que ele respondeu: “Não, o profeta deixou-me alguém necessitado em meu caminho e cumpri a ordenança de Alá, meu senhor e meu guia.

O tempo mudou as folhas das tamareiras; varreu a areia dos cumes do deserto e embranqueceu as têmporas do homem bom. Seus movimentos eram mais metódicos. Sua vista ganhara uma certa opacidade. Enxergava menos do que antes, mas o bastante para testemunhar naquela noite, o estranho que adentrou a sua tenda, vestindo uma túnica luminosamente bela.

“Quem adentra a minha tenda e com que razão me vem” indagou o homem bom. Ao que a voz respondeu: ‘Eu sou o mensageiro de Alá que me travesti de mendigo a fim de testar se a bondade ainda espaceia o coração dos homens. 

Durante muitos dias fiquei naquele local, vendo passar as caravanas do povo das tendas, sem que nenhum deles desse pela minha presença. E tu, grande alma, significaste com teu gesto, a salvação de muitas vidas que seriam varridas pelos ventos justiceiros de Alá. Maktub!

E convidou o homem bom a sair de sua tenda para adentrar, lá fora, nos campos luminosos do infinito. O homem bom se tornou um ‘ruh’, espírito que no deserto guia os caravaneiros que se perderam pelo caminho.

(Histórias do homem bom- Nonato Albuquerque)

domingo, 14 de outubro de 2018

CONTRA A HOSTILIDADE BRASILEIRA DE 2018

A campanha eleitoral do segundo turno de 2018, devido a polarização e ao discurso de ódio que as partes acabaram convertendo, levou-me a escrever textos curtos nas redes sociais (Facebook), alertando sobre os riscos de ingressarmos em um ambiente ainda mais hostil e indesejável. Aqui estão alguns deles. 

ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (1)

Quando católicos e evangélicos na velha Irlanda começaram aquele perrengue danado, por disputas de cunho religioso, algum deles de bom senso deve ter dito: isso não vai acabar bem. E foi o que aconteceu: o país se dividiu em Irlanda do Norte e Irlanda do Sul.
Quando judeus e palestinos começaram a trocar insultos e pedras de baladeiras, um goy qualquer deve ter profetizado: isso num vai terminar bem. E veio a guerra dos seis dias.
Quando anarquistas e comunistas se desentenderam com a ditadura franquista, partisans dos dois lados acreditaram que aquele regime não daria certo. E a guerra civil confirmou a previsão.
Quando os alemães do nazismo adentraram às casas de judeus e começaram a removê-los de suas estâncias, obrigando-os a viverem em guetos, num ‘shabat’ qualquer da história, algum rabino deve ter anunciado: isso vai acabar mal. E vieram os campos de concentração e a ideia de Heinrich Himmler implantando a chamada solução final.


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ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (2)

Quando na década de 70 do século XX, a família al-Assad começou um regime ditatorial na Síria - que persiste até hoje - e, do ponto de vista religioso, os xiitas impuseram uma carnificina contra curdos e cristãos, um membro da igreja Maronita alertou: Isso não vai acabar bem". E não acabou.
Hoje, a guerra na Síria já ultrapassou um total de 470 mil mortes segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos e obrigou mais de 11 milhões de pessoas a sair de suas casas, buscando como refugiados lugares no mundo.
Quando retornou dos EUA depois de governar a ilha de Cuba, Fulgêncio Batista não aceitou perder as eleições em 1950 e aplicou um golpe em 1952. O jornalista Jules Dubois teria comentado com amigos: isso não vai acabar bem. E redundou na derrubada de Batista e o surgimento da ditadura de Fidel Castro, cuja sombra ainda persiste até hoje.
Quando o jornalista Benito Mussolini cria o movimento político intitulado "fascismo", sem nenhum aparato teórico abrangente, impõe uma luta contra a democracia. Membros da oposição chegaram a alertar: isso não vai acabar bem. E o movimento revelou-se xenófobo, preconceituoso, além de operar com o conluio de grandes empresas, negando direitos e liberdades fundamentais para se torar o poder executivo absoluto.

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ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (3)

Quando Sansão confidenciou à Dalila onde residia a sua força e poder - referindo-se à mente e não aos cabelos como tradicionalmente se popularizou dizer -, a irmã dela comentou: "isso não vai acabar bem". Resultado: veio o poder, a tortura, a cegueira de Sansão e ele sucumbiu no templo e no tempo, com as forças do império do terror.

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ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (4)

Quando souberam da prisão do Cristo, após a celebração da páscoa com os apóstolos, Maria de Cuza e Maria de Magdala, acorreram às pressas ao palácio imperial na tentativa de saber o que estava acontecendo.
Na ocasião, Pilatos fazia um plebiscito, a fim de que o povo votasse em quem desejava eleger para liberdade: Barrabás, o furioso detento que elegera o ódio e a violência como meta de vida, ou a Jesus, o primoroso educador que aclarava mentes e corações com seus ensinos. Ao saber da escolha do povo pelo primeiro, Maria de Cuza sentenciou: “isso não vai acabar bem”. E foi o que deu.
Traído por 30 dinares, Jesus foi submetido a um regime de força dos que diziam agir em nome de Deus "acima de tudo", mas que operavam sob as ordens da opressora política romana.
Preso, torturado, escorraçado nas ruas, sob o flagelo da cruz imposta pela guarda pretoriana e sob os apupos da multidão ignara, o nazareno - que aos 13 anos deixara a cidade e família para se preparar para sua missão terrena -, viveu trágica paixão e morte, decretada pelo farisaísmo da época e pela escolha a partir da falta de senso de um povo.
2 mil anos depois, ninguém lembra de Barrabás. De Jesus, porém..


ISSO NÃO VAI
ACABAR BEM (5_


Quando Monteiro Lobato, por volta de 1926, escreveu nas páginas do A Manhã, artigo criticando a posição do Brasil em não deixar aportar no Rio um navio comercial russo, com receio de que a ideia nova do comunismo pudesse acabar infectando a população brasileira, o autor recebeu intimação para comparecer à delegacia e dar explicações sobre o seu posicionamento. A esposa Mariinha confessou-lhe: “isso não vai acabar bem”.

Lobato escreveria depois: “Fiz o testamento e fui. Dei com um moço fino, muito longe do truculento Javert que esperava encontrar no posto”. O delegado era fã de seus artigos e, confessa ao autor que recebera “ordens de cima” para apreender seus livros; mas não o faria. Os que mandavam as “ordens” receavam, como nos dias de hoje, o comunismo.

Dias depois, Monteiro Lobato voltaria ao caso do navio proibido de atracar nos portos brasileiros indo para a Argentina, escrevendo: “(a ideia comunista) não infeccionou coisa nenhuma. Só serviu para abrir o apetite àqueles povos e lhes inocular o desejo de ter a sua visão pessoal da difamada Rússia”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

P de poesia - para Raoni

os filhos, expressa u´a verdade,
são almas vindas do outrora
que retornam para que agora deem
à vida contínua idade.

trazem a paz que corrobora
aos pais essência, alteridade,
em tempos que uma metáfora  diz ser da alma nossa, metade.

quando pais nossos, convivem
conosco, e na invulgar meninice
protege-nos de quantos perigos.

depois que vão, ainda vivem
pra voltar com mais traquinice
 como filhos, de pais, bons amigos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Bônus


não te impressiones com a dor alheia
pois que a tua´inda não se fez chegada;
na ampulheta do tempo escoa a areia
em busca de reajustar a cota endividada.

quem vive uma paixão atormentada
recebe o fruto do qual sempre nomeia
se do mal, pela maldade será marcada
se do bem, o bem que o bem semeia. 

pois que aprendendo essas poucas regras
não venhas no futuro com algum reclame
chorar como outros, o leite derramado.

a vida é mar de provas e, nela, integras
função importante, por isso mesmo ame
para alcançar o céu, o que lhe é bonificado.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

O endereço do passado



sexta-feira, 21 de setembro de 2018

P DE POESIA - A MÁQUINA DE LAVAR

a máquina de lavar
Nonato Albuquerque




Em frente à maquina de lavar, 

dispo-me de meus preconceitos;
A camisa de força da ignorância 

e as calças apertadas do egoísmo.

As vestes rotas do passado, 

as lanço num canto da sala.
As meias idéias que eu calcei, 

descalço-me de todos os erros.

Em frente à máquina de lavar 

Retiro minha armadura e ponho
Fora todos os meus desenganos.

E só assim, afinal de contas, 

É que eu entro na máquina
E lavo todos os meus pecados.

p de poesia RENASCIDO EM DORES


RENASCIDO EM DORES
Nonato Albuquerque

Caminhante eu, era de outroras eras,
Entre bárbaros sequazes, vilões cruéis
A destruir sonhos, ideais, quimeras,
Por conquistas vãs, parcos lauréis. 

Imaginava com assédio dessas feras,
O ideal: sagrar-me rei de antigos infiéis.
Arrostava sob o guante das esferas
Do mal, a sanha indomável dos corcéis.

Desolados corações deixei à passagem
Da horda sedentária, ruminei plagas,
A bramir ódio sob todos estertores.

Em armadura de carne e na voragem
Do tempo, me vi; corpo repleto em chagas
Para cumprir a Lei, renascido em dores.


(Inspirado em Jésus Gonçalves)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

NOS BAILES DO FIM DO MUNDO

NOS BAILES DO FIM DO MUNDO
Nonato Albuquerque

Nos bailes do fim do mundo,
Com quem dançará Fred Astaire?
Ingrid terá reencontrado Rosselini?
Para quem mostrará a língua Einstein?
Dumont terá ganho asas que nem seu 14 Bis?

No oco do mundo para onde as almas migram
Chaplin terá visto Oona e emudecido
outros seres com seu eterno vagabundo?
Beethoven, terá ouvido os sons da Nona Sinfonia?
Mahatma Gandhi tecido um outro dhoti?
Quando passou para a dimensão da Luz
Walter Elias terá construído uma ‘Disney Heaven’?
Coexistirá com Albino, o sorriso Luciani?
Em que cinema Federico estará Felini?
Como estarão Franco, Mussolini, DeGaulle, Roosevelt
E ‘ele’, que não ouso nem citar o nome?
Todos esses mitos humanos passaram
E hoje rumino o ontem de onde eles saíram
para mostrar como é fugaz a vida na matéria.
Com quem partilhará seus sonhos Jackeline?
Keneddy, o John? Ou Aristoteles Onassis?
E aquele anjo bom que adotou Calcutá por sobrenome,
Teresa, madre, mãe dos pobres... como estará?

Nos bailes do fim do mundo,
Deborah ainda Kerr que Gregory Peck?

FOME E SEDE DE DEUS

FOME E SEDE DE DEUS 
nonato albuquerque

No rio das muitas águas de meu peito
Navegam queixas, transbordam mágoas
Silenciosos cardumes se estreitam
No aguardo de chegarem à superfície

Quando choro, o anzol do desespero
Trata de içá-los em meio às lágrimas
E o aço das lâminas corrige o rumo
Transportando-os a outra dimensão

Quem para estancar essa correnteza
Que devasta minha alma inconsolável?
Todo rio reclama caminhos oceânicos

Se Pedro fez-se pescador de homens
Quero ser peixe para matar nas redes
Essa fome enorme de Deus em mim

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

P de poesia

Eu tenho mil anos em meus costados;
que a embalagem minha agora me desmente.
Fui ateu e profecei todos tratados
de fé, como qualquer fiel mais crente.

Andei lavrando terras com arados,
Nelas recolhi frutos, onde semente
Deixei. Em vidas outras fomos escravizados
E noutras eu fui senhor deles somente.

Depois de tantos anos de porfia
Comendo o pão que o outro amassou
Nasci herdeiro de um reino absolutista

Morri de fome de amor, por ironia
Embora tudo tivesse. E agora me restou
Ser aprendiz da doutrina espiritista.

domingo, 9 de setembro de 2018

O POETA MANDRIÃO

O POETA MANDRIÃO 

nonato albuquerque

Olhos de mandrião, sou eu quem busco

As cenas do pretérito em terras minhas
Onde poeta, logrei por entre as linhas
Ser feitor de versos a pleno lusco-fusco


Imagens me trouxeram as andorinhas
nas cumeeiras do casario etrusco
E a pachorrenta noite a cair de brusco
Por sobre os mil telhados de Azevinhas

Nela, pastoreei almas em romagens
Do evangelho crístico, tomei prumo
Buscando ser fiel a esse nóvel trabalho

De volta ao exílio, já n´outras paragens
Revela-se a veia poética que ainda assumo
E que me nomina ser Chico Carvalho

...
Inspirado em Fco. Carvalho
a quem muito tenho apreço

eu, essa peça inacabada

Nonato Albuquerque
Eu teço o texto de meus textos com paixão (e compaixão...)
São linhas filtradas no meu próprio sangue, 
que as palavras têm essa propriedade incomum
de injetar líquido na solidez das conversas.
Arremato as pregas de cada frase com fino trato,
e vou alinhavando as sobras com meu jeito de ser:
Sou operário de quem pensa seja eu poeta,
mais vítima do poema que seu próprio executor
Ah! meus tempos de diálogos travados em outras eras
onde o corte deixado pela minha lâmina-língua
fazia calar realmente os que não sabiam falar.
Hoje, distante de tudo e de mim mesmo, rebusco na memória perdida do tempo, alguma lembrança que me dê certeza de ser eu, essa peça inacabada

sábado, 8 de setembro de 2018

OVELHA NEGRA DE OUTROS PASTOS




Eu não sei escrever do jeito que os poetas escrevem.
Eu nem sei escrever bem;
mas a força de provar que eu vivo esse domínio novo
me lança a essa empreitada.

Eu sou quem fui e quem nem sempre imaginei ter sido
um vagabundo e marginal
vivi os tropeços da juventude e, quando envelhecido,
carreei todos os males.

Fui um mísero humano que não deixei marca alguma
mas alguns se lembram
de um anônimo figurante que vivia da bondade alheia
pelas ruas e avenidas.

cheguei ao porto desse ponto, onde chegam as almas
torturado de dor ainda
e não fossem mãos caridosas de afeições amigas
eu não saberia como ser.

Venho pois agradecer, através dessa carta simplória
aos que me ajudaram.
Deus proteja suas vidas enquanto vidas todos tiverem
assim como protegeram a minha.

Obrigado amigos, que o Bom Pastor, meigo e sereno,  
acolha a todos hoje e sempre.
Pois em seu redil, eu ovelha negra de outros pastos
fui acolhido por seus santos anjos.

VIDA DE ARTISTA


Ídolos da humanidade, em função da arte,
quando retornam ao átrio da espiritualidade
recordam histórias que viveram, destarte,
algumas fossem tristes para a humanidade.

Um deles revive a hora amarga; o enfarte,
com a paleta nas mãos em plena atividade;
a perda do domínio das cores e o descarte
do modelo corpóreo seu, inda em tão breve idade.

Ao lado de Gaugin, Vincent hoje deplora
a cena que o fez cortar a própria orelha
em uma discussão tão fútil hoje assim vista

a dupla pincela os fatos enquanto se prepara
para atender a uma missão onde se espelha
as cores do perdão em outra vida de artista

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Estagiários da fé

Por onde andam os estagiários da fé, 
que bebem os ensinos; 
se empanturram de teses; 
discutem com seus pares; 
mas, diante da necessária ação, 
se desqualificam por não praticarem. 

Os céus não os eximem do serviço prático. 
E aguarda de cada um, 
a disponibilidade do serviço. 

Amar e servir são lemas 
que a doutrina dos anjos espera de todos 
os que se voluntariam ao trabalho do Cristo. 

Ação. Mais ação. Ação...

Reunião de 07.09.2018

Extratos da alma

Quando no concerto celeste da formação terrena, o Senhor do Universo, compôs esse magnífico hino de amor, incluindo este orbe como parte de sua sinfonia, instruiu ao homem descer aos abismos e, a partir do esforço comum, rumar ao seu proveitoso destino. 

Ao contrário dos irracionais de importância incomum no cenário da Terra, deu-lhe o Senhor o dom sagrado de o homem manter-se ereto, além da formidável condição de pensar, falar e instruir-se '"ad infinitum". 

O tempo passou e provou que a humana espécie era, em sua maioria, contraditória aos anseios da divina essência. Ao invés de passageiro do Planeta, quis se assenhorar dele. Tornar-se absoluto dono. 

Ao invés de fertilizar as terras muitas com a abundância da lavra fecunda e partilhar o resultado das colheitas, o racional ser impôs na sua caminhada, o poder do ter. De usufruir e recolher para si, os frutos - impedindo que seus iguais, também, pudessem tirar do lucro a parte lhes devida. Criou-se um mercado de proveitos que, ambicionado por eles, deixaria a espécie cativa de si mesma. 

Hoje, quando a Terra assinala um tempo de cansaço, por conta da devastação causada pela inépcia do homem, espíritos missionados aterram ao Planeta, com as instruções de recolher desse fardo de dor e de lamentos, aqueles a quem não se deve a honra de herdeiros. 

Eles serão conduzidos a extremos locais, com igual capacidade de agir para, uma vez seguinte, retornarem aos campos da obsequiosa ajuda divina e tentarem um novo  e diferente plantio. 

Nenhum dos integrantes dessa espécie, quase falida humanisticamente, ficará a esmo nesses novos ambientes. A razão lhes permitirá o acesso às condições de sobrevivência. 

Da memória conduzida pelos arquivos da alma, um sublime fluxo de energia auxiliará a cada um, ter uma leve intuição de que seu destino são as estrelas. E eles, certamente, ambientados pela luz da razão, acolherão esses indícios, evitando ambicionar o abismo a que a ignorância os conduz. 

Esse é um extrato supremo da verdade que acompanha cada alma centralizada no orbe terrestre, cujo destino por sua vez é lançar-se ao primado superior do progresso, partilhando junto às inúmeras outras regiões do cosmos a sua evolutiva destinação. 

A PESTE

Na seara do divino mestre, acontecia 
reunião de amigos, voluntários da paz. 
Buscavam entender porquê a minoria 
dos maus ainda se insurge aos demais.

Cada um dos que, ali, de amor se nutria
aguardava saber o que a todos compraz
"Quando virá a era em que se anuncia 
terá a Terra um nível que mais satisfaz?"

Um anjo de guarda, pediu a palavra 
falou do encanto que a união propicia
em busca de achar a resposta celeste. 

"A mudança virá quando quem nela lavra,
semear o amor e colher com a alegria, 
a derrota do mal que na Terra ainda é peste.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CANGACEIROS NO ALÉM


Antigos espíritos, egressos da carne 
de um tempo inglório, era do cangaço, 
chegaram chagados aqui no espaço 
depois de passar por atroz desencarne

carregando mágoas e ledos enganos 
por atos insanos por si cometidos 
jungidos de dor, chegaram esquecidos 
quem são, quem foram todos esses anos

estacionados agora, cada um só aguarda 
seguir dos seus guias o doce conselho 
de voltar à Terra, uma vez seguinte 

Tentar, nessa escola, com uma nova farda 
estudar as lições comuns do evangelho 
e esquecer o que foram no século XX. 



SE EU FOSSE RICO

Se eu fosse rico, dizia o cidadão de meia idade,
Eu saberia exatamente o que fazer da riqueza.
Daria metade para ajudar a essa pobreza
E a outra metade me bastaria à felicidade.
Se eu fosse rico, falava ainda com mais alarde,
Não deixaria mesmo ninguém morrer de fome
daria abrigo e pão aos sem teto e aos sem nome
faria felizes a todos, antes que fosse tarde.
Nisso, no meio da conversa, chega o carteiro,
entrega-lhe uma carta, que ele lê por inteiro.
E era carta de cobrança, dívida medonha.
O amigo que lhe ouvia atentamente a tudo
Diz-lhe, "compadre, seja pobre, mas contudo,
vá pagar suas contas e só depois ‘cê’ sonha".
(Nonato Albuquerque)

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Na noite em que o Museu Nacional do Rio de Janeiro se consumia em chamas, eu sonho percirrendpo caminho de trabalhadores do CEJE buscando meios para atender aos seus necessitados.

Há uma enorme camada de areia pelo caminho e eu consigo subir a elevacaede um morro, passando por dentro do que resta de um prédio destrides. Num deles a inscrição: 9 de abril de 1909. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

AS OUTRAS BEM-AVENTURANÇAS


as outras bem-aventuranças
Nonato Albuquerque

Bem aventurados, os homens de poucas letras e de muito saber em quem a Natureza expõe toda a sua maestria.
Bem aventurados, os sem esperança mas que acham motivos para derramar nos outros as chances de um tempo melhor.
Bem aventurados, os que navegam pela Terra sem bússola, sem rumo e conseguem auxiliar numa rua, a travessia dos sem memória.
Bem aventurados, os profetas que anunciam chuva e inverno
e mesmo que lhe dêem as costas, sua ciência é verdade exata.

Bem aventurados, os que se acham solitários por sobre o planeta, mas abrigam em si o conhecimento de que somos uma só família.
Bem aventurados os homens e mulheres de idéias luminosas
cujo facho de luz se projeta em favor não de si mas dos outros.

Bem aventurados, os que amam e embora não haja reciprocidade, magnificam a Vida com sua luminosa presença de paz...
Bem aventurados, os que auxiliam os deserdados do bem ainda que nem considerem ser possuidores dessa sagrada virtude.
Bem aventurados, sejam todos e todas!